Cat-sitter days.

E finalmente a vida parece estar voltando ao eixos.  Depois de uma infecção intestinal, um trabalho da pós-graduação bem ruinzinho, o namorado viajando para lá e para cá, achei que esse fim de semana seria glorioso. Mas eis que esqueci o aniversário de uma amiga, pois jurei que dia 04/07 era domingo. Não fui ao almoço, mas cheguei no fundo do poço da minha estafa mental, então daqui para frente, só alegria e a to-do-list atualizada.

Há dois finais de semana atrás tive uma experiência bem interessante, fui cat-sitter por 5 dias da Mitsy. Acredito que há pessoas que gostam de cachorros e há pessoas que gostam de gatos. Há também suas variações, mas geralmente essa é a divisão mais comum no mundo dos animais de estimação. Sempre fui cachorreira. Taí o Simba que não me deixa negar, assim como os vários cachorritos que por anos viveram na chácara da Vovó. Porém, nunca desenvolvi muita intimidade com felinos, até que a Francisca me ligou.

Olá, Mitsy!

Olá, Mitsy!

Minha missão era fazer o básico: repor água e ração, limpar a caixa de areia, verificar se estava tudo bem e brincar.  Na quinta-feira, a Francisca explicou tudo e me apresentou a Mitsy. É claro que o maior desafio foi a caixa de areia, afinal nunca tinha feito aquilo. A Francisca usa umas pedrnhas de madeira que se esfarelam, mas pela falta de bagunça da Mitsy acho que tudo deu certo. Porém, o mais interessante de conhecer uma gata é que primeiramente nós duas temos medo uma da outra. Cachorro é aquela coisa esparramada, gatos, não. A aproximação da Mitsy foi um passinho a cada dia, apesar de passarmos alguns bons minutos brincando com o ratinho favorito dela, mas era ela de um lado do quarto e eu do outro, uma sem coragem de se aproximar muito da outra. Lá pelo terceiro dia, acho que ela se acostumou com aquela estranha de voz engraçada vindo todo dia perto da hora do almoço. No quarto dia ela chegou bem pertinho, esperou eu trocar a ração e até comeu do meu lado, isso até eu dizer: Muito bem, Mitsy! E ela sair correndo. Também descobri que gatos tem chocolates e outras delícias, que possuem o sugestivo nome de “Feitiço”.

Um dia depois  que Francisca voltou, fui resgatá-la da torre da Rapunzel para devolver a chave. Mitsy nem ligou para mim, estava bem confortável em sua cama e não ia se mexer só porque cheguei. Fiquei bem do ladinho e ela me olhou com desinteresse. Segundo a Francisca, agora sou um ser humano totalmente tolerável no conceito dela. É claro que me apaixonei por essa gatinha rajada de três cores. E devo dizer que me diverti bastante.

Apesar de cachorros ainda serem meus preferidos, não resisto a ver fotos e vídeos com os gatinhos e gatinhas das amigas. Então, para você se deliciar com esses peludos, acompanhem a Gatoca e o Cadê o atum? (sou madrinha desse último por causa do nome e das orações a São Francisco..rs.) dois dos meus blogs favoritos sobre o assunto. E sempre que puder, ajude as instituições que cuidam de animais abandonados como a Adote um Gatinho. Contribua para o mundo castrando seus animais de estimação e nunca, nunca abandone um animal.

O tempo que não ando lendo.

# O tempo me atropelou de uma maneira incomunicável. Tudo é para ter sido feito ontem, mas não fui eu quem decidiu quando. A vida simplesmente aconteceu ao cruzar com minha avó no hospital. E tudo tomou uma proporção muito maior depois de terça-feira. São dias de silêncio e estranhamentos. O desconhecido chega e me pega com a mão na boca, com a sensação de que o maior elo da minha família simplesmente não existe mais. Desconheço qualquer maneira de ler o que irá acontecer. Que o tempo tenha gratidão de nós. Ela ainda tinha planos aos 92 anos.

#Dentro do tempo galopante e ofegante, acumulam-se pelas mesas tudo o que não consigo ler. Os afazeres acadêmicos primeiro, pois é preciso crescer formalmente. Porém, nesse momento de reencontro com uma matriarca, ao meu redor, que não está deserto, repousam diversas mulheres:

Sob o Sol da Índia de Julia Gregson. Quando vi o título fui remetida a Comer, Rezar, Amar, mas em comum só mesmo a Índia, o fato de serem best-sellers e contarem histórias de mulheres que transformam suas vidas. Então, pode jogar pedra na moda indiana…rs. Hare Baba! Estou na página 155. Viva é uma jovem que possui um passado misterioso. Pretende voltar à Índia, onde viveu na infância e onde perdeu os pais. Para isso, aceita ser dama de companhia de duas jovens burguesas inglesas e um rapaz extremamente peculiar. A leitura flui apesar da riqueza exagerada na descrição de alguns detalhes. É, na verdade, uma grande novela em que vamos descobrindo pouco a pouco sobre os personagens e suas motivações para viajar, é também uma trama cheia de cores, sabores e odores para se imaginar.  Interessantes são as descrições dos costumes, das festas e da viagem de navio no ano de  1928. Viva, Rose e Tor são personagens cativantes, cada uma em sua busca pessoal, com seus anseios, amores, dúvidas, frustrações, medos e conquistas. Estar naquele navio a caminho da Ìndia mudará a vida de todas e esse é o mote principal do romance, cercado por pequenas doses de suspense e mistério, contando-nos por meio de conta-gotas o passado e o presente dessas três mulheres. Cada uma com uma personalidade bem definida, mas sem um futuro claro. Rose vai para casar, Viva para reencontrar seu passado e Tor quer liberdade. Todas em busca de uma nova vida, com a inquietude natural de quem deixou para trás o que era certo para tentar se encontrar. Simpatizei com o livro logo pela capa e especialmente por Viva. Espero avançar mais nos próximos dias.

“Juntas as duas olharam para um delicado colar de luzes que surgia adiante no mar escuro e encrespado. Uma cidade estrangeira onde pessoas estrangeiras estavam escovando os dentes, lavando a louça do jantar e pensando em ir para cama.”

“‘Eu também mal conheço a mulher com quem estou me casando’. Era assim que ele se sentia voltando para casa aos prantos, sozinho no riquixá, e também durante toda a noite que se seguiu, que passou em claro, suando frio em sua cama. Ele esperava que no dia seguinte não se sentisse daquele jeito.”

“No banheiro, ela encheu a bacia e espirrou água no rosto com raiva. Era estranho – pensou ela, prendendo o cabelo para trás e passando duas pitadas de creme de limpeza no rosto – não ter falado a Tor sobre como estava se sentindo nervosa. Parecia um gesto de deslealdade, mas ela não sabia dizer se estava sendo desleal com Jack ou com sua melhor amiga, tal era o estado de confusão em que se encontravam seus pensamentos.”

“A festa das Mil e Uma Noites já estava animadíssima quando Tor subiu ao convés naquela noite. O céu flamejava com cores de coral e de um vinho bem claro, e os rostos dos convidados estavam banhados pela luz. A tripulação havia passado o dia correndo para lá e para cá, forrando as mesas com toalhas cor-de-rosa e fazendo pilhas de figos, mangas e asiminas, além de frutas cristalizadas e docinhos turcos de gelatina. Havia luzes coloridas penduradas ao longo da murada do convés e o que costumava ser a parte do convés para a prática de esportes tinha sido magicamente transformado na tenda de um sultão. Havia um engolidor de fogo dentro da tenda e uma aglomeração de pessoas que falavam alto e usavam máscaras, sandálias turcas, sáris e vestidos esvoaçantes. O coronel Kettering, numa túnica longa, balançava ao som de uma orquestra de músicos egípcios. Tor respirou fundo. ‘Ombros para trás. Cabeça erguida. Sorria. Caminhe.’ Seu destino era o outro lado do convés carmim, onde ela localizou seu grupo bebendo e rindo.”

#Mrs. Dalloway e Simone de Beauvoir olham de soslaio na fila enquanto banham-se com o sol das manhãs que chegam cedo demais.

#Beijos extremamente especiais para Charô e Marilyn. Todo meu carinho a vocês.

Ler e escrever.

(The Handwriting Game)

Por que você escreve?

Escrevo apenas porque acho bonito ver surgir letras, ver aparecer palavras e significados. Há um mundo mágico num simples movimento de dedos. Uso todos os cinco dedos para escrever. Todos os cinco sentidos estão inclusos no processo de ler e escrever, até mesmo paladar, tato e olfato. Canela, lilás, barro, asfalto, mingau, macio, boca, mania, água, queimada, grama, sol. Sentiu?

Agora penso que deveria ter incluso no Handwriting Game, algumas de minhas palavras favoritas de escrever: céu, jaborandi, pedaço, amora, macaco, louco. E há também as palavras que gosto de dizer: peito, grampeador, agora, olha, quero, vem, amor. E aquelas que adoro ouvir outros dizerem: coração, knees, estoy, neuf, unforgetable, quilômetros. Não gosto de: portátil, creme, assunto, metonímia, corrida.

E você?