#O CCBB de Brasília está com seu teatro preenchido pela peça: Simplesmente eu, Clarice Lispector. Um monólogo dirigido, adaptado e estrelado por Beth Goulart. Vale a pena assistir. Tive um certo estranhamento ao ver alguém interpretar os textos de Clarice. Acho que nunca ri com Clarice, nunca achei que seus escritos, por mais estapafúrdios, fossem uma comédia. E Beth nos faz rir às vezes. Devo rever a peça semana que vem, pois é um encontro com Clarice, um encontro bem diferente do que o que tive nos meus 16 anos. Clarice e Caio F. são meus principais alicerces literários e deles herdei uma visão de mundo, por meio deles descobri meu mundo. A peça fica em Brasília até 02/08/09 e depois segue para o Rio de Janeiro, de 13/08 a 04/10/09.
#A Lola já deu a largada faz tempo para o 2º Concurso de Blogueiras. O tema da vez é feminismo e tem texto meu concorrendo. O texto Mayara, Obama e a imprensa ridícula teve uma ótima repercussão. Recebi elogios e reconhecimento pelo texto, boas discussões foram geradas. Fiquei muito orgulhosa e feliz, uma pena que a imprensa não perceba que uma mulher quer reconhecimento pelo seu trabalho, por seus feitos e não apenas pela admiração que outras pessoas tem pela sua bunda. Não estou pedindo votos, quero que você vá lá conhecer os outros textos, vote no que achar melhor e tenha certeza que o feminismo não morreu e nem é bicho-papão.
#A revista Veja dessa semana traz uma entrevista com Xinran Xue, autora do livro “As Boas Mulheres da China”. Em um trecho da entrevista, ela cita um dos motivos pelos quais penso que o feminismo é um movimento ainda muito importante, não só para a China, mas para o mundo em que vivemos, um mundo onde a mulher tem sua liberdade sufocada. Ela fala da realidade de uma campesina chinesa, mas sabemos que ainda existem mulheres aí na esquina que sofrem da mesma cegueira social.
A senhora quer dizer que é cedo demais para que a democracia chegue à China? Vou repetir uma lição que recebi de uma camponesa de Hunan, região onde nasceu Mao Tsé-tung. Entrevistei-a em 1995, quando já era jornalista, achava que sabia tudo, mas na verdade era ainda muito ingênua. A mulher trabalhava num campo de arroz. Perguntei a ela o que escolheria se eu lhe oferecesse três coisas: liberdade e democracia; marido e filhos; ou terra e dinheiro. Ela me olhou como quem diz: “Ah, você está tentando me enganar!”. Respondeu que terra e dinheiro pertencem aos homens, não às mulheres. Sobre marido e filhos, disse: “Marido é quem manda em tudo e os filhos são a minha rotina”, querendo dizer que aquilo ela já tinha. Então, perguntou: “Mas quanto é a garrafa de liberdade?”. Eu fiquei atônita: “Como assim?”. Ela repetiu: “Quanto custa essa garrafa de óleo que você quer vender?”. Foi aí que eu entendi: em chinês, a pronúncia da palavra óleo (you) é muito parecida com a de liberdade (ziyou). Ela achou que eu estava querendo lhe vender óleo.
Quando ela entendeu que a senhora se referia a liberdade, o que achou da oferta? Mas ela não entendia essa palavra! Eu tive de explicar-lhe o que era e o fiz da forma que considerei mais simples. Disse algo como: “Bem, liberdade é você ter o direito de contrariar o seu marido quando você acha que ele fez algo errado. Liberdade é você ter o direito de dizer: ‘Eu quero algo para mim, não para o meu marido ou para os meus filhos – um vestido bonito, uma comida gostosa ou um dia de descanso’”. Achei que, colocando desse modo, ela fosse entender. Em vez disso, olhou para mim e respondeu: “Que mulher tola você é! Isso não existe”. Eu falei sobre liberdade, que é uma palavra muito mais fácil. Imagine se eu tivesse falado sobre democracia…
#A Yoko me entrevistou algum tempo atrás para seu trabalho final de curso. Vale a pena conhecer a Blogotecaria e várias dicas de blogs do Planalto Central. Acredite se quiser, nunca matei um blog. Fui simplesmente mudando de casa, carregando os posts comigo e deixando-os vazios para trás. Este endereço é minha terceira casa e acho que definitiva, pelo tempo que for.
#O Zé, que já tinha me feito cair de amores pela Bic Runga, recentemente me apresentou o Hollywood Mon Amour. Foi paixão à primeira vista. É maravilhoso encontrar pessoas que sabem o que nossos corações precisam.
#Por falar em pessoas especiais, há alguns dias atrás foi Dia do Amigo. Não sou de comemorar essas datas, mas tenho uma amiga, uma melhor amiga, uma amiga tão querida que não sabe que choro às vezes de tão feliz que sou por tê-la na minha vida (mas ela sabe que choro até vendo novela). A Rosália está trabalhando do outro lado da rua do meu trabalho. Daí outro dia ela foi no meu prédio comprar dindin de cajá e levou um colega. Ao me apresentar para ele, ela disse: “Essa é a Bia, ela é a minha melhor amiga.” Como se nós tivéssemos seis anos e estivéssemos apresentando a nossa melhor amiga da escola. Faz tempo que ela é a minha melhor amiga, mas eu não sabia que eu era a melhor amiga dela. Não lembro que dia foi, mas aquele dia valeu para mim por todos os Dias do Amigo que eu nunca soube que existiam.
#E por falar em datas, no exato dia 19 de julho de 2009, na cidade de Brasília, eu e esse Adorável Nerd completamos 1 ano de namoro, ou como ele prefere, 365 voltas ao redor da Terra juntos. Sim, all we need is love!
#Preciso falar também desse anúncio da Lego, de muitos anos atrás. Uma garotinha sorri orgulhosa com seu brinquedo. Apenas isso, sem cor-de-rosa, sem glitter. Ok, adoro as Princesas Disney (sou Pocahontas!), mas meninas não são só isso e meninos não são só azul e comandos em ação. Ser livre é justamente poder ser o que ser quer, a qualquer hora, em qualquer momento. Ser livre é poder escolher.
#Debora Rocco, companheira de Deusario, estreou coluna nova sobre Menopausa: Tenda Lunar. Vale muito!
#E posso dar mais um link? Sexo e pizza quando são ruins…