Sorte do dia: sexo no carro

Sou muito curiosa com revistas em geral. Especialmente aquelas voltadas especificamente para mulheres ou homens. Sempre há muitas dicas, soluções infalíveis e tudo para ajudar nossa Companheira-Amiga-Enlouquecedora-de-Homens ou nosso Brother-Macho-de-Abdomem-Definido. Então, em qualquer site de revista é possível encontrar matérias ótimas, que vão ajudar muito o seu dia-a-dia e cheias de trocadilhos que você sempre poderá usar como assunto no intervalo das reuniões de trabalho.

A matéria de hoje é da Men’s Health: Esquente os motores -  Aproveite o insulfilm e faça sexo “motorizado” sem ficar só no papai e mamãe. Nossa análise será no estilo Almanacão de Férias da Turma da Mônica.

1. Liste os trocadilhos sexo + carro:

- esquente os motores

- para gozar da experiência

- melhores posições para trocar o óleo sem aperto

2. Identifique o apelido do pênis:

- Amigão

Não se sabe cientificamente qual a razão, mas nunca deve-se chamar pênis de pênis. Sempre devemos dar nomes como Amigão, Menino, Membro, Benhê, etc. A vagina não tem apelidos nessa matéria, invente sua teoria em 2 frases porque isso acontece.

3. Analise as figuras:

Playmobil Sex. Imagem ilustrativa da revista Men's Health.

Veja que os bonequinhos das portas de banheiros agora trepam em carros. Vamos chamá-los de Bob e Suzy. Esperamos a versão com Bob e Jack, um simpático amigo de Bob que gosta de vinhos. E de Suzy com Monique, sua colega do curso de pães caseiros.

Figura 1: Segundo a matéria,  nessa posição a mulher fica com as pernas bem abertas, a penetração é mais profunda, intensificando a excitação”, explica a sexóloga Jussania Oliveira, consultora da Men’s Health. Jussania sabe das coisas, mas parece que nunca transou num fusca.

Figura 2: Vamos ver o que tem no bagageiro? Opa, não tenho braços!

Figura 3: Peitos na buzina!

Figura 4: Bob e Suzy saíram do carro e foram para a yoga.

Achei a matéria boa. Sempre pensei que quando as pessoas transam em carros isso acontece de qualquer jeito, seguindo a excitação e as possibilidades que as roupas do momento proporcionam, mas é sempre bom saber que existem dicas e manuais para isso, não é? Transar não precisa ser espontâneo, podemos sempre ter um guia de posições no porta-luvas. E lembre-se, use camisinha.

Questões de Gênero

Vivemos num tempo em que o politicamente correto virou alvo, pois por propor mudanças é visto como chato. Normal, nada mais saudável do que haver reação ao se propor mudanças, especialmente sociais. Porém, tem crescido na mídia brasileira o papel do polemista. Alguém que fala um monte de asneiras só para gerar polêmica. É claro que nos perguntamos: devemos alimentar o ego desse tipo de gente? As opiniões divergem, mas às vezes é ótimo ler um texto como o que a Amanda escreveu:

Saiba, meu querido, que homens não perdem a masculinidade por considerar mulheres como seres humanos. Mas perdem a humanidade quando insistem em reduzir mulheres a meros objetos. Casos de violência contra mulheres acontecem justamente quando um homem tenta fazer com que uma mulher seja seu objeto. E essas mulheres sofrem duplamente: primeiro com as marcas da violência física e psicológica. Segundo, porque as violências mais sórdidas vêm embaladas num discurso bem construído de amor, fazendo com que as mulheres tenham dificuldade de romper com esse ciclo que chama de amor uma relação construída na desigualdade.

Continue lendo em: Recadinho pro Pondé.

Go Wherer? Sex, Gender and Toilets. Imagem do blog Sociological Images

Então, em meio a tudo isso temos que perceber o quanto a questão de gênero e os papéis sociais são pouco questionados, destrinchados e ressignificados. Por isso, o texto com a fala de Luna Borges na II Semana Gênero e Direito, traz algumas questões essenciais sobre a importância de discutir gênero em todos os espaços, especialmente na universidade, local de formação. Um espaço que também é representado por pessoas como o Pondé, que parecem querer regredir em questões básicas.

Aqui, faço um breve parêntesis para dizer o que entendemos sobre a palavra gênero, que dá título a nosso evento. Para nós, refere-se a uma categoria extremamente explícita e, ao mesmo tempo, aberta para possibilidades – como toda referência à gramática deve ser. Mais do que uma descrição objetiva de traços inerentes, é um meio de classificar fenômenos, um sistema de distinções socialmente acordado. A teórica e militante feminista Joan Scott, explica que é uma maneira de afirmar construções exclusivamente sociais das identidades subjetivas dos homens e das mulheres. Seria, portanto, uma categoria útil porque oferece meios de distinguir a prática sexual desses corpos, dos papéis atribuídos às mulheres e aos homens.

Então, diante disso, proponho a seguinte reflexão: O que a Universidade tem a ver com isso tudo? Por que estamos hoje aqui neste painel discutindo o que estamos discutindo? Arrisco dizer que a Universidade, como espaço público de construção de conhecimento não pode se esquivar das latentes e explícitas opressões de gênero, raça, classe. Se o papel da Universidade é criticar leis, interpretações e decisões judiciais que possam negar a autonomia de mulheres que se vêem sujeitos de suas próprias histórias, como poderíamos ser passivas em relação a discursos que, por exemplo, culpam estas mulheres de toda desgraça humana? Que atribuem a elas a causa das ações ingênuas, tolas e emocionais de alguns homens? Dizer que “(…) O mundo é masculino!” pode parece uma interpretação coerente para um Direito medieval, mas essas exatas palavras foram proferidas em 2007 pelo juiz Edilson Rodrigues, da 1ª Vara Criminal e da Infância e Juventude de Sete Lagoas – MG.

Quantas mulheres já foram vítimas de violência sexual, moral, patrimonial e posteriormente culpadas pela existência dessa violência? E não só em discursos judiciais. Quantas mulheres aqui deste auditório já se sentiram constrangidas em sala de aula por serem tratadas com condescendências do tipo “meu amor”, “minha querida”, “minha linda”?

Será preciso desenvolver algum tipo de habilidade para entender que esse posicionamento rechaça ainda mais as mulheres de espaços públicos? Que constrói discursos pretensiosamente neutros, inofensivos, mas que se mostram legitimadores de práticas degradantes para a dignidade de mulheres? Este auditório deveria contar com a presença de reitor, decanos, decanas e a maioria de professores e professoras daqui, pois entendemos que este é um momento ótimo para que a Universidade pense em como formar um(a) profissional e cidadão, cidadã? Como construir um conhecimento mínimo que permita identificar a exclusão de tantas subjetividades, de tantos direitos?

Continue lendo em: Questões de Gênero na Universidade

Go Where? Sex, Gender and Toilets. Imagem do blog Sociological Images

[+] Obrigada a Barbara Lopes pela dica do tumblr, que Como Queríamos Demonstar: tema de quase toda coluna do Pondé: “prefiro gente que X”, sendo X qualquer falha de caráter.

[+] Conheça também o Neo Pelúcias.