Guia para ler o BBB10.

Este blog ainda não está completamente em 2010. Tentar organizar uma vida não é nada simples. Entretanto, não é só a pós-graduação, o trabalho, as idas ao verdurão, o namorado, a família, a procura por uma aula de yoga , o cinema, ou a festa de despedida do estagiário que tomam meu tempo. Janeiro é a temporada oficial do Big Brother Brasil. Sim, assisto todo ano, mesmo sendo ruim ou não. Também assisto novela das 8, mesmo sendo ruim ou não. Cada um tem a tosquice que lhe cabe nesse mundo. Porém, mais do que assistir ao BBB, tenho paixão por ler os blogs que falam sobre o jogo, que analisam os participantes, que tiram sarro de Bial e Boninho, etc.

Reality shows são puro entretenimento pautado nas fraquezas humanas, nas ambições mesquinhas e, atualmente, na possibilidade de ser famoso. Muito mais do que ser rico o que as pessoas parecem querer é ser famoso. O bem mais desejado, a fama. Veja o exemplo de Tessália, a @Twittess, que de famosa no twitter, foi alçada para o BBB e em breve será alçada a participações no Zorra Total, capas de revistas e afins. Tessália, Geisy Arruda e tantas outras estão aproveitando as chances que ganharam, seja como musa do Carnaval, seja como a grande vilã do BBB10. É interessante analisar tudo isso, ver como o sistema premia ou julga uma mulher que está galgando degraus dentro do jogo da fama. Ver como a entrada de três homossexuais assumidos modifica os comportamentos dos participantes. Tirando Elenita, as mulheres do #BBB10 são todas clichês. Tirando Angélica, os homossexuais seguem o clichê aceito pela tv da bicha animada, cheia de gírias e carão. Olhando o programa, neste momento, não acho que uma mulher vá ganhar e também não acho que os homossexuais serão mais respeitados depois do programa. Pergunte quantos negros há no BBB10? Um. E é uma samambaia.

O BBB ainda tem conchavos, alianças, fofocas, os odiados, os amados, as samambaias e as tensões. Além das risadas, pois as pessoas se entregam muito, mostram que não sabem nada sobre alguns assuntos, insistem em chorar demais, acham que estão agradando, perdem a compostura nas festas, não prestam atenção no jogo, parece que não aprenderam nada com as outras edições. É um grande aquário humano feito para o entretenimento. Esse ano muitos blogs bacanas surgiram e esse é meu guia para você ler o BBB10 na internet:

BBB, o décimo. Mary W. e Thales são meus preferidos com suas análises antropológicas e bem escritas. Raramente concordo com os favoritos da Mary W., mas com certeza ela é minha analista preferida. E o Thales com os posts: “Quem não ganha um milhão, ganha gif” também ganhou há tempos meu coração.

Afinidade Brasil. Uma galera que sabe brincar, ri muito do jogo, faz torcida declarada, mas que também comenta muito bem. Nos lives @Incrivelt e @Metheoro são meus preferidos, que ás vezes também conta com participações ilustres como a do @Xonas_.

BBBaphos. Uma galera que participava da comunidade do TDUD? no orkut se juntou e fez um blog divertidíssimo. Nos lives, Evil e Andy são disparados meus favoritos.

A galera do Te dou um dado? que antes tinha o Big Bosta Brasil está cobrindo o BBB10 também, mas não com aquele afinco de antes. Então fecho nesses três como meus preferidos. Leio alguns outros, por meio do BBB, o décimo conheci o Cartas para Bial, que venho gostando muito. Fecho nesses como as melhores análises e os melhores comentaristas.

Esse BBB ainda tem outra novidade: a interação do @Boninho pelo twitter. É por lá que ele avisa uma série de coisas que vão acontecer, como o conteúdo dos Big Fones e, ao que parece, lê tudo que mandam para ele e responde muitas dúvidas. Não acho que o público esteja realmente participando da construção do programa, mas, principalmente quem assina o pay-per-view, ganhou um canal de comunicação muito interessante com o diretor do programa. Li que a audiência está baixa, mas é visível que o programa está bombando na internet. Seria uma mudança da audiência? Não sei, mas Boninho é macaco velho de tv e deve saber muito mais do que eu.

Piriguete Pride!

Você tem uma amiga piriguete? Você tem alguma amiga que gosta de se vestir com saias extremamente curtas e decotes vertiginosos? Você tem uma amiga que gosta de jogar charme para os caras e adora ser chamada de gostosa? Que fica com mais de dois caras numa balada? Eu tenho, e ela é uma mulher maravilhosa. Uma das melhores professoras que já conheci. E sim, ela é piriguete com muito orgulho. Dança funk, forró e música baiana mostrando todo seu remelexo. Ela pode e ela quer. Você acha que ela se sente discriminada ou que faz isso por carência? Pode apostar que não. Ela apenas sabe que o sexo é uma grande arma de poder. Se pode usá-la em seu benefício, por que não?

Lutar pela liberdade feminina significa lutar pela liberdade da mulher fazer com seu corpo o que quiser. Se ela quer expor suas partes mais carnudas ou se deseja olhares maliciosos na rua, ela tem como conseguir isso. E sim, eu acho que isso é liberdade. Ela é livre para sair do jeito que quiser. É claro que isso trará consequências. O julgamento das pessoas não muda fácil e ela saberá lidar com isso, mas o que quero é que você a conheça antes de julgá-la.

Minha amiga não quer roubar seu namorado. Ela não está pedindo para ser estuprada e nem está incitando qualquer tipo de violência sexual. Você tem um cérebro, então use-o para perceber que ela talvez nem esteja olhando para você. É claro que ela está suscetível a violência de todas as formas e a falta de respeito, mas acredite, ela sabe lidar com isso.  Seu corpo faz parte de sua personalidade e isso grita em nossos olhos.

Não sou piriguete. Não consigo usar roupas muito curtas por pudor, por achar que meu corpo não é tão bonito. Mas há muitas mulheres que mostram muito mais do que nossos padrões morais gostariam de ver, mesmo sem ter corpos perfeitos. Há a influência da mídia, da cultura, do sexo que grita em outdoors, mas observe a segurança e postura de algumas. Isso é o piriguete pride.

Eu assisto Big Brother. Nunca neguei, pode atirar  pedras se quiser, nem mesmo sei explicar porque gosto. Talvez porque é popularesco, porque é simples e ao mesmo tempo curioso. Ou porque adoro alguns blogs que falam de BBB. Também gosto dos Ninjas do Arrocha. E aí?

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Poderíamos ter tido uma final feminina no BBB desse ano. Mas isso não aconteceu. Na final estão Max, Francine e Priscila. E esse post tem o intuito de dizer que em várias edições a gostosa da vez, também mostrou ser a piriguete da vez. Aquela que gosta de sexo, que quer sexo, que fala de sexo e que exala sexo. É um papel machista destinado a mulher? Não, se ela tiver orgulho disso, se transformou isso no seu way of life. Samantha Jones está aí para provar que a piriguetagem é movimento forte e que acompanha tendências. São mulheres se comportando como homens? Ou são mulheres apenas expressando sua sexualidade?

Entenda que quando falo tudo isso não estou defendendo a exposição de corpos femininos semi nus na tv ou na publicidade, a questão é outra. Estamos falando de liberdade, de libertinagem, de caráter e escolhas pessoais. Se escolho ser vegan irei sofrer preconceito na sociedade, se escolho ser piriguete também. Mas antes de tudo precisa ser uma escolha consciente para ser válida e para se ter orgulho. E isso, só é possível quando a mulher é dona de seu corpo e faz dele o seu bel prazer.

Priscila é um mulherão, apelidada carinhosamente pelo Big Bosta Brasil de Prianha. É dela meu voto. Não porque corria vergonhosamente atrás do Emanuel.  Não porque demonstrou muitas vezes seu dote de descer até o chão e nem porque tentou se aproximar de todos da casa. Priscila assume sua piriguetagem nas roupas, mas não esquece de ser humana, de analisar o jogo, de chorar quando não aguenta e de ter uma bela amizade com Milena. Acredite, eu a admiro e ela me lembra muito uma grande amiga, que hoje é mãe, casada e continua usando as mesmas saias curtas. Porque às vezes é nossa essência. Porque às vezes uma gostosona pode ganhar o BBB e alçar as mulheres-fruta a um patamar nunca antes alcançado.

O Big Brother pode ser uma grande bunda, um programa oco de onde só sai merda. Mas eu assisto e vibro com a possibilidade de vitória de uma piriguete. Porque isso para mim é liberdade, é a possibilidade da gostosa inteligente aparecer como um novo estereótipo feminino. E aí, meu caro, que continuo feminista mesmo cantando funk baixo nível. Quero é ver as mulheres no topo.