Susan Linn

Quando comecei a pesquisar sobre publicidade infantil deparei-me com Susan Linn. Americana, professora de psiquiatria na Escola Médica de Harvard, diretora associada do Centro de Mídia Infantil Judge Baker (Media Center of the Judge Baker Children’s Center) e co-fundadora da Campanha de Coalizão Nacional por Comercial sem Infância (National Coalition Campaign for a Commercial-Free Childhood). E, autora do livro “Crianças do Consumo – A infância roubada”.

Nesse livro, Susan Linn discute as relações entre pais, crianças, agências de publicidade, marketing e consumismo e suas conseqüências para o desenvolvimento infantil, como erotização precoce, obesidade e fortalecimento do egocentrismo. São títulos de alguns dos capítulos: “Alunos à venda: quem lucra com o marketing nas escolas?”, “Bebês de marca: do berço ao túmulo” e “Na magreza e na obesidade: o pesado problema do marketing de alimentos”.

Susan era uma das palestrantes do Encontro de Blogueiras promovido pelo Instituto Alana. Infelizmente não conseguiu comparecer pessoalmente, mas fez um vídeo expondo suas ideias principais. A primeira pergunta que Susan nos faz é: o que há de errado com a publicidade? Tenho 30 anos, cresci repetindo vários jingles publicitários e estou ótima, por que devo me preocupar com isso? Porque o mundo mudou e, como Susan nos mostra, as estratégias de marketing também. Porém, não é preciso ficar descrente e achar que nada pode ser feito. Podemos sempre apoiar projetos que proponham a regulamentação da publicidade.

 

Marketing Infantil

Tem texto meu no Amálgama Blog.

Deixo um trecho, mas não deixe de conferir por inteiro: O impacto negativo do marketing infantil.

A publicidade é a primeira indústria criada exclusivamente para a promoção do consumo. Agora o consumidor deve ser motivado, seduzido a adquirir tal produto ao invés de outro. Neste caso, o discurso da publicidade passa a se autonomizar das características utilitárias do produto em favor de associações que se referem a universos simbólicos que extrapolam o próprio valor de uso dos bens que deseja promover. Dessa maneira a publicidade desloca o foco do utilitarismo do produto e busca o campo do simbólico para seduzir o consumidor. O produto passa a ser também mediador de relações sociais, pois dentro da estrutura capitalista o ter significa ser.

Muitas vezes acabamos não sabendo por que compramos um produto específico. Qual a diferença entre desejo espontâneo e apelo de mercado? As crianças sabem distinguir o que está por trás da publicidade? Ou o objetivo é continuar formando mais ávidos consumidores? A publicidade possui uma avançada tecnologia de persuasão. Onde está a ética ao focar crianças como consumidoras? Afinal, sabemos que crianças ainda não têm o desenvolvimento cognitivo e pensamento crítico completamente desenvolvidos, e muitas vezes não diferenciam um programa de tevê de um comercial. Embora, de acordo com a lei, as crianças não possam comprar um automóvel ou um celular, elas são abordadas diretamente pela publicidade como plenas consumidoras. Basta ver a quantidade de propagandas de celulares com crianças e as propagandas de carro em que pais pegam os filhos na escola.

Há muito tempo a publicidade percebeu que as crianças têm influência nas compras da família. Técnicas de venda, linguagem específica e fantasias são usadas para conquistar a atenção e a emoção das crianças. Que criança não quer um cereal extremamente açucarado para ficar mais próxima do tigre protetor e forte? Quantas meninas não querem ser magras, loiras e eternamente lindas como a boneca? O incentivo ao consumo também segrega as crianças, pois elas se sentem inferior ao coleguinha que tem o brinquedo da moda. Acreditam que sua mãe é malvada porque não permite que ele coma todas as guloseimas, como a mãe do comercial. Quais seriam os valores que a publicidade transmite?

Para saber mais:

Instituto Alana

Manifesto pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil

Encontro de Blogueiras no Dia das Crianças

Ontem fiz uma viagem bate-volta para participar do Encontro de Blogueiras promovido pelo Instituto Alana. A idéia geral era estreitar laços e ouvir nossas opiniões sobre consumo, alimentação, sustentabilidade, limites, publicidade e o encurtamento da infância.

O encontro foi excelente. Aprendi bastante e trouxe muito material para compartilhar no blog. Parabéns ao Instituto Alana por essa iniciativa e, um obrigada muito especial por terem me proporcionado a chance de conhecer blogueiras muito bacanas.

Aqui uma lista com os links de algumas blogueiras que estiveram presentes, com quem conversei mais:

Ana Claudia Bessa da Futuro do Presente

Cybele Meyer do Educa Já!

Renata e Kalu do Mamíferas

Mariana do Viciados em Colo

Carolina Pombo do What Mommy Needs

Lola do Escreva Lola Escreva

Renata Monteiro do Propaganut

Encontro de Blogueiras promovido pelo Instituto Alana. 12/10/2011