Isso é glamour?

Desde sexta-feira estou em São Paulo. Linda, leve e solta, porém com uma reação alérgica terrível. Meu nariz simplesmente se recusa a cooperar e resolveu se tapar. Já conheço ele, mas as pessoas que me vêem espirrando na rua não.

Não tenho lido nada, pois minha companheira de quarto grega monopoliza a tomada. Alguém me conta aí sobre a novela das 8? Sabe Deus que dia vou conseguir ver todos os capítulos que perdi.

Mas é claro que está tudo ótimo com meus amigos fofos me fazendo andar a cidade inteira a pé. É óbvio que esqueci a máquina fotográfica, então não dá para vocês verem a feira livre imensa que existe aos sábados bem em frente o albergue que estou. Nem o cabelo Vanessa da Mata da grega companheira de quarto. Nem a franja gigante do Mar. Nem uma propaganda terrível de ringtone. Nem os porta-guardanapos do café da manhã que tem o símbolo da vivo com estampa de oncinha neles. Nem a afta gigantes que ganhei ontem de tanto comer abacaxi.

Isso é glamour?

Back to black: Stop 1.

# Soy loca por ti Paraty. Quando decidi ir para Niterói-RJ nas férias de julho, não parei para pensar que estava viajando sozinha, mas várias pessoas que encontrei me perguntavam: Mas você está viajando sozinha? Nem me dei conta, de que estava de férias, viajando sozinha, para um lugar que nunca fui. Muitas vezes a vida pede algo inexplicável, dessa vez era uma viagem.

E de Nikiti surgiu a idéia de ir a Paraty. Há anos acalentava o desejo de ver aquele pedaço de terra e mar, fui numa quinta e voltei no sábado. As coisas nunca mais foram as mesmas desde então. A felicidade plena encontrou morada por alguns dias num albergue lotado e em passeios de barco, em mergulhos com peixes e tartarugas marinhas. Sozinha num lugar onde ninguém me conhecia. Andei muito e provei de todas as cores do arco-íris da minha canga. Voltei porque era o momento de encarar uma nova vida. No meio daqueles montes de cachorros perambulando pelas ruas, deixei na areia o último suspiro de tudo que passou.

Eu quero o sal, o doce, o sempre, surpresas pelo ar
Eu quero azul, amor que tarde, mas nunca vá falhar
Ser um rio infinito, nascer de novo em seu olhar
Provar o vento, deitar ao sol e me apaixonar
E me apaixonar (Sugar – Marina Lima)

#Não há nada pior do que ficar doente. Não se consegue fazer nada direito. Estava correndo tanto, preocupada com mil coisas, vivendo Carrie-Crises, que o corpo me obrigou a ficar quieta, dormir direito, voltar para a yoga e comer apenas alimentos saudáveis. Minha mãe está viajando, mas deve ter implantado um chip em mim. Além de deixar as queridíssimas amigas sob alerta.

# Não vou ao show da Madonna, mas parece que Deus é realmente brasileiro e a Diva vai fazer mais dois shows extras. Rezo para que todas as almas glamourosas que adoro consigam seu lugar no palco.

# Super beijo especial para a Sagesse e a Julia que me deram uns selos fofíssimos. Totalmente apoio o movimento Gentileza e adoro viajar em todos os sentidos.

# Momento miguxete: Meu amô tilou fotinha da xenti tomandu vaxina. Agora ixtamos super safe. A campanha nacional contra a rubéola termina dia 12/09, não perca tempo.

# E se alguma alma caridosa estiver com uns R$1.200 sobrando na conta, a ONG ‘Srta. Bia dá gritinhos de alegria’ aceita doações em forma de óculos da Prada.

# Oi? Mais uma razão pela qual é maravilhoso ter amigos que te avisam a hora de cair fora: Ronaldo não perde as esperanças: ‘Nada impede uma volta à seleção’. Mundinho podre, é isso aí!

# É isso, bora ser feliz com Santogold, Estelle e Bloc Party! O mundo pode acabar hoje e estamos apenas começando. ;-)

Enquanto isso, na Ilha de Caras…

Cafona e fofa, Srta. Bia (27) revela detalhes sobre um suposto affair e admite que come queijo coalho na praia. “É verdade, não posso ver uma fumacinha que vou em cima, quanto mais sujinho melhor”.

A primeira impressão que um interlocutor tem ao ser apresentado a Srta. Bia é de estar diante de uma garotinha adorável e muito cafona. De que maneira, então, chegou ao sucesso como rainha da pipoca em 1993? Uma profissão típica de jovens elegantes. “Sou determinada e gosto de milho”, revela a fã de José Augusto. Passeando por Nikiti, e se curtindo muito, ela falou a Caras:

— Você se considera cafona ou brega?

(Risos) Sou fofa, né? Não gosto de rótulos, sempre corto as etiquetas das roupas.

— Há boatos de que você está namorando um nerd, você acha que cafonice e nerdice combinam?

— Na verdade, desde que o conheci tenho certeza que toda mulher precisa de um nerd para chamar de seu. E apesar das diferenças, ele gosta de churrasquinho de gato. Foi por isso que me apaixonei.

— Muita gente pensa que o ápice é ser rainha de alguma coisa, você concorda?

— Eu não acho. Se fosse o meu ápice o que seria de mim em 1993? Tenho 27 anos e muitas feiras da uva pela frente.

— Agora nos conte um pouco dessa primeira vez na Ilha de Caras.

— Tipo que mêo, tô me sentindo a Like a Virgin, né? Então vou fazer uma listinha com os melhores motivos para se tirar férias, ir para a Ilha de Caras e ser feliz:

1. Filipe. Fui praticamente adotada pela família do Lipe enquanto estive em Niterói. Andamos muito a pé, babamos por chocolates, comemos pizza no shopping antes de ver Batman, vi várias vezes os olhinhos dele brilharem ao encontrar coleções de mangá, comemos o delicioso sanduíche da Compão e ele ainda acompanhou meus pequenos infartos nos sebos. Lipe mora onde o vento literalmente faz a curva e me ensinou que o Cristo não fica em cima do Pão de Açúcar. Passeando por Icaraí solta ótimas frases:

— Aqui tinha uma galeria super legal, cheia de lojas bacanas, aquele clima intimista. Aí fechou e vai ser construído mais um prédio chato. É o capitalismo engolindo a cultura e os pequenos prazeres desse país.

— O Lucio Ribeiro é o Nelson Rubens do indie rock brasileiro.

2. Mariana Rimoli. A Mari faz livros, tem coisa mais linda do alguém saber fazer livros? Ela tinha um dos meus blogs favoritos e agora resolveu voltar para alegria geral da nação groselhense. Mari está com a carteira vencida e não sabe dirigir, mas tem carro e me levou para passear. Viciada em maquiagem e toda estilosa, é maravilhosa companhia para andar em feirinhas. Depois de tentar manobrar e estacionar o carro numa ladeira, ela me solta essa:

— Quando o carro morre é porque tá bom na vaga.

3. A Lu faz um post só pra mim. Levanta a mão aí quem morre de saudades das colegas de trabalho!

4. Viajar sozinha. As pessoas perguntam o tempo todo: — Mas você está sozinha? E você apenas sorri. Pode-se fazer tudo o que se quer, na hora que se quer. Pode almoçar sorvete sem ninguém reclamar. E pode treinar seu inglês enferrujado com os milhares de estrangeiros hospedados no albergue de Paraty. E claro que tudo fica mais lindo quando há um namorado maravilhoso me esperando no aeroporto no dia da volta.

5. Comprar o livro do David Lynch ‘Em águas profundas – criatividade e meditação’ e devorá-lo duas vezes em 3 dias. David fala exatamente o que penso: “As idéias são como peixes. Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quer um peixe grande, terá que entrar em águas mais profundas. Quanto mais você expande a consciência, mais fundo é seu mergulho na direção dessa fonte, e maior é o peixe que pode pegar.” Não tenho paciência com negatividade, não gosto de acreditar que o sofrimento melhora minha escrita, detesto quem vive reclamando. O mundo não é justo, as coisas nunca serão perfeitas, mas posso fazer minhas escolhas e lutar por elas. Ele fala sobre cinema, vida, espírito, sempre mostrando a importância de estimular a criatividade. Segue mais um dos meus trechos favoritos:

O Círculo. Adoro esse ditado: “O mundo é como você é”. Acho que os filmes são como você é. Por isso mesmo, embora as tomadas de um filme sejam sempre as mesmas — o mesmo número, a mesma seqüência, com os mesmos sons —, cada exibição é diferente. Às vezes a diferença é muito sutil, mas está lá. Isso depende da audiência. Há um círculo que interage entre o público e o filme. Cada pessoa tem sua própria maneira de olhar, de pensar e de sentir. Uma maneira provavelmente distinta daquela que me seduziu. Eis por que nunca se sabe o que vai seduzir as pessoas. Mas se você começar a pensar em como seduzir os outros, se dessa ou daquela forma, é melhor parar de fazer filmes. Só se deve fazer aquilo que se ama; é assim que nos abrimos para o inesperado. (pg. 21)