Faça!

Você provavelmente está acompanhando a tragédia que atingiu Santa Catarina. Também já sabe que está chovendo muito no Rio de Janeiro, que São Paulo também sofre com enchentes, que o nordeste oscila entre seca e chuva demais num contraste curioso entre litoral e sertão. Aqui em Brasília também anda chovendo muito e é certo que em todos esses lugares existam pessoas precisando de ajuda. Talvez você também esteja sendo mordido pelo espírito solidário que ataca muitas pessoas no fim do ano, então eu digo: Faça! Você pode fazer qualquer coisa, mas ajude alguém. Pode até emprestar dinheiro para um amigo que está precisando sem esperar receber. O que quero realmente é que você faça alguma coisa. Não fique parado, não ache que uma pessoa sozinha não faz nada. Infelizmente pagamos impostos, mas eles não vão para onde queremos. Também acho que nossos políticos poderiam dar um bom montante de seus salários para as vítimas diárias desse país, mas você sabe que isso não vai acontecer. Então jogue as dúvidas de lado e vá fazer alguma coisa, pelos outros e por você. Vá acreditar nas pessoas, vá confiar nos outros sem medo, vá entregar seu dinheiro, objetos, trabalho ou carinho.

  • Há milhões de coisas para fazer. Há até meme nos blogs. Você pode obter informações importantes sobre o que doar e qual a situação das cidades atingidas por meio de blogs como o Alles Blau, Desabrigados de Itajaí e outros.

  • Há contas oficiais da Defesa Civil para ajudar as vítimas de Santa Catarina:

Banco do Brasil (conta 80.000-7, agência 3582-3)

Banco do Estado de Santa Catarina (conta 80.000-0, agência 068-0)

O favorecido é o Fundo Estadual de Defesa Civil, sob o CNPJ 04.426.883/0001-57.

  • Há ONGs que estão cuidando dos animais que também precisam de doações. O Gatoca e o Verdade Absoluta dão mais informações.

Ong Viva Bicho – (47) 8425-1459 / 9903-5441 (Contato: Bianca )

Banco do Brasil, Ag. 1489-3, CC 20793-4

Associação Viva Bicho, CNPJ 06 156 776 / 0001 – 81

APRABLU – Associação Protetora de Animais de Blumenau

Contato para doações: e-mail: aprablu@terra. com.br (Bárbara)

Caixa Econômica Federal (ou lotéricas), Ag.411, Op. 013, CC 187-5 (Simone Ruth Stoltz)

Há os centros de voluntariado. Há milhares de instituições que precisam de ajuda. Ligue, se informe se haverá algum evento, do que estão precisando. Doe. Ano que vem visite mais vezes. As pessoas precisam de ajuda o ano inteiro. Você não vai salvar o mundo, não vai deixar de ir ao cinema ou comer em bons restaurantes, mas não pode ficar sem fazer nada. Não pode achar que o mundo se resolverá por si. Consuma menos, cuide do meio ambiente, faça sua parte e acredite num mundo melhor.

Trabalho voluntário e educação.

Há dois anos, aproximadamente, realizo trabalhos voluntários na área de educação. Durante desse tempo foi possível conhecer o trabalho de várias pessoas e instituições. Para participar do Blogueiro Repórter, decidi conversar com outros voluntários e, com alunos de um curso de alfabetização, sobre relações existentes entre trabalho, educação, sociedade e vida. É possível encontrar todos os posts participantes do Blogueiro Repórter pelo diHITT.

 

Aparecida Martins é coordenadora pedagógica voluntária na Casa de Ismael, uma instituição sem fins lucrativos, com a missão de abrigar e assistir crianças e adolescentes órfãos, abandonados e/ou com lares temporariamente desajustados, de 2 a 18 anos de idade, bem como amparar e orientar as respectivas famílias que estejam em estado de pobreza e desestruturação agudas. O projeto educacional consiste em manter aulas de reforço e apoio educacional no período contrário ao da escola que freqüentam. O projeto também é aberto a pessoas da comunidade. Como muitas pessoas, Aparecida decidiu trabalhar voluntariamente depois de se aposentar. Conversamos sobre as atividades realizadas na Casa de Ismael e as relações entre trabalho voluntário e sociedade.

Dentro de uma sala de aula existem os alunos e os professores, mas também estão presentes, de forma indireta, as pessoas que influenciam as crianças, os pais, a família. A sociedade está presente na sala de aula, por meio da cultura e da vida, porém a maioria das pessoas não se sente responsável pela educação pública brasileira e nem mesmo pelas crianças. O governo é responsável, claro. Mas há tanto que pode ser feito hoje, é tão importante para o ser humano conhecer as pessoas do seu bairro, a escola ainda tem esse poder de agregação, mas ele é extremamente subutilizado.”

 

Atualmente, o MEC junto com o FNDE possui um programa especial chamado Escola Aberta. As escolas cadastradas são abertas nos fins de semana e realizam-se oficinas, aulas de dança, esportes e outras atividades, visando atrair a comunidade e agrega-la ao espaço escolar como uma opção de lazer e sociabilidade. Aparecida concorda comigo que isso é uma ótima iniciativa, mas ainda é pouco perto da influência que a sociedade exerce sobre o indivíduo.

 

“As relações sociais auxiliam no processo educativo dos alunos. E, dependendo do contexto social da escola, essas relações são facilitadas ou não. Questões como a violência, a incivilidade, fatores econômicos, comunidades religiosas e até política são alguns dos elementos que afetam o desenvolvimento de um processo pedagógico. Por que o aluno estaria excluído dessas influências? O aluno deve ser visto como um todo. Quando ele chega à escola traz consigo não só o material escolar como também informações, impressões e experiências que recebeu durante sua vida. A sociedade também não pode se excluir do processo de formação dos cidadãos”.

 

Sueli Mariani e Dina Ribeiro são voluntárias cadastradas no Centro de Voluntariado do Distrito Federal. Há cerca de um ano, após o término de um curso técnico de alfabetização, viram-se diante do desafio de montar uma turma e começar a lecionar. Sueli sempre gostou de ser professora e afirma que o trabalho voluntário precisa ser encarado realmente como um trabalho.

 

“Fazer trabalho voluntário significa um comprometimento com o coração. É um dever estar ali, pois outras pessoas dependem de você e não há ninguém para te substituir”.

 

Na turma há 15 alunos e a aulas ocorrem duas vezes por semana à noite. Poucos alunos moram perto, a maioria vem do trabalho. Converso com eles sobre seus sonhos, dúvidas e anseios. Margarida, 47 anos, conta que sempre teve muita vergonha de não saber ler e escrever, mas que ao chegar ali e ver outras pessoas com a mesma dificuldade decidiu tentar. Todos têm longas histórias de vida, razões pelas quais não freqüentaram a escola no período correto, mas também têm vários sonhos como comprar a casa própria, escrever cartas para familiares, copiar poesias, fazer uma faculdade, terminar um curso técnico, ajudar os filhos nas tarefas escolares, viajar sem medo. Pergunto a Bernardo, 61 anos, o que significa para ele participar desse grupo.

 

“Realmente dependo dessas professoras, mas acredito que aconteçam trocas de vida entre todos nós. A cada aula sabemos um pouco mais sobre português e matemática, mas também sei um pouco da professora, dos colegas e eles sabem mais de mim. Essa troca, essa amizade é muito importante para se aprender sobre a vida e sobre como aprender a ler e escrever muda a vida de todos nós, tanto de quem sabe como de quem não sabe.”

 

Trabalhei durante um ano na Casa de Ismael e atualmente auxilio Sueli e Dina nas atividades da turma de alfabetização, pois em julho, Sueli se mudará para São Paulo e ficarei em seu lugar. Há várias maneiras de trabalhar voluntariamente e há infinitas formas de ajudar todas as formas de vida do universo. Escolher uma ou várias depende de cada pessoa, mas trabalho voluntário é um compromisso não somente do indivíduo consigo mesmo, mas também com a sociedade.

 

“Quanto mais me capacito como profissional, quanto mais sistematizo minhas experiências, quanto mais me utilizo do patrimônio cultural, que é patrimônio de todos e ao qual todos devem servir, mais aumenta minha responsabilidade com os homens”. (Paulo Freire no livro Educação & Mudança).