Editorial: xepa.

So much out the way. Ontem sorri de graça. Virei a curva, o sinal fechou, tocou Smiths e como qualquer pessoa sem vergonha abri um sorrisão. Viajei esses dias, lugar comum que sempre retorno para restabelecer contato com o que amo, o que quero e talvez o que vá ser. Há uma nova amiga-companheira de viagem, pois sobrevivemos, voltamos ilesas e cheias de toddynho. Há cursos essa semana, há aulas que precisam ser preparadas, há um carro na oficina, há pizza de hoje me esperando para o almoço de amanhã. Há Estelle, Adele, Marina Lima, Roisin Murphy e Mart’nália nos ouvidos. Há o ‘Banheiro do Papa’, ‘Bella’ e ‘Longe Dela’ em cartaz, há a constatação que não conseguirei ver nenhum deles essa semana. Há biscoito de aveia e mel na boca, há a falta de relógio no braço, há as amigas para quem preciso ligar e há um monte de compromissos que vou deixar para depois. Há restos de tinta em meus dedos, há perfumes por entre as unhas, há pincéis pelo chão e há conexões neurais gritando novas idéias e vontades. Há os engarrafamentos, há a canção que tocou na hora errada, há a saudade dele, há a vontade de que fosse tudo diferente, há fantasmas cruzando meu caminho pelas ultrapassagens, há o medo de ter medo, há o desejo de largar tudo e voltar para o desconhecido. Há a vontade de acordar todos os dias, há o vento frio de manhã, há a vontade de chorar depois de atender o telefone, há o esquecimento em frente o computador, há o fim de tarde com água de coco, há uma vida de cintos coloridos e bolsas floridas. Não espero por nada, não anseio por resgate, estou segura nesse mar que abri no centro da vida. Dei a meu cérebro algo para se distrair. Ele facilmente se distrai com o coração, então sempre que puder, encha-o com amor. Puro e divino amor.