Filmes de 2011

Esse ano a galera que acompanho em blogs e twitter resolveu fazer algo diferente, cairam na farra dos memes. Teve o meme dos livros e depois o meme dos filmes. Pensei em participar, mas sempre rola uma preguiça básica. Porém, sou louca por cinema e decidi fazer o meme em um único post e só com os filmes que vi em 2011. Esse ano vi 48 filmes diferentes no cinema. Digo diferentes, porque é comum para mim ver um filme mais de uma vez no cinema. E assisti em vídeo dois clássicos que nunca tinha visto: A Malvada (1950) e Doze Homens e Uma Sentença (1957).

#Filme de 2011: Meia-noite em Paris. Adorei, chorei, gritei, cantei. Essas coisas ridículas todas. Levei todo mundo para ver. No total foram cinco idas ao cinema, sozinha ou acompanhada. Nem tenho o sonho de ir a Paris, mas é certamente meu tipo de filme. Simples, bonito, com boas piadas e mágica. Adoro filmes que contam histórias malucas e surreais com uma boa música. Leva meu prêmio de melhor diretor para Woody Allen. Escrevi sobre no LuluzinhaCamp.

#Melhor sequência inicial e melhor sequência final: X-Men First Class. Um dos melhores filmes do ano. Quando comecei a ler sobre ele pensei que iam fazer uma versão Crepúsculo de X-Men. Não botei a menor fé. Achei os trailers ruins e nunca gostei muito de James McAvoy. As críticas começaram a sair e eram ótimas. Corri para o cinema e fiquei felicíssima de ver meus queridos mutantes de volta. A essência da amizade entre Professor Xavier e Magneto está inteira lá. Leva meu prêmio de melhor ator para Michael Fassbender.

#Com o coração na boca (melhor suspense/terror): Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2. Ok, não é exatamente um terror ou um suspense, mas não houve outro filme em 2011 que tenha me deixado mais encolhida na cadeira e com os olhos vidrados em cada cena. Foi o fim de toda uma vida com a turma do barulho de Harry Potter. Me decepcionei um pouco com a cena em que Neville salva o dia, mas as cenas com o passado de Snape acabaram comigo. Um dos meus melhores filmes do ano. Leva meu prêmio de melhor falso vilão para Snape. Escrevi sobre no LuluzinhaCamp.

#Filme mais romântico: Frango com Ameixas. Em meio as correrias das minhas viagens a São Paulo, desci a Rua Augusta para ver Frango com Ameixas, na 35° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Um daqueles filmes para os quais pago o ingresso feliz, mais um filme maravilhoso de Marjane Satrapi. Um dos meus melhores filmes do ano. Escrevi sobre aqui.

#Melhor drama: A Pele Que Habito. Talvez esse filme estivesse melhor na categoria suspense/terror, mas Almodóvar para mim sempre será drama latino em todos os sentidos. Mesmo quando um cirurgião plástico possui psicopatias insanas. Um drama sobre morte e gênero. Até que ponto nos tornamos outras pessoas em condições extremas? Foi uma das perguntas que ficou em mim após o filme. Leva meu prêmio de melhor atriz para Marisa Paredes. Escrevi sobre aqui.

#Melhor Musical: Pearl Jam Twenty. Um documentário para fãs sobre os vinte anos da carreira do Pearl Jam. Porque “Alive” nunca fez tanto sentido.

#Melhor par romântico: José e Pilar. Bem no início de 2011 chegou o documentário sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Rio em meio ao lançamento do livro “A Viagem do Elefante”. Um filme maravilhoso, cheio de frases espirituosas e um amor único.

#Batendo Papo (melhor diálogo): Um Conto Chinês. O cinema argentino mostrando porque é melhor em tudo. E Ricardo Darín, sempre. Escrevi sobre aqui. E lembrei dessa propaganda sensacional de uma Mostra de Cinema Argentino em 2009.

#Melhor Horizonte (Fotografia inesquecível): Melancolia. Sou da turma que torce o nariz para Lars Von Trier. Porém, ele conseguiu fazer um filme sobre o fim do mundo bem otimista. Um filme que me surpreendeu, com uma fotografia de revista vogue. Escrevi sobre aqui.

#Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole: Jack Sparrow de Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas. Amo a franquia Piratas do Caribe. Sem mais.

#Brasileirão: Vips. Wagner Moura arrasa como um farsante em busca de si mesmo.

#Melhor Animação: Kung Fu Panda 2. Achei incrível ele não ter sido indicado ao Globo de Ouro. A história do pavão real e prepotente que volta para se vingar é incrível. Quase gritei na cena final e já coloque um bonequinho do panda num altar rezando para que façam o terceiro filme. Menção honrosa para Rio, que é divertidíssimo.

#O melhor Faroeste: Gato de Botas. Sei que esse ano vi um legítimo faroeste dos irmãos Coen, Bravura Indômita. Mas não tem como concorrer com meu amor pelo Gatito de Botas e Kitty Para Mansa. A melhor dupla de ladrões que o México já viu.

#Melhor comédia romântica: Enrolados. Apesar da dublagem mais medonha de todos os tempos, com Luciano Huck repetindo “Lôra” a cada três frases, a história de Rapunzel repaginada e a cena com o musical do vilões ganha o coração de todos.

#Melhor DR: Os 3. Uma das melhores surpresas do ano. Um filme deliciosamente safado que fala da amizade entre uma garota e dois rapazes que decidem morar juntos e criam um cotidiano de reality show. Escrevi sobre no LuluzinhaCamp.

#Unha e Carne (Melhor Amizade): O Discurso do Rei. Pode uma pessoa ser o melhor amigo de seu fonoaudiólogo excêntrico? Sim, se você for o Rei da Inglaterra. O filme que levou o Oscar vale muito mais pela amizade entre seus personagens do que pela história em si.

#Porrada (melhor cena de violência): Sucker Punch – Mundo Surreal. Mulheres chutando bundas, com uma trilha sonora fantástica. Não preciso de mais nada.

#Saída pela Esquerda (melhor sequência de perseguição): Cisne Negro. O momento em que a perseguição se intensifica dentro de Nina são os melhores momentos do filme. Até o ápice na estupenda transformação do cisne negro. Uma cena maravilhosa, que para mim sempre estará entre as grandes do cinema.

#Melhor Heroína: Ingrid Jonker de Borboletas Negras. Gosto muito de filmes sobre mulheres, quando li a sinopse deste senti que ia gostar muito. É a cinebiografia da poetisa sul-africana que lutou contra o apartheid. Escrevi sobre aqui.

#Personagem mais humano: Cesar de Planeta dos Macacos – A Origem. Os olhos de Cesar são inesquecíveis. O primeiro momento em que ele sobe nas árvores da floresta também.

#Melhor Personagem Inanimado: O Castor de Um Novo Despertar. Não deveria mencionar esse filme, porque qualquer coisa que Jodie Foster dirige eu adoro, mas nunca esperei que ela fosse me contar a história de um homem que para se livrar da loucura começa a conversar com um fantoche de castor. Impagável a cena em que ele chega no escritório. Ele, o castor.

#Melhor Documentário: As Canções. Haverá algum documentário ruim de Eduardo Coutinho? Aposto que não. Escrevi sobre aqui.

#Maior roubada cinematográfica: A Árvore da Vida. O resumo do roteiro é aquela música do Djavan: “tudo que Deus fez pensando em você, fez a via láctea, fez os dinossauros”. Arrastado, chatésimo, sonolento.

Meus 7 Links

A queridíssima Lucia Freitas me convidou para uma blogagem coletiva: Meus 7 links. Confesso que morro de preguiça dessas brincadeiras, mas a Lucia Joaninha é uma pessoa tão incrível na minha vida internética que não posso deixar passar. Decidi restringir essa lista aos posts de 2011, porque tenho uma memória péssima e escrevi muito durante esse ano, em diferentes blogs. Então, vamos lá:

Feira Livre de Links. Foto de Luiz Fernando Reis no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

#Meu Post + Bonito: O Amor, esse romântico.

É uma colaboração com Luciana Nepomuceno, uma borboleta que tem o sentimento e o humano na ponta dos dedos. Os textos da Lu são tão belos, uma poesia em prosa, que foi um imenso prazer escrever com ela sobre o amor. Menção honrosa para meu post sobre a morte de Amy Winehouse: O delineador nunca mais será o mesmo.

#Meu Post + Popular: Quem Nunca?

O post mais popular do blog em 2011 é o primeiro post sobre a Revista Nova e que deu origem as Sextas de Nova. Eu e alguns amigos estávamos no buteco comendo, rindo e criando piadas sobre a matéria: 30 manobras sexuais extra hot (sem usar as mãos); publicada na Nova e que bombou durante a tarde no twitter, quando Ric Ricardo pediu: Bia, publica! E deu no que deu, o post foi um sucesso, decidi criar as Sextas de Nova e fiz a alegria das amigas-companheiras-enlouquecedoras-de-homens.

#Meu Post que gerou mais discussão/controvérsia: Às Mulheres Que Não Querem Direitos Iguais

A Revista Marie Claire fez uma campanha com declarações de leitoras em que uma delas dizia: “Eu não quero direitos iguais. Eu quero que ele pague a conta”. Cansada de ver as pessoas sempre dizendo que o feminismo acabou com a gentileza, decidi escrever sobre o assunto e como os direitos das mulheres são conquistas recentes historicamente. O post tem muitos comentários e até hoje recebe muitas visitas. Durante o ano ainda escrevi mais dois posts falando sobre o mesmo assunto: Quem paga a conta? e Sobre Gentileza.

#Meu Post que ajudou/ajuda mais gente: Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas.

Durante todo ano, em vários blogs, a questão do emprego doméstico foi discutida e, é possível ver que ainda há muito preconceito e desinformação sobre o tema. Nesse post pesquisei diversos dados e informações sobre a situação atual. Várias pessoas agradeceram, principalmente por email. Foi importante participar desse debate que é crucial para a vida de tantas mulheres. Outro post desse ano sobre o assunto é: A Vida Sem Empregada.

#Meu Post que o sucesso surpreendeu: Estupro, nos dos outros, é refresco.

Em meio a polêmica sobre a frase de um comediante sobre estupro e mulheres feias, escrevi sobre o humor, violência contra a mulher e conservadorismo. A repercussão do post foi grande e hoje ele é um dos mais populares do blog.

#Meu Post que não recebeu a atenção que deveria: Mulheres e Discriminação Salarial.

Para tentar trazer novos dados e ampliar a discussão sobre salários e gênero no país, pesquisei informações sobre licença-maternidade, valorização do trabalho e artigos do IPEA sobre a discriminação de gênero e raça. Entretanto, as pesosas continuam dizendo que as mulheres ganham menos porque são fofoqueiras e tem TPM. Outro que teve pouca repercussão é Consumo e Publicidade Feminina. A discussão em relação a propaganda da Hope com Gisele Bundchen foi bem rasa e faltou falar mais sobre regulamentação da publicidade e economia baseada no consumo.

#Meu Post que tenho mais orgulho: O Nascimento da Mulher.

A história de Joicy, contada por Fabiana Moraes no Jornal do Comércio em Pernambuco, é uma das grandes histórias do ano. Por meio desse post fui contactada pela Fabiana, tive acesso a mais informações e pude ajudar uma pessoa muito especial. Alguns transexuais e transgêneros foram pessoas muito especiais para mim em 2011. Suas questões e demandas nos ajudam a repensar diversos conceitos e lutar cada vez mais contra o preconceito.

As Canções

Ontem dei uma corrida no cinema para ver As Canções, o mais recente documentário de Eduardo Coutinho. Um documentarista que nunca me decepciona, porque busca sempre o humano, a memória e o sentimento por trás da vida de pessoas comuns.

Como diz a crítica de Neusa Barbosa no Cineweb:

Dos apartamentos de um prédio em Copacabana (“Edifício Master”), à religião (“Santo Forte”), à velhice (“O Fim e o Princípio”), aos sonhos de sindicalistas dos anos 70/80 (“Peões”) e ao próprio teatro (“Moscou”), muitos temas passaram pelo crivo de sua curiosidade, tão reveladora quanto respeitadora da intimidade. Um verdadeiro paradoxo, mas Coutinho é isso mesmo. A antítese do reality show.

As Canções compartilha conosco momentos e histórias de pessoas que tem suas vidas marcadas por uma música. Tem muito Roberto Carlos, mas também tem muito samba triste. E tem Retrato em Branco e Preto do Chico Buarque. A mistura de personagens que Coutinho faz é unica. Tem o morador do pé da favela, que só sai de casa antes de ouvir os tiros e que adora Jorge Ben. Tem a londrina que veio para o Brasil aprender capoeira e curou um grande amor com o desprezo ensinado em um samba. Tem o filho da costureira que nunca ouviu no rádio a música Esmeralda que sua mãe cantarolava e mesmo assim sabe cantá-la inteira. Tem muita história de amor, porque a música tem esse poder de simplificar um sentimento tão complexo em versos.

Em entrevista ao Cineweb, Eduardo Coutinho fala um pouco mais sobre seu processo de escolha dos personagens:

Os demais personagens foram escolhidos pelos métodos tradicionais do diretor, mediante anúncios de jornal e na internet que, segundo ele, “não funcionou”. Para este processo de seleção, o melhor resultado foi obtido pelo grupo de pesquisadores que se postou com uma placa onde se lia “você tem uma cantão importante na vida?” no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro. Por que funcionou melhor lá? Para Coutinho: “Porque é o centro da cidade, a cidade tem de tudo. Além de tudo, tem a vantagem de ser um largo muito grande, tem metrô ali, as pessoas param. O pessoal da pesquisa ficava com a placa lá e as pessoas vinham. Aí a regra era a pessoa dizer qual era a música e cantar ali mesmo. Se não soubesse a letra ou fosse péssima cantora, nem gravava. Daí ela dizia porque que a música era importante. Eu ia vendo e marcando.