Seus Pontos Fracos

O livro do mês na terapia chama-se “Seus Pontos Fracos” do Dr. em Psicologia Wayne W. Dyer. Mesmo quem faz terapia em grupo com uma série de leituras e exercícios práticos não escapa de ter que ler um livro de autoajuda as vezes. Já que é meu dever de casa lê-lo, o bom desse livro é sua linguagem direta. Baseia-se em técnicas simples para tentar modificar comportamentos padrões que temos como: sempre precisar da aprovação dos outros, desprezo por si mesmo, culpa e dependência emocional, entre outros. Não é um livro prazeroso, até porque me vejo em muitos trechos dele, mas serve bem para identificar os comportamentos padrões recorrentes que tantas pessoas já me falaram e eu, óbvio, nunca quis perceber.

Esse trecho do livro, que destaco abaixo, cita alguns comportamentos que costumo ver em mim, nas minhas amigas e em várias outras mulheres. É lógico que não concordo com tudo da lista, mas gostaria de incluir: se relacionar com pessoas que nos depreciam. Acredito que quase toda mulher, em algum momento da vida, teve um relacionamento muito ruim, com alguém que a tratava muito mal. Eu e minhas amigas hoje damos risadas quando lembramos de alguns namorados antigos e dizemos: “Nossa, como pude ter namorado aquele sujeito?” E o fato é que passei mais tempo do que deveria com esse sujeito que me tratava mal. Já melhorei bastante, mas parece que nossa autoestima nunca está suficientemente exercitada. Muito provavelmente porque todos os dias recebemos mensagens de que não somos aceitas. Afinal, não somos brancas, altas, magras, com cabelo liso e olhos claros. Não perdemos todos os quilos de uma gravidez em um mês, não temos um marido perfeito, não queremos cozinhar todos os dias. Se não tenho filhos sou uma egoísta mal-amada. Se tenho filhos devo ser uma mãe perfeita e zelosa, porque qualquer coisa que façam de errado a culpa será minha. A busca pela perfeição e pela admiração alheia vai nos matando um pouquinho todos os dias. É bem complicado viver num mundo em que o consumo vem tornando-se a maneira de sermos alguém. Aguardo o lançamento da geladeira que dirá: “eu te amo”.

O não gostar de si mesmo pode assumir muitas formas; talvez você se dedique a certos tipos de comportamento autodepreciativos. Aqui vai uma breve lista de comportamentos muito frequentes que se enquadram na categoria do veto contra si mesmo:

– Rejeitar cumprimentos que lhe são dirigidos. (“Ah, isso é velho”, “Não sou realmente inteligente, acho que tenho é sorte”.)

– Desculpar-se por sua boa aparência. (“É a minha cabelereira, ela é capaz de fazer uma rã ficar bonita”, “Pode crer que é por causa da roupa”, “Fico bem de verde”.)

– Dar créditos aos outros quando cabe a você. (“Graças ao Michael, sem ele eu não seria nada”, “Foi Marie que fez tudo, eu apenas supervisionei”.)

– Referir-se a outrem quando emite opiniões. (“Meu marido diz”, “Minha mãe acha”, “George sempre diz que”.)

– Submeter suas opiniões aos outros. (“Não é, querido?”, “Foi o que eu falei, não foi, Martha?”, “Basta perguntas ao meu marido, ele lhe dirá”.)

– Recusar-se a pedir algo que deseja, não porque não pode pagar (embora talvez alegue essa razão), mas porque acha que não merece.

– Não ter orgamos.

– Não comprar algo para si próprio por achar que deve comprá-lo para outra pessoa, embora o sacrifício seja desnecessário; ou não se permitir ter o que deseja por achar que não merece.

– Evitar caprichos tais como flores, vinho ou seja lá o que for, que você adora mas acha que será um desperdício.

– Num aposento cheio de gente, alguém grita “ei, idiota!” e você se vira.

– Usar apelidos para si próprio (e deixar que outros o façam), quando se trata de alcunhas autodepreciativas, como Tontinho, Doçura ou Neném (para um adulto), Careta, Baixinho, Gordo ou Careca.

– Um amigo ou namorado lhe dá uma jóia de presente. Imediatamente, você pensa mais ou menos assim: “Você deve ter uma gaveta cheia de jóias na sua casa, para presentear outras moças.”

– Alguém diz que você está bonita. A frase, em sua cabeça, é: “Ou você é cego ou está tentando me agradar.”

– Alguém a leva a um restaurante ou ao teatro e você pensa: “É assim que começa, mas quanto tempo levará para ele descobrir que tipo de pessoa eu realmente sou?”

– Uma garota aceita sair com você e você acha que ela concordou apenas por piedade.

Certa vez trabalhei com uma moça bastante atraente e que, obviamente, era muito assediada pelos homens. Entretanto, Shirley afirmava que todos os seus casos terminavam mal e que, embora quisesse muito casar, jamais tivera oportunidade. Durante o aconselhamento, ficou demonstrado que Shirley destruía todos os seus relacionamentos, sem o perceber. Se algum homem dizia que a amava ou que ela era importante para ele, a mente de Shirley o contradizia, pensando: “Ele só está falando isso porque sabe que é o que quero ouvir.” Shirley estava sempre em busca de uma frase que negasse seu valor próprio; ela não amava a si mesma, e por isso rejeitava os esforços dos outros para amá-la. Não acreditava que alguém pudesse achá-la atraente. Por quê? Porque acha que, para começar, não merecia ser amada, e assim o interminável ciclo de renúncias constituía sua forma de reforçar a idéia de sua menos-valia. (pgs. 58-59)