E aconteceu mais um Luluzinha Camp!!! Muitas mulheres sairam de casa para se encontrar, conversar e rir. Dessa vez o evento ocorreu simultaneamente em três cidades: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Foi o terceiro encontro aqui em Brasília e tivemos muitas novatas participando. Foi uma ótima tarde com uma esticada num restaurante de comida japonesa. Para ver fotos dos 3 encontros, visite o grupo no Flickr.
#Feminino e Feminismo
Passado o Dia Internacional da Mulher, é hora de provocarmos mais discussões sobre o assunto. Minha principal curiosidade é saber como o movimento feminista está sendo visto pelas mulheres. Acredito que haja muito pré-conceito e falta de identificação. Por outro lado, as mulheres ainda não conquistaram igualdade de direitos reais, nem representatividade no governo. Ainda existem inúmeros casos de violência física e moral, e temas importantes como a questão do aborto. O feminismo não pode acabar, assim como o machismo ainda não acabou. Porém, é um movimento que precisa se reaproximar de seu público.
Na Revista Veja do dia 25/02/2009 saiu uma entrevista com Camille Paglia. Entre as perguntas haviam duas sobre feminismo:
#Tantos anos de pós-feminismo e as mulheres parecem continuar a viver em conflito diante de seus diversos papéis. Há solução à vista?
Não. É um dilema terrível quando as mulheres aspiram a ter filhos e carreira. E é um dilema que não afeta os homens. Não por uma questão de discriminação da sociedade, mas simplesmente porque a natureza escolheu deixar o enorme fardo da gravidez para as mulheres. Vemos nos tempos modernos uma evolução da antiga família ampliada, da grande família tribal, em que diferentes gerações viviam juntas, rumo ao modelo em que as pessoas vivem isoladas em famílias nucleares, seja mãe, pai e filho, seja mãe divorciada e filho ou mãe solteira e filho. Isso põe as mulheres sob enorme pressão para fazer coisas que antigamente eram feitas pelas parentes. Antigamente, no interior, quando uma jovem ficava grávida, ela não fazia nada. As mulheres mais velhas a dominavam e ficavam dizendo “Vá descansar, saia da cozinha. O filho que você leva aí dentro é o nosso sangue”. Hoje, quanto mais bem-sucedida a mulher, mais distante ela está desse modelo comunal. Ela vive louca atrás de babá, empregada, enfermeira. Consequentemente, sofre um nível de intensidade nervosa e de exaustão sem precedentes na história. Alguém se lembra de ter tido uma avó agitada?
#As mulheres perdem com isso?
Claro. A feminilidade americana hoje é estressada, é louca, é “superconceituada”. Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays. O máximo que uma mulher jovem e bem colocada na carreira tem a oferecer é uma instigante conversa sobre trabalho ou um empolgante almoço de negócios. É um tédio conversar com elas. Aliás, estou cansada de falar dessas mulheres. Vamos falar mais da Daniela Mercury?
Ainda não sei o que Daniela Mercury despertou em Camille, mas milhares de perguntas pulam: Seriam as mulheres as principais culpadas da sua vitimização? É mesmo impossível ter filhos, carreira, ser linda e boa de cama? Até que ponto buscamos a perfeição inalcançável? Ser feminista significa ser anti-feminina?
Para início de conversa recomendo alguns blogs:
Cynthia Semiramis e seus itens compartilhados
Voltamos logo após os intervalos da vida atribulada.