10 Filmes para 1 Oscar.

Esse o ano o Oscar mudou algumas regras e para melhor filme há 10 indicados. Minha opinião é a mesma do Chico Fireman, acho que isso banaliza ainda mais a premiação e parece ser um movimento apenas para alegrar a indústria. Apesar de tudo, o Oscar ainda me fascina um pouco, uma pena que desistiram de continuar com Hugh Jackman apresentando. Ano passado a apresentação teve um clima de musical delicioso.

Precious
Precious

Mas, então, vamos falar dos filmes. Dos 10 indicados assisti 8, porque Um Homem Sério e Um Sonho Possível ainda não estrearam em Brasília. Pelo trailer, Um Homem Sério parece ser um Irmãos Coen da melhor qualidade, apesar de não ver críticas muito festejadas. Um Sonho Possível parece ser o momento Erin Brockovich de Sandra Bullock. Dentre os 10 indicados, senti falta de Nine, que é um bom musical, e Direito de Amar (pior tradução de filme do ano, o original é A Single Man), estréia de Tom Ford na direção, que também não estreou por aqui ainda, mas o trailer me deixou entusiasmada.

Dos 8 filmes que assisti meus preferidos por questões pessoais são Precious e Educação. 2 filmes com mulheres protagonistas, meninas de 16 anos que precisam tomar as rédeas de suas vidas.

Precious, produzido pela diva Oprah Winfrey, é um murro na nuca, um filme duro sobre abuso, todas as formas de abuso possíveis, sexual, moral, social. Dói muito ver toda aquela história e se chocar internamente com a realidade , pensar quantas pessoas vivem daquela maneira. A mãe de Precious é um dos personagens mais asquerosos que já vi nos cinemas, Mo’nique deve levar fácil o Oscar de melhor atriz coadjuvante por retratar um monstro com tão pouca humanidade. E mesmo quando você acha que tudo está perdido, Precious consegue ser um filme esperançoso sem mostrar um final perfeito, com suas incertezas sobre a vida, mas sabendo que há pessoas que nos amam. Palmas também para as colegas de classe de Precious, jovens que tentam encontrar seu caminho estrapolando limites, mas procurando ser elas mesmas.

Desafiar limites é também o que tenta fazer Jenny em Educação. Uma menina de 16 anos que conhece um playboy

Educação
Educação

mais velho e acaba se apaixonando pela vida de aventuras e diversão que ele proporciona, a quem só vivia num quarto estudando latim. Jenny desafia a escola, engana os pais e esquece de si mesma, derrete-se pelo glamour de um chanel n° 5. Até que seu mundo cai e encontramos a Jenny antiga que culpa seus pais, mas sabe que é a maior culpada por tudo e que agora precisa correr atrás. Também é bonita a homenagem a Catherine Deneuve e Audrey Hepburn no penteado e nas roupas de Jenny e Helen. E quando sobem os créditos toca Duffy com Smoke without fire. O roteiro de Nick Hornby é simples, mas uma bela história sobre o crescimento de uma mulher.

Amor sem Escalas é também um preferido azarão. George Clooney mostra todo seu charme demitindo pessoas, vivendo em hotéis, utilizando cartões privilegiados. Mais uma vez, o título original Up in the Air diz muito mais do filme do que a tradução, é um filme sobre as relações líquidas, sobre pessoas que tem ou não responsabilidades umas com as outras. A conversa entre Natalie, Alex e Ryan depois que Natalie tem uma crise de choro é ótima.  O que queremos na vida? Um marido bonito, que tenha cabelo, um carro, filhos? Ou queremos apenas a vida como ela é? Filme esperto, cool, sem final clichê. Uma pena que o máximo que vá ganhar é melhor roteiro. Jason Reitman é um diretor que vem fazendo ótimos filmes como Obrigado por Fumar e Juno.

Distrito 9 e Up – Altas Aventuras são os filmes que fazem figuração especial na lista. Distrito 9 foi o grande filme surpresa do ano, uma importante crítica sobre o processo do apartheid, sobre a maneira como tratamos quem é diferente de nós, não há espaço para o diálogo, apenas para a segregação, pois no totalitarismo sempre há um grupo a ser exterminado. Gostei também do formato híbrido entre documentário, filme de ação e ficção científica. Up é Pixar dando show mais uma vez com a improvável amizade entre um velhinho ranzinza, que quer realizar um sonho de aventura, e um jovem escoteiro prestativo. Quem não se emociona com os 10 primeiros minutos de filme não é humano. Além de tudo, Up tem uma das cenas mais lindas que já vi quando o velhinho abre a porta e o cachorro responde: “Eu fiquei aqui fora te esperando, porque eu te amo”. Sim, há cachorros falantes no filme, adoro.

Up in the Air
Up in the Air

Bastardos Inglórios é o melhor filme do ano que não ganhará o prêmio de melhor filme do ano. É cáustico, é divertido, é abusado, é escalpelador, é cheio de sotaques e tem cenas inesquecíveis como a do copo de leite. É Quentin Tarantino em sua melhor forma. E só Quentin é esperto o bastante para escolher atores alemães para fazer o papel de soldados alemães e atores ingleses para fazer o papel de soldados ingleses, etc. O filme flui com momentos de puro êxtase. Porém, ganhará apenas melhor ator coadjuvante para o homem que permanecerá na memória para assustar criancinhas e mulheres que perdem os sapatos, Christoph Waltz.

Os favoritões são Avatar e Guerra ao Terror. Dá até para montar um quadro

The Hurt Locker
The Hurt Locker

comparativo entre os dois. Avatar é a produção mais cara da história do cinema e também a que mais arrecadou no mundo. Guerra ao Terror é um filme independente e no Brasil saiu direto em vídeo. Avatar é uma ficção científica sobre um outro planeta, com críticas a exploração de bens naturais, a guerra e a destruição da natureza. Guerra ao Terror é um filme muito simples, que acompanha uma equipe que desarma bombas na Guerra do Iraque, mais real e atual impossível. Apesar de Avatar ser um hiper mega filme, cansei logo na primeira hora, porque a história clássica da Pocahontas não me prendeu, todas aquelas cores começaram a cansar. A areia de Guerra ao Terror insistia em entrar nos meus olhos, me fazia colocar a mão sobre a boca quando o Sargento William puxava fios e encontrava mais 10 bombas apontando para ele. É uma briga do cinema de entretenimento contra o cinema independente. E acho que os dois são merecedores. Avatar provou que é possível levar as pessoas de volta ao cinema com uso da tecnologia de ponta, fazendo um grande filme espetáculo. Guerra ao Terror é um filme corajoso, que pode dar o primeiro Oscar de direção a uma mulher, e questiona quem é e onde está o Senhor da Guerra.

Estão aí minhas apostas, espero também que Coco Chanel leve melhor figurino em homenagem a estilista e espero que a lotérica do Oscar registre algumas apostas do meu bolão. A cerimônia será dia 07/03/2010 com transmissão ao vivo pela TNT a partir das 22h e pela Rede Globo depois do Big Brother Brasil 10.