Sou dessas que torce para atriz negra sempre ganhar o Oscar. Se o prêmio não premia os melhores do ano, então também posso ter minhas idiossincrasias. Estava bem feliz que Victoria Spencer levou por Histórias Cruzadas. Até que semana passada fui assistir Albert Nobbs.
É um filme super triste. Porém, não há aquele maniqueísmo que nos faz chorar. Eu, que sempre choro vendo novela, não derramei uma gota. Albert Nobbs pode ser considerado um dos personagens mais tristes da história do cinema. Lembrando que o Troféu-Lágrimas-Sem-Fim é de Bjork naquele filme do Lars Von Trier, que me recuso a procurar o nome para não chorar. Como sempre não vou conseguir explanar toda a questão que envolve o ato de se travestir no filme e o simbolismo que isso carrega. Tem sido um início de ano com neurônios bem preguiçosos e falta de tempo.
Glenn Close parece mesmo ter tentado sua grande chance de conseguir a estatueta do Oscar. Outro dia perguntei no twitter quem ganhou no ano em que Glenn foi a maravilhosa Marquesa em Ligações Perigosas e me avisaram que quem levou em 1988 foi Jodie Foster por Acusados. Realmente, não tinha para ninguém. É visível o detalhismo e o belo trabalho de Glenn ao dar vida a Albert Nobbs, uma mulher que finge há anos ser um homem. Sua história é muito delicada e a cena com os vestidos é sensacional. Porém, o personagem de Glenn é extremamente contido, introspectivo, tem diversos receios e em seu caminho aparece Hubert Page.
Janet McTeer rouba o filme inteiro em cada aparição, em cada andar, em cada cigarro no canto da boca, em cada arrumada do suspensório. Ela é um assombro em cada cena. O problema é que a história do casalzinho Alice-No-País-das-Maravilhsas e -Menino-do-Kickass é chatésima e a própria história de Albert fica em segundo plano quando conhecemos Hubert Page. Agora é torcer para que Janet ganhe boas chances em outros filmes. Albert Nobbs merece ser visto em grande parte por sua atuação. A cena final com Janet é muito boa.




