Reprises de cartas de amor.

Antes do vale a pena ver de novo, #recadinhos:

#E você, garota esperta, já se inscreveu no Luluzinha Camp? Eu vou!

#E por que você não aproveita e vota nos Bichinhos de Jardim para a Clara Gomes ganhar um concurso bacana?

#E pára tudo! Pára o mundo que eu quero descer e comprar essa cadeira havaiana!

(24.07.2005) - To justify my love.

Dearest Love,

Você já reparou como o amor em si é realmente uma coisa brega? O amor belo e admirável é aquele que impulsiona atitudes altruístas. O amor, aquele amorzinho xameguento, é desprovido de senso de ridículo. É um par de narizes se esbarrando, são olhinhos faiscantes e aqueles beijinhos estalados. Deve ter algo a ver com nossos instintos, algo prematuro, onde a linguagem fica reduzida a uma série de grunhidos e músicas que farão parte da coletânea Love Songs 235.

O meu amor é assim de um jeito meio rebelde metido. Ele usa topete à lá Elvis Presley e gosta de kilts escoceses. É treinado para dar cambalhotas e fingir de morto, mas adora fugir e não cumprir com suas tarefas diárias. Dá boletins detalhados alertando sobre a minha falta de bom gosto. Fica zangado por eu entregá-lo a qualquer um, sem nem mesmo pensar se a pessoa merece ou não. Mas no fundo gosta, porque sabe que vai passar dias ouvindo The Smiths.

Mi amor hablas español. E tem um quê de cowboy, daqueles que andam solitários pelo deserto, de perna aberta e com aquela bola de feno rolando no fundo da cena. Mas meu amor gosta de Bon Jovi e é apaixonado pelo ossinho da minha canela. E se ele é cowboy e fala espanhol, provavelmente tem um bigode. E quando pergunto por quê? Ele levanta uma das sobrancelhas pretas e diz: “Há amores inexplicáveis, babe. E há outros que as novelas inventaram. Mas você me pegou para criar, então se vira”.

With love, Bia.

(19.01.2006) – Possibilidades.

Outro dia recebi uma coisa, uma possibilidade de amor. Foi-me entregue assim, como um panfleto desses que pego no trânsito. Distraída até achei graça, entregou e disse: faça o que quiser com isto. Deixei ali dentro da bolsa. Passou uns dias, mesmo sinal, mesma oferta: é sina de inteligência te amar. E eu não tinha coragem de jogar fora, era tão bonitinho, podia pregá-lo no quadro de cortiça ou na geladeira. Gosto de ler panfletos que me entregam na rua, mesmo sabendo que a possibilidade de que eu escolha meu plano de saúde por um papel que me foi entregue por uma moça com colete laranja seja nula. Mas quando se trata de amor aí a coisa muda. Eu posso agradecer e devolvê-lo, mas… talvez minha cordialidade me impele a fazer uma troca e também oferecer algo àquele que me olha por entre os dedos nervosos que passeiam em meu cabelo. Poderia oferecer um bolinho, mas não sei cozinhar. Sei que não existem amores iguais e este não é do tipo chapinha de cerâmica. É um amor que demanda duas vidas em trânsito. O futuro aberto para silêncios e fragmentos sem promessas. Pelo tempo que durar assim sempre será, duas vidas se transformando em uma durante os intervalos do equinócio de verão. Talvez com alguma pressa eu chame isso de amor. Mas a verdade é que já o recebi com tal nome preso na etiqueta e esqueci de pensar se haveria palavra melhor para definir isso.