Meus 7 Links

A queridíssima Lucia Freitas me convidou para uma blogagem coletiva: Meus 7 links. Confesso que morro de preguiça dessas brincadeiras, mas a Lucia Joaninha é uma pessoa tão incrível na minha vida internética que não posso deixar passar. Decidi restringir essa lista aos posts de 2011, porque tenho uma memória péssima e escrevi muito durante esse ano, em diferentes blogs. Então, vamos lá:

Feira Livre de Links. Foto de Luiz Fernando Reis no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

#Meu Post + Bonito: O Amor, esse romântico.

É uma colaboração com Luciana Nepomuceno, uma borboleta que tem o sentimento e o humano na ponta dos dedos. Os textos da Lu são tão belos, uma poesia em prosa, que foi um imenso prazer escrever com ela sobre o amor. Menção honrosa para meu post sobre a morte de Amy Winehouse: O delineador nunca mais será o mesmo.

#Meu Post + Popular: Quem Nunca?

O post mais popular do blog em 2011 é o primeiro post sobre a Revista Nova e que deu origem as Sextas de Nova. Eu e alguns amigos estávamos no buteco comendo, rindo e criando piadas sobre a matéria: 30 manobras sexuais extra hot (sem usar as mãos); publicada na Nova e que bombou durante a tarde no twitter, quando Ric Ricardo pediu: Bia, publica! E deu no que deu, o post foi um sucesso, decidi criar as Sextas de Nova e fiz a alegria das amigas-companheiras-enlouquecedoras-de-homens.

#Meu Post que gerou mais discussão/controvérsia: Às Mulheres Que Não Querem Direitos Iguais

A Revista Marie Claire fez uma campanha com declarações de leitoras em que uma delas dizia: “Eu não quero direitos iguais. Eu quero que ele pague a conta”. Cansada de ver as pessoas sempre dizendo que o feminismo acabou com a gentileza, decidi escrever sobre o assunto e como os direitos das mulheres são conquistas recentes historicamente. O post tem muitos comentários e até hoje recebe muitas visitas. Durante o ano ainda escrevi mais dois posts falando sobre o mesmo assunto: Quem paga a conta? e Sobre Gentileza.

#Meu Post que ajudou/ajuda mais gente: Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas.

Durante todo ano, em vários blogs, a questão do emprego doméstico foi discutida e, é possível ver que ainda há muito preconceito e desinformação sobre o tema. Nesse post pesquisei diversos dados e informações sobre a situação atual. Várias pessoas agradeceram, principalmente por email. Foi importante participar desse debate que é crucial para a vida de tantas mulheres. Outro post desse ano sobre o assunto é: A Vida Sem Empregada.

#Meu Post que o sucesso surpreendeu: Estupro, nos dos outros, é refresco.

Em meio a polêmica sobre a frase de um comediante sobre estupro e mulheres feias, escrevi sobre o humor, violência contra a mulher e conservadorismo. A repercussão do post foi grande e hoje ele é um dos mais populares do blog.

#Meu Post que não recebeu a atenção que deveria: Mulheres e Discriminação Salarial.

Para tentar trazer novos dados e ampliar a discussão sobre salários e gênero no país, pesquisei informações sobre licença-maternidade, valorização do trabalho e artigos do IPEA sobre a discriminação de gênero e raça. Entretanto, as pesosas continuam dizendo que as mulheres ganham menos porque são fofoqueiras e tem TPM. Outro que teve pouca repercussão é Consumo e Publicidade Feminina. A discussão em relação a propaganda da Hope com Gisele Bundchen foi bem rasa e faltou falar mais sobre regulamentação da publicidade e economia baseada no consumo.

#Meu Post que tenho mais orgulho: O Nascimento da Mulher.

A história de Joicy, contada por Fabiana Moraes no Jornal do Comércio em Pernambuco, é uma das grandes histórias do ano. Por meio desse post fui contactada pela Fabiana, tive acesso a mais informações e pude ajudar uma pessoa muito especial. Alguns transexuais e transgêneros foram pessoas muito especiais para mim em 2011. Suas questões e demandas nos ajudam a repensar diversos conceitos e lutar cada vez mais contra o preconceito.

Quem cuida do seu coração?

Quantas músicas de partir o coração existem? Quantos cacos são formados quando um coração é partido? Quando uma mulher chora solitária, no chão do banheiro, o fim de um amor, quantas batidas existem na dor?

O coração é, provavelmente, o mais poético dos órgãos vitais. E, infelizmente, a vida urbana nas grandes cidades não tem facilitado a saúde dos corações, especialmente os femininos. Os homens sempre foram o principal grupo de risco para problemas cardiovasculares. Porém, mudanças de hábitos alimentares, sedentarismo, stress e o uso de pílulas anticoncepcionais fazem com que as mulheres corram os mesmos riscos de enfrentar doenças cardíacas.

A campanha “O que mais existe por trás de um biquíni?” quer alertar as brasileiras para os cuidados com seus corações. Protegê-los de um bad romance é fundamental, mas também é importante fazer exames períodicos e checar como andam frequências de batimentos, artérias, coronárias e músculos cardíacos. Importante ressaltar que doenças cardiovasculares são silenciosas e têm consequências permanentes, após a descoberta o tratamento é para o resto da vida. A campanha é mundial e faz parte de uma iniciativa da ONU para combate e prevenção às doenças crônicas não transmissíveis.

Seja Rosa contra o câncer de mamaOs dados:

  • No mundo, as doenças cardiovasculares são a maior causa de mortes entre as mulheres: 8 milhões todo ano. Sim, é mais que o câncer de mama;
  • O infarto mata mais mulheres que homens;
  • Entre as brasileiras, 1 em cada 5 mulheres corre risco de desenvolver doenças cardiovasculares;
  • Os sintomas são diferentes nas mulheres. À beira de um infarto, sentimos náusea, fraqueza, dores gástricas e falta de ar – sintomas que podem ser confundidos com outras doenças.

Prevenção e tratamento:

  • Histórico familiar – quem tem cardíacos na família tem mais chances;
  • Depois do 40, visite o cardiologista;
  • No climatério e após a menopausa é hora de redobrar os cuidados. Sim, os nossos hormônios nos protegem, porque deixam os vasos mais flexíveis e saudáveis. Quando eles saem de cena, a coisa complica.
  • Pouco sal e açúcar – todo cuidado com os industrializados e pouco refrigerante;
  • Dieta balanceada;
  • Exercício físico: 30 minutos de atividade moderada todo dia resolve a questão;
  • Não fumar.
  • Olho vivo no peso (tem que estar com IMC bacana) e circunferência abdominal. A recomendada para brasileiras tamanho normal é 80 cm.

Continue lendo em: Por trás do biquíni: uma campanha pra cuidar de nossos corações.

Faça parte dessa Blogagem Coletiva. Trate seu coração com carinho e esqueça quem o maltratou sentimentalmente. ;-)

Tudo Culpa Dessas Malditas Feministas!

Chega a ser engraçado, mas volta e meia leio algum texto sobre um assunto qualquer e lá no fim aparece uma crítica ao movimento feminista. Sem nenhuma razão de ser, apenas para pontuar como tudo sempre parece ser culpa das feministas. A Nina Horta, colunista da Folha, recentemente publicou textos controversos, com pitadas de preconceito de classe, sobre empregadas domésticas. No fim do último deles, solta a seguinte pérola:

Tratem de perceber que essas serão as profissões mais bem pagas do futuro próximo. Esqueçam o status de garçonetes de bar, contadoras, depiladoras, vocês estão fazendo o mesmo erro das feministas exageradas, que largaram as casas para trocar roda de caminhão e que agora tentam voltar desesperadas para as antigas funções. Atenção!

Até então não havia uma linha sobre feminismo no texto de Nina Horta, portanto, já podemos visualizar os seguintes diálogos nos domicílios brasileiros:

- Ô Vânia, dá uma olhada no arroz pra mim?

- Ih menina, queimou.

- Malditas feministas!

- Você soube do Tavinho, filho do Juarez?

- Não o que houve?

- Acabou se envolvendo com drogas.

- Ah… eu bem sabia que ele estava andando com feministas. Tudo culpa delas.

- Amiga, não sei o que fazer, meu marido está tendo um caso com a secretária dele.

- Que absurdo! Aposto que ela é feminista! Tudo o que essas feministas querem é acabar com o casamento de todo mundo.

- Será que os estádios da Copa ficarão prontos a tempo?

- Aposto que não. Tá cheio de feminista por aí, elas vão dar um jeito de ferrar tudo.

Duas Feministas ao telefone:

- Thayz, acho que vou escrever mais um texto falando sobre mitos do feminismo. O que você acha?

- Ah não posso responder agora, Bia. Tô trocando a roda do meu caminhão.

- Ah beleza, quando terminar me avisa que eu quero jogar golfe e praticar tiro para ficar mais sexy.

Selo criado por Tatiana Anzolin

Recentemente, o Bule Voador publicou o vídeo It’s only sexist when men do it, que segue totalmente a linha dos diálogos acima, tudo é culpa do feminismo. A equipe do Bule percebeu que as idéias do autor do vídeo são totalmente equivocadas e publicou uma boa retificação. Conheço algumas feministas que fazem parte da Liga Humanista Secular e fico feliz ao ver que elas tem voz dentro do grupo.

É claro que é um absurdo ver um grupo de mulheres fazendo chacota de um homem que teve seu pênis decepado pela esposa. Mas não há nada de feminismo nisso. Não é o feminismo que faz as mulheres perderem a noção num programa de tv. E é claro que o autor tem todo direito de criticar o programa, mas vale lembrar, não é um programa declaradamente feminista. Apenas ser mulher não faz da pessoa feminista. Tentando provar a tese de que os homens são uns pobres coitados ele faz acusações contra a justiça americana, que vale lembrar é feita em sua maioria por homens, e cita o caso de uma outra mulher que matou o marido e teve a pena atenuada por alegar que sofreu abusos. Cada crime deve ser investigado e se uma mulher foi abusada anos, fisicamente e psicologicamente pelo marido, com certeza essa informação será parte do inquérito. Depois ele fala sobre uma mulher que teve sua loja assaltada e manteve o assaltante como escravo sexual por vários dias, para logo dizer que ele nem sabe se essa história é verdadeira. E a partir daí ele começa a dizer que tudo isso é culpa do feminismo. Por que né? O preço do feijão subiu por causa das feministas.

Concordo plenamente que em nossa sociedade as pessoas riem de pênis decepados na tv, mas não riem se uma mulher tiver seus clitóris decepado. E isso é sexismo. Em parte o movimento feminista conseguiu mais respeito e atenção para a violência contra as mulheres. Mas em parte há muito machismo ao rir de um homem que teve seu pênis decepado, porque esse homem perde sua virilidade e seu status de macho. Porque o machismo também afeta muito os homens. Então, cortar o pênis de um homem não faz de uma mulher a feminista do ano, rir disso menos ainda.

Por isso é bacana ler os posts participantes da Blogagem Coletiva – Desmitificando o Feminismo. É claro que existem feministas chatas, bobas e cabeça de melão Em qualquer movimento social, em qualquer grupo existirão pessoas assim. Mas não vire a cara para um movimento só por causa de algumas pessoas. Há também as feministas bacanas, engraçadas e assertivas. E todas essas feministas convivem, discordam, concordam e encontram seus pontos em comum. É preciso ter a feminista que grita e a feminista que explica desenhando. É impossível uma pessoa falar pelo feminismo como um todo, porque ele é um movimento extremamente amplo e plural, sem hierarquias e dogmas fixos. Mas há boas definições, como a do texto da Bell Hooks, Políticas Feministas (grifos meus):

Posto de maneira simples, feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, a exploração e a opressão sexistas. Esta foi a definição que ofereci em Feminist Theory: from margin to center há mais de 10 anos. Minha esperança era de que então ela se tornasse uma definição comum que todo mundo usaria. Eu gostava dela porque não significava que os homens eram o inimigo. Denunciar o sexismo como o problema foi direto ao cerne da questão. Praticamente, é uma definição que indica que toda ação e pensamento sexistas são o problema, seja quem for que perpetue isto, mulher ou homem, criança ou adulto. E é também ampla o bastante para incluir um entendimento de sexismo sistemático institucionalizado. Como definição, é aberta. A compreensão do que é feminismo implica que a pessoa tem que necessariamente entender o que é sexismo.