A voz de Mayara.

Você lembra da Mayara, certo?

Mayara Tavares
Mayara Tavares

Primeiro, devo avisar que escrevi o nome dela errado. Troquei os sobrenomes, o correto é Mayara Tavares. Ela tem 17 anos e foi representante do UNICEF no Junior-8, um encontro paralelo ao G-8. Foi escolhida como representante devido a seu trabalho no programa do UNICEF chamado Plataforma de Centros Urbanos. Uma pesquisa feita por adolescentes com adolescentes focada em questões relacionadas as suas vidas como o local onde mora, a escola, etc. Mayara  participa do grupo articulador local na sua comunidade. No Junior-8 a função dela foi mostrar a realidade das crianças brasileiras que vivem nos centros urbanos, mais especificamente no Rio de Janeiro. A educação é um ponto de discussão muito importante no encontro e fiquei sabendo que Mayara estuda à noite.

Sabe como descobri tudo isso? Foi na imprensa brasileira? Nããããão! Foi em uma entrevista de Mayara concedida à rádio ONU. A seguir transcrevo alguns trechos:

Rádio ONU: – Mas o que você e os outros jovens vão conversar com o Presidente (Lula) nessa reunião amanhã? O que vocês vão levar pra essa reunião?
Mayara: – A questão é mostrar a diferença. Por exemplo: uma das coisas lá do Rio é falar sobre a educação. E a outra menina da Amazônia vai falar que, por exemplo: lá eles não têm a questão do meio ambiente garantida. O menino da Bahia vai lutar pelo direito das crianças e dos adolescentes. Mas principalmente a gente vai tentar falar com o Lula sobre a nossa participação em si na questão de ajudar o Brasil a se transformar. A mudar a opinião de muitas pessoas que acham que o Brasil é um país que não tem cultura, que não tem participação, não tem desenvolvimento. Pelo contrário, ele tem vários pontos fortes que eu percebi aqui em relação a mobilização de adolescentes. Esse é o nosso ponto chave que a gente tem que… eu não tinha percebido ainda.

Rádio ONU: – Mayara, você me disse uma coisa muito interessante. Você disse que o Brasil é percebido de fora de uma maneira muito mais positiva do que pelos próprios brasileiros. O que te disseram aí sobre o Brasil? Que tipos de elogio fizeram ao país para que você chegasse a essa conclusão?
Mayara: – Na verdade, eu tirei das críticas um grande elogio. Porque muitos aqui não têm participação em programas sociais, eles estudam para poder debater. E a gente não, a gente não precisa estudar, nossa escola é a nossa vida. Entendeu? Então, a gente discutiu, debateu mesmo sobre as políticas públicas, a gente falou da nossa realidade, enquanto eles falaram o que eles estudaram. Entendeu? A gente não estudou, a gente simplesmente viveu.

Está aí a voz de Mayara, estão aí algumas das perguntas que a imprensa brasileira poderia ter feito a ela. A única referência a essa entrevista é essa matéria do G1, que linka a entrevista no fim. No Google News descobri que o caso ganhou até apelido, “buttgate”, porque as pessoas gostam mesmo de chafurdar na lama dos acontecimentos. Falta agora descobrirmos quais os nomes dos outros participantes brasileiros:

#Santiago Plata Garces tem 17 anos e mora em Goiás. Nos últimos 7 meses esteve envolvido no Fórum Municipal contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Recentemente participou da organização do grupo Ação Jovem, que visa envolver adolescentes em projetos sociais que irão fazer a diferença em suas comunidades.

#Fagner Lima tem 14 anos e mora na Bahia. É beneficiado pelo PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, pois trabalhou em plantações durante a sua infância. Participou de conferências municipais e estaduais sobre os direitos das crianças e adolescentes. Quer ser jornalista e está muito envolvido na representação estudantil de sua escola. Está extremamente preocupado com questões relacionadas as alterações climáticas.

#Rosicleia Silva tem 15 anos e vive com sua família em uma área remota da região amazônica no estado do Pará. Ela tem se empenhado no movimento Coletivo Jovem pelo Meio Ambiente. E desenvolvido iniciativas e ações ambientais em sua comunidade, tendo sido escolhida como representante para participar de conferências Ambientais para Crianças e Adolescentes.

Todo esse assunto só veio parar aqui blog por causa daquela foto. Acredito que Mayara possa produzir bons debates e mudanças com sua experiência no Junior-8. E também acredito que as pessoas gostariam de saber sobre o que Mayara conversou com Lula, como foi encontrar Obama, quais as suas impressões dos encontros com os representates do UNICEF de outros países. O discurso de Mayara tem objetivos claros, ela quer mudar a opinião das pessoas que não acreditam no Brasil e acha que a mobilização de adolescentes pode ser um meio de viabilizar essa mudança. Ela também fala sobre a importância das experiências pessoais na construção de políticas sociais coerentes com a realidade e necessidades das pessoas. É uma jovem querendo mudar o mundo, que não teve nenhum espaço na imprensa para falar sobre o futuro. Infelizmente, para a imprensa, as pessoas não estão preocupadas com o futuro, não estão preocupadas em discutir mudanças, querem apenas uma bunda que as faça deixar de pensar nos problemas que enfrentamos. Felizmente, Mayara não pensa assim.

G-8 e Junior-8
G-8 e Junior-8

Feira de Links #2

#O CCBB de Brasília está com seu teatro preenchido pela peça: Simplesmente eu, Clarice Lispector. Um monólogo dirigido, adaptado e estrelado por Beth Goulart. Vale a pena assistir. Tive um certo estranhamento ao ver alguém interpretar os textos de Clarice. Acho que nunca ri com Clarice, nunca achei que seus escritos, por mais estapafúrdios, fossem uma comédia. E Beth nos faz rir às vezes. Devo rever a peça semana que vem, pois é um encontro com Clarice, um encontro bem diferente do que o que tive nos meus 16 anos. Clarice e Caio F. são meus principais alicerces literários e deles herdei uma visão de mundo, por meio deles descobri meu mundo. A peça fica em Brasília até 02/08/09 e depois segue para o Rio de Janeiro, de 13/08 a 04/10/09.

#A Lola já deu a largada faz tempo para o 2º Concurso de Blogueiras. O tema da vez é feminismo e tem texto meu concorrendo. O texto Mayara, Obama e a imprensa ridícula teve uma ótima repercussão. Recebi elogios e reconhecimento pelo texto, boas discussões foram geradas. Fiquei muito orgulhosa e feliz, uma pena que a imprensa não perceba que uma mulher quer reconhecimento pelo seu trabalho, por seus feitos e não apenas pela admiração que outras pessoas tem pela sua bunda. Não estou pedindo votos, quero que você vá lá conhecer os outros textos, vote no que achar melhor e tenha certeza que o feminismo não morreu e nem é bicho-papão.

#A revista Veja dessa semana traz uma entrevista com Xinran Xue, autora do livro “As Boas Mulheres da China”. Em um trecho da entrevista, ela cita um dos motivos pelos quais penso que o feminismo é um movimento ainda muito importante, não só para a China, mas para o mundo em que vivemos, um mundo onde a mulher tem  sua liberdade sufocada. Ela fala da realidade de uma campesina chinesa, mas sabemos que ainda existem mulheres aí na esquina que sofrem da mesma cegueira social.

A senhora quer dizer que é cedo demais para que a democracia chegue à China? Vou repetir uma lição que recebi de uma camponesa de Hunan, região onde nasceu Mao Tsé-tung. Entrevistei-a em 1995, quando já era jornalista, achava que sabia tudo, mas na verdade era ainda muito ingênua. A mulher trabalhava num campo de arroz. Perguntei a ela o que escolheria se eu lhe oferecesse três coisas: liberdade e democracia; marido e filhos; ou terra e dinheiro. Ela me olhou como quem diz: “Ah, você está tentando me enganar!”. Respondeu que terra e dinheiro pertencem aos homens, não às mulheres. Sobre marido e filhos, disse: “Marido é quem manda em tudo e os filhos são a minha rotina”, querendo dizer que aquilo ela já tinha. Então, perguntou: “Mas quanto é a garrafa de liberdade?”. Eu fiquei atônita: “Como assim?”. Ela repetiu: “Quanto custa essa garrafa de óleo que você quer vender?”. Foi aí que eu entendi: em chinês, a pronúncia da palavra óleo (you) é muito parecida com a de liberdade (ziyou). Ela achou que eu estava querendo lhe vender óleo.
Quando ela entendeu que a senhora se referia a liberdade, o que achou da oferta? Mas ela não entendia essa palavra! Eu tive de explicar-lhe o que era e o fiz da forma que considerei mais simples. Disse algo como: “Bem, liberdade é você ter o direito de contrariar o seu marido quando você acha que ele fez algo errado. Liberdade é você ter o direito de dizer: ‘Eu quero algo para mim, não para o meu marido ou para os meus filhos – um vestido bonito, uma comida gostosa ou um dia de descanso’”. Achei que, colocando desse modo, ela fosse entender. Em vez disso, olhou para mim e respondeu: “Que mulher tola você é! Isso não existe”. Eu falei sobre liberdade, que é uma palavra muito mais fácil. Imagine se eu tivesse falado sobre democracia…

#A Yoko me entrevistou algum tempo atrás para seu trabalho final de curso. Vale a pena conhecer a Blogotecaria e várias dicas de blogs do Planalto Central. Acredite se quiser, nunca matei um blog. Fui simplesmente mudando de casa, carregando os posts comigo e deixando-os vazios para trás. Este endereço é minha terceira casa e acho que definitiva, pelo tempo que for.

#O , que já tinha me feito cair de amores pela Bic Runga, recentemente me apresentou o Hollywood Mon Amour. Foi paixão à primeira vista. É maravilhoso encontrar pessoas que sabem o que nossos corações precisam.

#Por falar em pessoas especiais, há alguns dias atrás foi Dia do Amigo. Não sou de comemorar essas datas, mas tenho uma amiga, uma melhor amiga, uma amiga tão querida que não sabe que choro às vezes de tão feliz que sou por tê-la na minha vida (mas ela sabe que choro até vendo novela). A Rosália está trabalhando do outro lado da rua do meu trabalho. Daí outro dia ela foi no meu prédio comprar dindin de cajá e levou um colega. Ao me apresentar para ele, ela disse: “Essa é a Bia, ela é a minha melhor amiga.” Como se nós tivéssemos seis anos e estivéssemos apresentando a nossa melhor amiga da escola. Faz tempo que ela é a minha melhor amiga, mas eu não sabia que eu era a melhor amiga dela. Não lembro que dia foi, mas aquele dia valeu para mim por todos os Dias do Amigo que eu nunca soube que existiam.

#E por falar em datas, no exato dia 19 de julho de 2009, na cidade de Brasília, eu e esse Adorável Nerd completamos 1 ano de namoro, ou como ele prefere, 365 voltas ao redor da Terra juntos. Sim, all we need is love!

#Preciso falar também desse anúncio da Lego, de muitos anos atrás. Uma garotinha sorri orgulhosa com seu brinquedo. Apenas isso, sem cor-de-rosa, sem glitter. Ok, adoro as Princesas Disney (sou Pocahontas!), mas meninas não são só isso e meninos não são só azul e comandos em ação. Ser livre é justamente poder ser o que ser quer, a qualquer hora, em qualquer momento. Ser livre é poder escolher.

#Debora Rocco, companheira de Deusario, estreou coluna nova sobre Menopausa: Tenda Lunar. Vale muito!

#E posso dar mais um link? Sexo e pizza quando são ruins…

Mayara, Obama e a imprensa ridícula.

Conversando com Estela, na última sexta-feira, descobri a fanfarra ridícula que a imprensa brasileira e internacional forjou com uma foto em que os presidentes Obama e Sarkozy parecem olhar para a bunda de Mayara Tavares, representante brasileira do UNICEF na reunião do G8.

Mayara Tavares tem 17 anos e é líder comunitária em Santa Cruz no Rio de Janeiro. Estava lá representando seu trabalho, tendo como objetivo encontrar e discutir com outros jovens questões relacionadas a pobreza, educação, mudanças climáticas, etc., e entregar propostas aos líderes do G8. Conquistou a tarefa graças a uma pesquisa que começou há três anos para identificar problemas de jovens de comunidades carentes no Rio. Vê-la ridiculamente menosprezada nesse tipo de jornalismo marrom e sensacionalista é uma vergonha que só piorou com a exploração da notícia. O Jornal Nacional fez uma reportagem digna de tablóide sobre o assunto e ainda colocou uma enquete em seu site perguntando: “Você acha que Barack Obama olhou para a jovem brasileira que chamou a atenção de Nicolas Sarkozy?” O G1 entrevistou o pai de Mayara e estampou a manchete: ¨Minha filha é um espetáculo!” Um pai orgulhoso fala da filha e do trabalho que ela realiza, mas a manchete tem que ter ligação com a polêmica tablóide, não é? Porque é Brasil, né? E tudo tem que acabar em Carnaval, samba e caipirinha.

E Mayara? Que por ser bonita, jovem e brasileira foi reduzida apenas a um objeto de desejo como tantas outras mulheres? Gostou de aparecer dessa maneira? Alguém lhe pediu autorização para que divulgassem uma foto sua retratando-a dessa forma? Não entro nem na questão de que ela tem 17 anos, pois toda mulher deve ser respeitada, independente da idade. A maioria dos links deste post são de reportagens do G1, onde encontrei o maior número de informações sobre a polêmica, mas note que quando o assunto é a voz de Mayara, suas opiniões e seu trabalho no encontro do G8, não são feitas longas matérias, apenas citam em 4 linhas um resumo do que ela disse em uma entrevista a rádio ONU. Ainda bem que antes da viagem o RJTV apresentou uma entrevista com Mayara, falando sobre sua vida, o local onde mora, seu trabalho, objetivos e desejos.

“Eu quero fazer uma faculdade, eu quero chegar no mais longe que eu possa alcançar, porque depois que eu descobri que eu tenho os direitos, meus direitos, eu acho que eu vou seguir em frente até eu alcançá-los, até eu me tornar uma adulta, mas uma adulta para ajudar os outros jovens que estão pra nascer a conquistar os direitos deles a cada dia.” Mayara em entrevista a Edney Silvestre.

Obama realmente não olhou, e segundo outras péssimas manchetes foi inocentado pelo vídeo. Já Sarkozy realmente não importa. É com muita tristeza que vejo uma jovem lutadora, que conquistou um lugar muito especial como representante do UNICEF no Brasil ser mostrada como um objeto, envolvida numa polêmica que não se preocupa em mostrar qual a importância de sua representação no G8, quais seus projetos sociais e como ela se sentiu. Ela é uma menina linda e por isso mesmo merece ser retratada como desejar, como ela escolher, e não com olhos ansiosos por escândalos, piadas machistas, risos despreciativos e opiniões de que ela deveria era ter ficado feliz por ter aparecido nos jornais. Meu repúdio ao jornalismo raso que explora uma jovem descaradamente para obter audiência forjada sobre preconceitos, mentiras e estereótipos machistas. Até os pais de Mayara já foram ouvidos, e afirmam que ela quer ser reconhecida pelo que realizou e não pela alcunha de “uma brasileira admirada pelo presidente americano”.

Parabéns a Mayara pelo seu trabalho. Parabéns a Obama que foi sensível e educado ao ajudar uma outra representante a descer as escadas. Ainda há muito a se fazer para que as mulheres sejam ouvidas e não apenas vistas por seus atributos físicos. É claro que podemos querer ser bonitas e não há nenhum problema em mostrar essa beleza, mas todas merecemos respeito, em qualquer lugar, em qualquer momento, até mesmo na simples ação de subir ou descer uma escada. Cada dia é um degrau a mais para alcançar e garantir o simples e essencial direito do respeito.

#Ouça a entrevista que Mayara concedeu a rádio ONU.

#Updates: Já encontraram outra foto com outra bunda, pois ao que parece não há nada para se divulgar sobre o evento. Da lama parece que ninguém quer sair. Pois como disse, Toni Belloto, é um alívio ver uma bunda em dias de cenário político tão turbulento. A mulher não é dona do seu corpo, pois ao que parece a bunda é patrimônio nacional. Quem também falou sobre o assunto:

#Lola em Mundo Bundão.

#Flavita em Índice de fodabilidade.

#Maria Frô republicou e rerepublicou no Vi o Mundo.

#Marjorie em Men are presidents, women are butts.

Essa é na minha opinião a verdadeira foto do evento.

Essa é, na minha opinião, a verdadeira foto do evento.

Ainda sobre Mães e a Liberdade Feminina.

Vale a pena acompanhar as discussões e repercussões que as entrevistas da escritora, ex-atriz, agora mãe Maria Mariana. Em entrevistas na Folha Ilustrada e na revista Época, Maria Mariana faz uma série de declarações absurdas sobre a mitificação da maternidade, o atual papel da mulher jovem e indefesa no mercado de trabalho, o prazer de cuidar das roupas íntimas do marido e até afirma que depressão pós-parto é culpa da mãe que não se dedica com afinco para ter um parto normal. Em todas as declarações, Maria Mariana parece ter tomado sua vivência como única forma de verdade, esquecendo de todas as mulheres que não se adequam aos estereótipos da maternidade como a mais intensa e sagrada experiência que uma mulher pode ter. A mais intensa experiência que uma mulher ou qualquer outra pessoa pode ter é a da liberdade, acima de tudo.

A Marjorie Rodrigues começou comentando a entrevista da Folha. E continua com as novas declarações sobre a emancipação feminina na Época, com uma análise dos melhores comentários publicados no site da revista. Traz também, como um alívio, a dica da entrevista da Fernanda Montenegro na Bravo! Mas o que achei mais bacana é a maneira como a Marjorie explicita como a argumentaçao que: “homens e mulheres são diferentes” é a que mais a irrita. Quando se discute gênero alguém sempre acaba citando essa frase, e é óbvio que quem está defendendo a igualdade não está falando de questões biológicas, de corpos físicos diferentes, de quantidade de neurônios ou maneiras de agir diante de um problema, mas sim do poder que homens e mulheres possuem nos meios sociais. Qual o poder das mulheres no Congresso, por exemplo? É mais fácil aprovar leis que privilegiem a liberdade dos homens ou das mulheres? E o arremate final do post é: “Acho que a melhor maneira de desmascar os autores desta frase é perguntar qual dessas diferenças (ou supostas diferenças) justifica uma discriminação. Porque aí quem se estrepa é ele, porque fica claro justamente o que ele queria disfarçar: o fato dele defender que as pessoas podem ou devem ser discriminadas por conta de suas diferenças.”

Denise fez um belo post sobre Maria Mariana e seu castelo de areia. O texto é longo, mas vale muito a leitura, a Denise promove novas discussões sobre a maternidade e a importância dela para a mulher: “Parar tudo para ser somente mãe, como opção, é colocar nas mãos dos filhos o seu rumo, a sua felicidade e isso é injusto e um peso que eles não pediram. Mesmo sem ter um trabalho formal, eu diria às mães que nunca desistam de buscar essa tal “realização”, paralelamente, seguindo outros caminhos além da maternidade”. Ter filhos pode ser a realização de muitos sonhos e conquistas, mas é importante que a mulher não se reduza a um papel que depende de outra pessoa.

A Lola também dissecou as piores partes da entrevista e alerta sobre as pessoas que querem o retorno a uma outra época, em que tudo era mais simples, afinal a mulher sabia qual era o seu lugar e não ficava se metendo em assuntos masculinos.

A Scarlett explicita o que deveria ser escrito numa faixa e colocada na porta da casa da Maria Mariana: “cada mulher sabe o que é melhor para si e para seus filhos”

Liliane Ferrari também pegou no taco e pergunta:  “Como ela ousa relacionar parto com uma mãe ser melhor ou pior do que a outra?”.

A Vanessa falou sobre a publicidade que se ganha com declarações polêmicas: “Porque, convenhamos, de que outra forma alguém realmente teria interesse em saber a opinião da Maria Mariana sobre a maternidade e ainda pagar por isso?!”.

A Maysa falou de sua experiência cheia de delicadeza: “Amamentar e parir faz parte dessa busca, sem dúvida, mas pra algumas pessoas a caminhada é mais importante que o objetivo em si; porém também acho que amamentar e parir pode fazer surgir uma mulher melhor, mas isso não tem nada a ver com a mãe que ela será.”

E por fim, a Deh levantou a bola no grupo do Luluzinha Camp e Lu Monte transformou num post bacana. E interessante perceber que no grupo há muitas meninas que declararam abertamente que não pretendem ter filhos. E por isso somos um bando de mulheres medrosas, fujonas e infelizes, Dona Maria Mariana?

[update] A Cynthia listou mais blogs que falaram sobre o assunto (entre eles os ótimos posts da Srta. T, da Bibi e da VBN) e pergunta: “quantos homens escreveram sobre o assunto?” [/update]

Confissões de Adolescente foi livro, peça de teatro e seriado de tv. Tinha 13 anos quando a série estreou. Fui fã incondicional desde o início, desde a abertura com Gilberto Gil cantando Sina. Tanto o livro como o seriado falavam de muitos temas que não constumavam ser abordados na visão de adolescentes, muito menos de meninas. O círculo principal era constituído por uma família com um pai viúvo e 4 filhas. Diana e Bárbara eram filhas do primeiro casamento, a mãe delas foi formar outra família e cada reencontro era sempre pontuado por um misto de sentimentos de abandono, amor, perdão e revolta. Paulo, o pai, se casou pela segunda vez. A nova esposa trouxe junto Natália e tiveram Carol. Lembro até hoje de vários episódios como o do primeiro beijo da Natália, o aborto da Diana, a perda da virgindade da Bárbara, os sonhos da Carol de ir para a Disney. Era um seriado sobre sexo, drogas, rock`n roll, mpb, família, dieta, amor, paixão, amadurecimento e muito mais. Como bem disse a Sam, elas foram o Sex and the City da minha adolescência. Ano passado a Ka encenou a peça e chorei muito ao relembrar alguns momentos.

É isso que mais me dói ao ver as declarações atuais de Maria Mariana. Uma mulher que deu voz a tantas adolescentes, que mostrou de forma tão verdadeira e delicada como é a vida de baladas, sonhos, romances, dúvidas, alegrias e frustrações de uma adolescente classe média como eu, agora repete absurdos como: “A partir do movimento feminista, sofremos uma pressão para ser ativa no mercado de trabalho, ter valores masculinos. E a realidade da maternidade é outra, é querer vivenciar essa experiência.” Não existem valores masculinos ou femininos, existem valores sociais e culturais que devem ser estimulados por serem benéficos para a consolidação de uma sociedade igualitária. Ninguém questiona o homem que é pai e trabalha, por que é a mulher quem sofre esse dilema? Escrever um livro enquanto cria 4 crianças não é trabalhar e ser mãe ao mesmo tempo? E é importante relembrar que quem é mulher e pobre não tem opção, tem que trabalhar e cuidar dos filhos, muitas vezes sozinha. Afinal, no mundo perfeito de Maria Mariana todas as mulheres tem um ótimo marido no leme, que sustenta a casa e espalha cuecas pelo chão.

Piriguete Pride!

Você tem uma amiga piriguete? Você tem alguma amiga que gosta de se vestir com saias extremamente curtas e decotes vertiginosos? Você tem uma amiga que gosta de jogar charme para os caras e adora ser chamada de gostosa? Que fica com mais de dois caras numa balada? Eu tenho, e ela é uma mulher maravilhosa. Uma das melhores professoras que já conheci. E sim, ela é piriguete com muito orgulho. Dança funk, forró e música baiana mostrando todo seu remelexo. Ela pode e ela quer. Você acha que ela se sente discriminada ou que faz isso por carência? Pode apostar que não. Ela apenas sabe que o sexo é uma grande arma de poder. Se pode usá-la em seu benefício, por que não?

Lutar pela liberdade feminina significa lutar pela liberdade da mulher fazer com seu corpo o que quiser. Se ela quer expor suas partes mais carnudas ou se deseja olhares maliciosos na rua, ela tem como conseguir isso. E sim, eu acho que isso é liberdade. Ela é livre para sair do jeito que quiser. É claro que isso trará consequências. O julgamento das pessoas não muda fácil e ela saberá lidar com isso, mas o que quero é que você a conheça antes de julgá-la.

Minha amiga não quer roubar seu namorado. Ela não está pedindo para ser estuprada e nem está incitando qualquer tipo de violência sexual. Você tem um cérebro, então use-o para perceber que ela talvez nem esteja olhando para você. É claro que ela está suscetível a violência de todas as formas e a falta de respeito, mas acredite, ela sabe lidar com isso.  Seu corpo faz parte de sua personalidade e isso grita em nossos olhos.

Não sou piriguete. Não consigo usar roupas muito curtas por pudor, por achar que meu corpo não é tão bonito. Mas há muitas mulheres que mostram muito mais do que nossos padrões morais gostariam de ver, mesmo sem ter corpos perfeitos. Há a influência da mídia, da cultura, do sexo que grita em outdoors, mas observe a segurança e postura de algumas. Isso é o piriguete pride.

Eu assisto Big Brother. Nunca neguei, pode atirar  pedras se quiser, nem mesmo sei explicar porque gosto. Talvez porque é popularesco, porque é simples e ao mesmo tempo curioso. Ou porque adoro alguns blogs que falam de BBB. Também gosto dos Ninjas do Arrocha. E aí?

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Poderíamos ter tido uma final feminina no BBB desse ano. Mas isso não aconteceu. Na final estão Max, Francine e Priscila. E esse post tem o intuito de dizer que em várias edições a gostosa da vez, também mostrou ser a piriguete da vez. Aquela que gosta de sexo, que quer sexo, que fala de sexo e que exala sexo. É um papel machista destinado a mulher? Não, se ela tiver orgulho disso, se transformou isso no seu way of life. Samantha Jones está aí para provar que a piriguetagem é movimento forte e que acompanha tendências. São mulheres se comportando como homens? Ou são mulheres apenas expressando sua sexualidade?

Entenda que quando falo tudo isso não estou defendendo a exposição de corpos femininos semi nus na tv ou na publicidade, a questão é outra. Estamos falando de liberdade, de libertinagem, de caráter e escolhas pessoais. Se escolho ser vegan irei sofrer preconceito na sociedade, se escolho ser piriguete também. Mas antes de tudo precisa ser uma escolha consciente para ser válida e para se ter orgulho. E isso, só é possível quando a mulher é dona de seu corpo e faz dele o seu bel prazer.

Priscila é um mulherão, apelidada carinhosamente pelo Big Bosta Brasil de Prianha. É dela meu voto. Não porque corria vergonhosamente atrás do Emanuel.  Não porque demonstrou muitas vezes seu dote de descer até o chão e nem porque tentou se aproximar de todos da casa. Priscila assume sua piriguetagem nas roupas, mas não esquece de ser humana, de analisar o jogo, de chorar quando não aguenta e de ter uma bela amizade com Milena. Acredite, eu a admiro e ela me lembra muito uma grande amiga, que hoje é mãe, casada e continua usando as mesmas saias curtas. Porque às vezes é nossa essência. Porque às vezes uma gostosona pode ganhar o BBB e alçar as mulheres-fruta a um patamar nunca antes alcançado.

O Big Brother pode ser uma grande bunda, um programa oco de onde só sai merda. Mas eu assisto e vibro com a possibilidade de vitória de uma piriguete. Porque isso para mim é liberdade, é a possibilidade da gostosa inteligente aparecer como um novo estereótipo feminino. E aí, meu caro, que continuo feminista mesmo cantando funk baixo nível. Quero é ver as mulheres no topo.