Vida e Água.

“Nada é mais importante no estudo do homem do que as suas relações com a água: com a água do mar, com a água dos rios, com a água condensada nas nuvens, com a água da chuva e de degelo, com a água subterrânea, com a água que corre na seiva das plantas ou que circula nas artérias e nas veias dos animais. Por conseguinte o próprio sangue e a própria vida dos homens.”

Gilberto Freyre

Nordeste. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.

Chegou a hora de começar a escrever mais uma monografia, dessa vez para a pós-graduação. Essa é a citação que abre a minha monografia da graduação em pedagogia. Fico muito feliz em ver que ela ainda faz todo sentido para mim. Carreira acadêmica, não é mole não. E esse calor está de matar.

2009 – Eu fui!

Acredito em Ano Novo. Com letras maiúsculas, com roupa nova, com desejos de felicidade, acreditando que tudo pode mudar, fazendo planos. Para mim não importa se é só a Terra que gira ao redor do sol, se os cálculos astronômicos estão errados, se no dia 04/01 estarei no mesmo trabalho com as mesmas pessoas.  Dia 31 de dezembro é um dia muito especial. Acho que cada ano é uma nova vida, até porque completarei mais um ano e não serei a mesma. Sou uma eterna otimista. Minha receita para viver num mundo tão caótico, com tantas injustiças e desigualdade sociais é se apaixonar todos os dias. Seja por uma música, por um pão reçém saído do forno, pela lambida do meu cachorro, pelo abraço do meu pai, por um sorriso do cobrador, pela capa de um livro, pelo perfume da manga fresca, por homenagens aos amigos, por um brinde de lanchonete, pelo cheiro da chuva, pelo agradecimento de uma pessoa, pela maneira como minha mãe fala mirtilo, pelas caretas que faço e meu estagiário filma, pela alegria de ir ao cinema com uma amiga, por um telefonema de madrugada, pela curvinha na sobrancelha de alguém, por fotos de gatinhos,  por um bom prato de macarronada, por uma bolsa, pelo sotaque carioca do meu namorado, por um novo chiclete de frutas tropicais, pela causa feminista, pelo meu novo corte de cabelo, por um urso panda. Qualquer coisa pode me ajudar a passar pelos dias, qualquer coisa pode construir um novo ano.

Hoje me apaixonei por um vídeo no youtube que descobri pelo blog do Ricardo Calil. Um cara bem criativo fez uma montagem com cenas de 342 filmes que foram exibidos em 2009, com uma trilha sonora super bacana.  Tem quase todos os filmes que passaram esse ano e muitos que não estrearam por aqui. Ele também disponibiliza a lista de todos os filmes na ordem em que aparecem. É claro que ele parece usar mais cenas dos filmes de ação como O Exterminador do Futuro 4, Transformers 2, Bastardos Inglórios e Watchmen, mas também tem (500) Dias com Ela, Nova Iorque, Eu te amo, Where the Wild Things Are e outros. A montagem é ótima e muito vibrante. E cinema é algo que alimenta minha alma e me dá a possibilidade de novas paixões toda semana. É com ele que termino o ano nesse blog, desejando a todos que se apaixonem todos os dias.

Nos vemos em 2010!

This is not America.

A little piece of you

The little piece in me

Will die

For this is not America

O horizonte nunca pareceu tão distante, porém brilhante. Para todos aqueles que levantam sabendo que lutar por uma causa perdida é morrer lutando. Para qualquer um que passeia lembrando do lixo se acumulando pelas beiradas da estrada. Uma estrada que não tem mais fim, mesmo quando não estou mais aqui. E dentro da roda da fortuna diária há aquilo que apenas sentimos.

Aquele beijo puro, sentido e bem dado. Aquele enlaçar de corpos soltos entre os átomos da noite. Cada chupada, cada lambida e escorregada. Cada movimento que constrói o prazer, o desejo, o finito. As unhas, a pele, a bunda, o ouvido, a saliva, o pulmão, todos tremem e pedem o êxtase fatal do seu corpo no meu.

E ainda continuamos aqui, como nos outros dias, com os pedaços sendo jogados e remontados. As portas sendo batidas, as luzes acendendo. Um eterno ser/estar. Trafegando por linhas entrecortadas e semáforos intermitentes. Tudo para talvez ,por alguns segundos, olhar o horizonte dentro do teu olho…

There was a time

A storm that blew so pure

For this could be the biggest sky

And I could have

the faintest idea

For this is not America

This is not America

This is not.