#prontosumi #prontofugicomocirco #prontocasei #prontomudei ou “Oh no, he can’t read my poker face.”
E no meio da confusão da mudança tive que encarar meus 29 anos espalhados pelo quarto que ocupei todo esse tempo no apartamento de mamãe. Tenho diários e agendas desde que tinha 11 anos e ainda não sei o que farei com eles. Tenho uma caixa cheia de cartas, bilhetes e lembranças que contam tudo sobre meu primeiro namoro em 1996. Tantos fragmentos de pessoas que não lembro, outros tantos de pessoas que a vida engoliu, outros tantos de pessoas que sinto falta. Nem os livros serão todos carregados. Nem todos os filmes serão revistos.
Tem uma carta de 2006 do Lipe, com um cartão que diz:
“VIVA COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ.
AME COMO SE NUNCA FOSSE SE MACHUCAR.
TRABALHE COMO SE NÃO PRECISASSE DO DINHEIRO.
E DANCE COMO SE NINGUÉM ESTIVESSE OLHANDO.”
Tem um postal do Mar de 2008, que diz:
“(do nono quintal, achado na pequena livraria do café, perto da ‘banca da creuza’, onde você não estava ontem) Você faz falta por aqui, tal qual a caneta anterior que secou antes do ponto, nessas frases.”
Confesso que a redescoberta tem sido prazerosa e também tensa, pois a vida caminha e infelizmente não posso levar tudo comigo. O tempo com seus passos largos anda me engolindo o cotidiano, me carregando com o vento. É hora de procurar. De esquecer de fazer a unha e tentar encontrar todos os sentidos perdidos, para depois descobrir que eles continuarão apenas fazendo sentido naqueles momentos, naqueles anos, naqueles dias nostálgicos que existiram onde o amor sempre será o elo mais forte, a única explicação para tanta vida. E as certezas de que algumas coisas são eternas, como a Creuza.
