Achei que Hollywood jamais daria um Oscar para um filme francês. Porém, O Artista só é um filme francês por algum erro de logística geográfica. Se houvesse um diretor extremamente criativo e amante do cinema mudo ele poderia ter sido feito por um americano. Porém, foi um francês quem notou que a ruptura existente entre o cinema mudo e o falado foi crucial não só para os espectadores, mas também para seus protagonistas.
O filme é uma delícia. Minha primeira referência de filmes antigos é Charlie Chaplin. Foi ótimo relembrar a estrutura, a narrativa e a fotografia desse tipo de filme. É pura nostalgia, mas também uma história cativante, entre um ator em decadência e uma estrela em ascensão. Dois mundos opostos que se cruzam por causa de uma pinta. Pode não ser um filme que arrebata multidões, mas é daquele tipo que dá um calor no coração.
Não sei como as fashionistas ainda não começaram a usar os chapéus dos anos 20. Peppy Miller usa e abusa dos chapéus mais lindos que já vi. Berenice Bejo é lindíssima, praticamente saída diretamente dos anos 20. Close na cena em que ela consegue seu primeiro papel, passos de dança divertidíssimos que eu adoraria repetir todos os dias. Há também a cena com o paletó, maravilhosa.
Jean Dujardin mostra várias facetas com seus diversos bigodes e tem nos presenteado com ótimas aparições, seja imitando os passos de Tony Manero ou fazendo audições para papéis de vilões em grandes blockbusters (obrigada pela dica, Patricia Scarpin), afinal todo ator estrangeiro quando chega a Hollywood faz papel de um vilão bem estereotipado.
O cãozinho Uggie merece todos os elogios possíveis. E rola aqueles momentos em que você grita: “Gente, o chofer é o pai do Babe, o porquinho”; “Gente, o cara é o piradão do Laranja Mecânica”; “Gente, o Fred Flintstone!”.
Até assistir O Artista apostava todas as minhas fichas do Oscar em Os Descendentes, mas o show tem que continuar.




