O Festival de cinema já acabou tem quase um mês, mas volto para falar dos outros filmes que vi, pois 4 deles são imperdíveis.
Tokyo de Michel Gondry – Esse provavelmente era meu filme mais esperado do festival. Piro com Michel Gondry, diretor de Rebobine, por favor e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Tokyo é formado por 3 curtas de 3 diretores diferentes. Dois franceses e um coreano lançando diferentes olhares sobre, provavelmente, a cidade mais cosmopolita do mundo. O primeiro é dirigido pelo Gondry e chama-se “Interior design”, um jovem casal muda-se para Tokyo e começa a ter diversas dificuldades de adaptação. O segundo chama-se Merde e é dirigido por Leos Carax, um personagem extremamente peculiar surge de dentro dos esgotos de Tokyo trazendo antigas lembranças. O terceiro é dirigido por Joon-ho Bong, também diretor do filme-de-monstro-sensação O Hospedeiro, conta a história de um homem que vive completamente isolado na cidade até que um belo dia, um terremoto… Realmente não dá para contar muito. Não me decepcionei em nada, Merde é meu favorito, fiquei até interessada em conhecer outros trabalhos de Leos Carax. Todos os curtas buscam falar sobre a inadequação de viver numa grande metrópole como Tokyo e sobre solidão. Apesar de que as três palavras que o trailer usa para descrever cada curta são “Transformation. Anarchy. Rebirth”. É por aí também. Nota 10!
Insolação de Felipe Hirsch e Daniela Thomas – O principal atrativo desse filme era o fato de a sinopse dizer: “Insolação conta histórias de desertos amorosos.” Gostei dessa descrição. Contava também o fato de que a história se passa em Brasília e o elenco com muitos atores talentosos como Simone Spoladore, Paulo José, Maria Luisa Mendonça, Leandra Leal, entre outros. Porém, achei o filme muito conceitual. Os personagens vão e vem num ritmo bem lento, encontrando-se e desencontrando-se, discutindo ou não suas relações amorosas. É o tipo de filme que não gostei porque não tive paciência para ver. Tenho certeza que a birra é minha. Porém é muito bonito reconhecer prédios e cantos de Brasília com um olhar totalmente diferente do cotidiano. A câmera é o grande destaque para quem mora e vive aqui. Destaque também para Paulo José, sempre emocionante. E para a menina Daniela Piepszyk, que tinha roubado cenas em O Ano em que meus pais saíram de férias, Zoyka é a personagem que mais me encantou e livrou-me de uma insolação. Nota 5!
Soul Power de Jeffrey Levy-Hinte – Um documentário que registra o festival de música que aconteceu em 1974 no Zaire, evento paralelo a grande luta de boxe entre Muhammad Ali e George Foreman, que tem seu próprio documentário: Quando éramos reis. O festival torna-se um grande encontro entre grandes astros da música negra e o continente dos negros. No meio da luta por direitos humanos e pelo fim do preconceito, há o reencontro de raízes, há os músicos nas ruas tocando com as pessoas, há os ditadores africanos por trás do povo e há um belíssimo encontro musical entre grupos africanos e grandes nomes da música negra mundial. Seja o exotismo de Miriam Makeba encontrando seu lugar, os gritos estridentes e alegres de Célia Cruz, a dor das músicas de Bill Whiters, as coreografias do The Spinners, o som estupendo de B.B. King ou mesmo o rebolado infalível de James Brown. Tudo é uma bela homenagem. O filme começa lá no anúncio da luta, seguido do cancelamento porque George Foreman tinha machucado o supercílio, segue com montagem de palco, chegada dos artistas, shows, bastidores, até a galera viajando no avião. Divertidíssimo e empolgante. “What you need? Soul Power!” Nota 10!
(500) Dias com Ela de Mark Webb – Esse é o típico caso de nome original muito melhor que o título: (500) Days of Summer. Summer no caso é a garota que Tom conhece. Provavelmente o filme mais fofo do ano (o Zé concorda comigo), numa reedição da clássica história “Boy meets Girl”, porém com muita sensibilidade e criatividade. Trilha sonora maravilhosa, incluindo músicas do The Smiths. Várias homenagens a filmes da Nouvelle Vague e clássicos como O Sétimo Selo, com as devidas adaptações. As cenas no karaokê são impagáveis, com uma versão maravilhosa de Here comes your man. A música tema oficial do filme não está na trilha, mas é She’s like the wind, puro clássico. Ainda tem cena de musical para agradar todo mundo. E o momento em que o diretor separa a tela em duas partes para mostrar o confronto entre a expectativa e a realidade quando amamos é um dos mais belos momentos das comédias românticas no cinema. Já vi duas vezes. Nota 10!
A Todo Volume de Davis Guggenheim – O que você imagina ao ler que um documentário resolveu juntar Jimmy Page, The Edge e Jack White para falar sobre guitarras? Imaginei pelo menos um dos melhores documentários ever! E It Might Get Loud (nome original bem melhor que tradução também) é um filme rock’n roll delicioso. Podemos ver Page contando sobre gravações do Led Zeppelin e sobre sua carreira como músico de estúdio. Podemos ouvir as fitas de The Edge mostrando como cria os inesquecíveis acordes do U2. E podemos ver Jack White na sua busca pela crueza do som, indo até o fundo no blues. Os momentos em que os três estão juntos são mágicos, mas lindo mesmo é ver como a relação deles com a guitarra e a música é algo tão apaixonante. Nota 10! Curiosidade,:o diretor é o mesmo de Uma Verdade Inconveniente.
Foi um ótimo festival!