Kanye Westizando

Ano passado, passei alguns dias de outubro em São Paulo. Estava lá de férias, curtindo a cidade. Já tinha trocado palavras com a Elisa Gargiulo nas interwebs. A gente se conheceu uns dias antes no Encontro Nacional das Blogueiras Feministas. Daí numa manhã qualquer estou eu lá atualizando mil coisas nos blogs e pula uma mensagem no twitter: “vamos almoçar?”. Era Elisa Gargiulo me chamando para almoçar. Olhei para os dois lados para ver se era comigo mesmo. Era a vocalista do Dominatrix me chamando para almoçar!

Quando comecei nessa vida feminista logo fiquei sabendo de algumas bandas feministas no Brasil. A mais famosa delas, a Dominatrix, que completa 17 anos de existência em 2012. Veja uma entrevista bacana com as fundadoras. A Elisa tá aí na estrada, batalhando firme e forte há mais de 17 anos. Minhas pernas bambearam. Fora o medo de ficar muito burra em cinco minutos. Mas né? Cara de pau está aí e eu tenho mais é que aproveitar. Marcamos num indiano delicioso. E rolou. A gente conversou um dia inteiro. Do almoço para um café. Do café para um filme na mostra de cinema. Do filme para uma cerveja. Da cerveja para um curso de teologia feminista. A única coisa que me arrependo é de não ter tirado uma foto de nós duas naquele dia. Porque o sisterhood estava ali. Lutamos pelas mesmas coisas. Queremos sim um mundo melhor para todas as pessoas, especialmente para as mulheres.

Kanye West lançando seu bordão no VMA 2009.

Não sei se vocês compreendem, mas a internet deve ter me dado uns 50% das pessoas que são muito especiais na minha vida nesse momento. Não são minhas melhores amigas, não são pessoas com quem falo todo dia, são muito especiais mesmo. Aquela pessoa que quando você pensa em desistir ela te dá um tapinha nas costas e te lança metros a frente. A Bárbara, a Iara e a Mary W tem sido algumas dessas pessoas. Seja apoiando uma ideia minha, respondendo um comentário meu no blog ou me mandando um email para mostrar aquilo que não estou conseguindo ver. Conhecer ao vivo as pessoas que você conhece pela internet é fundamental. A Elisa é mais uma dessas pessoas. A gente continuou se cruzando nas interwebs. Semana passada ela publicou um post no Blogueiras Feministas que é sensacional: Não existe espaço seguro!

E aí, ontem, a gente estava num super papo no facebook, rolou uma ideia e não pude perder a chance de colocar em prática. É minha primeira parceria com a Elisa, tô super feliz.

O Patriarcado Kanye Westizando Nóis.

#saritabastosday

Hoje é aniversário da Sarita Bastos. Uma das pessoas mais especiais que conheço. Não somos mega amigas, mas a Sarita é aquela pessoa que faço questão de ir no aniversário mesmo que não conheça mais ninguém. Porque ela tem amigos bacanas, aquelas pessoas que você senta e começa a conversar e rir. A Sarita é assim, simpatia à primeira vista. Ela agora está lá no Maranhão, cuidando dos rumos que a vida nos leva. A Sarita sempre me lembrou uma personagem de Jorge Amado. Aquela mulher que sai de casa para viver o mundo, que gosta de um batom de cor forte nos lábios. A Sarita vai para a Europa, faz check-in no blog-pensão e não conta nada da viagem. Queria muito estar mais perto, poder fazer algo, pelo menos escutar no telefone. Mas a gente se encontra num email baphão ou num twitter sobre a novela. Estamos aí juntas, unidas pela Anarina, que foi quem nos apresentou.

Era o mar infinito, ora verde, ora azul, verdeazul, ora claro, ora escuro, claroescuro, de anil e celeste, de óleo e de orvalho e, como se não bastasse com o mar, Januário Gereba encomendara lua de ouro e prata, lanterna fincada no alto dos céus sobre os corpos embolados na ânsia do amor; eram dois ao chegar, são um só, nas areias da praia encobertos por uma onda mais alta.

Tereza Batista empapada de mar, na boca, nos lisos cabelos, nos peitos erguidos, na estrela do umbigo, na concha da buça, flor de algas, negro pasto de polvos — ai, meu amor, que eu morro na fímbria do mar, de teu mar de sargarços, de teu mar de desencontro e naufrágio, quem sabe um dia morrerei em teu mar da Bahia, na popa de teu saveiro? Tua boca de sal, teu peito de quilha, em teu mastro vela enfunada, na coberta das ondas nasci outra vez, virgem marinha, noiva e viúva de saveirista, grinalda e espunhas, véu de saudade, ai, meu amor marinheiro.

Trecho de Tereza Batista, Cansada de Guerra de Jorge Amado. Pg. 47.

Um grande beijo para a queridíssima Sarita!

Eu, Anarina e Sarita. Uma das minhas fotos favoritas.

Update: Entrevista com a Sarita feita pela Anarina: “Qualquer crise da Amy Winehouse pode ter mais repercussão do que a crise humanitária na Somália.

O Feminismo & Eu.

Girls can wear jeans
And cut their hair short
Wear shirts and boots
‘Cause it’s OK to be a boy
But for a boy to look like a girl is degrading
‘Cause you think that being a girl is degrading
But secretly you’d love to know what it’s like
Wouldn’t you?
What it feels like for a girl

Fui criada por muitas mulheres. Mãe, avós, tias, todas bem sucedidas, todas com muita liberdade para ir e vir.  Tive liberdade, não fui obrigada a casar e nem ter filhos, pude construir minha vida do jeito que quisesse. Meu único dever para essas mulheres era ser independente. Acabou que cresci um pouco no mundo de Bobby acreditando que todo mundo era feminista, porque: “Oi? Por que alguém não seria feminista? Um movimento fantástico que quer a emancipação feminina?” Além da minha vida extremamente libertária, eu não era uma pessoa politizada, alguém que se interessasse por analisar os problemas sociais e tentar descobrir as nuances dos processos de dominação forjados no nosso dia a dia. Até que em 2003, entrei na faculdade de Pedagogia na UnB, me deparei com Paulo Freire e minha percepção de mundo deu um giro de 180°. Foi aí que realmente enxerguei como a sociedade se estruturava. Eu usufruia de todas as benesses do movimento feminista e não conseguia ver que a empregada da minha tia era desrespeitada numa delegacia onde ia prestar queixa de estupro, que há várias maneiras de ignorar as mulheres, que só a mulher rica tem direito a escolher abortar ou não com procedimentos seguros, que não há muitas mulheres senadoras, deputadas, ministras ou presidentes, que há mulheres que recebem salários menores apenas por serem mulheres, que crimes contra mulheres permanecem impunes.

Porém, eu ainda não sabia que a palavra feminista era um palavrão. Uma designação fuleira da mulher barbada que só sabe reclamar que tudo é sexismo e cospe na cara dos homens. Em 2008 publiquei o post Girl Power! Muito do meu feminismo era estimulado pelas músicas da Madonna, por filmes que focam as mulheres como grandes heroínas de suas próprias vidas, além de personalidades femininas como Frida Kahlo. O mundo sempre teve grandes mulheres, mas elas também sempre foram mal vistas socialmente por causa de suas atitudes. Esse post de 2008 era um momento que eu refletia sobre minha construção pessoal como mulher e descobria que dentre as pessoas que foram responsáveis pela minha trajetória estão mulheres públicas.

Também em 2008, aconteceu o primeiro Luluzinha Camp em que conheci várias mulheres, mas uma foi muito especial, a Cynthia Semiramis, por meio do blog dela conheci várias outras feministas. Foi nessa época que descobri que ser feminista é algo terrível, e me surpreendi mais ainda ao saber que amigas que eu considerava feministas tinham horror a essa palavra. Daí encasquetei e fui estudar para descobrir mais. Perguntei a 15 amigas se elas eram feministas, obtive 10 respostas e nenhuma delas disse ser feminista. A maioria disse que prefere ser feminina, que o feminismo não é mais tão necessário e que sempre que lê a palavra “feminista” pensa em mulheres rasgando sutiãs e querendo ser igual aos homens. E algumas reclamaram que por culpa do feminismo as mulheres hoje carregam muito mais tarefas e responsabilidades do que antes. Parar para pensar que a divisão de tarefas justa entre os sexos nunca aconteceu não parece ser o problema, as feministas lutarem para mulher entrar no mercado de trabalho, sim.

Também me joguei na literatura do movimento: Simone de Beauvoir, Gloria Steinem, Naomi Wolf e outras. Enxergava o feminismo por meio de lentes opacas e sujas que a mídia me passava, mas nunca enxerguei as mulheres feministas por meio de seus clichês, nem nunca achei que me rotular como feminista fosse algo ruim. Sou tão grata a todas as mulheres que lutaram pela liberdade que tenho hoje que não concebo ignorá-las, tratá-las como loucas que só querem pisar nos homens. Em qualquer posição que tomo posso ter direito de mudar de opinião, de errar, até de ser contraditória. E pagarei por isso, pois as pessoas estão sempre prontas a apontar o dedo para nossas contradições.

Ser feminista para mim nunca significou ser igual a um homem. Acho que a sociedade é formada por homens, mulheres, crianças, natureza, cosmos e tantas coisas. Acho também que homens e mulheres têm diferenças biológicas e culturais. Boas e ruins. Adoro ser mimada pelos homens ao meu redor, adoro que não me deixem carregar alguma coisa pesada e não faço a minima idéia de como se troca um pneu, mas nem por isso me considero menos feminista. E quando digo que sou feminista não estou dizendo que luto apenas por salários iguais e pelo fim da violência, mas luto também para que pais não desestimulem sua filha que quer ser engenheira espacial, luto para que a Geyse Arruda não seja expulsa da faculdade por usar vestido curto e para que Tessália possa praticar sua sexualidade embaixo do edredon com liberdade.  E para que uma jovem seja valorizada por seu papel num evento e não por seus atributos físicos. Luto para que todas as mulheres tenham voz numa sociedade que prefere vê-las castas, lutando contra o envelhecimento para não perder o marido ou de costas num outdoor.

Veja bem, é claro que existem pessoas boas e ruins, não vou defender todas as mulheres sempre, mas vou defender a mulher que decide fazer um aborto, a que quer ser prostituta ou a atriz pornô. Mas também vou discutir toda e qualquer situação, vou assistir novela e participar do debate sobre a representação da sociedade. E esse debate precisa incluir todo mundo, homem, mulher, negro, negra, branca, branco, índio, índia, rico, pobre, portadores de necessidades especiais, etc. O meu principal dever como feminista é trazer o debate à tona, é não deixar esquecida a pena por agressão do Dado Dolabella. É propor um debate político sério, pois pela primeira vez temos 2 mulheres candidatas a Presidência da República na mesma eleição. Minha atuação como feminista também é lutar por mais creches públicas e educação de qualidade para formação de um mundo mais igualitário. E também é prestar atenção diariamente nos pequenos preconceitos que mascaram anos de machismo social. É dizer pro meu pai que ele não pode xingar de vagabunda a atriz global que posa na playboy, é dizer pro meu irmão que ele tem que respeitar se a namorada dele não quer trepar com ele naquele dia, é dizer pro meu amigo que ele é tão responsável por uma gravidez indesejada quanto a menina com quem ele trepou, é dizer pra minha amiga que ela não pode continuar num relacionamento em que ela não é respeitada. E no meu caso, também é casar com um homem que me ame, me respeite e entenda o quanto é importante para mim ser feminista.

Há vários motivos para você achar que sou uma feminista de meia-tigela. Gosto de funk, volta e meia caio na risada com as amigas cantando: “Por que agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar”.  Uso roupas  detonadas num dia e ando toda bibêlo no outro, Sex And The City é um dos meus seriados favoritos e gosto de cuidar do meu marido. Apoio o Piriguete Pride e o Trucker Pride. Porque ser feminista para mim não significa ser homem, e também não é o contrário do machismo, significa essencialmente liberdade. Liberdade de cada mulher ser a mulher que quiser, mas consciente de sua representatividade, sempre repensando seu papel, sempre pronta a mudar de opinião, sempre pronta a identificar quando uma situação não lhe faz bem. Não acredite em estereótipos, não vire as costas para a feminista que você considera radical. Aquela mulher que queimou ou não sutiã no passado, protestando por um mundo mais justo é parte de mim hoje.  Está viva em cada escolha que faço. Não preciso ser como ela, não preciso ter as mesmas atitudes, mas não posso negar sua importância, seu significado e sua revolução que ainda não terminou. Porque, como disse a Maria Frô, sexismo emburrece e mata.

Este post já vinha sendo pensado há muito tempo, mas foi feito especialmente para o Concurso de Blogueiras organizado pela Lola.

Outros posts bacanas de mulheres queridas sobre a origem de seu feminismo:

Princesas, Roses, Simones e Malus.

Feminismo, ateísmo e outros “ismos”

Eu, feminista

7 pontos sobre Sex And The City 2.

#1. Carrie em 1986 é a filha perdida de Barbra Streisand.

#2. Paula Abdul e Jude Law não aparecem, mas rendem algumas das melhores piadas do filme.

#3. Carrie continua carregando todas as neuroses possíveis que uma mulher que passou a vida lendo revistas Nova é capaz de carregar. Charlotte está mais humana, apesar daquela cara de quem toma activia todos os dias. Samantha continua maravilhosa, escrachada e sempre com um conselho sábio. Seu escritório compete até com o de Mr. Big.  Miranda, que sempre foi minha preferida, está um pouco de lado no filme, mas tem boas cenas, especialmente quando conversa com Charlotte.

#4. A coisa mais bizarra que Carrie usa desta vez é uma marmita de alumínio gigante na cabeça.

Carrie Barbra Bradshaw Streisand
Carrie Barbra Bradshaw Streisand

#5. A moda, as cores, os vestidos, estão todos lá. Deliciosamente vaporosos, leves e confortáveis quando elas estão em Abu Dhabi. Os sapatos não foram tão focados, os vestidos longos são o grande atrativo para os olhos fashionistas.

#6. O filme está muito mais Girl Power! que o anterior. Especialmente nas cenas em que as quatro cantam I am Woman de Helen Reddy e, quando discutem sobre o preconceito da sociedade contra a mulher que tem voz. Há duas cenas especiais em que elas observam mulheres mulçumanas, como vivem, como comem, como são invisíveis para a sociedade, mas não para elas mesmas.

#7. Vi Liza Minelli cantando e dançando Single Ladies. Agora posso morrer em paz. E a trilha ainda tem (a versão fofa que CindyLauper fez para True Colors do Phil Collins) Cindy Lauper com True Colors. (João, avisou nos comentários que a música original é da Lauper).

Assistir Sex and the City para mim é como reencontrar velhas amigas. Então, minha opinião é a de quem acompanhou cada alegria e dor daquelas histórias e se identificou até com as roupas mais extravagantes. O filme continua cheio de consumismo, futilidades e piadas bobas, mas também fala sobre a importância da liberdade para mulheres, casamento e maternidade. Sex and the City 2 é mais do mesmo, mas para fãs é um ótimo motivo para celebrar a amizade. Na minha opinião esse segundo filme é melhor que o primeiro, porque o foco não é mais aquela grande questão se Carrie vai ou não casar com Big. Os conflitos sobre relacionamentos voltam à tona e mostram que é preciso muita versatilidade para se andar de salto alto na areia do deserto. Se quiserem continuar fazendo mais filmes da franquia, não serei contra. ;-)

#4 Nosso Amor de Ontem.

Quando começamos a andar de mãos dadas, dividir o lanche, ficar, namorar e afins criamos a possibilidade de um novo personagem em nossas vidas: o Ex. Um personagem controverso, mas eterno, pois em algum momento ele será incluído na contagem das pessoas que cruzaram seu caminho. Cada um sabe a dor e a delícia de ser Ex. Pode-se tentar apagar o passado ou revivê-lo. Porém, é certo que por alguma razão cósmica do universo as pessoas se reencontram nos engarrafamentos da vida.

Um dos meus episódios favoritos de Sex and the City é The Ex and the City. É o último episódio da segunda temporada e faz uma pequena homenagem a um filme de 1973, The way we were. No fim cada pessoa carrega seus pertences, alguns não querem nada, outros levam mais do que deveriam. Também é de cada um a responsabilidade de seguir em frente, de realmente perceber que acabou. Big vai se casar com outra mulher, e a pergunta que martela na cabeça de Carrie é: por que não eu? E como você lida com um Ex? Apesar de ter vomitado depois de rever o Ex, Carrie quer ficar amiga de Big. Outra pergunta que paira sobre o episódio é: para onde vai o amor quando um relacionamento acaba? Ele simplesmente acaba, mas era tão intenso e único que as vezes custa crer em sua morte.

# Miranda encontra Steve por acaso na rua, se apavora e sai correndo.

Miranda: – Sinto muito, entrei em pânico. Eu não queria falar do tempo. Ele transou comigo, muita história rolou. Não consigo ser amiga de um Ex. Não sei como certos casais ficam amigos depois da separação.

Sam: – Nunca fui capaz de ter um amigo homem. As mulheres são amigas, os homens amantes.

Charlotte: – Amizade é o bônus de um relacionamento. Se eles não querem namorar a amizade não me interessa.

Carrie: – Você nega a amizade para puni-los?

Charlotte: – Você fez isso soar tão ruim.

Sam: – As viúvas negras matam seus parceiros depois do coito. É assim que se faz.

Miranda: – Acredite, adoraria ser como aquelas pessoas que dizem: “Nós nos amamos, obrigada. Foi bom, mas agora vá embora”. Porém sou mais do tipo que diz: “Não deu certo, agora desapareça”!

Carrie: – Isso é tão infantil. Não você, a situação toda. Nós guardamos vestidos que nunca mais usaremos, mas jogamos fora os ex-namorados. Não estou dizendo que sou melhor que os outros. Não consegui ficar amiga do Big, mas se você ama alguém e se separa, onde foi parar o amor?

Sam: – Foi para próxima namorada!

Carrie: – Não, esse amor é diferente. O que eu sentia pelo Big é diferente do que aquela Natasha sente por ele.

Miranda: – Natasha… Desde quando você parou de considerá-la uma idiota sem alma?

Carrie: – Desde três semanas atrás quando os vi num café. Ele estava segurando sua mão e sorrindo. Finalmente caiu a ficha, eles estão felizes e eu já era. E foi bom.

Sam: – Natasha… Que nome de merda.

Mianda: – Totalmente

Charlotte: – Estúpido.

Carrie: – Completamente besta.

Não é raro as pessoas competirem para ver quem vai ser feliz primeiro, quem vai conseguir namorar primeiro alguém melhor ou pelo menos mais bonito. É duro ver o Ex feliz, com outra pessoa, enquanto você ainda se pergunta sobre o fim, relembra últimas frases procurando explicações. O importante nessas horas não é chorar porque viu a foto do Ex com a atual no jornal, mas sim se preservar. Saber o que realmente é tóxico. O amor que vocês sentiam morreu, não há necessidade de ficar tentando transforma-lo numa amizade, ele sofrerá uma metamorfose ou não. Quando se trata de Ex não viro amiga, não mantenho contato, não ligo no aniversário. Dependendo do fim me reservo ao direito de poder mudar de calçada na rua. É minha maneira de amenizar o sofrimento. Não desejo mal a ninguém, não guardo mágoas, apenas sei que preciso me preservar. Por mais que várias pessoas critiquem e me chamem de infantil, é meu coração que está ferido e não vou jogá-lo aos lobos.

# Carrie acha que é hora de tentar ser amiga de Big, então combina um almoço com ele.

Carrie: – Ok, fale-me sobre a garota.

Big: – Tem certeza?

Carrie: – Claro. Amigos falam sobre seus relacionamentos. Então me conte sobre ela.

Big: – Bem… ela é muito doce…

Carrie: – Ok, é o bastante. Não quero saber mais nada! Talvez pudéssemos fazer um pacto, só vamos falar de nossos namoros quando eles forem sérios.

Big: – Carrie… É sério. Nós estamos noivos. Eu queria ser o primeiro a lhe contar.

Carrie: – Hum… De repente me veio uma dor de cabeça…

Big: – Não sabia como lhe dizer isso. E quando você ligou, pensei…

Carrie: – Noivos??? Como você pode estar noivo? Você odeia compromissos. Aliás, você me disse que nunca se casaria de novo.

Big: – Bem… As coisas mudam…

Carrie: – Você não queria se casar comigo?

Big: – Olha… Natasha e eu…

Carrie: – Não se atreva a mencioná-la! Você brincou comigo por dois anos e agora vai se casar com uma moça de 25 anos depois de cinco meses?

Big: – Não brinquei com você.

Carrie: – Ok… Vou embora… Estou com dor de cabeça.

Big: – Carrie espere… Você não entende…

Carrie: – Entendo sim, vá casar com ela, vá ser feliz e me esqueça.

Algumas vezes, quando terminamos um relacionamento, continuamos com uma ponta de esperança, ou dúvida, que um dia talvez voltaremos e tudo dará certo. Talvez seja culpa dos filmes, talvez seja culpa da eterna crença de que o amor é transformador. As verdades que disfarçamos podem explodir na nossa frente em simples conversas como essa. Carrie é uma perdedora? Não. Não há explicação para a maioria das ações que envolvem o amor, elas podem ser tomadas de forma racional, porém as pessoas são suscetíveis a se apaixonarem por outras, a mudarem de idéia. Talvez ela não precisasse ouvir isso, não tão despreparada, mas há momento bom para saber que seu Ex vai casar quando você ainda sente algo por ele? No fim Carrie faz a pergunta fatal: por que não eu? E a resposta de Big é que ele não sabe, as coisas simplesmente começaram a ficar muito complicadas. Talvez Carrie tenha domado Big para que outra mulher casasse com ele. Talvez Big nunca tenha compreendido o verdadeiro espírito selvagem de Carrie. Nossa natureza racional algumas vezes não nos permite simplesmente seguir em frente, sem ter todas as respostas. Para que perder tempo tentando explicar o inexplicável?

E assim fechamos a segunda temporada. No próximo post, o início da terceira temporada.

#1. O Sexo e a Cidade

#2. Solteira e Fabulosa?

#3. O Amor Sadomasoquista