# 27 anos. Hilda Hilst fazia aniversário no dia 21 de abril. Certa vez afirmou que você nunca conhece realmente as pessoas. Referia-se às peculiaridades de cada um, mas é possível que também acreditasse numa teoria holística de que a cada 7 anos fecham-se ciclos em nossas vidas. O universo, o destino, Deus ou a conta bancária provocam mudanças, novas formas de sentir e novos olhares a cada 7 anos. Acredito nisso. Passei a crer não tem nem 3 meses, talvez seja apenas uma self-esperança-fajuta. Hilda também disse que é preciso resgatar a alma do ser humano. Estou deixando de procurar razões, abandonando justificativas, repensando hábitos e costumes, porém, continuo buscando o amor em todas as suas formas e expressões. Nada pode ir além do âmbito da própria vida e nada permanece inalterado. Não há porque querer todas as respostas quando naturalmente termino a maioria dos meus dias sorrindo, amando, querendo mais. E, tendo como um de meus orgulhos, o fato de fazer aniversário no mesmo dia de Hilda Hilst.
# Minha ode às panelinhas. Está faltando senso de humor no cortiço dos blogs. Voltaram as gritarias inúteis sobre panelinhas. A Feed-se é, as Mixed Tapes do Ian também são, e daí? Amigos formam grupos e gostam de fazer coisas juntos. Simples, não? É fácil perceber porque as pessoas que esbravejam não estão nas panelinhas, porque são chatas. E ninguém merece gente chata! Então, vamos pedir piedade. Senhor, piedade. Pra essa gente careta e covarde. Todos temos grupos de amigos queridíssimos. Fazemos parte de panelinhas porque sabemos que amigos comem brigadeiro quente na panela juntos. Estamos falando de amizade, de projetos em comum, de sintonia e não de democracia. Quem está na panelinha do Az tem companhia para baladas super dançantes. Quem está na panelinha do Lipe ganha os presentes “faça você mesmo” mais legais do mundo. Quem está na panelinha do Zé descobre pelo menos 10 músicas por semana. Quem está na panelinha da Kash e da Lu sabe que é possível fazer amigas incríveis no trabalho. Faço parte de várias panelinhas e acho super saudável me juntar com amigos para jantar, discutir, abrir uma revista ou ouvir músicas juntos. Quem quiser vai, quem não quer não lê. Quem está fora da panelinha pode chegar pelas beiradas, sugerir novas idéias, ou ficar feliz ao ver um grupo de amigos se divertindo. Só não sejamos chatos e reclamões de alma bem pequena. Make love, not war!
# Bilhete do dia: Um beijo roubado. Wong Kar-Wai é um dos meus diretores preferidos. E sua estréia no cinemão hollywoodiano traz novidades a seu trabalho, porém não parecem novidades aos olhos de quem está acostumado com o cinema americano. O amor ainda é o tema central e as cores estão lá, mas as relações e reações dos personagens estão extremamente familiares. Temos Norah Jones muito graciosa em seu primeiro papel no cinema, um Jude Law charmosíssimo, uma Natalie Portman curta e uma Rachel Weisz mimada. Achei que o papel de Rachel seria bem melhor, mas a graça do filme está mesmo em Norah e Jude, e nas cenas em que o sorvete invade a torta de blueberry. É uma história sobre traumas amorosos, que demonstra a necessidade da fuga e a importância de deixar portas abertas. Meu tipo de filme preferido, ainda mais com Cat Power e Cassandra Wilson ao fundo. Cotação: R$ 12,00.
# Não quero ter razão. “Numa de minhas intervenções, na Flip, em Paraty (RJ), em agosto passado, afirmei que uma das piores coisas do mundo é querer ter razão. Referia-me, implicitamente, à guerra entre judeus e palestinos, mas exemplifiquei com as brigas de casais. O cara insiste em ter razão, discute com a mulher, ela contra-argumenta, os dois se exaltam e daqui a pouco estão amuados, cada um no seu canto. Cheios de razão, mas infelizes. “Não quero ter razão”, disse eu, “quero ser feliz”. Mais tarde, durante a sessão de autógrafos, as pessoas repetiam a minha frase e pediam que eu escrevesse no livro. Um rapaz falou-me: “Vou agora mesmo telefonar para minha namorada e dizer a ela que me desculpe, que eu não tinha razão na discussão”. À noite, no restaurante, várias pessoas vieram falar comigo sobre a frase e outros gritavam de longe: “Não quero ter razão”. Mas isso não é razão para me classificar de frasista. Se bem entendo, frasista deve ser aquele sujeito que fica bolando frases de efeito. Não é o meu caso. Essa frase, por exemplo, que tocou tanta gente, não a tinha pensado antes, saiu no momento. A verdade é que há muito reflito sobre a insistência das pessoas em terem razão, ainda quando se trate de um assunto sem importância.” (Frases de vidro. Texto de Ferreira Gullar. Publicado na Folha de São Paulo no dia 13/04/2008).