Posso começar contando como tudo começou? Sempre fui gorda. Porém, nunca fui do tipo que tem barriga se espalhando para os lados. Deus me agraciou com uma bunda e um par de coxas. Mas não pense que é apenas uma bunda. Se eu tivesse seguido minha verdadeira vocação estaria me esbaldando em remelexos em cima de um trio elétrico, segurando o tchan, o créu e muito mais. Quando Deus me criou ele disse: “Vais ser Mulher Melancia”. Porém, como toda rebelde, lá fui eu gostar de Lobão, Gonzaguinha, Marisa Monte, David Bowie e Madonna, música que carecia de pouco gingado. É claro que já dancei até o chão várias vezes, afinal alguém com a minha bunda tem um passado condenável em algum ponto e adoro ter momentos glamourosa, rainha do funk. A Carla Perez também deve saber, há dias em que a bunda tem vida própria. Abala Bangu e adjacências.
Como não tinha muita barriga e meu pescoço sempre esteve a vista, as pessoas sempre me denominaram gordinha. E sempre me senti uma pin up plus size e sexy como a Hilda.

Abalando Bangu e adjacências em chamas.
A gordinha simpática clássica, de bracinhos roliços. Ou não, dependendo do ponto de vista. Gosto da Preta Gil, gosto mesmo. Apesar de achar que ela deveria se preocupar menos com o que falam dela, acho que ela tem seu carisma. Ok, é tudo mentira, eu adoro a Preta Gil porque ela canta “Eu sou Stefhany” nos shows. Não acho que deveria ser alçada ao posto de defensora das gordinhas, pois gordinha que é gordinha se defende por si só. Afinal, sei porque sou gorda e não estou me eximindo de culpa, estou apenas afirmando que continuarei comendo e sendo um pouquinho sedentária. Porque geralmente, por mais que goste de um exercício, sou preguiçosa. Minha cama é meu templo.
E costuma ser na cama também que reside um dos borogodós das gordinhas. Pois há vários. É por isso que @ladyrasta me convidou para escrever um post sobre o assunto. Fazendo uma pesquisa pequena, observando conversas de mulheres sobre sexo, das piadinhas nos corredores da faculdade, ou dos causos da noite anterior, a maioria das gordinhas que conheço é gulosa em relação a tudo. Não me olhe com esse rabo de olho, já tive um Amateur.
Toda essa história de #momentopretagil começou porque a Flávia está gordinha e ao mesmo tempo anda fazendo sucesso com a parcela masculina da população. Na minha sincera opinião, acho que pouquíssimos homens gente fina/sangue bom deixariam de namorar uma gordinha – tese que é comprovada nesse post da Claudia Letti (que descobri graças a esse post da Zel
. Lembrando que não há nada científico aqui, puramente observação e audição ao ouvir o clássico “gostosa” na rua.
Porém, como nós gostamos de gente que se perde e não de quem se acha. As gordinhas não precisam empinar nariz, nem ficar mendigando beijinhos por aí. Tem gordinha que chega chegando, ou então que troca olhares até que o bonitão venha sentir a fofura mais juntinho. E é fato, taí um apelido que me acompanhou a vida inteira: fofa. Maria Fofa podia ser meu pseudônimo, se não fosse uma loja de roupas aqui em Brasília. Não vou dizer que saí pegando geral por aí, porque pode aparecer alguém nos comentários perguntando: “Oi? Você não era aquela gordinha que dançou em cima do balcão numa festa em 2003?” Mas sempre tive um charminho, sempre teve um rapaz sincero e paciente que queria me ensinar uns passos de forró, ou mesmo um atendente de padaria que me tratava com mais atenção do que o necessário. Até hoje é assim, ganho todos os concursos de Miss Simpatia.
Hoje em dia namoro um gordinho. Que de costas nem gordinho é, o problema é uma senhora barriga de cerveja que eu teimo em tirar do meu objeto de desejo. Não porque quero que ele seja magrinho, mas porque a barriga é perigosa para saúde, não é apenas uma pancinha, saca? E você acha que em dez meses de namoro eu não agarro essa barriga quase todo dia? Mas é claro! Assim como ele conhece a minha bunda, ora pois. A barriga, a bunda, podem sempre diminuir um pouquinho, mas o charme da gordinha não vai embora, isso eu garanto.
A relação que estabelecemos com nosso corpo é importantíssima para a formação da nossa auto-estima. Magra, gorda, mignon, baixa, alta, não importa, o importante é ser saudável, se cuidar para que não fiquemos doentes, mas ditadura da beleza, tô fora! Não vou ficar tentando emagrecer igual uma louca, nem tomar remédios perigosos sem receita médica. Procuro fazer uma dieta balanceada para não engordar mais do que o manequim 44-46 que me acompanha a tanto tempo. Se emagrecer mais, ótimo, mas tudo sem pressa e com equilíbrio. Gosto de pessoas sinceras e que estejam dispostas a ter uma relação bacana. Porque afinal, todo mundo pode emagrecer e engordar, o que não dá para fingir é caráter e amor.
E você já pensou como é ser uma gordinha? Se quiser participar do nosso #momentopretagil é só escrever um post e mandar o link para nós.
#From Lady Rasta - Momento Preta Gil, quem gosta de osso é cachorro?
#From @kakah – Gordinha Life Style
#From Renata – Gordinha sim… e daí?
#From Karolayne Brum – Eu sou gordinha e sou feliz.
#From Ine – Não sou magra.