Albert Nobbs

Sou dessas que torce para atriz negra sempre ganhar o Oscar. Se o prêmio não premia os melhores do ano, então também posso ter minhas idiossincrasias. Estava bem feliz que Victoria Spencer levou por Histórias Cruzadas. Até que semana passada fui assistir Albert Nobbs.

E aí, vai encarar? Albert Nobbs (2011)

É um filme super triste. Porém, não há aquele maniqueísmo que nos faz chorar. Eu, que sempre choro vendo novela, não derramei uma gota. Albert Nobbs pode ser considerado um dos personagens mais tristes da história do cinema. Lembrando que o Troféu-Lágrimas-Sem-Fim é de Bjork naquele filme do Lars Von Trier, que me recuso a procurar o nome para não chorar. Como sempre não vou conseguir explanar toda a questão que envolve o ato de se travestir no filme e o simbolismo que isso carrega. Tem sido um início de ano com neurônios bem preguiçosos e falta de tempo.

Glenn Close parece mesmo ter tentado sua grande chance de conseguir a estatueta do Oscar. Outro dia perguntei no twitter quem ganhou no ano em que Glenn foi a maravilhosa Marquesa em Ligações Perigosas e me avisaram que quem levou em 1988 foi Jodie Foster por Acusados. Realmente, não tinha para ninguém. É visível o detalhismo e o belo trabalho de Glenn ao dar vida a Albert Nobbs, uma mulher que finge há anos ser um homem. Sua história é muito delicada e a cena com os vestidos é sensacional. Porém, o personagem de Glenn é extremamente contido, introspectivo, tem diversos receios e em seu caminho aparece Hubert Page.

Janet McTeer rouba o filme inteiro em cada aparição, em cada andar, em cada cigarro no canto da boca, em cada arrumada do suspensório. Ela é um assombro em cada cena. O problema é que a história do casalzinho Alice-No-País-das-Maravilhsas e -Menino-do-Kickass é chatésima e a própria história de Albert fica em segundo plano quando conhecemos Hubert Page. Agora é torcer para que Janet ganhe boas chances em outros filmes. Albert Nobbs merece ser visto em grande parte por sua atuação. A cena final com Janet é muito boa.

Pitacos do Uóscar

Hello, I'm Tilda Swinton, a feiticeira branca flambática de Nárnia. O Uóscar me despreza, mas o Bafta sempre me dá alegrias.

#1. Acho que nunca houve uma festa tão chata. Não sei o que deu nas pessoas  que não gostaram daquele ano em que Hugh Jackman apresentou. O homem é lindo, canta, dança, sapateia, tem garras de Adamantium. Melhor Oscar ever. Mas aí sempre temos que voltar para Billy Cristal. Billy, quem é você na night desde Harry & Sally?

#2. Cris Rock, tem como não amar? Melhor texto da noite. Tô super curiosa com o novo filme dele, dirigido pela Julie Delpy.

#3. Amo Meryl Streep. Quem não ama essa mulher maravilhosa? Mas concordo com o Jezebel, Meryl Streep foi a escolha confortável. Agora ela tem mais oscar’s de melhor atriz que todas as atrizes negras do mundo. O que reflete em grande parte o perfil do eleitor majoritário: homem, branco, com aproximadamente 62 anos.

#4. Oh Girl, Ryan Seacrest Just Loves Those Dresses.

 #5. Oficialmente, todos os memes da internet serão sobre a perna direita de Angelina Jolie. Lembrando que o Brasil é pioneiro nessa prática com Xuxa is all around.

O Artista

Achei que Hollywood jamais daria um Oscar para um filme francês. Porém, O Artista só é um filme francês por algum erro de logística geográfica. Se houvesse um diretor extremamente criativo e amante do cinema mudo ele poderia ter sido feito por um americano. Porém, foi um francês quem notou que a ruptura existente entre o cinema mudo e o falado foi crucial não só para os espectadores, mas também para seus protagonistas.

O filme é uma delícia. Minha primeira referência de filmes antigos é Charlie Chaplin. Foi ótimo relembrar a estrutura, a narrativa e a fotografia desse tipo de filme. É pura nostalgia, mas também uma história cativante, entre um ator em decadência e uma estrela em ascensão. Dois mundos opostos que se cruzam por causa de uma pinta. Pode não ser um filme que arrebata multidões, mas é daquele tipo que dá um calor no coração.

Não sei como as fashionistas ainda não começaram a usar os chapéus dos anos 20. Peppy Miller usa e abusa dos chapéus mais lindos que já vi. Berenice Bejo é lindíssima, praticamente saída diretamente dos anos 20. Close na cena em que ela consegue seu primeiro papel, passos de dança divertidíssimos que eu adoraria repetir todos os dias. Há também a cena com o paletó, maravilhosa.

Jean Dujardin mostra várias facetas com seus diversos bigodes e tem nos presenteado com ótimas aparições, seja imitando os passos de Tony Manero ou fazendo audições para papéis de vilões em grandes blockbusters (obrigada pela dica, Patricia Scarpin), afinal todo ator estrangeiro quando chega a Hollywood faz papel de um vilão bem estereotipado.

O cãozinho Uggie merece todos os elogios possíveis. E rola aqueles momentos em que você grita: “Gente, o chofer é o pai do Babe, o porquinho”; “Gente, o cara é o piradão do Laranja Mecânica”; “Gente, o Fred Flintstone!”.

Até assistir O Artista apostava todas as minhas fichas do Oscar em Os Descendentes, mas o show tem que continuar.

Tenho cara de canastrão de novela mexicana, mas ela me dá dignidade. O Artista (2011)

Os Descendentes

Sempre soube que ia gostar de Os Descendentes. Família disfuncional, pai ausente tentando se reabilitar, mãe catalisadora de todas as emoções. Welcome to my world. A diferença entre eu e os King é que na minha família quase todo mundo foi para terapia em algum momento. Enquanto a maioria se identifica com pais repressores, mães inocentes e religiosas em filmes roteirizados pelo Djavan, Os Descendentes é minha história de inadequação sem o amigo maconheiro. O que senti falta foi conhecer melhor a personagem de Elizabeth King. Porque acaba que só formamos sua imagem a partir dos olhos dos outros. Do marido amargurado, da filha revoltada ao pai super protetor.

Muito se fala sobre a corrida de George Clooney (e ela é bem marcante, especialmente na corrida clímax na praia), mas me chamou mais atenção a cena na piscina de Shailene Woodley. Sei exatamente o que é esse sentimento de pessoas que nunca foram próximas, mas que por serem da família sentem-se unidas em algum momento de ruptura. Para mim, Os Descendentes é um filme sobre rupturas. Sobre meninas que praticam bulliyng para se sentirem mais fortes, mas que serão forçadas a amadurecer num quarto de hospital. Sobre terras virgens que remetem a gerações, estão nas mãos de poucos, mas interessam a milhares de pessoas. Fora que tem o Havaí e suas paisagens maravilhosas. Conheci melhor o estado americano depois de começar a ler o blog da Lucia Malla, sempre imperdível.

Camisas havaianas, muito mahalo e Beau Bridges bonachão como o Primo Hugh. Os Primos são todos ótimos. Alexander Payne acertou mais uma vez com um filme em que uma das personagens principais está o tempo todo em estado terminal. Porque sempre chega o momento de destruir tudo e recomeçar.

Sim, somos a família Addams do Havaí, vai encarar? Os Descendentes (2011)

#7 Pontos – Oscar 2012

#1.  Toda minha torcida é para a dobradinha Black-Actress-Power com Viola Davis e Octavia Spencer levando respectivamente os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Atriz Codjuvante pelo filme Histórias Cruzadas.

Heloooooo! Sou Tilda Swinton, a flambática Feiticeira Branca de Nárnia! David Bowie ligou e avisou que todo o look é autorizado.

#2. Esse é o ano em que Spielberg e Tom Hanks floparam bonito. Apesar de Cavalo de Guerra e Tão Perto, Tão Longe terem levado indicações para melhor filme, está bem na cara que não levam nada e que ninguém gostou.

#3. Estou decepcionadíssima que Tilda Swinton não levou uma indicação. Espero que ela suba no palco para sapatear flambando na cara dessa galera com um figurino ainda melhor que o do Globo de Ouro. Pelo menos Jessica Chainstain, que é a atriz do ano, aparecendo em nada menos que 7 filmes em 2011, levou uma indicação.

#4. Gary Oldman ganhar uma indicação para melhor ator é um grande presente para todas as piriguetes-amo-atores-britânicos do Bonde das Gary Lovers do qual faço parte. Beijo no coração para @TKitchen_blog, @Adelialund e @Rita_Paschoalin.

#5. Super vou assistir o Oscar só para ver Carlinhos Brown flambar pinga com mel naquela galera. Michel Teló com turnê européia, Carlinhos Brown no Oscar, o próximo passo é Aviões no Forró ganhando o Grammy com “Motel Disfarçado”. Se me odeia, deita na BR!

#6. A Academia não curtiu Harry Potter. Alan Rickman merecia demais uma indicação a melhor ator coadjuvante por Severo Snape. Esperei que no último filme fossem reconhecer a genialidade da série que cresceu junto com seus leitores. Ryan Gosling, o ator do ano, também foi solenemente ignorado.

#7. Estou muito feliz que A-Árvore-Da-Vida-Djavan-Fez-A-Via-Láctea-Fez-Os-Dinossauros não vai levar nada.

Confira os indicados.