#Girl Power!

Quando entrei em casa quarta-feira (02/08), Mamãe gritou: “Ela foi solta! Ela foi solta”! E ficamos as duas estateladas diante da tv, chorando de alegria com o fim do seqüestro de Ingrid Bettancourt.

Sempre usufrui de todas as benesses da revolução feminista. Hoje é comum para uma mulher tomar pílula, dirigir, falar palavrão, usar calça, cortar o cabelo, fazer sexo às segundas-feiras, votar, chorar quando leva um fora, dizer não aos pais, ter um vibrador, morar sozinha, pagar as contas, ter orgasmos múltiplos, fazer terapia, escolher não ter filhos, gostar quando a chamam de gostosa na rua, ser feliz solteira, casar com quem escolher. É possível até nadar menstruada.

Ruth Cardoso, Ingrid Bettancourt e Clara Rojas me recordaram nos últimos dias do quanto me orgulho de ser uma mulher livre para pensar e viver, e também, do quanto é importante continuar lutando por essa liberdade. Faço parte do contingente feminista que quer uma revolução, mas não uma que nos transforme em homens, que os exclua ou tome o poder para si. Desejo uma revolução humana, que vise igualdade de direitos e deveres e que nos reaproxime socialmente. É preciso reconstruir o conceito de coletividade entre as pessoas, o indivíduo faz parte da sociedade e deve sentir-se responsável por ela.

É visível que muitas garotas sofrem de baixa auto-estima. A violência contra a mulher ainda possui índices alarmantes. A auto-estima feminina e a visão cultural da mulher possuem relação direta com a permissividade dessa violência, tanto física como moral. Quantas mulheres você conhece que anulam seu potencial por estarem presas a convenções sociais ou a relacionamentos infelizes? Quantas meninas não se previnem de uma gravidez precoce, pois têm medo de perder o namorado? É tão comum ouvir comentários do tipo: “Você deveria rir menos, contar menos piadas, ser mais discreta, pois isso afasta os homens”. E a primeira coisa que me pergunto é: Será que quero ao meu lado um homem que não gosta da minha risada?

Não sei se Ruth ou Ingrid são como eu, se adoram a Hello Kitty ou sonham com scarpins de oncinha. Mas sei que, assim como elas, realizo ações sociais e nunca esqueço das mulheres que lutaram e que lutam por mudanças, das minhas amigas queridas a quem tanto admiro pela coragem e do maravilhoso sabor da liberdade que tenho para construir minha vida. Sinto-me parte desse movimento, enxergo em meus gestos desdobramentos dessa revolução. E mesmo ficando triste quando vejo uma mulher se tornar dona-de-casa em pleno século XXI, sempre é importante lembrar que hoje ela pode escolher ser ou não ser uma dona-de-casa, assim como pude escolher continuar rindo como uma drag queen.

#Top 5 – Minhas personagens Girl Power favoritas!

1. Beatrix Kiddo. No fim da saga de vingança da Noiva há uma das cenas mais lindas que já vi. Beatrix Kiddo no chão do banheiro rindo, inteiramente feliz por ter de volta tudo o que lhe tiraram. “The lioness has rejoined her cub and all is right in the jungle”.

2. She-Ra. Seus pais preferiram deixá-la tomando conta do Castelo de Cristal sozinha, enquanto pageavam o He-Man. E além de lutar, conversar com os animais, usar botas cano alto chiquésimas, tinha um cavalo lindo chamado Espírito/Ventania.

3. Juma Marruá. Mesmo virando onça, usando um estilo camponesa-hippie-nativa, ela representa muito bem a independência feminina. Principalmente quando pega a espingarda e diz: “Mai ocê vai embora daqui! Não me faz ficar com reiva!”

4. Florzinha, Lindinha e Docinho. A mulher perfeita teria a liderança e inteligência da Florzinha, a meiguice e bondade da Lindinha, a esperteza e o pavio curto da Docinho. Quem for ver Wall-E, perceba que Eve é uma versão Mac da Docinho, principalmente quando está com um trabuco na mão.

5. Samantha Jones. Ela é a porta-bandeira da revolução feminina. Não conheço ninguém que chegue perto de todas as coisas que Sam fez na série, mas aposto que todas as mulheres gostariam de ter uma amiga como ela. Extremamente divertida, espirituosa e que tem a palavra sexo tatuada na língua.

# Você venceu, batata-frita. Há dias em que você acorda, toma banho, diz bom dia, mas tudo parece tão sem graça. Até que você abre o e-mail e no meio daquele monte de coisas que não te interessam, um amigo te manda um link com um teste: Miss ou Miss Transex? Consiste em descobrir pelas fotos quem é mulher e quem é traveco. E você acerta só 8 das 14 candidatas. E sim, o mundo volta a ser divertidíssimo oura vez. Inspirou-me até a escrever um post no Fatos Inúteis.