Adoro temporadas de prêmios pomposos do cinema americano. Porque cafonice é meu sobrenome.
Fiquei decepcionadíssima que Viola Davis não levou melhor atriz. Confira os vencedores. Quando vi a confirmação que Octavia Spencer era a melhor atriz coadjuvante sonhei com duas atrizes negras ganhando e abraçando a fofa Michelle Williams, que mal posso esperar para ver em 7 Dias com Marilyn. Deu a diva Meryl Streep na cabeça, que amo, mas minha torcida fanática era toda por Viola.
Achei que foi um prêmio bem democrático. Os prêmios foram distribuídos entre diversos filmes. Teve para Scorcese e para Spielberg. Até Madoninha levou um prêmio de melhor canção. Só não teve para a ruiva Jessica Chastain, que considero a diva revelação de 2011, mesmo detestando Árvore-da-Vida-Fez-A-Via-Láctea-Fez-Os-Dinossauros. Acho engraçado como prêmios de cinema não tem prêmio para revelações do ano. Na verdade, queria que tudo fosse como os tempos áureos do MTV Movie Awards e tivesse prêmio para melhor beijo, melhor cena de ação, coisa e tal.
Quem viu pela TNT sem tecla SAP, conferiu várias pérolas de Rubinho Edwald Filho, que viu quase todos seus favoritos perderem, menos o anão de Game Of Thrones.
“Esse aí, viggo mortensen, é um equívoco”
“Christopher Plummer é mais conhecido por A Noviça Rebelde, mas ele nem tava bem naquele filme”
“Christopher Plummer faz o papel de um velho…”. Cê jura? Achei que ele fazia papel de adolescente.
”olha aí a diane lane, todo mundo com quem falo gosta dela”. Mensagem subliminar: mas eu detesto.
”Michelle, faz a Marilyn muito bem, mas ela não faz uma imitação, até porque qualquer show de travesti tem uma imitação melhor”
”E essa aí é a brasileira. A brasileira que fez o filme que os ET’s vem a terra. A brasileira que é filha de jornalista”. Tradutora constrangida: ”E o nome da brasileira só para referência é Morena Baccarin”
Quentin Tarantino soltou sua lista de Melhores e Piores do Ano. Tô passada que Sucker Punch está em quase todas as listas de piores. Vai entrar na minha lista: Filme Que Todo Mundo Detesta e Eu Adoro, que já conta com Fonte da Vida e A Dama na Água.
Aguarda e confia, Viola! É nóis no Oscar. Cena do filme Histórias Cruzadas (2011)
Saiu a sequência abertura da versão cinematográfica de David Fincher para o primeiro livro da série Millenium: Os Homens Que Nâo Amavam As Mulheres.
Trent Reznor (um beijo no coração Nine Inch Nails) fez uma versão da inesquecível de Immigrant Song do Led Zeppelin e chamou Karen O (um beijo no coração Yeah Yeah Yeahs) para soltar a voz. Imperdível! Dica da querida Francine.
The Girl with the Dragon Tattoo Opening Titles from Onur Senturk on Vimeo.
Esse ano a galera que acompanho em blogs e twitter resolveu fazer algo diferente, cairam na farra dos memes. Teve o meme dos livros e depois o meme dos filmes. Pensei em participar, mas sempre rola uma preguiça básica. Porém, sou louca por cinema e decidi fazer o meme em um único post e só com os filmes que vi em 2011. Esse ano vi 48 filmes diferentes no cinema. Digo diferentes, porque é comum para mim ver um filme mais de uma vez no cinema. E assisti em vídeo dois clássicos que nunca tinha visto: A Malvada (1950) e Doze Homens e Uma Sentença (1957).
#Filme de 2011: Meia-noite em Paris. Adorei, chorei, gritei, cantei. Essas coisas ridículas todas. Levei todo mundo para ver. No total foram cinco idas ao cinema, sozinha ou acompanhada. Nem tenho o sonho de ir a Paris, mas é certamente meu tipo de filme. Simples, bonito, com boas piadas e mágica. Adoro filmes que contam histórias malucas e surreais com uma boa música. Leva meu prêmio de melhor diretor para Woody Allen. Escrevi sobre no LuluzinhaCamp.
#Melhor sequência inicial e melhor sequência final: X-Men First Class. Um dos melhores filmes do ano. Quando comecei a ler sobre ele pensei que iam fazer uma versão Crepúsculo de X-Men. Não botei a menor fé. Achei os trailers ruins e nunca gostei muito de James McAvoy. As críticas começaram a sair e eram ótimas. Corri para o cinema e fiquei felicíssima de ver meus queridos mutantes de volta. A essência da amizade entre Professor Xavier e Magneto está inteira lá. Leva meu prêmio de melhor ator para Michael Fassbender.
#Com o coração na boca (melhor suspense/terror): Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2. Ok, não é exatamente um terror ou um suspense, mas não houve outro filme em 2011 que tenha me deixado mais encolhida na cadeira e com os olhos vidrados em cada cena. Foi o fim de toda uma vida com a turma do barulho de Harry Potter. Me decepcionei um pouco com a cena em que Neville salva o dia, mas as cenas com o passado de Snape acabaram comigo. Um dos meus melhores filmes do ano. Leva meu prêmio de melhor falso vilão para Snape. Escrevi sobre no LuluzinhaCamp.
#Filme mais romântico: Frango com Ameixas. Em meio as correrias das minhas viagens a São Paulo, desci a Rua Augusta para ver Frango com Ameixas, na 35° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Um daqueles filmes para os quais pago o ingresso feliz, mais um filme maravilhoso de Marjane Satrapi. Um dos meus melhores filmes do ano. Escrevi sobre aqui.
#Melhor drama: A Pele Que Habito. Talvez esse filme estivesse melhor na categoria suspense/terror, mas Almodóvar para mim sempre será drama latino em todos os sentidos. Mesmo quando um cirurgião plástico possui psicopatias insanas. Um drama sobre morte e gênero. Até que ponto nos tornamos outras pessoas em condições extremas? Foi uma das perguntas que ficou em mim após o filme. Leva meu prêmio de melhor atriz para Marisa Paredes. Escrevi sobre aqui.
#Melhor Musical: Pearl Jam Twenty. Um documentário para fãs sobre os vinte anos da carreira do Pearl Jam. Porque “Alive” nunca fez tanto sentido.
#Melhor par romântico: José e Pilar. Bem no início de 2011 chegou o documentário sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Rio em meio ao lançamento do livro “A Viagem do Elefante”. Um filme maravilhoso, cheio de frases espirituosas e um amor único.
#Batendo Papo (melhor diálogo): Um Conto Chinês. O cinema argentino mostrando porque é melhor em tudo. E Ricardo Darín, sempre. Escrevi sobre aqui. E lembrei dessa propaganda sensacional de uma Mostra de Cinema Argentino em 2009.
#Melhor Horizonte (Fotografia inesquecível): Melancolia. Sou da turma que torce o nariz para Lars Von Trier. Porém, ele conseguiu fazer um filme sobre o fim do mundo bem otimista. Um filme que me surpreendeu, com uma fotografia de revista vogue. Escrevi sobre aqui.
#Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole: Jack Sparrow de Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas. Amo a franquia Piratas do Caribe. Sem mais.
#Brasileirão: Vips. Wagner Moura arrasa como um farsante em busca de si mesmo.
#Melhor Animação: Kung Fu Panda 2. Achei incrível ele não ter sido indicado ao Globo de Ouro. A história do pavão real e prepotente que volta para se vingar é incrível. Quase gritei na cena final e já coloque um bonequinho do panda num altar rezando para que façam o terceiro filme. Menção honrosa para Rio, que é divertidíssimo.
#O melhor Faroeste: Gato de Botas. Sei que esse ano vi um legítimo faroeste dos irmãos Coen, Bravura Indômita. Mas não tem como concorrer com meu amor pelo Gatito de Botas e Kitty Para Mansa. A melhor dupla de ladrões que o México já viu.
#Melhor comédia romântica: Enrolados. Apesar da dublagem mais medonha de todos os tempos, com Luciano Huck repetindo “Lôra” a cada três frases, a história de Rapunzel repaginada e a cena com o musical do vilões ganha o coração de todos.
#Melhor DR: Os 3. Uma das melhores surpresas do ano. Um filme deliciosamente safado que fala da amizade entre uma garota e dois rapazes que decidem morar juntos e criam um cotidiano de reality show. Escrevi sobre no LuluzinhaCamp.
#Unha e Carne (Melhor Amizade): O Discurso do Rei. Pode uma pessoa ser o melhor amigo de seu fonoaudiólogo excêntrico? Sim, se você for o Rei da Inglaterra. O filme que levou o Oscar vale muito mais pela amizade entre seus personagens do que pela história em si.
#Porrada (melhor cena de violência): Sucker Punch – Mundo Surreal. Mulheres chutando bundas, com uma trilha sonora fantástica. Não preciso de mais nada.
#Saída pela Esquerda (melhor sequência de perseguição): Cisne Negro. O momento em que a perseguição se intensifica dentro de Nina são os melhores momentos do filme. Até o ápice na estupenda transformação do cisne negro. Uma cena maravilhosa, que para mim sempre estará entre as grandes do cinema.
#Melhor Heroína: Ingrid Jonker de Borboletas Negras. Gosto muito de filmes sobre mulheres, quando li a sinopse deste senti que ia gostar muito. É a cinebiografia da poetisa sul-africana que lutou contra o apartheid. Escrevi sobre aqui.
#Personagem mais humano: Cesar de Planeta dos Macacos – A Origem. Os olhos de Cesar são inesquecíveis. O primeiro momento em que ele sobe nas árvores da floresta também.
#Melhor Personagem Inanimado: O Castor de Um Novo Despertar. Não deveria mencionar esse filme, porque qualquer coisa que Jodie Foster dirige eu adoro, mas nunca esperei que ela fosse me contar a história de um homem que para se livrar da loucura começa a conversar com um fantoche de castor. Impagável a cena em que ele chega no escritório. Ele, o castor.
#Melhor Documentário: As Canções. Haverá algum documentário ruim de Eduardo Coutinho? Aposto que não. Escrevi sobre aqui.
#Maior roubada cinematográfica: A Árvore da Vida. O resumo do roteiro é aquela música do Djavan: “tudo que Deus fez pensando em você, fez a via láctea, fez os dinossauros”. Arrastado, chatésimo, sonolento.
Ontem dei uma corrida no cinema para ver As Canções, o mais recente documentário de Eduardo Coutinho. Um documentarista que nunca me decepciona, porque busca sempre o humano, a memória e o sentimento por trás da vida de pessoas comuns.
Dos apartamentos de um prédio em Copacabana (“Edifício Master”), à religião (“Santo Forte”), à velhice (“O Fim e o Princípio”), aos sonhos de sindicalistas dos anos 70/80 (“Peões”) e ao próprio teatro (“Moscou”), muitos temas passaram pelo crivo de sua curiosidade, tão reveladora quanto respeitadora da intimidade. Um verdadeiro paradoxo, mas Coutinho é isso mesmo. A antítese do reality show.
As Canções compartilha conosco momentos e histórias de pessoas que tem suas vidas marcadas por uma música. Tem muito Roberto Carlos, mas também tem muito samba triste. E tem Retrato em Branco e Preto do Chico Buarque. A mistura de personagens que Coutinho faz é unica. Tem o morador do pé da favela, que só sai de casa antes de ouvir os tiros e que adora Jorge Ben. Tem a londrina que veio para o Brasil aprender capoeira e curou um grande amor com o desprezo ensinado em um samba. Tem o filho da costureira que nunca ouviu no rádio a música Esmeralda que sua mãe cantarolava e mesmo assim sabe cantá-la inteira. Tem muita história de amor, porque a música tem esse poder de simplificar um sentimento tão complexo em versos.
Em entrevista ao Cineweb, Eduardo Coutinho fala um pouco mais sobre seu processo de escolha dos personagens:
Os demais personagens foram escolhidos pelos métodos tradicionais do diretor, mediante anúncios de jornal e na internet que, segundo ele, “não funcionou”. Para este processo de seleção, o melhor resultado foi obtido pelo grupo de pesquisadores que se postou com uma placa onde se lia “você tem uma cantão importante na vida?” no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro. Por que funcionou melhor lá? Para Coutinho: “Porque é o centro da cidade, a cidade tem de tudo. Além de tudo, tem a vantagem de ser um largo muito grande, tem metrô ali, as pessoas param. O pessoal da pesquisa ficava com a placa lá e as pessoas vinham. Aí a regra era a pessoa dizer qual era a música e cantar ali mesmo. Se não soubesse a letra ou fosse péssima cantora, nem gravava. Daí ela dizia porque que a música era importante. Eu ia vendo e marcando.
No início do mês saiu nos jornais a notícia de que Sarah Sheeva, filha da cantora Baby do Brasil e de Pepeu Gomes. faz sucesso com o ‘Culto das Princesas’. Sarah é pastora evangélica e chega a comandar quase 3000 mulheres em seus cultos que pregam abstinência sexual e o fim do espírito da cachorrice. Sarah não está interessada nas cachorras, mas nas preparadas.
Quem sou eu para duvidar do poder de Deus se nem sei se acredito nele, não é mesmo? Então, é claro que acredito que Sarah possa ter deixado de ser ninfomaníaca graças a sua espiritualidade. Só não acho que isso é legal para todas as mulheres. Sempre acho muito bom experimentar bastante antes do casamento, abrir todas as possibilidades. Não que o casamento seja eterno, mas toda pegação será sempre justificada. Porém, isso também não é receita de felicidade. Há pessoas que casam virgens e são felizes. Mas o problema do ‘Culto das Princesas’ é justamente mostrar apenas uma única direção.
Por um lado é bom que o Culto das Princesas pregue que sexo é importante para o casamento, por outro, ninguém fala de prazer, mas apenas de sexo com o marido. Como uma obrigação. De acordo com a matéria da Folha de São Paulo:
Na parte final do culto, dedicada a perguntas, Sarah dá conselhos a uma senhora que quer saber se tem direito de recusar o marido sexualmente. “Vai na farmácia, compra um lubrificante e dá glória a Deus por ter um peru só para você em casa. Tem que dar valor”, responde Sarah. Risos e amém, em uníssono.
Cena do Filme Os 3
Fora que a mulher que não é princesa não tem valor. A mulher cachorra não pode ter um bom casamento, não pode ser feliz. Será mesmo? Até quando vamos separar as mulheres em duas categorias: santas x putas? Por que a cachorra, a funkeira não pode ser feliz? E pior, por que tem que haver pedágio para provar que se é uma princesa?
Do púlpito, com um laptop à frente, ela faz um apelo para o público feminino aderir à sua meta de santificação: ficar seis meses sem dar beijo na boca do namorado. É o pedágio para virar princesa e fazer o príncipe colocar a aliança no dedo. Depois, é festa. “Solteira diz não, casada diz sim”, prega. Casou pode tudo e muito mais. “Agora, sexo lá em casa é de manhã, de tarde e de noite. Voltei para casa uma princesa. Meu marido adorou”, diz Paloma Affonso, 24.
A preocupação está completamente voltada para o marido. Para arranjar um marido, para segurar o marido. Uma eterna vergonha de ser solteira, porque uma mulher sem um homem não tem valor, a menos que seja uma princesa esperando seu príncipe na mais profunda abstinência. Pensando nisso é um frescor ver estreando nos cinemas brasileiros um filme como ‘Os 3′.
‘Os 3′ conta a história de três amigos inseparáveis, dois homens e uma mulher, que durante a faculdade acabam vivenciando várias histórias entre si até o momento em que não é mais possível esconder o que há entre eles. E o que no início parece muito claro, no fim só prova que os limites existem para serem ultrapassados, para vivermos uma sexualidade plena, com novas possibilidades. Nesse sentido, ‘Os 3′ apresenta vários caminhos e novas formas de amar bem mais abrangentes e reais do que os contos de fadas.