Pina

Talvez o maior beneficiado com o 3D seja mesmo o documentário. Desde o início sabia que ia amar Pina. Mas foi bem mais do que esperava. O impacto visual do efeito 3D em cima das coreografias ritmadas e fisicamente extenuantes de Pina Bausch deixa-nos inquietos na cadeira. Falta espaço para tanto desejo de revelar-se.

O filme começa com a Sagração da Primavera. E é tipo: uau! A terra, os corpos, a intensidade. Ainda teremos Cafe Müller e suas cadeiras, a água e a pedra de Lua Cheia, entre outras. Todas maravilhosas. Fora que é fantástica a ideia de Win Wenders de reproduzir as coreografias em lugares inusitados pela cidade. Assim como o monotrilho alemão passeia pela cidade, nós também passeamos pelo trabalho, pelas pessoas e pela vida de Pina Bausch. É o tipo de filme que nem tenho muito o que falar, porque é preciso vê-lo.

As danças entre os casais são minhas coreografias prediletas. Os figurinos são todos maravilhosos. A mais + é essa:

Obrigada, Pina e Win.

Shame

Achei estranho que Shame tenha saído no Brasil sem nenhuma tradução ou complemento ao título. “Vergonha” não seria uma palavra para definí-lo. Talvez pudesse ser chamado de “Discrição”.

Como vi em várias críticas, Shame é um filme fetiche. Não por falar sobre sexo, mas pela maneira como a câmera persegue Michael Fassbender. Inclusive seu tão comentado atributo, que aumenta a simpatia que tínhamos pelo jovem Magneto. E, dizem as más línguas, custou sua indicação para o Oscar. Porque Hollywood não quer nenhum pênis desligando o despertador por aí.

Brandon é um homem viciado em sexo. Porém, ele poderia ser nosso colega de trabalho e nunca desconfiaríamos. A única vez em que Brandon é “pego” socialmente, acontece quando descobrem que seu computador do trabalho é atolado de todo tipo de pornografia que se possa imaginar. Fora isso, não notaríamos nada demais. Brandon sai para o happy hour depois do trabalho. Come ovos pela manhã. Gosta de correr. Assiste desenhos animados antigos. Marca jantares com mulheres em restaurantes bacanas.

Inclusive, para um viciado em sexo, a única coisa que talvez exista de chata na vida de Brandon é o fato de se masturbar no banheiro do trabalho. As cenas de sexo não são mostradas de forma mecânica. Brandon passeia por vários fetiches: sexo em local público, sexo em motel com uma linda vista, sexo à três, sexo no dark roon da boate gay. Brandon parece sempre estar curtindo tudo. Talvez eu seja mesmo uma moralista que imagine a vida de uma pessoa viciada em sexo como um pornô fake sem fim.

A vida de Brandon só é abalada com a chegada de sua irmã, Sissy. Vivida pela adorável Carey Mulligan. O não gostou da cena do bar, em que ela canta New York, New York. Para mim a cena faz todo sentido. Ela existe para nos aproximar de Sissy e não vê-la apenas como a irmã maluca que usa chapéus. Ela é uma pessoa talentosa, tem estilo e talvez esteja mesmo ganhando algum dinheiro. Fora que a cena é catalisadora do desentendimento entre os irmãos, o turning point da história.

Dou três estrelas para Shame. Não é péssimo, mas também não é um filme memorável. Confesso que esperava mais. Há longos planos, cenas que se estendem muito além do que deveriam. Não achei que a atuação de Fassbender foi tão marcante, já o vimos bem mais sedutor em Bastardos Inglórios. Brandon é suave. Arrisca tentativas de mudança, mas talvez nos dias de hoje, pareça normal até demais com seu computador sempre ligado para a stripper dizer: “eu sei o que Brandon gosta”. O final de Sissy acaba sendo bem óbvio também. Talvez seja mesmo isso, o sexo está tão óbvio nos dias atuais que não nos surpreendemos com Brandon, ele é comum até demais.

Eu poderia estar apresentando um programa de sexo na MTV, mas preferi estar fazendo sexo. Shame (2011)

Albert Nobbs

Sou dessas que torce para atriz negra sempre ganhar o Oscar. Se o prêmio não premia os melhores do ano, então também posso ter minhas idiossincrasias. Estava bem feliz que Victoria Spencer levou por Histórias Cruzadas. Até que semana passada fui assistir Albert Nobbs.

E aí, vai encarar? Albert Nobbs (2011)

É um filme super triste. Porém, não há aquele maniqueísmo que nos faz chorar. Eu, que sempre choro vendo novela, não derramei uma gota. Albert Nobbs pode ser considerado um dos personagens mais tristes da história do cinema. Lembrando que o Troféu-Lágrimas-Sem-Fim é de Bjork naquele filme do Lars Von Trier, que me recuso a procurar o nome para não chorar. Como sempre não vou conseguir explanar toda a questão que envolve o ato de se travestir no filme e o simbolismo que isso carrega. Tem sido um início de ano com neurônios bem preguiçosos e falta de tempo.

Glenn Close parece mesmo ter tentado sua grande chance de conseguir a estatueta do Oscar. Outro dia perguntei no twitter quem ganhou no ano em que Glenn foi a maravilhosa Marquesa em Ligações Perigosas e me avisaram que quem levou em 1988 foi Jodie Foster por Acusados. Realmente, não tinha para ninguém. É visível o detalhismo e o belo trabalho de Glenn ao dar vida a Albert Nobbs, uma mulher que finge há anos ser um homem. Sua história é muito delicada e a cena com os vestidos é sensacional. Porém, o personagem de Glenn é extremamente contido, introspectivo, tem diversos receios e em seu caminho aparece Hubert Page.

Janet McTeer rouba o filme inteiro em cada aparição, em cada andar, em cada cigarro no canto da boca, em cada arrumada do suspensório. Ela é um assombro em cada cena. O problema é que a história do casalzinho Alice-No-País-das-Maravilhsas e -Menino-do-Kickass é chatésima e a própria história de Albert fica em segundo plano quando conhecemos Hubert Page. Agora é torcer para que Janet ganhe boas chances em outros filmes. Albert Nobbs merece ser visto em grande parte por sua atuação. A cena final com Janet é muito boa.

Drive

Eu sou o passageiro, eu rodo sem parar. Drive (2011)

Eu achava que sabia o que estava me esperando quando fui assistir Drive. Esperava Ryan Gosling e algo próximo de Namorados Para Sempre. Não podia estar mais errada. Drive é um filme ação. Um dos melhores filmes de ação feitos atualmente. Algo na linha do ótimo Marcas da Violência.

Tudo no filme exala o quanto ele é cult. Porém, isso não o desmerece, apenas o deixa mais saboroso. Um Batman com uma jaqueta de escorpião, a qual ele não tira nunca, nem quando está completamente imunda. Um herói anônimo, sem passado, que aparece para nos lembrar que há pessoas boas, mas que até elas dependem da sorte. Acho que 90% das cenas de Drive tornam-se antológicas por alguma razão. A máscara de dublê, o carro de corrida, o palito de dente, o momento em que carrega Benicio no colo pelo corredor, a cena do elevador, a bala na testa, a navalha, a ruiva, o relógio no volante, os carros. Dirigir parece ser a única coisa que o faz esquecer.

Uma trilha sonora que massacra, presente de uma maneira que há muito não víamos. Drive arrebata com seu herói sem nome e sem rumo. Enfrentando uma violência sincera, pequena, mesquinha e medrosa. Apesar de ter muito estilo, Drive é sobre a vida ordinária de uma Los Angeles criminosa, que aproxima o cinema da sua fantasia.

Fora que a gente sempre pode gritar: Gente, a secretária do Mad Men! Gente, Hellboy!

E a melhor notícia de todas, Ryan Golisng ainda tem tudo para nos surpreender cada vez mais e gerar mais tumblrs como:  Feminist Ryan Gosling e Is Ryan Gosling cuter than a puppy?

Pitacos do Uóscar

Hello, I'm Tilda Swinton, a feiticeira branca flambática de Nárnia. O Uóscar me despreza, mas o Bafta sempre me dá alegrias.

#1. Acho que nunca houve uma festa tão chata. Não sei o que deu nas pessoas  que não gostaram daquele ano em que Hugh Jackman apresentou. O homem é lindo, canta, dança, sapateia, tem garras de Adamantium. Melhor Oscar ever. Mas aí sempre temos que voltar para Billy Cristal. Billy, quem é você na night desde Harry & Sally?

#2. Cris Rock, tem como não amar? Melhor texto da noite. Tô super curiosa com o novo filme dele, dirigido pela Julie Delpy.

#3. Amo Meryl Streep. Quem não ama essa mulher maravilhosa? Mas concordo com o Jezebel, Meryl Streep foi a escolha confortável. Agora ela tem mais oscar’s de melhor atriz que todas as atrizes negras do mundo. O que reflete em grande parte o perfil do eleitor majoritário: homem, branco, com aproximadamente 62 anos.

#4. Oh Girl, Ryan Seacrest Just Loves Those Dresses.

 #5. Oficialmente, todos os memes da internet serão sobre a perna direita de Angelina Jolie. Lembrando que o Brasil é pioneiro nessa prática com Xuxa is all around.