Já falei sobre medos de fêmeas e machos.
Essa semana me caiu nas mãos o texto: Como homem, admito: o poder é das mulheres. Ele começa bem. Quando chega na parte: “uma jovem de classe média do eixo Porto Alegre-São Paulo-Rio de Janeiro”, a sirene acende. E aí vem um imenso #mimimi:

Placa de banheiro na California. Foto de bitshaker no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
“Com tanto poder em suas mãos, porém, é importante que as mulheres não se esqueçam da outra metade do mundo. Aquela metade que nunca gerará um filho e não pode sair às ruas para exigir direitos, sob o risco de ser ridicularizada, até porque nem tem objetivos óbvios para perseguir.”
Quando foi que as mulheres esqueceram dos homens? Porque também quero viver nesse mundo em que mulheres são 95% das presidentes de grandes empresas. Em que homens são encochados todos os dias nos transportes coletivos. E, onde a maior prova de que o mundo é ruim para o sexo masculino é que 90% dos mendigos são homens.
No resto do texto ele vai reclamar de que:
- Os homens desta nossa sociedade moderna não lutam pelo direito de disputar o campeonato de nado sincronizado ou de aparecer totalmente nu em uma revista feminina. Se esse é seu desejo, vá perseguí-lo. Tire fotos nus fazendo nado sincronizado, não há problema nenhum nisso.
- Não podem ser pais sem informar a mãe ou realizar o sonho da paternidade por meio de um banco de óvulos – eles só se tornam pais quando uma mulher decide ser mãe de um filho seu. Inveja do útero? Adoção é uma opção, sabe?
- Nos comentários ainda encontramos pérolas como: “Querem igualdade, mas vejo pouquissimas em minas de carvao, estivadoras e outros servicos bracais pezados” (sic).
Porém, o mais absurdo é o constante reforço do binarismo de gênero:
Sem reivindicações, objetivos ou clareza sobre seu papel, esses seres básicos contam apenas e tão somente com a compreensão das mulheres. Querem que elas entendam as suas dificuldades em saber como devem se comportar para conquistá-las e – o mais difícil – fazê-las felizes. Os homens – que no fundo desejam, mais do que tudo, ser reconhecidos e valorizados por aquele que já foi conhecido como o “sexo frágil” – acham cada vez mais difícil agradá-las. Poucos sabem quando o romantismo funciona ou quando é necessário ou recomendável perseguir um maior contato físico.
A verdade é que os códigos, papéis e responsabilidades ficaram confusos demais para um nível satisfatório de comunicação entre os sexos – e a saída está hoje muito mais nas mãos das mulheres. Paralisados diante das mudanças de regras, sem que um novo código de conduta tenha sido estabelecido, os homens sentam-se no fundo da sala à espera de uma nova orientação geral.
É preciso repetir várias vezes: é ótimo que não existam papéis pré-definidos para homens e mulheres. Porque não existem maneiras infalíveis de conquistar homens e mulheres. O que existem são pessoas, com gostos, personalidades, manias e medos distintos. É claro que ser romântico funcionará para algumas mulheres, entretanto, para outras isso não surtirá efeito. Da mesma forma são os homens. Não existem regras para um relacionamento dar certo, o que se pode fazer é tentar conhecer pessoas, ver o que as faz sorrir ou não, quais programas são divertidos ou não. E é justamente pelo fim desse binarismo que temos que lutar, porque quando não há comportamentos específicos para mulheres ou homens as pessoas são mais livres. Não fique reclamando que não há homem que preste no mercado, conheça novas pessoas. Se você teve algum problema no seu divórcio, vá ao terapeuta. Não fique passivamente esperando que mulheres resolvam sua vida, não sente no fundo da sala esperando orientações. Vá viver sua vida, conheça pessoas e descubra que há diversas formas de se relacionar.