2000 e love.

No cruzamento dos anos, naquela euforia sem sentido que dá ao dia seguinte gosto de mormaço, estive entre vários. Compartilhei olhares da sacada de um prédio na avenida Nossa Senhora de Copacabana, biscoitos no estacionamento de um prédio chique e chuva na corrida por uma outra vida. Está tudo aí no ano novo, todas as cartas lançadas, as pessoas abduzidas e aquelas que nunca se encontram. Com preguiça de pensar, desejo como sempre amor.

#Love is a losing game. Ela tomou um fora na porta da festa. Foi o sétimo fora do ano, para fechar com todas as paranóias e superstições um dos melhores anos que já teve no jogo e um dos piores no amor. A roupa perdeu o brilho, as luzes irritaram e a música não fez sentido. É hora de correr para alcançar a ansiedade frenética por novidades. Mudar o calendário, não significa trocar de coração.

#No substitute love. Quase dez anos de casados, uma filha pequena que anda dando trabalho. Lembrando algumas vezes que podia ser pior. Quase dois anos separados para então levantar e pedir o divórcio. Dois anos incógnitos, vividos plenamente, fazendo apenas o que gosta e lutando contra as forças familiares. E contra aqueles pensamentos cajazeiros, que insistem em proliferar. E lá no meio da festa, no meio de pessoas que nunca viu, beijou. De língua, esfregando o brilho na barba, o joelho no meio das pernas. Não doeu, não sarou e nem sangrou. Foi como comer doce de madrugada sem lembrar que hora as luzes pararam.

#Don’t believe in love. Ele terminou com ela por meio de uma mensagem de celular, na véspera de ano novo. Passados alguns dias mandou outra mensagem perguntando: “De 0 a 10 qual o nível da sua raiva”? Mandar tomar no cu nunca parece suficiente nessas horas.

#Let me know. Apaixonados, ridículos e decididos. Aprendendo a viver grudados na maioria dos dias. Ainda assim sozinhos com seus medos, desejos e esperanças. Esqueceram seus receios, jogaram fora os traumas, magoaram pessoas e foram lá para o meio desse mundo louco e injusto tentar ser felizes. E ninguém precisa saber o fim, ainda é começo de ano.

Primeiro pensamento: O ano só começa quando as contas chegam.

#3 O Amor Sadomasoquista.

O amor e o ódio convivem lado a lado num relacionamento. A pessoa amada nos faz sentir intensa felicidade, mas também é aquela que tira a liberdade e, algumas vezes, a paz, o sono, a vida. Amar significa um estado de espírito único, e também sofrer como um cachorro de rua. Raros aqueles que têm a sorte de um amor tranquilo. Um amor maduro sem jogos, perseguições e desconfianças. Nossas inseguranças muitas vezes não permitem a construção de amores simples. E nosso masoquismo muitas vezes nos prendem a relações tóxicas que viciam. O amor é a droga que todos buscam? É gostoso sofrer por amor? Ou deveríamos ser mais racionais e menos passionais nos relacionamentos?

# Episode 12: La douleur exquise!

Big está indo para Paris a trabalho e Carrie o ajuda a arrumar a mala enquanto conversam.

Carrie: – Antes que eu esqueça, Charlotte quer alugar uma casa em Hamptons nesse verão. O que acha de participarmos?

Big: – Acho que não poderei.

Carrie: – Por que? Não gosta de salada de siri por $40?

Big: – Na verdade, talvez não passe o verão aqui. Talvez tenha que me mudar para Paris a trabalho, por pouco tempo.

Carrie: – Por quanto tempo?

Big: – Não sei… sete meses, um ano talvez. Nada está definido.

Carrie: – Espere… espera aí… há quanto tempo você sabe disso?

Big: – Há algum tempo, mas saberei melhor depois desta viagem.

Carrie: – E quando você estava pensando em me contar?

Big: – Quando soubesse melhor, nada está definido. Não há razão para ficar preocupada.

Esse é o segundo namoro de Carrie e Big. Eles já namoraram, terminaram e resolveram voltar. É engraçado notar que relações iô-iô seguem um ritmo próprio, o casal vai-e-volta, a mulher sempre repete que ele mudou, que as coisas estão diferentes e os amigos se olham como se já soubessem o final do filme. É claro que há exceções, mas sempre vamos querer atropelar os namorados canalhas de nossas amigas, mesmo que ela diga que ele não é o mesmo de antes. Big porta-se como tal, simplesmente não dando a mínima para Carrie, tudo se resume a trabalho, ponto. Ela já sabia disso na primeira vez que namoraram, mas as ilusões do amor, as carências, desejos, medos e esperanças acabam nos arrastando de volta para as mesmas marés. Seguir o coração ou a razão em alguns relacionamentos é de uma complexidade impressionante, especialmente para Carrie.

# Puta da vida, Carrie encontra as meninas para contar as más-novas.

Carrie: – Eu queria matá-lo! E ele me olhava querendo dizer: “qual o problema? Não há razão para estar chateada, é meu problema”.

Charlotte: – Calma, dá para contornar. São sete meses, você pode visitá-lo em Paris, ele pode vir para cá…

Carrie: – Não é essa a questão. O problema é que ele nem pensou em mim no seu processo de decisão.

Samantha: – Homens agem sempre assim. As mulheres só pensem em “nós”. A definição de “nós” para eles é: “eu e meu pênis”.

Carrie: – Apenas queria que ele dissesse o que está acontecendo. É pedir demais? Só dizer: “Carrie, estou pensando em mudar para Paris, para o resto da minha vida.” Estou certa? Uma hora ele está todo romântico comigo, depois me põe de lado. Não posso acreditar que isso está acontecendo novamente! Por que não paro de fazer isso comigo? Devo ser uma masoquista ou coisa parecida.

Carrie percebe que vive uma relação doentia e unilateral. Big pode até gostar dela, mas não divide sua vida, nem seus sentimentos. Seriam os homens mais frios que as mulheres quando se trata de amor? Geralmente leva tempo para alguém perceber o quanto já se entregou a relação, o quanto já fez de tudo para dar certo. As pessoas tendem a acreditar no poder transformador do amor, mas não lembram que as pessoas amam por diversas razões, por carência, segurança, desejo, solidão, status, ou até por não ter nada melhor para fazer. O amor muda nossas vidas quando permitimos que entre por nossos poros. Da mesma maneira, a dor só é grande demais quando permitimos que perdure. Chicotes são divertidos, até que se perceba a dor no dia seguinte, se doer é porque deixaram de ser saudáveis.

# Durante a viagem, Carrie, bêbada, surta com Big pelo telefone. Sentindo-se culpada no dia da volta ela leva french fries, um pedido de desculpas e todas as suas cartas.

Big: O que significa isso?

Carrie: Desculpas por ter sido ridícula. Tenho pensado nisso, acho que podemos fazer dar certo. Podemos fazer sexo por telefone. E se as coisas não funcionarem me mudo para Paris e escrevo sobre Le Sexo e le Cidade.

Big: Seria ótimo. Mas você se mudaria para Paris por você, certo? Não se mude por mim.

Carrie: Por que então eu mudaria para Paris se não fosse por você?

Big: Não quero que você mude sua vida e espere algo em troca.

Carrie: Eu sou tão idiota! Faço tudo por você e você não dá a mínima. Estou cansada disso tudo!

Big: Ei, fique calma! Olha, eu preciso ter um relacionamento no qual se eu tiver que ir para Paris, eu possa ir. Não é uma questão de “nós”, é uma questão de trabalho.

Carrie: Não é uma questão de trabalho. É uma questão de nos aproximarmos e de você ter que colocar um oceano entre nós.

Big: Não quero mais falar sobre isso.

Carrie: Por que é tão difícil para você me considerar como algo importante de verdade na sua vida?

Big: Velhos hábitos não mudam.

Carrie: Você disse que me amava.

Big: Eu a amo.

Carrie: Então por que dói tanto?

É bonito pensar na metáfora carregada pela palavra “nós”. Significa duas pessoas que se fundem em um pronome. E significa também uma amarração, por meio de nós prendemo-nos uns aos outros até que as cordas se desprendam, até que alguém ou o tempo os desfaça. Carrie sente muita raiva, pois sabe que está sofrendo por culpa sua. Ela se amarrou a um homem que não pretende ter um compromisso. Acreditou em pequenitudes, migalhas, em gestos que na verdade não significavam nada especial, apenas a maneira como ele leva a vida. O sofrimento traz para o relacionamento um elemento especial: a emoção. Aquele frio na espinha que se tem ao andar de montanha russa. Aquele medo de perder que nos faz lutar pelo ser amado, agarrar suas roupas, chorar, gritar, como naquela música da Elis. Esse amor nos faz sentir vivos, nos dilacera, por isso vicia tão fácil, é intenso. Por isso não acreditamos na rotina de um amor simples, sem loucuras, sem arranhões. Mas crescemos, criamos novas percepções, conhecemos novos restaurantes e não há vacina que garanta que você não vai voltar a se apaixonar, por mais que atualmente tudo leve a crer que não.

No próximo post a última parte da segunda temporada com #Nosso amor de ontem. Este post faz parte de uma série sobre o seriado Sex and the City. O primeiro é #O Sexo e a cidade e o segundo #Solteira e Fabulosa?.

#Manifesto: Homens unidos pelo fim da violência contra a mulher.

#Um texto da querida Patrícia Daltro virou argumento para uma peça. Se estiver pelo Rio de Janeiro de 13/11/08 a 12/02/09  não deixe de assistir A Vigilante, Uma Comédia de Peso, quintas-feiras às 21:30hs no Teatro Cândido Mendes, Ipanema.

#1 O Sexo e a Cidade.

De licença médica por 15 dias, consegui tempo para rever todas as temporadas de Sex and the City. Sempre fui fã e durante uns 4 anos juntava as amigas para assistir e discutir sobre sexo, relacionamentos, feminismo, amizade, atitudes e amor. Mulheres dão muito valor a sua vida sentimental, sempre temos histórias de amor para contar e gostamos de compartilhá-las. O seriado falou explicitamente sobre o comportamento sexual, financeiro e feminista das mulheres com quem convivo entre 18 e 40 anos. Rever cada temporada mostra que certos dramas nunca mudam, porém a vida das solteiras anda bem divertida entre um namoro e outro. Serão vários posts sobre a série, analisando alguns dos meus diálogos preferidos, então prepare-se para discutir a relação.

A pergunta principal da primeira temporada é: “Mulheres conseguem transar como homens?” A pergunta não é mais se elas podem, mas se conseguem. Fazer sexo como um homem significa não se envolver emocionalmente. A maioria das mulheres que conheço não conseguem. Gosto de namorar, gosto de ter alguém por perto, além da relação sexual melhorar muito com a intimidade. Seria uma evolução sexual fazer sexo como homens?

# Episode 6: Secret sex. Carrie e Big transaram no primeiro encontro. Ela sente culpa e fica paranóica com o fato, pois reza a lenda urbana que se você transa no primeiro encontro o homem nunca mais vai te ligar.

Carrie (pensando): – Não vou ser a primeira a falar. Se ele nunca mais me procurar, me lembrarei dele com carinho… como um babaca.

Carrie: – Foi muito bom… Você consegue acreditar, nós… no primeiro encontro? Eu… não havia planejado, sabe? O que você acha?

Big: – Acho que foi maravilhoso. Mas… o que eu sei? Quer comida chinesa?

Essa é uma neura clássica. Por mais que todas já tenham transado no primeiro encontro, sempre rola essa angústia, como se o prazer do sexo ficasse para trás diante da culpa de não ter feito charminho. As mulheres querem sexo, mas não querem que ele pense que é só isso. A velha história de que a gente não quer só comida… A partir disso podemos pensar que as mulheres são seres eternamente insatisfeitos, mas talvez seja nossa natureza inquieta. Analisando clichesticamente, o relacionamento de Carrie e Big começa mal, desde o início ele já demonstra ser um cara que chamamos comumente de babaca, mas que no fundo as mulheres amam, pois ao invés de dar atenção e nos mimar, nos trata com certa indiferença e sabe jogar seu charme na hora certa. O sonho de uma mulher não é ser a melhor transa de um cara, mas sentir-se especial. Acreditar que ela é a the one da vida dele, quando na verdade a the one da vida dos caras é a Princesa Léia.

# Episode 11: The Drought. Carrie peida na frente de Mr. Big, coincidentemente eles dormem juntos, mas não transam, começa aí uma avalanche de paranóias e segue-se a pergunta: sexo é realmente muito importante num relacionamento? Porém, Carrie numa conversa explicita o principal medo das mulheres apaixonadas:

Carrie: – Bom… acho que está tudo acabado mesmo. Nunca deveria ter peidado.

Miranda: – PelamordeDeus, Carrie! Não aguento mais ouvir falar do peido. Não foi o peido!

Carrie: – Eu sei que não foi o peido! Acho que estou apaixonada por ele e morro de medo que ele me largue por não ser perfeita. Não transamos mais. Ele não ligou. E se ele não ligar, e em três semanas eu ler no New York Times que ele se casou com uma mulher perfeita que nunca peida?

O maior medo da mulher apaixonada é ser abandonada, para evitar a rejeição logo no início do relacionamento apaixonados controlam atitudes, gestos, opiniões e até expressões fisiológicas, com o intuito de agradar o ser amado. Porém, pessoas são inexplicáveis, isso não é garantia de nada. Lidar com a rejeição é difícil. Por mais que se tenha passado pela experiência, por mais que se tenha escutado músicas de fossa, o medo ronda. Carrie é o melhor exemplo da paranóia feminina, um peido vira uma bomba nuclear, uma menstruação pode significar o fim de todos os sonhos. Mulheres não podem peidar nem arrotar, no fundo devemos ser todas Sandys e negar até o fim. Fica visível em vários momentos que se Carrie relaxasse e deixasse o relacionamento fluir talvez houvessem menos brigas. Sexo é importante, se algo mudou é preciso investigar os motivos, mas sem tantas neuras. É difícil, mas aquele ceticismo que ganhamos depois de vários break-ups ajuda. Mulheres estão sempre tentando fazer o relacionamento dar certo, como se fosse a última bóia do Titanic. Relacionamentos precisam existir, precisam de pessoas envolvidas, e não é possível obrigar ninguém a se comprometer.

No próximo post o início dos melhores momentos da segunda temporada.