7 pontos sobre Sex And The City 2.

#1. Carrie em 1986 é a filha perdida de Barbra Streisand.

#2. Paula Abdul e Jude Law não aparecem, mas rendem algumas das melhores piadas do filme.

#3. Carrie continua carregando todas as neuroses possíveis que uma mulher que passou a vida lendo revistas Nova é capaz de carregar. Charlotte está mais humana, apesar daquela cara de quem toma activia todos os dias. Samantha continua maravilhosa, escrachada e sempre com um conselho sábio. Seu escritório compete até com o de Mr. Big.  Miranda, que sempre foi minha preferida, está um pouco de lado no filme, mas tem boas cenas, especialmente quando conversa com Charlotte.

#4. A coisa mais bizarra que Carrie usa desta vez é uma marmita de alumínio gigante na cabeça.

Carrie Barbra Bradshaw Streisand
Carrie Barbra Bradshaw Streisand

#5. A moda, as cores, os vestidos, estão todos lá. Deliciosamente vaporosos, leves e confortáveis quando elas estão em Abu Dhabi. Os sapatos não foram tão focados, os vestidos longos são o grande atrativo para os olhos fashionistas.

#6. O filme está muito mais Girl Power! que o anterior. Especialmente nas cenas em que as quatro cantam I am Woman de Helen Reddy e, quando discutem sobre o preconceito da sociedade contra a mulher que tem voz. Há duas cenas especiais em que elas observam mulheres mulçumanas, como vivem, como comem, como são invisíveis para a sociedade, mas não para elas mesmas.

#7. Vi Liza Minelli cantando e dançando Single Ladies. Agora posso morrer em paz. E a trilha ainda tem (a versão fofa que CindyLauper fez para True Colors do Phil Collins) Cindy Lauper com True Colors. (João, avisou nos comentários que a música original é da Lauper).

Assistir Sex and the City para mim é como reencontrar velhas amigas. Então, minha opinião é a de quem acompanhou cada alegria e dor daquelas histórias e se identificou até com as roupas mais extravagantes. O filme continua cheio de consumismo, futilidades e piadas bobas, mas também fala sobre a importância da liberdade para mulheres, casamento e maternidade. Sex and the City 2 é mais do mesmo, mas para fãs é um ótimo motivo para celebrar a amizade. Na minha opinião esse segundo filme é melhor que o primeiro, porque o foco não é mais aquela grande questão se Carrie vai ou não casar com Big. Os conflitos sobre relacionamentos voltam à tona e mostram que é preciso muita versatilidade para se andar de salto alto na areia do deserto. Se quiserem continuar fazendo mais filmes da franquia, não serei contra. ;-)

#5 Traições, mentiras e videotapes.

A maioria dos relacionamentos segue o princípio da monogamia, apenas os dois na relação e no máximo familiares e amigos metendo a colher. Até quando dois bastam? Pessoas são suscetíveis a desejos, ambições, dúvidas e oportunidades, nesse quadro ocorrem as chamadas traições, que podem resultar em longos casos ou encontros fortuitos. Na atual atmosfera amorosa, a traição se tornou mais comum para ambos os sexos e em alguns casos perdoável. Hoje é possível até trair virtualmente. A traição é um conceito moral pessoal? Perdoável, pois somos todos humanos? Ou não devemos inibir certos desejos, pois a vida é uma só? Seja a dois ou a três, a traição ainda é o fantasma dos monogâmicos, o vampiro que nos tenta com promessas de paixões eternas em cada esquina. Seria o poliamor uma alternativa?

# Episódio 9: Easy come, easy go. Chegamos a terceira temporada de Sex and the City. Big se casou com Natasha. Carrie namora Aidan e tudo parece estar indo muito bem. Porém, Big reaparece e lança novos dados na mesa. Carrie encontra com as meninas para contar a novidade.

Carrie: – Big vai largar a esposa! Ficou bêbado e me contou durante a exposição.

Miranda: – O que ele foi fazer lá?

Carrie: – Beber e largar a esposa?

Samantha: – Temos que admitir, você venceu.

Carrie: – Era uma competição?

Samantha: – Com o Ex sempre é. Chama-se “quem sofrerá mais?”

Miranda: – O que ele disse?

Carrie: – Ele disse “não está dando certo”. Depois chegou mais perto e disse em meu ouvido “se souber de alguém interessada…”

Charlotte: – Que absurdo! Você não conhece ninguém interessada. Ele é casado.

Carrie: – Sei disso.

Miranda: – Por que lhe disse isso?

Carrie: – Não sei… talvez para economizar selos?

Samantha: – O que você vai fazer? Como ele teve coragem? Homens casados nunca abandonam as esposas.

Carrie: – Mesmo se ele largar, nao tenho intenção de fazer nada por duas razões: tenho um namorado maravilhoso e não sou louca.

Miranda: – Não teve vontade de socá-lo?

Carrie: – Não… foi meio triste.

Miranda: – Eu teria batido.

Charlotte: – É realmente triste. Há quanto tempo está casado? Sete meses?

Samantha: – A crise dos sete meses.

Miranda: – Isso acontece quando se vai com muita sede ao pote.

Charlotte: – Entendi a indireta. Trey e eu não somos como Big e Natasha.

Samantha: – Não lhe dê ouvidos, ela acabou de terminar um namoro.

Miranda: – Obrigada por lembrar.

Charlotte: – Trey e eu nos amamos de verdade. Vou conhecer sua mãe e se tudo correr bem… Trey está quase pedindo minha mão. Estou sentindo.

Carrie: – Oh my God, sério?

Miranda: – Vocês acabaram de se conhecer!

Charlotte: – Não é algo lógico. É amor. Não posso explicar, mas em meu coração sinto que é certo.

Miranda: – Ok… como quiser.

Samantha: – Mas então, como Big estava?

O Ex que assombra o atual relacionamento é um personagem recorrente em algumas histórias. Big sabe que Carrie ainda sente algo por ele, faz bem para seu ego ir atrás dela, tentar reconquistá-la já que seu casamento vai mal. É uma atitude covarde, mas é também o caminho mais simples para se sentir melhor. Trair pode deixar alguns com peso na consciência, mas é comum ficar com o ego inflado. Esconder segredos, evidências e contar mentiras são atitudes amorais, porém sedutoras. Viver uma vida dupla traz adrenalina para o cotidiano. Porém, é triste, é patético e algumas vezes nojento ver como as pessoas não cumprem sua responsabilidade por suas escolhas, ou como usam outras como válvula de escape. Diz a regra que pelo menos uma vez na vida todos trairão e todos serão traídos. Acontece com a diretora da escola ou com o vendedor de paçoca. Acontece em pensamento, sonho, virtualmente, num filme pornô ou numa pizzaria ruim. Pressa ou precaução são coisas que não garantem nada quando se trata de amor.

# Carrie sente-se ameaçada com as investidas de Big. Não consegue ficar em casa com Aidan trabalhando e vai para um hotel escrever sua coluna. Big a procura.

Big: – Estou no saguão.

Carrie: – Quem lhe disse que estou aqui?

Big: – O cara que está na sua casa.

Carrie: – Você ligou na minha casa de novo?

Big: – Preciso conversar com você.

Carrie: – Eu também. Fique no saguão, já estou descendo.

(…)

Carrie: – O que acha que está fazendo? Liga na minha casa, vem até aqui?

Big: – Pode sentar e me escutar? Por um minuto, por favor?

Carrie: – Não tenho tempo para isso. Tenho um namorado e um trabalho com prazo para entregar. E você tem uma esposa e aparentemente bebe demais.

Big: – Não estou bêbado.

Carrie: – E qual é sua desculpa?

Big: – Calma, não consigo pensar… Fui um idiota naquele dia.

Carrie: – Foi mesmo.

Big: – Disse que me separaria e você não disse anda. Fiquei nervoso, e então…

Carrie: – Então o que?

Big: – Eu não sei…

Carrie: – Isso tem que parar! Pare de flertar comigo, pare de ligar para meu namorado. Ele não sabe de você e não pretendo que saiba.

Big: – Por que?

Carrie: – Vá embora.

(…)

Big: – Carrie, espere! Não me expliquei direito. Espere um minuto, ouça-me… A questão é que sinto sua falta.

Carrie: – Coitado. Não me siga no elevador, pare de me perseguir!

Big: – Preciso conversar com você.

Carrie: – O que? O que mais você tem a dizer?

Big: – Cometi um erro.

Carrie: – Vai se foder!

Big: – Eu te amo.

Carrie (pensando): – Minha mente gritava de raiva, mas meu coração… E desse jeito, perdi a cabeça.

Carrie e Big tiveram um relacionamento intenso, de pele e paixão. A atração sexual continua forte e de acordo com a cena incontrolável. Isso é desculpa para uma traição? Os mais racionais provavelmente dirão que não. Eles deixaram de amar seus cônjuges por isso? Difícil dizer. A paixão é a nossa principal imagem de um amor intenso, provoca inúmeras sensações físicas, como calafrios, arrepios, significa sentir na pele o momento. É claro que não é apenas por essa razão que as pessoas traem, assim como não existe apenas uma razão para as pessoas casarem. Trair significa também não pensar nos sentimentos das outras pessoas envolvidas, é um prazer egoísta e irresistível. As tentações estão espalhadas por aí, em roçadas de braço nas filas de cinema, em caronas no fim do curso, em encontros por acaso em bares. Quem já traiu a de concordar comigo que algumas vezes não há uma razão específica, apenas uma oportunidade. Quem já foi traído sabe que tudo pode acontecer de forma inesperada e sem maiores explicações. Não somos todos santos, sabemos que pecar é divertido e cada um sabe o peso do chifre que carrega. Entretanto, há pessoas dispostas a serem sinceras, a abdicarem de oportunidades e desejos em prol da segurança proporcionada pela monogamia. A vida é só uma, decidir abdicar de paixões furtivas, de novos primeiros beijos, significa muitas vezes arcar com a responsabilidade do compromisso de uma vida em comum. Não se pode culpar o coração por uma traição, é preciso assumir nossas fraquezas e erros. A adrenalina de uma traição pode favorecer uma explosão de sentidos, mas também significa muita dor em algum momento. Até quando estaremos insatisfeitos em relação ao fato de que não podemos ter tudo?

Para elucidar e provocar ainda mais a questão, sugiro dois filmes: Closer (2004), Amor à flor da pele (2000) e Vicky Cristina Barcelona (2008).

#1. O Sexo e a Cidade.

#2. Solteira e Fabulosa?

#3. O Amor Sadomasoquista.

#4. Nosso Amor de Ontem.

#4 Nosso Amor de Ontem.

Quando começamos a andar de mãos dadas, dividir o lanche, ficar, namorar e afins criamos a possibilidade de um novo personagem em nossas vidas: o Ex. Um personagem controverso, mas eterno, pois em algum momento ele será incluído na contagem das pessoas que cruzaram seu caminho. Cada um sabe a dor e a delícia de ser Ex. Pode-se tentar apagar o passado ou revivê-lo. Porém, é certo que por alguma razão cósmica do universo as pessoas se reencontram nos engarrafamentos da vida.

Um dos meus episódios favoritos de Sex and the City é The Ex and the City. É o último episódio da segunda temporada e faz uma pequena homenagem a um filme de 1973, The way we were. No fim cada pessoa carrega seus pertences, alguns não querem nada, outros levam mais do que deveriam. Também é de cada um a responsabilidade de seguir em frente, de realmente perceber que acabou. Big vai se casar com outra mulher, e a pergunta que martela na cabeça de Carrie é: por que não eu? E como você lida com um Ex? Apesar de ter vomitado depois de rever o Ex, Carrie quer ficar amiga de Big. Outra pergunta que paira sobre o episódio é: para onde vai o amor quando um relacionamento acaba? Ele simplesmente acaba, mas era tão intenso e único que as vezes custa crer em sua morte.

# Miranda encontra Steve por acaso na rua, se apavora e sai correndo.

Miranda: – Sinto muito, entrei em pânico. Eu não queria falar do tempo. Ele transou comigo, muita história rolou. Não consigo ser amiga de um Ex. Não sei como certos casais ficam amigos depois da separação.

Sam: – Nunca fui capaz de ter um amigo homem. As mulheres são amigas, os homens amantes.

Charlotte: – Amizade é o bônus de um relacionamento. Se eles não querem namorar a amizade não me interessa.

Carrie: – Você nega a amizade para puni-los?

Charlotte: – Você fez isso soar tão ruim.

Sam: – As viúvas negras matam seus parceiros depois do coito. É assim que se faz.

Miranda: – Acredite, adoraria ser como aquelas pessoas que dizem: “Nós nos amamos, obrigada. Foi bom, mas agora vá embora”. Porém sou mais do tipo que diz: “Não deu certo, agora desapareça”!

Carrie: – Isso é tão infantil. Não você, a situação toda. Nós guardamos vestidos que nunca mais usaremos, mas jogamos fora os ex-namorados. Não estou dizendo que sou melhor que os outros. Não consegui ficar amiga do Big, mas se você ama alguém e se separa, onde foi parar o amor?

Sam: – Foi para próxima namorada!

Carrie: – Não, esse amor é diferente. O que eu sentia pelo Big é diferente do que aquela Natasha sente por ele.

Miranda: – Natasha… Desde quando você parou de considerá-la uma idiota sem alma?

Carrie: – Desde três semanas atrás quando os vi num café. Ele estava segurando sua mão e sorrindo. Finalmente caiu a ficha, eles estão felizes e eu já era. E foi bom.

Sam: – Natasha… Que nome de merda.

Mianda: – Totalmente

Charlotte: – Estúpido.

Carrie: – Completamente besta.

Não é raro as pessoas competirem para ver quem vai ser feliz primeiro, quem vai conseguir namorar primeiro alguém melhor ou pelo menos mais bonito. É duro ver o Ex feliz, com outra pessoa, enquanto você ainda se pergunta sobre o fim, relembra últimas frases procurando explicações. O importante nessas horas não é chorar porque viu a foto do Ex com a atual no jornal, mas sim se preservar. Saber o que realmente é tóxico. O amor que vocês sentiam morreu, não há necessidade de ficar tentando transforma-lo numa amizade, ele sofrerá uma metamorfose ou não. Quando se trata de Ex não viro amiga, não mantenho contato, não ligo no aniversário. Dependendo do fim me reservo ao direito de poder mudar de calçada na rua. É minha maneira de amenizar o sofrimento. Não desejo mal a ninguém, não guardo mágoas, apenas sei que preciso me preservar. Por mais que várias pessoas critiquem e me chamem de infantil, é meu coração que está ferido e não vou jogá-lo aos lobos.

# Carrie acha que é hora de tentar ser amiga de Big, então combina um almoço com ele.

Carrie: – Ok, fale-me sobre a garota.

Big: – Tem certeza?

Carrie: – Claro. Amigos falam sobre seus relacionamentos. Então me conte sobre ela.

Big: – Bem… ela é muito doce…

Carrie: – Ok, é o bastante. Não quero saber mais nada! Talvez pudéssemos fazer um pacto, só vamos falar de nossos namoros quando eles forem sérios.

Big: – Carrie… É sério. Nós estamos noivos. Eu queria ser o primeiro a lhe contar.

Carrie: – Hum… De repente me veio uma dor de cabeça…

Big: – Não sabia como lhe dizer isso. E quando você ligou, pensei…

Carrie: – Noivos??? Como você pode estar noivo? Você odeia compromissos. Aliás, você me disse que nunca se casaria de novo.

Big: – Bem… As coisas mudam…

Carrie: – Você não queria se casar comigo?

Big: – Olha… Natasha e eu…

Carrie: – Não se atreva a mencioná-la! Você brincou comigo por dois anos e agora vai se casar com uma moça de 25 anos depois de cinco meses?

Big: – Não brinquei com você.

Carrie: – Ok… Vou embora… Estou com dor de cabeça.

Big: – Carrie espere… Você não entende…

Carrie: – Entendo sim, vá casar com ela, vá ser feliz e me esqueça.

Algumas vezes, quando terminamos um relacionamento, continuamos com uma ponta de esperança, ou dúvida, que um dia talvez voltaremos e tudo dará certo. Talvez seja culpa dos filmes, talvez seja culpa da eterna crença de que o amor é transformador. As verdades que disfarçamos podem explodir na nossa frente em simples conversas como essa. Carrie é uma perdedora? Não. Não há explicação para a maioria das ações que envolvem o amor, elas podem ser tomadas de forma racional, porém as pessoas são suscetíveis a se apaixonarem por outras, a mudarem de idéia. Talvez ela não precisasse ouvir isso, não tão despreparada, mas há momento bom para saber que seu Ex vai casar quando você ainda sente algo por ele? No fim Carrie faz a pergunta fatal: por que não eu? E a resposta de Big é que ele não sabe, as coisas simplesmente começaram a ficar muito complicadas. Talvez Carrie tenha domado Big para que outra mulher casasse com ele. Talvez Big nunca tenha compreendido o verdadeiro espírito selvagem de Carrie. Nossa natureza racional algumas vezes não nos permite simplesmente seguir em frente, sem ter todas as respostas. Para que perder tempo tentando explicar o inexplicável?

E assim fechamos a segunda temporada. No próximo post, o início da terceira temporada.

#1. O Sexo e a Cidade

#2. Solteira e Fabulosa?

#3. O Amor Sadomasoquista

#3 O Amor Sadomasoquista.

O amor e o ódio convivem lado a lado num relacionamento. A pessoa amada nos faz sentir intensa felicidade, mas também é aquela que tira a liberdade e, algumas vezes, a paz, o sono, a vida. Amar significa um estado de espírito único, e também sofrer como um cachorro de rua. Raros aqueles que têm a sorte de um amor tranquilo. Um amor maduro sem jogos, perseguições e desconfianças. Nossas inseguranças muitas vezes não permitem a construção de amores simples. E nosso masoquismo muitas vezes nos prendem a relações tóxicas que viciam. O amor é a droga que todos buscam? É gostoso sofrer por amor? Ou deveríamos ser mais racionais e menos passionais nos relacionamentos?

# Episode 12: La douleur exquise!

Big está indo para Paris a trabalho e Carrie o ajuda a arrumar a mala enquanto conversam.

Carrie: – Antes que eu esqueça, Charlotte quer alugar uma casa em Hamptons nesse verão. O que acha de participarmos?

Big: – Acho que não poderei.

Carrie: – Por que? Não gosta de salada de siri por $40?

Big: – Na verdade, talvez não passe o verão aqui. Talvez tenha que me mudar para Paris a trabalho, por pouco tempo.

Carrie: – Por quanto tempo?

Big: – Não sei… sete meses, um ano talvez. Nada está definido.

Carrie: – Espere… espera aí… há quanto tempo você sabe disso?

Big: – Há algum tempo, mas saberei melhor depois desta viagem.

Carrie: – E quando você estava pensando em me contar?

Big: – Quando soubesse melhor, nada está definido. Não há razão para ficar preocupada.

Esse é o segundo namoro de Carrie e Big. Eles já namoraram, terminaram e resolveram voltar. É engraçado notar que relações iô-iô seguem um ritmo próprio, o casal vai-e-volta, a mulher sempre repete que ele mudou, que as coisas estão diferentes e os amigos se olham como se já soubessem o final do filme. É claro que há exceções, mas sempre vamos querer atropelar os namorados canalhas de nossas amigas, mesmo que ela diga que ele não é o mesmo de antes. Big porta-se como tal, simplesmente não dando a mínima para Carrie, tudo se resume a trabalho, ponto. Ela já sabia disso na primeira vez que namoraram, mas as ilusões do amor, as carências, desejos, medos e esperanças acabam nos arrastando de volta para as mesmas marés. Seguir o coração ou a razão em alguns relacionamentos é de uma complexidade impressionante, especialmente para Carrie.

# Puta da vida, Carrie encontra as meninas para contar as más-novas.

Carrie: – Eu queria matá-lo! E ele me olhava querendo dizer: “qual o problema? Não há razão para estar chateada, é meu problema”.

Charlotte: – Calma, dá para contornar. São sete meses, você pode visitá-lo em Paris, ele pode vir para cá…

Carrie: – Não é essa a questão. O problema é que ele nem pensou em mim no seu processo de decisão.

Samantha: – Homens agem sempre assim. As mulheres só pensem em “nós”. A definição de “nós” para eles é: “eu e meu pênis”.

Carrie: – Apenas queria que ele dissesse o que está acontecendo. É pedir demais? Só dizer: “Carrie, estou pensando em mudar para Paris, para o resto da minha vida.” Estou certa? Uma hora ele está todo romântico comigo, depois me põe de lado. Não posso acreditar que isso está acontecendo novamente! Por que não paro de fazer isso comigo? Devo ser uma masoquista ou coisa parecida.

Carrie percebe que vive uma relação doentia e unilateral. Big pode até gostar dela, mas não divide sua vida, nem seus sentimentos. Seriam os homens mais frios que as mulheres quando se trata de amor? Geralmente leva tempo para alguém perceber o quanto já se entregou a relação, o quanto já fez de tudo para dar certo. As pessoas tendem a acreditar no poder transformador do amor, mas não lembram que as pessoas amam por diversas razões, por carência, segurança, desejo, solidão, status, ou até por não ter nada melhor para fazer. O amor muda nossas vidas quando permitimos que entre por nossos poros. Da mesma maneira, a dor só é grande demais quando permitimos que perdure. Chicotes são divertidos, até que se perceba a dor no dia seguinte, se doer é porque deixaram de ser saudáveis.

# Durante a viagem, Carrie, bêbada, surta com Big pelo telefone. Sentindo-se culpada no dia da volta ela leva french fries, um pedido de desculpas e todas as suas cartas.

Big: O que significa isso?

Carrie: Desculpas por ter sido ridícula. Tenho pensado nisso, acho que podemos fazer dar certo. Podemos fazer sexo por telefone. E se as coisas não funcionarem me mudo para Paris e escrevo sobre Le Sexo e le Cidade.

Big: Seria ótimo. Mas você se mudaria para Paris por você, certo? Não se mude por mim.

Carrie: Por que então eu mudaria para Paris se não fosse por você?

Big: Não quero que você mude sua vida e espere algo em troca.

Carrie: Eu sou tão idiota! Faço tudo por você e você não dá a mínima. Estou cansada disso tudo!

Big: Ei, fique calma! Olha, eu preciso ter um relacionamento no qual se eu tiver que ir para Paris, eu possa ir. Não é uma questão de “nós”, é uma questão de trabalho.

Carrie: Não é uma questão de trabalho. É uma questão de nos aproximarmos e de você ter que colocar um oceano entre nós.

Big: Não quero mais falar sobre isso.

Carrie: Por que é tão difícil para você me considerar como algo importante de verdade na sua vida?

Big: Velhos hábitos não mudam.

Carrie: Você disse que me amava.

Big: Eu a amo.

Carrie: Então por que dói tanto?

É bonito pensar na metáfora carregada pela palavra “nós”. Significa duas pessoas que se fundem em um pronome. E significa também uma amarração, por meio de nós prendemo-nos uns aos outros até que as cordas se desprendam, até que alguém ou o tempo os desfaça. Carrie sente muita raiva, pois sabe que está sofrendo por culpa sua. Ela se amarrou a um homem que não pretende ter um compromisso. Acreditou em pequenitudes, migalhas, em gestos que na verdade não significavam nada especial, apenas a maneira como ele leva a vida. O sofrimento traz para o relacionamento um elemento especial: a emoção. Aquele frio na espinha que se tem ao andar de montanha russa. Aquele medo de perder que nos faz lutar pelo ser amado, agarrar suas roupas, chorar, gritar, como naquela música da Elis. Esse amor nos faz sentir vivos, nos dilacera, por isso vicia tão fácil, é intenso. Por isso não acreditamos na rotina de um amor simples, sem loucuras, sem arranhões. Mas crescemos, criamos novas percepções, conhecemos novos restaurantes e não há vacina que garanta que você não vai voltar a se apaixonar, por mais que atualmente tudo leve a crer que não.

No próximo post a última parte da segunda temporada com #Nosso amor de ontem. Este post faz parte de uma série sobre o seriado Sex and the City. O primeiro é #O Sexo e a cidade e o segundo #Solteira e Fabulosa?.

#Manifesto: Homens unidos pelo fim da violência contra a mulher.

#Um texto da querida Patrícia Daltro virou argumento para uma peça. Se estiver pelo Rio de Janeiro de 13/11/08 a 12/02/09  não deixe de assistir A Vigilante, Uma Comédia de Peso, quintas-feiras às 21:30hs no Teatro Cândido Mendes, Ipanema.

#2 Solteira e Fabulosa?

O mote da segunda temporada de Sex and the City são as vantagens e desvantagens de ser solteira numa grande cidade. Será que as mulheres lindas e bem sucedidas no fundo são apenas princesas frágeis esperando para serem resgatadas? No mercado de relacionamentos as mulheres sempre parecem sofrer mais, pois os bons partidos são comprometidos e sempre caímos nos braços de canalhas que dilaceram nossos corações. Seria a solidão a lepra dos dias atuais? Ou as pessoas nunca estão satisfeitas, solteiros querem casar e casados sentem falta da vida de solteiro? A verdade é que os adultos nunca foram tão egoístas, porém os desejos românticos persistem. Ainda bem que temos diversos exemplos femininos a serem seguidos do que apenas os contos de fadas.

#Episode: They shoot single people, don’t they? As meninas estão num bar dançando salsa e se divertindo.

Carrie: – Um brinde a nós, sem homens!

Charlotte: Não vou brindar a isso, dá azar. Se eu ficar sozinha a culpa é sua.

Samantha: Querida, estamos sempre sozinhas, mesmo quando temos um homem. Eu a aconselho a aceitar esse fato. Viva como eu, curta os homens, mas não acredite que eles sejam suficientes. A não ser quando… vocês sabem….

Samantha e Charlotte são dois extremos no seriado. Enquanto a primeira é a mais liberal e menos paranóica, o que interessa basicamente é o prazer; Charlotte representa todos os medos dos eleitores de Bush e acredita em frases do tipo: “o que é seu tá guardado”. Levante a mão a solteira que já quis atirar em alguém que lhe disse essa frase. Ser ou não ser solteira, muitas vezes essa é a questão. Aceitar que nascemos e morremos sozinhos é essencial. Algum dia teremos que enfrentar a verdade dos days of our lives.

# Miranda, Carrie e Charlotte exercitam-se no parque, quando cruzam com um ex-casinho de Miranda. Ele insiste em puxar conversa e ela se esforça para ser simpática e cortar o papo.

Miranda: – Só transamos duas vezes. Na primeira vez, fingi. E precisei fingir na segunda vez também. Não queria fingir de novo, então, não liguei mais para ele.

Charlotte: – Você o largou por causa disso?

Miranda: – Ter orgasmos é essencial.

Charlotte: – Mas orgasmos não lhe mandam bilhetes e não seguram a sua mão.

Carrie: – Os meus sim.

Miranda: – Você acha que fingir é certo?

Charlotte: – Não. Mas se gostar do cara que mal há em fingir um “oh.. oh…” ao invés de ficar sozinha?

Miranda: – Só tenho essas duas escolhas?

Charlotte: – Um orgasmo é mais importante que tomar café juntos de manhã?

Miranda: – Não penso duas vezes em trocar um orgasmo por um café colombiano.

O orgasmo é um dos maiores símbolos da revolução sexual. É quase impossível ser frígida e feliz atualmente, pois há pessoas fazendo sexo ate dentro do bueiro. Porém, a frase final de Miranda mostra o quanto tudo se tornou banalizado. As mulheres podem ter quantos orgasmos quiserem, mas até que ponto isso significa estar cada vez mais sozinha? As donzelas que me perdoem, mas ter prazer torna a mulher mais livre, pois para ter prazer ela precisa conhecer seu corpo, estar entregue ao ato sexual. O orgasmo feminino é completamente diferente do masculino, e mesmo sendo momentos efêmeros, são bons remédios para o stress do cotidiano. O sorriso no rosto de uma mulher bem comida, não tem preço.

# Episode: New dogs, old dicks. Big e Carrie voltam a namorar, porém a mania dele olhar para outras mulheres na rua a irrita. A velha pergunta é: “É possível mudar um homem?”.

Samantha: – Se esse for seu maior problema você está com sorte.

Carrie: – Se fosse um problema tão pequeno assim, ele conseguiria parar com isso.

Samantha: – Não se muda isso. Faz parte do código genético deles. Aceite o Big como ele é. Não se pode mudar um homem, nem um pouco.

Carrie: – Eu sei, mas você pode manipulá-lo aos poucos.

Samantha: – Só para mudar seu penteado ou suas roupas. Mesmo assim é difícil.

Carrie: – Gosto do penteado e das roupas dele, não quero mudar isso.

Samantha: – Bem, nenhum homem é perfeito.

Carrie: – Não quero perfeição, apenas pequenas mudanças.

Samantha: – Cuidado, querida. Pois se começar a mexer demais pode desmanchar tudo.

Todo mundo sabe que ninguém muda ninguém. Nao duvido que as pessoas mudem, mas apenas se realmente quiserem, se estiverem dispostas. Nao se deve ficar esperando isso para que sua felicidade seja completa. Gostaria que todos fossem flexíveis, que parassem de fumar ou de ler Lya Luft mas pessoas tem defeitos. O importante nos relacionamentos é decidir com que defeitos você é capaz de conviver. Insistir em mudar o outro, acreditar que depois de casado ele irá mudar, é sempre um erro. Pense o quanto voce mudou nos últimos anos? É até difícil para as mulheres mudarem ao começar a namorar, conquistamos tantas coisas, temos rotinas que gostaríamos de manter. Nos acostumamos a dormir sozinhos em camas de casal.

No próximo post mais segunda temporada com “O Amor Sadomasoquista”. O primeiro da série foi “O Sexo e a Cidade”.