Infância e Consumo

A publicidade já percebeu que as crianças tem grande influência na decisão de compra das famílias brasileiras. A cada dia temos mais propagandas de celulares, alimentos e vestuário com crianças. Qual o impacto para a infância das crianças? O brinquedo passa não mais a ser o instrumento da brincadeira, mas o desejo de consumo. Roupas e celulares tornam-se símbolos de status infantil. Existe publicidade saudável para crianças? Elas tem capacidade de compreender a mensagem transmitida pela publicidade e definir o que é interessante ter ou não? Pelo que vemos, as crianças estão tornando-se muito mais consumidores compulsivos do que pessoas saudáveis.

O Intituto Alana desenvolve, desde 2005, o Projeto Criança e Consumo. A proposta é desenvolver atividades que despertam a consciência crítica da sociedade brasileira a respeito das práticas de consumo de produtos e serviços por crianças e adolescentes. Debater e apontar meios que minimizam os impactos negativos causados pelos investimentos maciços na mercantilização da infância e da juventude, tais como o consumismo, a erotização precoce, a incidência alarmante de obesidade infantil, a violência na juventude, o materialismo excessivo, o desgaste das relações sociais, dentre outros. Uma de suas metas é a proibição legal e expressa de toda e qualquer comunicação mercadológica dirigida à criança no Brasil. Ação que considero fundamental para evitar que o consumo torne-se a grande meta na vida das crianças.

Não acho que os pais devam ser os únicos responsáveis pela educação das crianças. São seus filhos, mas todos convivemos em sociedade. Para modificar estruturas sociais, eliminar desigualdades, combater o racismo, sexismo e preconceitos é necessário uma educação global, com a participação da família, do Estado e da sociedade. O Instituto Alana levanta um debate importantíssimo sobre mercantilização da infância, que perpassa a sexualização precoce, a violência e até a dependência de álcool. Sabemos que no Brasil as crianças assistem muita televisão e grande parte dos anúncios são veiculados por essa mídia.

Watching TV in Rubona, Rwanda. Imagem de Kigali Wire no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Vale a pena conhecer o trabalho do Instituto Alana e lutar por regulamentações no setor publicitário. A publicidade tem função social restrita. Foi criada a partir de uma causa comercial e envolve interesses privados. A liberdade de expressão não se aplica a campanhas publicitárias. A liberdade de expressão é parte da história da humanidade que criou e defendeu direitos humanos. A publicidade é filha da economia de mercado. Portanto, deve ser regulamentada como qualquer outra atividade comercial. Abaixo, algumas informações importantes disponíveis no site do Instituto Alana:

Conhecimento de Causa

O Instituto Alana, com seu projeto social na periferia da zona leste de São Paulo possui inúmeros exemplos perversos do consumismo infantil até mesmo em uma das regiões de mais baixo índice de desenvolvimento humano do Brasil.

Crianças cujas famílias dependem de cestas básicas e que não saem de casa sem passar batom. Que acham que a maior felicidade do mundo é ter cabelos longos e loiros iguais aos da Barbie. Meninas que vestem microssaias e ficam grávidas na adolescência. Meninos que insultam mulheres e tomam cerveja. Mães que, depois de muito choro e muita insistência dos filhos, gastam todo seu dinheiro para comprar um boneco Power Ranger. Filhos que depois de ganhar um Power Ranger, brincam dois dias, abandonam o boneco e começam a pedir a próxima novidade anunciada na televisão. Ou ainda garotos que falam que agora sim os pais podem comprar tudo o que querem porque determinado banco oferece crédito acompanhado de alguns bonequinhos de brinde. Crianças e adolescentes brasileiros repetindo diariamente o nome de inúmeras marcas, que algumas vezes estão entre as 10 primeiras palavras de seu recém-formado vocabulário.

Do Rio Grande do Sul ao Amapá, das periferias dos grandes centros urbanos ao interior da Bahia, eles querem se vestir e comer da mesma forma. Querem marcas – usar o tênis Nike, comer Fandangos e ter a mochila da Hello Kitty. Preferem não ir à praia ou ao campo porque sabem que lá não encontrarão tevê ou videogame. Trocam o suco de mexerica por Coca-Cola, e arroz, feijão e couve, por Big Mac com batata frita.

É importante reconhecer que os pais não são os únicos responsáveis pelos filhos que não param de pedir produtos vistos na tevê, que são obesos, sexualmente precoces ou com comportamentos violentos. A responsabilidade maior está nas empresas e agências de publicidade que apostam no mercado infantil, procurando a vulnerabilidade de cada faixa etária da infância e adolescência para criar consumidores fiéis: as crianças de consumo.

No Brasil

Há muito tempo, esses problemas deixaram de ser exclusivamente norte-americanos. Só para citar um exemplo, segundo o Painel Nacional de Televisão do Ibope, as crianças brasileiras de quatro a 11 anos, que em 2004 assistiram a 4 horas, 48 minutos e 54 segundos de tevê por dia, passaram a ver 4 horas, 51 minutos e 19 segundos, em 2005. O Brasil ficou em primeiro lugar – antes dos Estados Unidos! – na quantidade de tempo em que as crianças ficam diante do televisor. Nossas crianças ficam mais tempo diante da televisão do que convivendo com sua família ou na escola.

A obesidade infantil subiu de 5% em 1964 para 20% nos dias de hoje nos EUA, e continua crescendo. Aqui, segundo a Primeira Jornada de Alimentos e Obesidade na Infância e Adolescência, na Escola Paulista de Medicina (Unifesp), 14% das crianças são obesas e 25% estão acima do peso, curvas que acompanham o crescimento do volume investido no marketing infanto-juvenil.

O problema na América do Norte pode ter surgido mais cedo, mas o engajamento da sociedade para reconstruir valores também é mais antigo. O Brasil está ainda começando a se movimentar nesse sentido. Existem ações, algumas de sucesso, no Ministério Público e no Poder Legislativo. O marketing voltado para a criança não tem regulamentação no Brasil, apenas auto-regulamentação. Ou seja, devemos confiar que o órgão formado pelas próprias agências de publicidade trate desse assunto com a atenção devida, pois vivemos em um país que defende o direito da livre expressão – perfeitamente cabível quando o cenário são pessoas já formadas cognitivamente e capazes de julgar o que é melhor para si e para a sociedade. Uma criança de quatro anos, por exemplo, não consegue nem diferenciar um comercial de um programa.

Como afirma Susan Linn, autora do livro Crianças do consumo – a infância roubada, “o marketing para crianças enfraquece os valores democráticos ao encorajar passividade, conformidade e egoísmo. Ameaça a qualidade do ensino público, inibe a liberdade de expressão e contribui para problemas de saúde pública como obesidade infantil, dependência de tabaco e consumo precoce de álcool”.

Conheça também o blog Consumismo e Infância.

Este post faz parte da Blogagem Coletiva: Infância, Consumo e Sexismo proposta pelas Blogueiras Feministas.

Ainda sobre calcinhas

[+] Hoje tem post meu no Blogueiras Feministas sobre Consumo e Publicidade Feminina.

[+] A Lis Lemos publicou ontem um texto muito bacana: O Papa e a Gisele.

[+] O Rob Gordon fez uma crônica engraçadíssima: Lingerie.

[+] Reproduzo aqui 2 twittadas longas do Fabiano Camilo que achei muito boas sobre o caso Hope. É interessante ver como o discurso de que o “politicamente correto é censurador” ganha força nessas horas, como se a crítica não pudesse ser feita. Publicidade não é expressão cultural, portanto, não deve ter o privilégio da liberdade de expressão. Deve ser regulamentada como as outras relações comerciais. Desde muito tempo a propaganda é utilizada para disseminar ideais, crenças e pensamentos políticos, seja de forma maniqueísta ou subliminar.

O fato de boa parte das reclamações partirem de feministas foi fundamental para os rumos tomados. Assim, se desqualifica as críticas como politicamente corretas, as pessoas que criticam como desprovidas de senso de humor etc. Se só o Conar tivesse sido acionado, duvido que teríamos tantas defesas extremadas pela liberdade de expressão. Uma pessoa há pouco lembrou, aqui no Twitter, o caso de um comercial das Havaianas, com o ator Cauã Reymond, que foi tirado do ar por reclamações ao Conar e cuja retirada não causou toda essa comação. No filme, uma avó falava de forma aberta sobre sexo com a neta. Mulher como Amélia não incomoda, mulher como pessoa independente e segura incomoda. E quando a censura atua no último caso, onde estão os bravos defensores da liberdade de expressão? Leia aqui.

Um último ponto: acho que é necessário se discutir também o conceito de censura, que passou a ser empregado sem discernimento, a torto e a direito. Um filme publicitário não é um filme para o cinema, uma novela, uma peça de teatro etc. Tem finalidades específicas. E o Conar, Conselho Nacional de AUTO-REGULAMENTAÇÃO Publicitária, é uma organização da sociedade civil, não é um órgão do Estado. Se o filme for retirado do ar pelo Conar, a decisão não terá sido uma decisão do Poder Executivo ou do Poder Judiciário. Todas esses detalhes vem sendo ignorados pelos “defensores da liberdade de expressão”. Leia aqui.

Imagem do coletivo feminista argentino Mujeres Publicas.

A Arezzo e a Minha Pele.

Eu como carne. Sou onívora. E mesmo assim acho que posso protestar contra a coleção Pelemania da Arezzo. Não é porque defendo que a raposa não morra para virar casaco, que acho legal a vaca morrer para virar sapato. No Brasil a pecuária responde por uma grande parcela da economia, atualmente possuímos o maior rebanho bovino do mundo. Cresci numa cultura que incentiva e ensina a comer carne. Porém, não cresci usando casaco de pele de raposa. Então, é claro que a raposa e a vaca devem ter os mesmos direitos, mas os meios de produção que envolvem os produtos derivados são diferentes. Então, quando protesto não estou dizendo que raposa é melhor que vaca, mas sim que não quero aumentar o número de animais mortos.

Os Direitos dos Animais ainda são um assunto pouco discutido. Todos os dias vemos cavalos mau-tratados nas ruas, cães e gatos abandonados, animais expostos em zoológicos, caça indiscriminada, tráfico de animais e tantos outros problemas decorrentes da nossa falta de respeito e humanidade em relação aos animais, que muitas vezes não ganham a mesma reação que vimos na situação da Arezzo. No caso dos animais que comemos é ainda pior, pois sabemos que as condições de abate na maioria das vezes não são as melhores nem para os animais e nem para os trabalhadores. É importante abarcar todos esses assuntos quando pensamos nas nossas relações com os animais, especialmente quando reconhecemos que nossa cultura prega que somos superiores aos outros animais e que eles existem para nos servir. É essencial repensar nossas relações com o que consumimos, especialmente os produtos de origem animal. Porém, não é fácil deixar de consumir esses produtos, porque eles estão entranhados em mim e em toda cultura. É como o machismo, acho muito difícil que do dia para noite todo mundo deixe de reproduzir o pensamento machista, mas fico muito satisfeita de ver pessoas discutindo e questionando seus privilégios. É um longo caminho, que começa com ações pontuais.

Um casaco de pele é realmente necessário? Crédito da Imagem: Funkomavintage no Flickr, em CC

A questão da pele na moda não é mais importante que as outras questões em relação aos animais, mas podemos evitar a morte de mais animais quando não aceitamos usar um casaco de pele verdadeira. Porém, acredito que no caso da Arezzo e da coleção Pelemania a pior face surgiu nas declarações do presidente e fundador da empresa, numa entrevista a Folha. Ressalto alguns pontos:

O uso da pele do coelho também foi contestada, vocês vão retirar também?
Não, só a pele de raposa. Nosso entendimento é que todo animal que está na cadeia alimentar, não tem como. Você vai a um restaurante e come coelho no mundo inteiro.

Depois dos protestos na internet, a Arezzo decidiu retirar os produtos com pele exótica de suas vitrines. Na entrevista descobrimos que pele exótica significa apenas pele de raposa. Os produtos de pele de coelho e cabra continuarão nas lojas. A ação real no fim das contas é extremamente limitada, pois a Arezzo não se compromete a não usar peles em coleções futuras. Não estou satisfeita com isso, espero que ninguém esteja.

A pele de raposa usada nos produtos é de criatório, não é de animal selvagem, não tem dano nenhum a natureza, isso é que dá sustentabilidade, é o uso gerenciado e controlado, mas gerou essa polêmica toda que acho que deve ter sido feita por ambientalistas de plantão com os quais não vou me expor para debater isso, tirando o foco do grande trabalho que a gente tem em uma coleção de inverno maravilhosa com milhares de outras possibilidades.

Criar raposas em cativeiro para o abate gera sustentabilidade? Ele retirou a pele das vitrines porque o problema foi  tirar o foco do grande trabalho que tiveram em uma coleção de inverno maravilhosa com milhares de outras possibilidades e não a morte de animais?

Então, eu preferi recuar a ter que abrir esse debate sobre se eu acho certo ou não acho certo o uso de pele de animal. Essa é uma coisa tão polêmica, eu teria tanta contestação para falar de um lado e do outro. Sustentabilidade é um assunto que eu me interesso tanto que eu precisava de um foro especifico para falar, fora do foro de moda.

Em todos os editoriais de moda de todas as revistas do mundo, inclusive nas brasileiras, esse fenômeno do uso de peles está sendo veiculado. Todas as marcas estão usando, é um tendência forte

E com essas frases o presidente da Arezzo se exime da responsabilidade de discutir a questão do uso de pele na moda. Então, se não é responsabilidade da pessoa que produz e vende essas peças debater, de quem é? É nossa. Responder se queremos continuar comprando pele verdadeira de animais é nossa responsabilidade. Responder se queremos modificar nossas relações com animais também. Então, informe-se, discuta e repense seus hábitos alimentares e de consumo. Deixo aqui uma série de bons posts sobre o assunto:

Que pele linda você tem! Posso fazer um casaco com ela? do blog De Chanel na Laje.

Algumas pessoas dizem que o couro animal é verdadeiramente ecológico, coisa que não se pode dizer dos produtos substitutivos, na maioria das vezes fabricados com petróleo e outras substâncias poluentes. Outros falam da durabilidade quase eterna das peças de couro, se bem tratadas. Outros dão prioridade a produtos feitos com algodão, e há os que nos lembram da podridão da máfia do algodão. São dilemas. Por isso, penso que cada um deve pesquisar exaustivamente sobre essas coisas, filtrar e seguir os seus próprios princípios.

Glamour só é possível com peles? do blog Primeira Fila

Peles podem até simbolizar status, riqueza, glamour, tradição… Mas os tecidos sintéticos representam a moda que trabalha, que pesquisa materias, que rompe com padrões, que é capaz de ser bonita e sintética. Com qual delas você fica?

Algumas duvidas sobre couro, pele, abate, etc. do blog Primeira Fila

O couro ecológico também tem origem animal. Sua diferença em relação ao couro que nós conhecemos é que é curtido com tanino vegetal, a partir de substâncias extraídas de cascas de árvores, folhas e lenho, usam menos água no processo e geram menos resíduos. Entra nessa categoria o famoso couro de tilápia da Osklen.

F.A.Q Vegan – Parte 1 do blog Aquelah Deborah

O gênero feminino flerta com a transcendência dos desejos abdicando de refeições em “penitência” (jejum) pelo “pecado” (brigadeiro), em contrapartida, homens entregam-se ao hedonismo glutão. Esse pode ser um dos fatores que incentivam a adesão feminina ao Vegetarianismo, o outro é a associação de longa data entre mulheres e agricultura. Renunciar o “direito” de comer carne é questionar o Antropocentrismo, os animais precisam morrer para que humanos festejem?

Hoje vai rolar uma Blogagem Coletiva sobre o assunto, aqui estão outros posts:

[+] #ArezzoFail!

[+] A Polêmica das Peles.

[+] A Terceira Lei de Newton e o Caso Arezzo.

[+] A Vênus das Peles.

[+] Arezzo e algumas outras ignorâncias

[+] Crueldada animal NÃO está na moda.

[+] Não é nossa responsabilidade?

[+] O Tiro no Pé da Arezzo.

[+] Pele está na moda? Fique fora de moda!

[+] Peles na Moda: uma questão mais ampla.

[+] Peles, Para Que Te Quero?

Primosia.

Faço algumas coisas artesanais, consequentemente amo artesanato. Peças artesanais, são muitas vezes feitas com cuidado, esmero e carinho. Também são únicas, pois é difícil fazer várias iguais. Dentre as minhas paixões

Meu mundo colorido

Meu mundo colorido

consumistas talvez a maior delas sejam bolsas, bolsinhas, bolsões. Carteiras, carteirinhas, porta-moedas e afins.

Você já deve saber como sou fã da La Reina Madre, pois ela dispensa apresentações com tantas coisas que enchem os olhos e o coração. Fui no encontro em Brasília e me joguei bonito. Srta. Bia usa, abusa e acorda para vencer!

Carterias, carteirinhas e buttons

Carteiras, carteirinhas e buttons

Recentemente, por meio de uma amiga querida, conheci o trabalho da Primosia. Fui uma das primeiras a chegar ao 3º Bazar Primoroso e me apaixonei ainda mais pelo trabalho das meninas. Um encontro aconchegante, cheio de pessoas bacanas, muitos sorrisos, piadinhas, conversas e até um chá com gostinho de chiclete. Eu, que não conhecia ninguém, mas adoro forçar amizade, me senti a vontade para ficar amiga de infâncias de todos e fotografar as belezuras.

Amanda e Roberta são duas talentosas caçadoras de tecidos, inventoras

Roberta e Amanda - As Primorosas

Roberta e Amanda - As Primorosas

de colares, sensíveis como toda boa artesã tem que ser, sempre procurando a melhor estampa, a melhor combinação, o melhor perfume e registrando tudo com um inigualável toque pessoal.

pri.mor (ô) sm. 1. Perfeição, excelência.

2. Beleza, encanto.

3. Perfeição na execução, excelência do trabalho.

4. Suntuosidade, riqueza de detalhes, perfeição.

Momento Relax

Momento Relax

5. Alguém ou algo que apresenta em alto grau uma ou várias qualidades positivas.

5.1 Alguém ou algo que se destaca pela delicadeza, beleza, perfeição.

5.2 Indivíduo que se destaca pela boa educação, simpatia, amabilidade.

Colares

Colares

5.3 indivíduo que se destaca pela bondade, prestimosidade, amorosidade etc. (fonte: Dicionários Aurélio e Houaiss)

pri.mo.ro.so adj. 1. Que apresenta primor; maravilhoso, perfeito, encantador.

2. Feito com primor; perfeito, caprichado, artístico.

3. De excelente qualidade; que não deixa nada a desejar.

Bolsas

Bolsas

4. Que faz tudo com primor, capricho, perfeição. (fonte: Dicionários Aurélio e Houaiss)

Elas são de Brasília, então fica tudo muito mais fácil para que eu me vicie mais e mais. Não esquecendo que não e só consumir, é preciso presentear também, pois não posso ser a única a conhecer as belezuras. E além do trabalho primoroso, elas também divulgam outros artistas como Leopoldo Wolf e Beatriz Águida.

Ilustrações de Leonardo Wolf e Beztriz Águida

Ilustrações de Leopoldo Wolf e Beztriz Águida

Mas as Primorosas também mandam para todo Brasil. Basta entrar em contato pelo Primosia Blog ou pelo email: primosia@gmail.com

Você também pode ver mais fotos da minha visita no Flickr.

Criança e Consumo.

Já faz tempo que a queridona Lu Freitas falou sobre o documentário “Criança, a alma do negócio” . Consumir é algo que faz parte de nossas vidas. A não ser que você esteja vivendo dentro de uma caverna, todos os dias queremos possuir algo a mais, por causa da publicidade, por causa da sociedade de consumo, ou porque é impossível resistir as últimas novidades. Se você é um adulto pode implementar regras para consumir menos, para controlar atos impulsivos de compra, mas e se você é uma criança? E se você é pai ou mãe, tem um filho que vê muita televisão e é exposto a muito mais propagandas que você? Quais os hábitos de consumo que deveríamos estimular se vivemos num mundo que cada dia se degrada mais por causa do consumo? Você olha para a gripe suína e vê o quê? Porquinhos espirrando? Ou o resultado do modelo industrial da produção de alimentos?

Primeiro, é impossível as pessoas pararem de comprar e consumir. Não estou condenando pessoas, mas sim processos de produção, exploração e consumo. Se você é consumista desenfreado é melhor repensar seus hábitos. A publicidade fala com você todos os dias, mas fala ainda mais com as crianças. E, infelizmente, tudo tem um custo, não dá para tapar os olhos. Se a Dove faz essa ótima propaganda dizendo: Fale com sua filha antes que a indústria da beleza fale. O Greenpeace nos diz que as florestas tropicais estão acabando por causa da exploração de óleo de palma usados nos produtos Dove. É possível encontrar equilíbrio? E não é ótimo que a publicidade do Dove faça propagandas como a True Colors? Todos amamos a beleza. E todos também devemos amar o planeta e os publicitários.

Consumo muito. Acumulo algumas coisas, tenho sérios problemas em diminuir a quantidade de livros, dvd’s, sapatos e bolsas em minha vida. Não quero aumentar esses números, não quero consumir desenfreadamente, entupir minha casa de coisas. Quero comprar o que sei que vou usar. Se não resistir e comprar algo a mais, trocar ou doar uma coisa que já tenho. É preciso fazer os objetos circularem, mas também é preciso parar de comprar. Eu acredito naquele lance de cada um fazer a sua parte. E a economia? Você tem razão, a economia gera riquezas e empregos para o pais, se eu não comprar vou estar afundando tudo. Será? Será que a conscientização e a implementação de bons hábitos de consumo não geram novas alternativas para a economia?

O que mais me assusta no documentário não é a cena em que as crianças escolhem a palavra “comprar” ao invés da palavra “brincar”. É a da menina contando que quando a mãe diz que não pode dar o que ela quer, ela sente vontade de chorar. E do menino, que falando sobre seu terceiro celular, afirma que não é muito de brinquedo. Crianças se tornando adultos precocemente e adultos demorando a amadurecer, vivendo eternamente na adolescência. É essa a sociedade que está lidando com novas epidemias mundiais e com a degradação do planeta? Ou é tudo uma questão de que ter define o que somos?

O documentário está disponível no youtube em 5 partes numa parceria com o Instituto Alana. Abra as janelas, deixe baixando enquanto lê/responde os emails e assista. Vale muito a pena! Divulgue e me conte qual sua relação com o consumo.

CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO
Um documentário sobre publicidade, consumo e infância.

Produtora: Maria Farinha Produções
Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti

Sinopse: “Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?” Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=dX-ND0G8PRU

Parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=UkcVM0Vcwd0

Parte 3 – http://www.youtube.com/watch?v=eq0gqEeaNL8

Parte 4 – http://www.youtube.com/watch?v=2d0DWuZsAfM

Parte 5 – http://www.youtube.com/watch?v=88v1i9BXTS8

Créditos finais -  http://www.youtube.com/watch?v=Oqk7uUnEurY