A Onda.

A onda de frio, muito frio, continua em SP, mas meu resfriado deu uma boa melhorada e agora as pessoas já me enchem de perguntas que não sei responder na rua. Segundo o Mar, isso ocorre porque a minha cara de turista é amigável, enquanto todas as outras pessoas estão indo para o trabalho. O problema é que quando ando de ônibus só sei o ponto em que subo e o que desço e geralmente erro o que desço.

Ontem assistimos A Onda, um filme alemão baseado numa história real. Um professor tem que apresentar durante uma semana uma aula especial sobre autocracia. Desafiado por um dos alunos que afirma ser impossível haver uma ditadura de novo na Alemanha, o professor decide criar uma sociedade autocrática centrada nele como líder para provar aos alunos que manipular pessoas é muito mais fácil do que se parece. Infelizmente o projeto tem graves consequências para todos. Os jovens estão perdidos, não há nada pelo que lutar, não há perspectiva ou novas formas de perceber o mundo. Um terreno ideal para o surgimento de um grupo fascista.

O filme é carregado de símbolos, de como um grupo rapidamente se torna manipulado, cego e violento, pois se acham melhor que todos. As personagens que primeiro estranham a formação do grupo fazem parte do jornal da escola e são duas mulheres. É um filme que produz boas conversas depois e várias analogias. Como o Mar me disse ao fim da sessão, é um filme alemão sobre um episódio que aconteceu nos Estados Unidos, mas poderia ser em qualquer lugar. A juventude está perdida e ninguém parece estar muito preocupado com o que ela anda fazendo.

Existe a questão da proibição do cigarro em espaços públicos aqui em SP, as pessoas realmente estão fumando nas ruas, pelo que vi todo mundo está respeitando a lei, mas até que ponto é uma lei autoritária? Ontem teve o caso das 800 famílias que foram despejadas de suas casas num terreno irregular. Até que ponto são pessoas que estão ali por malandragem? Até que ponto são pessoas que realmente não tem para onde ir, que chegaram em situações limítrofes da vida?

Acredito que a lei do cigarro tem muito autoritarismo e acredito que a maioria das famílias despejadas não se encontram naquela situação por que querem. De um lado o Estado cerceia a liberdade de alguns, de outro ele desampara pessoas. É uma onda que diretamente não me afeta, não me engole, pois não fumo e nem vivo em terrenos irregulares. Mas sinto o frio que está fazendo nessa cidade.

Me and Mr. Jones – Stop 3.

# Algumas pessoas já conheceram sua alma gêmea. Não acredito na alma gêmea apenas como parceiro amoroso. É fato que durante a vida encontramos pessoas extremamente parecidas conosco, seja no gostar, no ser, no ver ou no sentir, pessoas que vieram do mesmo planeta. Por isso é possível ter mais de uma alma gêmea. Uma das minhas, provavelmente aquela com quem tenho mais conexões sensoriais, mora em São Paulo.

Acontece assim: passeando por estantes encontro um livro. Capa, textura e título me atraem. Toco, folheio, cheiro, mas não levo, pois sempre compro livros demais. Não comento com ninguém, não relato no caderno, não incluo na lista, mas não esqueço, talvez mês que vem. Dois dias depois chega em casa o livro e carta. Ele enviou uns 5 dias antes de eu cruzar com o livro. É como se compartilhássemos as mesmas sensações e fôssemos atraídos por essas coincidências ou, como gosto de brincar com ele, somos amigos porque sabemos o segredo do grande mistério do amor. Uma relação parecida com a de Hilda Hilst e Caio Fernando Abreu, autores, que junto com Clarice Lispector e outros norteiam várias de nossas conversas. Fui a São Paulo a primeira vez para conhecê-lo pessoalmente e, desde então, tornei a ida obrigatória, ao menos uma vez por ano.

Namoro com São Paulo. Em outra vida devo ter sido tatu, pois adoro andar de metrô. Há vários centros, lojas, feiras de rua, museus, cinemas, pessoas, garoa, ruas, parques, alamedas, pratos-feitos, bares, táxis com gps, barulho e um sem fim, tudo que pode fazer uma menina-moça felicíssima. Se algum dia você me encontrar deprimida e semi-morta, leve-me até a Pinacoteca e me deixe por alguns minutos naquele vão octogonal logo na entrada. Um vão aberto, com chão de mármore, banhado pelo sol. Cada vez que coloco meus pés ali um novo desejo brota, uma sensação de plenitude invade e renovo meu corpo, conseqüentemente a vida.

# Se você gosta de ciências, especialmente biologia, dê sempre uma olhada no Brontossauros em meu jardim. Além do ótimo nome, o Carlos Hotta escreve posts interessantes, tem bom humor e gosta de ornitorrincos. Quem não gosta de ornitorrincos bom sujeito não é, é ruim do bico ou não gosta de guelras no pé.

# Lucia Malla, a intrépida aventureira, está viajando pelo centro-sul do país e fazendo belíssimos relatos sobre Bonito – MS. Não perca essa viagem!

# A querida Sam Shiraishi me convidou para divulgar a campanha Não aceite informação pela metade e o movimento Outubro Rosa, que visam esclarecer sobre a importância do diagnóstico precoce e dar visibilidade à luta contra o câncer de mama — a doença feminina que mata 10 mil brasileiras por ano. Há muitas mulheres que não sabem que é um direito delas realizar uma mamografia anual a partir dos 40 anos e que câncer de mama tem cura quando diagnosticado precocemente. É uma doença essencialmente feminina e que não escolhe suas vítimas por padrão social, cor, credo ou vida sexual. Na mídia há vários casos de mulheres que foram diagnosticadas e se recuperaram do câncer de mama. Recentemente, a atriz Christina Applegate tornou pública a difícil decisão de realizar uma mastectomia dupla. Não é o caso de todas, mas é possível ver que a tecnologia existe para auxiliar no tratamento. Cynthia Nixon, atriz que fazia Miranda na série Sex and the City, também revelou que superou o câncer de mama. Na mesma série a personagem Samantha passou pelo drama do câncer de mama e o enfrentou de forma bonita. É uma doença que atinge muitas mulheres, mas há chances de cura, logo não custa nada se cuidar e prevenir. Informação e atitude!