Você tem uma amiga piriguete? Você tem alguma amiga que gosta de se vestir com saias extremamente curtas e decotes vertiginosos? Você tem uma amiga que gosta de jogar charme para os caras e adora ser chamada de gostosa? Que fica com mais de dois caras numa balada? Eu tenho, e ela é uma mulher maravilhosa. Uma das melhores professoras que já conheci. E sim, ela é piriguete com muito orgulho. Dança funk, forró e música baiana mostrando todo seu remelexo. Ela pode e ela quer. Você acha que ela se sente discriminada ou que faz isso por carência? Pode apostar que não. Ela apenas sabe que o sexo é uma grande arma de poder. Se pode usá-la em seu benefício, por que não?
Lutar pela liberdade feminina significa lutar pela liberdade da mulher fazer com seu corpo o que quiser. Se ela quer expor suas partes mais carnudas ou se deseja olhares maliciosos na rua, ela tem como conseguir isso. E sim, eu acho que isso é liberdade. Ela é livre para sair do jeito que quiser. É claro que isso trará consequências. O julgamento das pessoas não muda fácil e ela saberá lidar com isso, mas o que quero é que você a conheça antes de julgá-la.
Minha amiga não quer roubar seu namorado. Ela não está pedindo para ser estuprada e nem está incitando qualquer tipo de violência sexual. Você tem um cérebro, então use-o para perceber que ela talvez nem esteja olhando para você. É claro que ela está suscetível a violência de todas as formas e a falta de respeito, mas acredite, ela sabe lidar com isso. Seu corpo faz parte de sua personalidade e isso grita em nossos olhos.
Não sou piriguete. Não consigo usar roupas muito curtas por pudor, por achar que meu corpo não é tão bonito. Mas há muitas mulheres que mostram muito mais do que nossos padrões morais gostariam de ver, mesmo sem ter corpos perfeitos. Há a influência da mídia, da cultura, do sexo que grita em outdoors, mas observe a segurança e postura de algumas. Isso é o piriguete pride.
Eu assisto Big Brother. Nunca neguei, pode atirar pedras se quiser, nem mesmo sei explicar porque gosto. Talvez porque é popularesco, porque é simples e ao mesmo tempo curioso. Ou porque adoro alguns blogs que falam de BBB. Também gosto dos Ninjas do Arrocha. E aí?

Poderíamos ter tido uma final feminina no BBB desse ano. Mas isso não aconteceu. Na final estão Max, Francine e Priscila. E esse post tem o intuito de dizer que em várias edições a gostosa da vez, também mostrou ser a piriguete da vez. Aquela que gosta de sexo, que quer sexo, que fala de sexo e que exala sexo. É um papel machista destinado a mulher? Não, se ela tiver orgulho disso, se transformou isso no seu way of life. Samantha Jones está aí para provar que a piriguetagem é movimento forte e que acompanha tendências. São mulheres se comportando como homens? Ou são mulheres apenas expressando sua sexualidade?
Entenda que quando falo tudo isso não estou defendendo a exposição de corpos femininos semi nus na tv ou na publicidade, a questão é outra. Estamos falando de liberdade, de libertinagem, de caráter e escolhas pessoais. Se escolho ser vegan irei sofrer preconceito na sociedade, se escolho ser piriguete também. Mas antes de tudo precisa ser uma escolha consciente para ser válida e para se ter orgulho. E isso, só é possível quando a mulher é dona de seu corpo e faz dele o seu bel prazer.
Priscila é um mulherão, apelidada carinhosamente pelo Big Bosta Brasil de Prianha. É dela meu voto. Não porque corria vergonhosamente atrás do Emanuel. Não porque demonstrou muitas vezes seu dote de descer até o chão e nem porque tentou se aproximar de todos da casa. Priscila assume sua piriguetagem nas roupas, mas não esquece de ser humana, de analisar o jogo, de chorar quando não aguenta e de ter uma bela amizade com Milena. Acredite, eu a admiro e ela me lembra muito uma grande amiga, que hoje é mãe, casada e continua usando as mesmas saias curtas. Porque às vezes é nossa essência. Porque às vezes uma gostosona pode ganhar o BBB e alçar as mulheres-fruta a um patamar nunca antes alcançado.
O Big Brother pode ser uma grande bunda, um programa oco de onde só sai merda. Mas eu assisto e vibro com a possibilidade de vitória de uma piriguete. Porque isso para mim é liberdade, é a possibilidade da gostosa inteligente aparecer como um novo estereótipo feminino. E aí, meu caro, que continuo feminista mesmo cantando funk baixo nível. Quero é ver as mulheres no topo.