O Profissão Repórter dessa semana tem como tema “Escola de Periferia”. Vale a pena assistir. Um dia numa escola pública com o cotidiano de professores e alunos, especialmente das adolescentes grávidas, um problema crescente e questão de saúde pública.
A educação brasileira está um caos por diversos motivos, da falta de investimentos públicos a respeito e comprometimento da sociedade o fracasso é visível, porém, na minha opinião, um dos principais motivos está na formação de professores . Sou graduada em pedagogia e meu objetivo ao fazer o curso era me formar como professora de séries iniciais. Sempre tive aulas com as turmas de licenciatura também e o que mais notei durante todo esse tempo é que a maioria das pessoas que estavam ali não queriam ser professores. No embrião do problema, enxergo 3 fatores:
Fator 1 – As pessoas, muitas vezes, ao tentar vestibular para uma universidade pública escolhem cursos pouco concorridos. Elas não escolhem o que realmente querem fazer, mas cursos em que haja mais chances de passar, pois atualmente é urgente ter um diploma. Os cursos de pedagogia costumam ter muitas vagas nas universidades públicas e notas de corte baixas. Quando ingressei, em 2003, haviam 60 novas vagas por semestre na UnB e a média da nota de corte era 8,3. As licenciaturas também costumam ser cursos pouco concorridos.
Fator 2 – Os programas governamentais de acesso as universidades privadas privilegiam cursos de licenciatura. As pessoas de baixa renda costumam recorrer a programas como o ProUni. Esses programas dão preferência para cursos de formação de professores, pois esse é um dos objetivos do governo federal, que todos os professores tenham curso superior. As pessoas escolhem cursos de licenciatura para terem mais chances de serem contempladas com a bolsa de estudos.
Fator 3 – Há muitas faculdades de pedagogia. É um curso relativamente fácil de ser estruturado, então quase toda faculdade privada oferece. Aí entram fatores como proximidade de casa e baixo valor da mensalidade que incentivam as pessoas a estudarem nesses cursos.
Quando falo de professores que não querem dar aula não estou generalizando, há ótimos profissionais em sala de aula, tanto em instituições públicas como privadas. A Luciana é uma deles. A luta por melhores salários, condições de trabalho e respeito são extremamente válidas. O problema que vejo é que mais de 70% das pessoas da minha turma de 2003 não queriam ser professores, mas quase 90% dela já se formou. A maioria quer o diploma para prestar algum concurso público, mas acaba ingressando nas escolas ao se ver sem grandes opções, pois sempre há concursos para professores, tanto efetivos como temporários, com muitas vagas.
O problema principal é a liberdade que falta à pessoas de escolherem o que realmente desejam e também a falta de atrativos que uma carreira de professor tem atualmente. Filmes como Entre os muros da escola mostram que o problema é global. A escola não fala a língua dos alunos e não há mais respeito pela instituição dentro da sociedade. A mudança precisa ser drástica, mas investir em educação sempre significa resultados a longo prazo. E a quantidade absurda de adolescentes grávidas é, também na minha opinião, uma das consequências mais cruéis do fracasso da educação brasileira.
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