Fora do Figurino – As Medidas do Jeitinho Brasileiro

Está em circuito pequeno nos cinemas brasileiros o documentário: “Fora do Figurino – As Medidas do Jeitinho Brasileiro”.

O documentário fala sobre a falta de medidas padrão no Brasil. Nunca houve um estudo antropométrico nacional para saber qual a média de altura da brasileira ou do  brasileiro, qual a largura das costas, qual o tamanho do pé ou quais as dimensões dos pênis brasileiros. A consequência principal disso vemos diariamente. A roupa tamanho 40 que cabe em uma loja, na outra não cabe. A conclusão é que a grande maioria das pessoas apela para uma costureira ou alfaiate quando precisa usar roupas complicadas de encontrar caimento, como roupas sociais.

O bacana do filme é que no início parece que vai ficar restrito a questão do vestuário e dos calçados, mas vai bem além. Mostra os perigos da falta de opções e das padronizações do EPI – Equipamento de Proteção Individual, muito utilizado em canteiros de obras, por exemplo. O uso é obrigatório, podendo acarretar até demissão por justa causa, mas os equipamenteos (capacetes, cintos, luvas, etc) são extremamente desconfortáveis, pois a grande maioria segue um tamanho único. Não há capacete de obra nos tamanhos P, M ou G. É possível ajustar o modelo atráves de tiras, mas a ergonomia é zero.

Outro momento muito bom é que ao tratar da falta de padrão nos tamanhos de preservativos, as entrevistadas são profissionais do sexo, mulheres, travestis e transexuais. Uma delas explica que o preservativo distribuído pelo Ministério da Saúde é muito desconfortável para a maioria dos clientes, pois só é distribuído em dois tamanhos: 47mm e 52mm. E todas citam os perigos de utilizar um preservativo de maneira errada: é mais fácil estourar, o cliente não se sente confortável e tende a não querer usar, o que coloca em risco a vida dessas profissionais. Várias dizem levar diferentes marcas de preservativos na bolsa e escolhem qual vão usar dependendo das características do pênis do cliente.

O filme também fala das diversas tentativas frustradas de se realizar um estudo antropométrico no Brasil e das pequenas iniciativas que estão sendo realizadas no momento, todas dentro de um universo restrito, como por exemplo, a análise apenas de pessoas adultas da região sudeste ou apenas de índios de uma determinada região amazônica. Mostra também como é a realidade nos Estados Unidos, onde os estudos antropométricos são feitos há vários anos e possuem mudanças constantes.

Outro ponto positivo é a diversidade de rostos, etnias e pessoas que aparecem dando depoimentos. A estrutura do documentário é clássica, com entrevistas e a duração é boa, 1h e 13m. Uma ótima opção para quem quiser sair do circuito ficção.