A Mulher, o Amor e o Pau.

“O trepar e jogar fora da mulher é se sentir amada sem ter que dar.”

Essa frase é trecho de um texto da Tati Bernardi: Aquilo menos tudo. Dica da Jésika.

“Enfim, mas voltando ao meu melhor amigo. Esse ser maravilhoso que mexe no meu cabelo, e paga tudo, e me elogia, e me abraça, e me aperta e vem aqui em casa sempre tão perfumado e tomamos vinho e falamos de tudo e…simplesmente não rola pau… ahhh… eu acho que vou matar esse idiota.”

Caí em devaneios ao ler o texto. Revi minhas anotações mentais sobre meus relacionamentos, sobre os relacionamentos das minhas amigas, sobre depoimentos em revistas, filmes, livros. A Mariana disse que é a história da vida dela. Estou aqui generalizando sobre o vasto e infinito mundo dos relacionamentos.

“Eu acredito no sexo com o amigo sem pau. O homem que aparece de vez em quando e te busca em casa, abre a porta do carro, elogia sua roupa, escolhe os melhores ingressos, faz você morrer de rir, conversa sobre tudo, dá conselhos, cuida de você, sobe com você até seu apartamento, curte um som, dorme de conchinha, te abraça forte e…vai embora. Isso sim é dar uma, ao meu ver.”

O homem ao trepar com a mulher e nunca mais ligar nega a ela a possibilidade do amor.  O equivalente a isso, poderia ser apenas a inverção dos papéis, a mulher tratar o homem da mesma forma. Porém, a frase da Tati é o verdadeiro equivalente, é na medida exata a mesma atitude. O homem nega o amor e a mulher nega o sexo.  Criando mais dicotomias, poderíamos dizer que num relacionamento o principal da mulher é o seu coração e o do homem o seu pau.  A mulher ao se relacionar com um homem, relaciona-se também com seu pau. E é fato que muitas vezes eles podem ser duas criaturas diferentes. Aquele rapaz elegante e charmoso pode ter um pau que fica cutucando o tempo inteiro. Há também quem se apaixone apenas pelo pau, ou pela língua, ou pelos dedos. Há quem se apaixone apenas pelo sexo e não pela pessoa. Mas o que talvez realmente queiram é se apaixonar apenas pela pessoa e não pelo conjunto.

O Profissão Repórter dessa semana, entre tantas histórias, conta como é o trabalho de Tony. Profissionalmente ele é professor de dança, mas realmente ganha dinheiro sendo contratado para ser amigo de mulheres. As clientes chamam e ele oferece amizade em domicílio. Ele acompanha senhoras em jantares dançantes, dá aula de dança de salão e vai ao shopping acompanhá-las nas compras, dar palpite sobre as roupas.  Na verdade, Tony é um namorado perfeito sem o pau. Apesar de algumas clientes confundirem as coisas. Entretanto, ony parece ser bem profissional, pois tem clientes fixas de muitos anos.

Há também o caso dessa semana da Liga das Mulheres do Fantástico:  Kátia está solteira há dois anos e não sabe o que está fazendo de errado na busca pela “tampa da sua panela”. Não conheço uma única mulher que fale bem desse quadro. Na hora em que é exibido há uma chuva de reclamações no twitter. Ao que parece o quadro é uma grande #vergonhaalheia, mas insisto em assistir, pois não consigo entender qual é o real objetivo.

A união de mulheres é um assunto muito especial para mim por causa do Luluzinha Camp e do Projeto Deusas. A criação de espaços femininos, onde mulheres possam conversar entre si, realizar trocas, confidências e informações são muito significativos e costumam formar círculos de amizade e equilíbrio. O blog da Liga das Mulheres parece mais interessante, pois há relatos das componentes da Liga e a personagem da semana pode responder aos comentários publicamente. Porém, na minha opinião, todo mundo que participa do quadro precisa de terapia urgente.

É óbvio que Kátia é um grande clichê, ela até parece saída de uma comédia romântica, pois chega a dizer que já tem planejado na cabeça como deve ser o pedido perfeito de casamento e, se ele não souber pedir, ela não vai aceitar. Ao que parece a Kátia também quer um namorado perfeito sem pau. Ela quer casar e ponto, não abre espaços para os acontecimentos, para as impossibilidades e incertezas. E quando se trata de amor tudo é uma grande incerteza, os outros sempre podem nos surpreender e talvez seja por isso que o pau não é o melhor amigo da mulher, no geral ele é muito previsível.

E surgem cada vez mais perguntas. Será possível crescer sem se prender a todas as convenções dos relacionamentos? Por que dormir de conchinha é algo tão significativo? Por que é melhor se jogar num poço do que não casar? Por que a grande questão feminina desse século é por que mulheres jovens, bonitas e bem sucedidas continuam solteiras? Por que conhecemos tantas pessoas que querem namorar, mas elas não se encontram? Por que o pau parece ser o grande vilão dos contos de fadas? E por que continuar sonhando com contos de fadas sabendo que eles são tão previsíveis?