O placar terminou 8 x 2. #afavordavidadasmulheres
E eu fui comemorar.
O placar terminou 8 x 2. #afavordavidadasmulheres
E eu fui comemorar.

"Alison Lapper Pregnant" na Trafalgar Square, Londres. Foto de Sharon Terry (urbanshoregirl) no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Hoje, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará a a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54 (ADPF 54), que discute a possibilidade de as gestantes decidirem livremente se desejam, ou não, interromper a gravidez quando houver o diagnóstico de anencefalia. A Rádio Justiça transmitirá o julgamento a partir das 09:00 horas.
Escrevi posts sobre o assunto:
O julgamento interrompido: aborto e anencefalia no Blogueiras Feministas.
O STF e a antecipação do parto de anencéfalos no Amálgama.
Julgamento Especial no STF: anencefalia no LuluzinhaCamp.
Durante todo dia haverá um movimento nas redes sociais utilizando as tags: #AFavorDaVidaDasMulheres #LegalizarOAborto e #AnencefaliaSTF
Tem diversos links em um post especial das Blogueiras Feministas: STF: Interrupção da gestação em caso de anencefalia.
Essa será uma decisão fundamental para o futuro de várias mulheres grávidas, que desejam ter um filho, mas que recebem uma notícia arrasadora como diagnóstico. Cabe a cada uma delas decidir levar adiante ou não essa gravidez, sem imposições, com amplo acesso aos serviços de saúde e o respeito da sociedade. Porque o seu sofrimento só a própria mulher grávida pode medir.
O Superior Tribunal Federal marcou para o dia 11 de abril o julgamento sobre aborto de anencéfalos. Fiz um post para o Blogueiras Feministas com um apanhado geral de tudo que aconteceu nesses 8 anos, desde que a ação da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Saúde foi provocada em 2004. É uma tentativa de mapear os caminhos e tentar esclarecer possíveis dúvidas quanto ao benefício que a aprovação dessa ação pode trazer para a vida das mulheres.
O julgamento interrompido: aborto e anencefalia.
Li no Jezebel que Gloria Steinem, histórica feminista americana, entrou de cabeça na campanha de Obama. Gravou um vídeo para reforçar que a eleição de qualquer um dos candidatos republicanos pode representar um imenso retrocesso na vida das mulheres.
Imagino que muitas pessoas estejam decepcionadas com Obama. Enfrentar uma crise na economia, dentro do capitalismo, significa perder muito do que significa ‘viver bem’ atualmente. Como o próprio Jezebel diz, não há nada que garanta que Obama vá mesmo promover políticas para mulheres, mas qualquer outra opção mostra-se extremamente perigosa. Além de dificultar a vida das mulheres que querem fazer um aborto, há diversos projetos para dificultar o acesso a anticoncepcionais.

"Basta de rosários em nossos ovários. O direito de decidir sobre nossos corpos, não é uma questão de fé. É uma questão de democracia." Cartaz de Campanha do Grupo Articulación Feminista Marcosur.
No Brasil e em outros lugares do mundo, o conservadorismo cresce a passos largos. Cada dia é mais difícil fazer as pessoas enxergarem que o direito ao aborto é fundamental para a liberdade das mulheres. E que ninguém tem nada a ver com as decisões que essas mulheres tomam em suas vidas. Além disso, o conservadorismo também restringe o acesso a anticoncepcionais, pois é contra a distribuição de pílulas do dia seguinte nas escolas. Embora diretrizes do Ministério da Saúde garantam o direito à privacidade e ao sigilo de suas informações, muitos postos do SUS exigem a presença de pais ou responsáveis para liberar o contraceptivo de emergência.
Nos EUA, não há exigência de receita médica
Estados Unidos, Canadá e vários países europeus não exigem que a mulher apresente uma receita médica para conseguir a pílula do dia seguinte. Em alguns Estados norte-americanos, porém, o contraceptivo não está disponível nas estantes, somente atrás do balcão. ”Isso significa que a mulher tem que ‘negociar’ com o farmacêutico de plantão a compra”, explica a antropóloga Débora Diniz, consultora da OMS (Organização Mundial da Saúde) e vice-presidente da Coalização Internacional de Saúde da Mulher.
Mas em alguns países da América Latina a situação chega a ser pior que a encontrada no Brasil. No Chile, por exemplo, a receita não só é exigida como fica retida na farmácia-como ocorre com os psicotrópicos. Segundo Veronica Schiappacasse, coordenadora do Consórcio Latinoamericano de Anticoncepção de Emergência, nos outros países, a lei determina exigência da apresentação da receita. Mas, na prática, as mulheres conseguem comprar a pílula sem ela. “Exceto no Chile”, reforça. Ela afirma que embora a maioria dos países tenham normas que regulam a distribuição do contraceptivo de emergência, muitos deles não as aplicam por falta de capacitação, por objeção de consciência ou ainda por falta de insumos. ”Globalmente, temos avançado na última década. Mas de forma muito lenta”, diz Veronica. Continue lendo em Acesso à contracepção de emergência ainda é precário no SUS.
Não há método anticoncepcional 100% seguro. Um dos grandes objetivos da criminalização do aborto é restringir a sexualidade das mulheres. Porque a única maneira de não engravidar é ser homem ou não fazer sexo. E é preciso sempre repetir: quem mais sofre com a criminalização do aborto são as mulheres pobres. Quem tem dinheiro pode pagar caro por um aborto, realizá-lo no exterior ou ter acesso ao contraceptivo de emergência em farmácias. Quem não tem arrisca-se em procedimentos abortivos inseguros e quando leva a gravidez indesejada até o final é completamente esquecida pelos pró-vida após o nascimento do bebê. Especialmente quando é negra.
No dia 21 de março, o Bispo de Guarulhos (aquele mesmo que causou nas eleições de 2010), convocou uma manifestação contra o aborto na Catedral da Sé em São Paulo. Seu objetivo era uma marcha até o Fórum, para protocolar um processo contra as Católicas Pelo Direito de Decidir.
Elisa Gargiulo, Vange Leonel, Cilmara Bedaque e mais quatro pessoas foram até lá para protestar contra o conservadorismo e o obscurantismo que mata milheres de mulheres todos os anos. Foram lutar por um estado laico que não transforme o corpo da mulheres em um campo de batalha.
Em uma atitude extremamente corajosa, Elisa foi até o centro da manifestação, posicionou-se bem ao lado do microfone e abriu seu cartaz que lembrava a morte das mulheres, as verdadeiras vítimas de uma sociedade hipócrita que luta pela vida de um feto, mas não o reconhece ser humano depois que nasce, que ganha raça e cor, ou quando é homossexual, lésbica ou transexual. Só o que importa é o feto. As pessoas nascidas que se danem. A coragem de Elisa é fundamental, assim como a coragem de milhares de mulheres que morreram em abortos ilegais, por causa dessa hipocrisia que causa hemorragia.
“Estou sem palavras para a coragem absurda que se precisa ter para encarar um protesto desse. A coragem que é preciso para ser mulher nesse mundão onde Marias e Aminas morrem por causa de leis absurdas que consideram a mulher um ser humano menor. Eu fiquei olhando a Elisa lá sozinha e pensando na coragem que a gente precisa ter para abrir a porta e sair de casa todos os dias. Se não estivermos uma pela outra, estaremos sempre todas sozinhas. Ser mulher nessa terra é muito solitário…” Mayra Falcini
“Vejam no video. Foi muito agressivo o jeito que os pro-morte me intimidaram e me empurraram com seus cartazes horrorosos. Depois disso, ficaram nos perseguindo e intimidando, aos berros, com direito a TFP e skinheads. Fiquei muito triste. Não só com a truculência mas com a quantidade ridícula de pessoas que estavam lá com a gente. No total eram 7 pessoas se posicionando a favor da legalização do aborto e contra a morte das mulheres. 7 pessoas. De lá, a marcha seguiu pro fórum João Mendes e o bispo Bergonzini protocolou ação pessoal contra o blog das Católicas Pelo Direito de Decidir. Ele exige que as Católicas não mais citem seu nome e ainda pede indenização de 600 mil reais. Fico pensando na violência que sofri hoje e quantas mulheres morreram pra que tivéssemos o direito de protestar e senti certa raiva de quem não bota a cara nas ruas, ficam apenas nas redes sociais. A luta é difícil, eu sei, mas nada vai vir via tuitadas. Estamos lutando pelas vidas das mulheres.” Elisa Gargiulo