Cafona e fofa, Srta. Bia (27) revela detalhes sobre um suposto affair e admite que come queijo coalho na praia. “É verdade, não posso ver uma fumacinha que vou em cima, quanto mais sujinho melhor”.
A primeira impressão que um interlocutor tem ao ser apresentado a Srta. Bia é de estar diante de uma garotinha adorável e muito cafona. De que maneira, então, chegou ao sucesso como rainha da pipoca em 1993? Uma profissão típica de jovens elegantes. “Sou determinada e gosto de milho”, revela a fã de José Augusto. Passeando por Nikiti, e se curtindo muito, ela falou a Caras:
— Você se considera cafona ou brega?
— (Risos) Sou fofa, né? Não gosto de rótulos, sempre corto as etiquetas das roupas.
— Há boatos de que você está namorando um nerd, você acha que cafonice e nerdice combinam?
— Na verdade, desde que o conheci tenho certeza que toda mulher precisa de um nerd para chamar de seu. E apesar das diferenças, ele gosta de churrasquinho de gato. Foi por isso que me apaixonei.
— Muita gente pensa que o ápice é ser rainha de alguma coisa, você concorda?
— Eu não acho. Se fosse o meu ápice o que seria de mim em 1993? Tenho 27 anos e muitas feiras da uva pela frente.
— Agora nos conte um pouco dessa primeira vez na Ilha de Caras.
— Tipo que mêo, tô me sentindo a Like a Virgin, né? Então vou fazer uma listinha com os melhores motivos para se tirar férias, ir para a Ilha de Caras e ser feliz:
1. Filipe. Fui praticamente adotada pela família do Lipe enquanto estive em Niterói. Andamos muito a pé, babamos por chocolates, comemos pizza no shopping antes de ver Batman, vi várias vezes os olhinhos dele brilharem ao encontrar coleções de mangá, comemos o delicioso sanduíche da Compão e ele ainda acompanhou meus pequenos infartos nos sebos. Lipe mora onde o vento literalmente faz a curva e me ensinou que o Cristo não fica em cima do Pão de Açúcar. Passeando por Icaraí solta ótimas frases:
— Aqui tinha uma galeria super legal, cheia de lojas bacanas, aquele clima intimista. Aí fechou e vai ser construído mais um prédio chato. É o capitalismo engolindo a cultura e os pequenos prazeres desse país.
— O Lucio Ribeiro é o Nelson Rubens do indie rock brasileiro.
2. Mariana Rimoli. A Mari faz livros, tem coisa mais linda do alguém saber fazer livros? Ela tinha um dos meus blogs favoritos e agora resolveu voltar para alegria geral da nação groselhense. Mari está com a carteira vencida e não sabe dirigir, mas tem carro e me levou para passear. Viciada em maquiagem e toda estilosa, é maravilhosa companhia para andar em feirinhas. Depois de tentar manobrar e estacionar o carro numa ladeira, ela me solta essa:
— Quando o carro morre é porque tá bom na vaga.
3. A Lu faz um post só pra mim. Levanta a mão aí quem morre de saudades das colegas de trabalho!
4. Viajar sozinha. As pessoas perguntam o tempo todo: — Mas você está sozinha? E você apenas sorri. Pode-se fazer tudo o que se quer, na hora que se quer. Pode almoçar sorvete sem ninguém reclamar. E pode treinar seu inglês enferrujado com os milhares de estrangeiros hospedados no albergue de Paraty. E claro que tudo fica mais lindo quando há um namorado maravilhoso me esperando no aeroporto no dia da volta.
5. Comprar o livro do David Lynch ‘Em águas profundas – criatividade e meditação’ e devorá-lo duas vezes em 3 dias. David fala exatamente o que penso: “As idéias são como peixes. Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quer um peixe grande, terá que entrar em águas mais profundas. Quanto mais você expande a consciência, mais fundo é seu mergulho na direção dessa fonte, e maior é o peixe que pode pegar.” Não tenho paciência com negatividade, não gosto de acreditar que o sofrimento melhora minha escrita, detesto quem vive reclamando. O mundo não é justo, as coisas nunca serão perfeitas, mas posso fazer minhas escolhas e lutar por elas. Ele fala sobre cinema, vida, espírito, sempre mostrando a importância de estimular a criatividade. Segue mais um dos meus trechos favoritos:
O Círculo. Adoro esse ditado: “O mundo é como você é”. Acho que os filmes são como você é. Por isso mesmo, embora as tomadas de um filme sejam sempre as mesmas — o mesmo número, a mesma seqüência, com os mesmos sons —, cada exibição é diferente. Às vezes a diferença é muito sutil, mas está lá. Isso depende da audiência. Há um círculo que interage entre o público e o filme. Cada pessoa tem sua própria maneira de olhar, de pensar e de sentir. Uma maneira provavelmente distinta daquela que me seduziu. Eis por que nunca se sabe o que vai seduzir as pessoas. Mas se você começar a pensar em como seduzir os outros, se dessa ou daquela forma, é melhor parar de fazer filmes. Só se deve fazer aquilo que se ama; é assim que nos abrimos para o inesperado. (pg. 21)