Outro dia, a fofa Lili Ferrari pediu pauta para o blog Mãe com Filhos. Eu, prontamente achei esse post enquanto lia os compartilhados da Cynthia e enviei. A Lili fez um post e a Sam Shiraishi também.
A imagem da representante dinamarquesa levando seu filho para o parlamento europeu é emblemática, pois traz dois elementos da vida feminina que aos olhos da maioria parecem cada vez mais opostos: carreira e maternidade. Nenhuma mulher deixa de ser uma profissional competente porque se torna mãe. E nenhuma mãe precisa viver cheia de culpa por se dedicar ao trabalho. É possível encontrar um equilíbrio em tudo na vida, o importante é que tanto a carreira, como a maternidade sejam parte dos desejos da mulher, sejam formas de realização.
No momento, curso uma pós-graduação em Gestão de Pessoas. É comum ouvir entre professores e alunos a seguinte frase: “Se você resolveu ter um filho, sua empresa não é o pai dele, então trate de dar um jeito para que ele não atrapalhe seu trabalho”. Essa frase é péssima, pois a empresa deveria se preocupar com o bem estar de seus funcionários. Todos sabemos que crianças ficam doentes, a babá falta, a escola pública entra em greve. São imprevistos que podem ou não ser contornados. Uma mãe que precisará faltar o trabalho não deve ser crucificada. Quem não tem filhos pode ter outros problemas, com os pais, irmão ou mesmo um animal de estimação que precisa ir urgente ao veterinário. Não há porque não dar apoio a quem tem problemas. É mais um motivo para a pessoa se sentir valorada no ambiente de trabalho. Aí você pode argumentar que as pessoas vão aproveitar para começar a faltar o tempo todo. Sinto informar que nesse caso você não está tratando com pessoas adultas e comprometidas com o trabalho.
Uma mulher deve ter filhos se assim o desejar. Se isso realmente não for uma realização para ela, também há a opção de não tê-los. Essa deve ser uma decisão consciente, e posso afirmar, você sente quando realmente quer ter filhos e quando escolhe não ter essa responsabilidade e todas as alegrias de criar uma prole. Há muito tempo sinto e sei que não quero ter filhos biológicos, nunca me agradou a idéia de ficar grávida, gerar uma vida e passar por um parto. Por ter muitos primos adotados e por ter trabalhado como voluntária em abrigos para crianças abandonadas, não vejo razão para engravidar, pois se eu decidir ter um filho sinto-me muito mais inclinada a adotar. Mãe é quem cria, mãe é quem ama todos os dias. A relação é para sempre. Uma mulher que decide não ter filhos não é uma pessoa egoísta, sem coração, nem está negando sua natureza. Ela apenas fez uma escolha que a faz mais feliz.
Filhos são um assunto importante na vida das pessoas. Acho que ninguém deveria abrir mão de ter um filho ou de não ter se assim o quiser. Para mim ter ou não um filho biológico não é algo negociável, deve ser uma decisão de cada pessoa, que precisa ser comunicada logo no início de um relacionamento. E apesar de não ter o ardente desejo de sentir chutes na minha barriga, fico muito feliz sempre que encontro relatos de mães em blogs. Porque ao se ter um filho uma nova vida nasce para todos os envolvidos diretamente e há muito assunto para se discutir. O que tem mais me divertido nos últimos tempos é o Sutiã 44.
Também é por essas e outras razões que não entendo porque o Malauí nega o pedido de adoção de Madonna. É marketing? Claro, mas ela pode ser a popstar que for, pode ser separada, não ter marido, usar roupas extravagantes e se envolver com rapazes mais novos, mas é fato que tem capacidade de dar uma vida muito melhor para uma pequena garota africana. Quem garante que Madonna não é uma mãe carinhosa e atenciosa? O suposto pai da menina que nunca foi atrás da filha, mas agora vive dando entrevistas a tablóides? Vou julgá-la por ser uma boa profissional do show bussiness? É uma criança a menos abandonada num país pobre. E eu defenderia essa adoção se fosse em qualquer país. É uma criança a menos sem chances de ir além. Até achei louvável que ela adotasse a segunda criança no mesmo país em que adotou seu primeiro filho, pois representa uma forma de fraternidade por meio da cultura. Entreguem a pequena Mercy a Madonna. Se eu crescesse e descobrisse que Madonna quis me adotar, mas esse pedido foi negado, quebrava aquele orfanato inteiro.
