Dicas para escrever cartas de amor.

Os posts mais bombados deste bloguxo são sobre cartas de amor. Continuam chegando muitos incautos atrás do tema e vez por outra recebo pedidos de dicas por e-mail. Sempre escrevi cartas de amor, recomendo como prática para toda vida. Ter blog ajuda, pode-se escrever cartas de amor egocentricamente. Atualmente os meios para entregá-las são os mais diversos e isso facilita a comunicação, mas exige cautela. Ele recebe bilhetes por sms, directs e segredos de liquidificador. Não todo momento, não toda hora, mas sempre que acende, quando fica tudo assim tão claro. tudo brilhando em mim. As dicas que darei são para qualquer pessoa, porém o importante é que cada um escreva suas próprias cartas, amando ou não, pois escrever é sempre um exercício, assim como amar.

1. O amor é a Joelma usando vestido de oncinha dourado com salto de acrílico. Ele é extremamente brega, cafona, Reginaldo Róssico e afins. E não é preciso ter vergonha disso. Se seu amor quer combinar um terno roxo com uma calça xadrez metalizada, deixe-o ser feliz, mas não sufoque a pessoa amada. Entregue isso aos papéis ou um editor de texto. Escreva com hipérboles, metáforas e qualquer outro exagero, descarregue. Mas saiba que não há muito a fazer, se quiser beijar o final da carta com um batom vermelho, faça. Se quiser comprar um cartão gigante em forma de coração, compre. Tenha consciência que nem sempre vai dar certo, mas será possível rir depois, de preferência juntos.

2. Deixe-se amar. Você pode fazer joguinhos, contar x dias para ligar, ignorar só um pouquinho na hora do lanche, mas não tente negar, não espere que o brilho de seu olhar seja traidor. Encha o pulmão, respire fundo e sinta essa pequena taquicardia quando o ser amado chega perto. Permita-se entrar na dança naturalmente, respeitando o momento de cada um. Faça coisas especiais, pense em presentes como: qual o sabor de bala chita preferido dela? Será que ela já assistiu o novo do Woody Allen? Será que ela vai rir ao ler uma notícia sobre um pônei bêbado? Observe e sinta. Mesmo que a coisa não vá adiante, sinta esse calor no peito, isso nos faz amadurecer e compreender que o amor está dentro de nós. A verdadeira liberdade não está no fato de viver o amor, mas sim de se permitir vivê-lo, pelo instante que for.

3. Pense nos bibelôs que te fazem amar. Nesses anos de vida amorosa, aprendi que o que as pessoas mais gostam de ouvir são pequenitudes, são aquelas coisitas que nos tornam únicos e especiais. É um olhinho estrábico, um lábio leporino, um umbiguinho saltado, um cheirinho no suvaco, uma pinta na bunda, todas essas pequenas características que combinadas nos fazem ser únicos. Pense nas pequenas coisas que a pessoa amada faz, na maneira como ela come melancia, no jeito que ela se aninha no seu peito, na gargalhada de porquinho, nas gírias, no cabelo bagunçado, nas carinhas do dia a dia. Escreva o quanto você ama viver ao lado dessas pequenas excentricidades. Porém, dependendo da área descrita não deve-se ser tão miguxo. E se vocês forem do tipo tarados seja explícito sobre o que gosta e o que quer fazer. Pense bem se a pessoa prefere mordidas ou beijos.

4. Procure boas flores. Ao escrever é preciso inspirar-se. Leia bons livros, poesias, veja filmes e observe casais. O amor é delicado e frágil, apesar de sua cafonice, mas não precisa ser sempre atormentado como os sofrimentos do Jovem Emo. Pegue o sentimento, trate-o com carinho e procure descobrir quais as maneiras que a outra pessoa gosta de enxergá-lo, para isso basta observar suas atitudes durante um filme ou seu gosto para músicas. Além de serem fontes, são também ser bons elementos para uma conversa, para trocas e admirações. Observe letras de música e poesias, tente encaixa-las em momentos especiais. Se a sintonia entre os dois existir, a pessoa verá a intenção mesmo que a música seja triste. Escrever para amigos queridos também é uma ótima forma de exercitar a escrita e se desafogar das tormentas da paixão.

5. Paciência. As palavras talvez não venham num instante, então, paciência. Não existem cartas de amor perfeitas, talvez a outra pessoa não leia com atenção, talvez esteja em outro momento, talvez não esteja afim. Estamos falando de amor, então, paciência. Não sufoque, não se afobe, esta não é sua última chance de amar, não é sua última carta de amor, e espero que você nunca saiba quando será a última. Se tudo estiver no início, escreva uma carta verdadeira, mas não a peça em casamento. Se quiser pedi-la em casamento, tenha absoluta certeza do que está fazendo. Não minta, não fuja, não diga algo e depois se esconda. Tenha paciência com você se estiver confuso, respire fundo. E tenha paciência com o outro se não for correspondido instantaneamente. Então, seja apenas sincero com seus sentimentos ao escrever.

6. Quem ama quer o outro feliz. Quem ama não mata. Quem ama não enxerga o outro como posse. Quem ama cuida. E quem ama quer que o outro seja feliz, mesmo que com outra pessoa. Sim, é meio absurdo e é claro que você não precisa dizer isso numa carta, mas deixe o final em aberto para que a outra pessoa possa sacar de lá. Para que cada um coloque um novo elemento e comece a se sentir a vontade nessa dança. Amar não é impor, é simplesmente buscar uma sintonia em comum, é acreditar em coisas mágicas e inexplicáveis. É perdoar e saber o que é melhor para si, para não se magoar. Amar também pode ser aquela química sexual healing, mas aí você não vai precisar de uma carta, mas sim de uma boa pegada.

# E já que você ama, diga: Não a Homofobia! Assinando a petição online. Vamos lutar para que todos possam amar, sempre! E para que ninguém nos limite, pois consideramos justa toda forma de amor.

Reprises de cartas de amor.

Antes do vale a pena ver de novo, #recadinhos:

#E você, garota esperta, já se inscreveu no Luluzinha Camp? Eu vou!

#E por que você não aproveita e vota nos Bichinhos de Jardim para a Clara Gomes ganhar um concurso bacana?

#E pára tudo! Pára o mundo que eu quero descer e comprar essa cadeira havaiana!

(24.07.2005) - To justify my love.

Dearest Love,

Você já reparou como o amor em si é realmente uma coisa brega? O amor belo e admirável é aquele que impulsiona atitudes altruístas. O amor, aquele amorzinho xameguento, é desprovido de senso de ridículo. É um par de narizes se esbarrando, são olhinhos faiscantes e aqueles beijinhos estalados. Deve ter algo a ver com nossos instintos, algo prematuro, onde a linguagem fica reduzida a uma série de grunhidos e músicas que farão parte da coletânea Love Songs 235.

O meu amor é assim de um jeito meio rebelde metido. Ele usa topete à lá Elvis Presley e gosta de kilts escoceses. É treinado para dar cambalhotas e fingir de morto, mas adora fugir e não cumprir com suas tarefas diárias. Dá boletins detalhados alertando sobre a minha falta de bom gosto. Fica zangado por eu entregá-lo a qualquer um, sem nem mesmo pensar se a pessoa merece ou não. Mas no fundo gosta, porque sabe que vai passar dias ouvindo The Smiths.

Mi amor hablas español. E tem um quê de cowboy, daqueles que andam solitários pelo deserto, de perna aberta e com aquela bola de feno rolando no fundo da cena. Mas meu amor gosta de Bon Jovi e é apaixonado pelo ossinho da minha canela. E se ele é cowboy e fala espanhol, provavelmente tem um bigode. E quando pergunto por quê? Ele levanta uma das sobrancelhas pretas e diz: “Há amores inexplicáveis, babe. E há outros que as novelas inventaram. Mas você me pegou para criar, então se vira”.

With love, Bia.

(19.01.2006) – Possibilidades.

Outro dia recebi uma coisa, uma possibilidade de amor. Foi-me entregue assim, como um panfleto desses que pego no trânsito. Distraída até achei graça, entregou e disse: faça o que quiser com isto. Deixei ali dentro da bolsa. Passou uns dias, mesmo sinal, mesma oferta: é sina de inteligência te amar. E eu não tinha coragem de jogar fora, era tão bonitinho, podia pregá-lo no quadro de cortiça ou na geladeira. Gosto de ler panfletos que me entregam na rua, mesmo sabendo que a possibilidade de que eu escolha meu plano de saúde por um papel que me foi entregue por uma moça com colete laranja seja nula. Mas quando se trata de amor aí a coisa muda. Eu posso agradecer e devolvê-lo, mas… talvez minha cordialidade me impele a fazer uma troca e também oferecer algo àquele que me olha por entre os dedos nervosos que passeiam em meu cabelo. Poderia oferecer um bolinho, mas não sei cozinhar. Sei que não existem amores iguais e este não é do tipo chapinha de cerâmica. É um amor que demanda duas vidas em trânsito. O futuro aberto para silêncios e fragmentos sem promessas. Pelo tempo que durar assim sempre será, duas vidas se transformando em uma durante os intervalos do equinócio de verão. Talvez com alguma pressa eu chame isso de amor. Mas a verdade é que já o recebi com tal nome preso na etiqueta e esqueci de pensar se haveria palavra melhor para definir isso.

Dia dos Namorados: Cartas de Amor II – A missão.

@ Aviso à você, leitor do Groselha News, este blog é escrito por uma equipe que enfeita a mesa de trabalho com coraçõezinhos, que adora os programas “Love Songs” da rádio, que sempre chora em casamentos e que espera o próximo grande casal da novela das oito. Desejo que você esteja apaixonado neste momento, fazendo mil loucuras e sabendo que isso só vai dar merda no final. Porque poucas vezes na vida somos tão espontâneos e encantadoramente insanos. Feliz Dia dos Namorados!

O ideal seria que as pessoas escrevessem suas próprias cartas de amor, mas todos os dias chegam incautos pedindo todos os tipos de cartas. Então, procurando atender alguns pedidos, produzimos bilhetes de amor para serem deixados embaixo de portas, dentro de cadernos, bolsas, xícaras e afins.

#Carta de amor para Ermengarda de Holanda Braga: Se só quando formos dois, eu então serei um. Apenas para amá-la por todo sempre e por toda a plenitude que não é possível mensurar em meu peito. E para tê-la sempre em meus braços, revirarei as noites e até mesmo os acasos, levando para longe tudo que não serve como laço do nosso imenso e grandioso amor. Amo-te por todo sempre. Amar-te-la-ei por toda vida.

#Carta de amor para o Namoraduxo: Ktinho, voxê é tududibom! Tiamo di muitão.

#Carta de amor para seu pedaço de fetiche: Quando um dia acordar e perceber, ao olhar minhas pálpebras cerradas, que por estranha razão algo a impede de sair do meu lado, saibas que isso não é doença e nem mesmo algo que comeu. Suas pernas e braços só estão amarrados porque eu a dopei na noite anterior. Continue olhando antes que eu tenha que vendar seus olhos, talvez você perceba que não é o amor que mostra o que realmente somos por dentro, o nome disso é raio-x. Amor é outra coisa que você esqueceu de me dar, e eu até me lembro.

#Carta de amor evangélica: Jesus te ama, e eu também. Segura na minha mão e vem!

#Para Ele: Nesses dias tão agitados com as finais dos torneios de futebol você não deve perceber, mas todos os dias o primeiro beijo depois de escovar os dentes é para você. Desisti de decifrar suas reais intenções, suas verdades indisfarçáveis, sua tecla foda-se sempre em mode on. Há outros caras, outras vidas e meses sem nos falarmos. Mas todos os dias ainda há você.

#Para meu sonho eterno de Valentine’s Day: Se algum dia eu descobrir como um Mar pôde unir duas pessoas que moram em cidades sem mar, acabou-se todo o mistério que nos pertence. Só é possível te amar.

@ E para você que anda desiludido, um top 10 com Guys & Girls pelos quais vale a pena se apaixonar. Pois nunca limite suas chances de ser feliz:

Filipe (Meu sonho de consumo!) do Displicência;

Sagesse (Poderosa!) do Eu sei… mas não devia;

Azrael (Gato!) do Res non Verba;

Vento (Divina!) do Apenas ser;

Mariana (Glamourosa!) do Vontade;

Zé Offline (Comprometido!) do Parodiando o mundo online;

Julia (Vitaminada!) do Diálogos a sós;

Jésika (Purpurinada!) do Amor e outros desastres;

Darwin (Hello, ele inventou a seleção natural!) do Letras Ajuntadas;

Fred (Mr. Tangerine Man) do Quem matou a tangerina?

@ E se alguém se sentir à vontade, conte-me histórias de amor nos comentários. Adoro-as!