Dia da Mulher

Ontem foram publicamos vários textos muito bons sobre o Dia da Mulher. Quero destacar alguns:

Mulheres, sejam feministas! – por Maíra Kubik

Uma cortou a saia, outra queimou o sutiã, 343 assinaram um manifesto pró-aborto. Trabalharam nas fábricas insalubres e superlotadas. Fizeram greves tão intensas que explodiram a Rússia em 8 de março de 1917, abrindo espaço para os bolcheviques. Morreram queimadas. Tornaram-se médicas, advogadas, jornalistas, presidentes, dirigentes de empresas, professoras universitárias. Pilotaram avião, caminhão e fogão. Atravessaram o Canal da Mancha a nado, foram à Lua, dirigiram um carro na Arábia Saudita. Se libertaram sexualmente, casaram-se com outras mulheres de papel passado. Escreveram, publicaram, filmaram. Viraram líderes espirituais de aldeia na Amazônia. Fizeram tribos africanas abandonarem a horrenda prática da mutilação genital. Reescreveram a história dizendo que sim, éramos protagonistas, mesmo que não tenhamos assinado tratados de guerra e paz.

Não, não é possível retroceder.

Mas onde é preciso avançar?

A cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas no Brasil. Os estupros e os abusos são crimes que, em geral, ocorrem dentro das próprias casas. Ganhamos salários menores que os dos homens para ocuparmos os mesmos cargos – agora isso pode ser motivo de multa dentro da mesma empresa, menos mal. Ouvimos piadas machistas o tempo todo. Somos obrigadas a aturar cantadas nas ruas com medo de uma violência ainda maior. Não exercemos plenamente nossos direitos reprodutivos. Sofremos cotidianamente com a noção de que somos propriedade do homem e, portanto, podemos ser usadas a seu bel-prazer. Muitas de nós nunca tiveram um orgasmo. Ainda somos vendidas junto com cerveja e tudo mais que o mercado quiser. Temos receio de apanhar na avenida Paulista porque andamos de mãos dadas com outra mulher. Somos consideradas galinhas ou putas quando exploramos nossa sexualidade.

Mulheres ligadas a entidades sindicais e movimentos sociais participam de ato pelo Dia Internacional da Mulher na praça da Sé, região central de São Paulo, no início da tarde desta quinta- feira (8). Foto de Elisa Rodrigues/Futurapress/AE

O dia (a dia) da mulher – por Aline Valek

Parabéns mulher, mesmo se você não for hétero. A você que, mesmo gostando de outras mulheres, continua feminina e sexy, porque assim pode continuar sendo objeto do nosso desejo. Parabéns mulher, por nunca ser levada a sério quando está nervosa ou chateada, porque todos sabemos que é apenas TPM. Parabéns a você, que é má motorista, adora sapatos e sempre estoura o limite do cartão de crédito só porque é mulher. A você que é vendida como cerveja. Parabéns a você, mulher clichê que tanto amamos.

Feliz Dia da Mulher a você, que não tem autonomia sobre seu corpo. A você que sabe que se for estuprada foi porque provocou, a você que se for assassinada pelo parceiro foi porque mereceu. Parabéns a você, que não vai tentar um aborto simplesmente porque não queremos que você faça isso, e não porque a decisão de continuar uma gestação no seu útero seja uma escolha sua. Porque não é.

Parabéns pelo seu dia, mulher. Uma homenagem de quem é a razão de existir do Dia da Mulher e o faz tão necessário até hoje.

Sinceramente,

Machismo.

Troque sua rosa por um mundo com mais igualdade

Quero falar especialmente sobre o momento de luta em que vivemos. Por meio do grupo das Blogueiras Feministas diariamente disputamos espaços na internet. Construímos por meio de diferentes vozes, maneiras de pensar o feminismo. Portanto, o Dia da Mulher para mim tem um caráter de conquista e continuidade. É tempo de celebrar, mas também é hora de visualizar nossos desafios. Hoje, sou eternamente grata por todas as mulheres que contribuíram para que eu possa ter um blog. Pela liberdade que tenho de escrever na internet.

Mulher protesta contra a política de imigração francesa. Foto de looking4poetry no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

No livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres” de Ana Isabel Alvarez González, Nalu Faria (coordenadora da Sof – Sempreviva Organização Feminista), relata grande parte do meu sentimento atual em relação ao 8 de março na apresentação do livro. Por isso, reproduzo trechos de seu texto aqui:

Quando a Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague em 1910, dedidiu pela realização de um dia internacional especialmente dedicado à luta das mulheres, nascia, cem anos atrás, o principal dia de luta do movimento de mulheres no mundo. Retomar o sentido da comemoração do Dia Internacional das Mulheres é recuperar parte da história de luta das mulheres, de alguns dos seus debates mais importantes e do esforço das militantes socialistas para convencer suas organizações políticas da centralidade da luta pela libertação das mulheres. O direito ao voto era, então, bandeira central das mulheres em grande parte dos países no mundo. As militantes socialistas nos Estados Unidos já haviam organizado um dia de mobilização pelo voto em anos anteriores. Inspirado nesse exemplo, o movimento de mulheres socialistas aprovou a proposta de um dia de luta unificado internacionalmente.

Em diversos países já existiam movimentos de mulheres por mudanças na legislação civil, em especial na regulamentação do casamento e do divórcio, pelo direito de frequentar escolas e exercer ofícios e profissões, de terem acesso à herança e aos bens de família, de participar de associações políticas e sindicais. Mas a reivindicação que mais se destacava e mobilizava especialmente as mulheres era o direito de voto, considerado um instrumento indispensável para que os demais direitos pudessem existir.

(…)

A discussão sobre as formas de luta e a construção de alianças provocava uma permanente tensão tanto nas correntes do movimento sufragista independente quanto entre as militantes socialistas. Alianças que pareciam tão óbvias entre setores oprimidos permaneciam sempre conflituosas e frágeis e, com frequência, se rompiam em prejuízo de seu elo mais fraco: as mulheres. Alguns exemplos são bastante simbólicos. A dedicação das organizações de mulheres nos Estados Unidos `aluta pelo fim da escravidão dos negros não garantiu a elas que os abolicionistas apoiassem a igualdade para as mulheres, fossem branca ou negras, uma vez abolida a escravidão. Da mesma forma, no movimento socialista as militantes terão que dedicar parte importante de suas energias, e muitas vezes abrir mão de suas reivindicações, para convencer os partidos de esquerda que valia a pena lutar pela igualdade para as mulheres. E nem sempre foram bem sucedidas.

(…)

Meninas egípcias. Foto de Al Jazeera English no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

A história do Dia Internacional das Mulheres traz o debate da difícil construção da luta pela igualdade entre mulheres e homens no conjunto da esquerda ao mesmo tempo em que mostra os limites da luta feminista quando não se insere na busca de transformações estruturais das relações sociais e econômicas. A opressão das mulheres não surge com a sociedade de classes, mas em todas as formações sociais homens e mulheres foram reinseridos segundo sua classe e a desigualdade entre mulheres e homens se remodela favorecendo a dominação masculina so combinar as relações sociais de sexo (ou de gênero) com a dominação de classe.

(…)

A história evidencia a resistência — e mesmo o rechaço — de setores do movimento socialista à perspectiva de organização das mulheres, alicerçada na recorrente incompreensão do direito das mulheres à igualdade no mundo público (ao trabalho e à participação política), contrastando com a realidade da sua presença no trabalho agrícola e no proletariado industrial, já fortemente marcado pela divisão sexual do trabalho. Em diversos setores a mão de obra feminina era mesmo majoritária. Difícil seria pensar na organização da luta revolucionária sem a participação das trabalhadoras.

(…)

A existência de um dia comum tem papel significativo de mobilização. A incorporação pela ONU o 8 de Março como data mundial contribuiu para essa retomada em larga escala, ao mesmo tempo em que também incentivou um viés institucional da comemoração.

Ceroula Rosa no Dia Internacional da Mulher, Carnaval/2011 - Olinda/PE. Foto de Prefeitura de Olinda no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Em especial após os anos 1980, os meios de comunicação, diversas instituições e empresas vêm tentando absorver o Dia Internacional das Mulheres e transformá-lo em mais um evento do mercado, um dia de flores, de homenagens, de presentes… e de reforço da feminilidade tradicional. Nos últimos anos esse tem sido, até mesmo, um momento de investida antifeminista: jornais e revistas publicam artigos questionando se o feminismo ainda existe ou se ainda é necessário buscar a igualdade. Uma vez que “as mulheres já conquistaram tudo”, tratar-se-ia agora de combater os exageros feministas para que a mulher não perca a feminilidade.

Ao se tornar referência no mundo inteiro, o 8 de Março tem um importante papel na manutenção da identidade de um movimento amplo de mulheres e é um instrumento de mobilização e aglutinação das mulheres em torno da luta pela igualdade. Em um movimento tão amplo e disperso, que é característica do movimento de mulheres, a construção de um calendário de lutas pode ter um papel decisivo de mobilização e construção de uma identidade política, assim como a construção de símbolos, de dinâmicas próprias e o compartilhamento de uma história comum.

(…)

Um novo mundo só nos corresponderá se for de igualdade também para as mulheres. Assim, a construção de uma prática e uma consciência feminista pode ser sintetizada na palavra de ordem: para mudar a vida das mulheres temos que mudar o mundo e, portanto, todas as lutas por mudanças são também lutas das mulheres.

Referência: As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres de Ana Isabel Álvarez González. Apresentação de Nalu Faria, pgs. 9 – 19. Editora Expressão Popular, 2010.

#8demarço – Blogueiras Feministas.

Já tem algum tempo, mas não anunciei por aqui. Sou uma das Blogueiras Feministas e durante uma semana fizemos posts especiais para o dia 08 de março. Nosso objetivo era desmistificar algumas questões do feminismo e resgatar o Dia da Mulher como um dia de luta. Vale a pena lê-los e acompanhar um blog coletivo tão especial.

- Ser Feminista!

- Punk é ser Mulher, Cara!

- Toda Mulher Tem Uma História de Horror Para Contar.

- Por que o feminismo é um movimento político?

- Por que um Dia da Mulher?

- Por que o Feminismo é Importante desde Criancinha?

- Por que o Feminismo é Importante para o Mercado de Trabalho?

- Por que a Lei Maria da Penha é Importante?

- Por que o Aborto deve ser legalizado no Brasil?

 

08 de Março – Ações no DF.

08 de março para mim não é o Dia da Mulher que recebe flores na porta do mercado, que ganha cartões coloridos do

100 anos de Luta!

100 anos de Luta!

chefe na empresa e nem da mulher que ganha um beijo especial de alguém só porque é Dia da Mulher. Dia 08 de março é o dia de Luta pelos Direitos das Mulheres. É o Dia de mostrar resultados e promover ações que mostrem o que mudou e o que não mudou. Em Brasília e pelo Distrito Federal acontecerão vários eventos esse mês, participe, informe-se, fale e movimente-se para acabar com as injustiças.

100 anos de Luta Feminista: E mais mil anos se for preciso!

08/03 – O Cfemea – Centro Feminista de Estudos e Assessoria, comemora o 08 de março com o lançamento do novo site: www.cfemea.org.br

08/03Seminário Lei Maria da Penha, Oficinas de Artesanato e debates da conjuntura Política no DF – Programação: 09 às 18 Horas – Promoção: Meninas do Setor O, Taguatinga Sul– Local Areal.

08/03Vigília pelo Fim da Violência contra as Mulheres – Local : em frente ao STJ. Concentração a partir das 16:00 horas  para  Oficina  de confecção de faixas e cartazes. Iremos vestidas de Preto e levaremos velas. Promoção: FMDF – Fórum de Mulheres do Distrito Federal.

08 e 09/03 – Encontro de Articulação dos Direitos das Mulheres Indígenas – Local : Memorial dos povos indigenas – 09 às 18 Horas.

09/03Sessão Solene 08 de Março – Coordenação: Bancada Feminina no Congresso Nacional – Local : Plenário do Senado Federal – 10 Horas .

11/03 – Palestra: O novo direito da mulher, com a Dra. Luiza Nagib Eluf, às 19h, no IESB, L2 609 norte, Auditório Benedito Coutinho
Entrada Franca.

18 a 21/03Mostra de Cinema Espaço Feminino – Local : Instituto Cervantes (España), SEPS 707/907 – Lote D, Asa Sul  , Contato : Tel.:  61- 3242 0603.

19/03IV Seminário Nacional  Viver Mulher – Local : San Marco Hotel SHS Q. 05 – Bloco C  – Realização : CONTRATHUR – informações : (61) 3322-6884.

20/03Encontro Regional de Mulheres Trabalhadoras. A atividade acontecerá de 9 às 18h, na sede do SINPRO/DF (SIG, Quadra 6, Lote 2260, Brasília – DF).

20/03 – Instalação do Fórum de Mulheres da Vila Planalto – palestra sobre violência Doméstica e oficinas diversas – Local : Centro de Ensino 01 da Vila Planalto – 09 às 18 Horas.

21/03 – Dia Mundial Contra a Discriminação Racial.

21/03 – Apresentação do Grupo Teatral Professora Zilda Dias. Tema: Você tem preconceito? Por quê? Realização: Rede Social Da Ceilândia. Local: Foier do Teatro Nacional -  19 horas.

23/03 – Lançamento da Exposição Mulheres entre luzes e sombras -  Realização: IPAS Brasil  – Local: Câmara dos Deputados  – 15h.

23/03 – Debate Mulheres e Direitos Humanos: entre luzes e sombras – Objetivo: Debater o Plano Nacional de Direitos Humanos sob o olhar das mulheres e as perspectivas para o alcance da igualdade de gênero. Realização: Bancada Feminina do Congresso Nacional, IPAS Brasil e Cfemea. Local: Comissão de Direitos Humanos (a confirmar) – Abertura às 15 Horas.

30/03Palestra violência contra a Mulher. Local: Auditório Hospital regional de Santa Maria. Horário: 14 às 15:00h.

Se souber de mais eventos aqui no DF é só informar nos comentários que atualizo o post.