Groselha News

Uma Feminista com Uma Garrafa de Groselha na Mão.

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7 pontos sobre Sex And The City 2.

maio 28th, 2010 · Marie Claire

#1. Carrie em 1986 é a filha perdida de Barbra Streisand.

#2. Paula Abdul e Jude Law não aparecem, mas rendem algumas das melhores piadas do filme.

#3. Carrie continua carregando todas as neuroses possíveis que uma mulher que passou a vida lendo revistas Nova é capaz de carregar. Charlotte está mais humana, apesar daquela cara de quem toma activia todos os dias. Samantha continua maravilhosa, escrachada e sempre com um conselho sábio. Seu escritório compete até com o de Mr. Big.  Miranda, que sempre foi minha preferida, está um pouco de lado no filme, mas tem boas cenas, especialmente quando conversa com Charlotte.

#4. A coisa mais bizarra que Carrie usa desta vez é uma marmita de alumínio gigante na cabeça.

Carrie Barbra Bradshaw Streisand
Carrie Barbra Bradshaw Streisand

#5. A moda, as cores, os vestidos, estão todos lá. Deliciosamente vaporosos, leves e confortáveis quando elas estão em Abu Dhabi. Os sapatos não foram tão focados, os vestidos longos são o grande atrativo para os olhos fashionistas.

#6. O filme está muito mais Girl Power! que o anterior. Especialmente nas cenas em que as quatro cantam I am Woman de Helen Reddy e, quando discutem sobre o preconceito da sociedade contra a mulher que tem voz. Há duas cenas especiais em que elas observam mulheres mulçumanas, como vivem, como comem, como são invisíveis para a sociedade, mas não para elas mesmas.

#7. Vi Liza Minelli cantando e dançando Single Ladies. Agora posso morrer em paz. E a trilha ainda tem (a versão fofa que CindyLauper fez para True Colors do Phil Collins) Cindy Lauper com True Colors. (João, avisou nos comentários que a música original é da Lauper).

Assistir Sex and the City para mim é como reencontrar velhas amigas. Então, minha opinião é a de quem acompanhou cada alegria e dor daquelas histórias e se identificou até com as roupas mais extravagantes. O filme continua cheio de consumismo, futilidades e piadas bobas, mas também fala sobre a importância da liberdade para mulheres, casamento e maternidade. Sex and the City 2 é mais do mesmo, mas para fãs é um ótimo motivo para celebrar a amizade. Na minha opinião esse segundo filme é melhor que o primeiro, porque o foco não é mais aquela grande questão se Carrie vai ou não casar com Big. Os conflitos sobre relacionamentos voltam à tona e mostram que é preciso muita versatilidade para se andar de salto alto na areia do deserto. Se quiserem continuar fazendo mais filmes da franquia, não serei contra. ;-)

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#zeofflineday

maio 27th, 2010 · Minha Novela

A internet me trouxe muitas pessoas maravilhosas e uma delas foi o . A primeira vez que nos encontramos em São Paulo ele tinha me dado um número de telefone errado e eu não conseguia falar com ele. Tínhamos marcado na rua depois que eu saísse de um filme que assisti. Isso me lembra que ainda não fui ao cinema com o Zé. Ele chegou meio apressado, meio com cara de quem já se conhece. E desse dia em diante tive certeza que eu e o Zé nos divertiríamos muito. O Zé é meu fotógrafo oficial em SP e tem até um álbum no flickr com meu nome.

O Zé tem cara e jeito de super cool. De ser publicitário, agente literário ou produtor de discos indie. Uma vez o Zé me levou para um encontro do Google Reader. O Zé me ensinou que podemos ficar amigos de gente que conhecemos por meio de comentários no Google Reader. O Zé esse ano começou a fazer podcasts, mas ainda não teve coragem de me convidar para profanar o blog dele com Beto Barbosa, Roupa Nova e afins. Hoje posso carregar um pouquinho do Zé no meu ouvido.

Já andei de metrô com o Zé. Já ficamos conversando em pé numa muvucada estação São Bento, num sábado de manhã. Já falamos sobre cantoras que parecem atendentes de lanchonete romenas. O Zé já me viu bem gripada. Me ensinou o bordão “cadê o companheirismo?”. E me contou sobre Paristuba. E uma vez no ponto de ônibus, o Zé me deu o chaveiro mais cafona que já ganhei na vida, e que usei como broche. Também já andei de trem com o Zé.

O Zé é o tipo de amigo que mora em outra cidade, que encontro uma vez por ano, que falo muito no twitter, que faço comentários troll miguxos no blog, que adora música, cinema, boas baladas, boas conversas e afins. O Zé já me deu tantos presentes. Ele me deu Slave to Love cantada pela Roisin Murphy, ele me deu o Hollywood Mon Amour e a Bic Runga. E o Zé não gosta de música brasileira. O Zé adora ler livros em inglês. E eu adoro quando a gente passeia pela Paulista.

Hoje é aniversário do Zé e acho que você deveria ir lá no zeoffline.com conhecer um mundo de músicas, bandas, cantoras, filmes, livros e algumas saudades. E além de ter me apresentado o Nestor e a Ucha, o Zé tem um irmão gêmeo igualzinho a ele, que eu nunca vi. Mas o Zé eu já vi, e volta e meia bate uma saudade imensa dele. E fico super feliz que uma banda escocesa (que só conheço por causa dele) deu um presentão de aniversário para ele. Parabéns, Zé! Felicidades! Sua miguxa de Brasília te ama muito!

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A Helena que não Viveu a Vida.

maio 14th, 2010 · Minha Novela

A primeira vez que ouvi falar da novela Viver a Vida (2009), veio a notícia de que esta seria a primeira novela das oito com uma protagonista negra. Taís Araújo, que já havia sido a primeira protagonista negra de uma novela brasileira com Xica da Silva (1996), na extinta Rede Manchete, iria superar mais uma barreira, pois também já tinha sido a primeira protagonista negra de uma novela da Rede Globo em Da Cor do Pecado (2004). Ela seria uma Helena, que dentro das novelas do autor Manoel Carlos são grandes protagonistas, mulheres que lutam para mudar seus destinos e serem felizes. A Helena de Taís seria uma modelo famosa internacionalmente, independente, conquistadora e carismática que se apaixonaria por um homem mais velho e castrador vivido por Zé Mayer. Realmente era essa a Helena do início da novela, com seus belos vestidos e a lindíssima cabeleira afro coroando uma atriz negra no papel central. Maneco acertou também ao incluir na trama a família de Helena, acolhedora e unida, toda formada por atores negros. Seus enredos fugiam do tradicional papel do ator/atriz negro/a que geralmente é o empregado/a de uma rica família branca ou faz parte do núcleo que mora no subúrbio. Edite, vivida por Lica de Oliveira, é mãe de Helena e figura central da família, uma mulher forte, inteligente e batalhadora, que está em seu segundo casamento e é dona de uma pousada em Búzios.

Apesar do casamento de Helena com Zé Mayer ser um dos pontos altos do início, a novela acabou ganhando outra protagonista. Helena foi totalmente colocada em segundo plano por Aline Moraes e sua personagem Luciana, uma modelo em início de carreira que fica tetraplégica num grave acidente. Não foi uma questão de a interpretação de Aline Moraes ser melhor e ofuscar, mas sim o fato de que Manoel Carlos parece não ter abraçado realmente sua primeira Helena negra, preferindo focar a trama principal nos dramas e na superação de Luciana. A novela teve muitos pontos positivos ao abordar o tema da limitação física, mostrou a reação dos personagens a notícia, o desenvolvimento do tratamento e as dificuldades na nova vida, inclusive houve uma cena em que Luciana tentou usar um ônibus público adaptado. Tratou também de temas difíceis como a vida sexual dos cadeirantes e as possibilidades de terem filhos. E divulgou projetos bacanas como o “Praia para Todos”.

A trama como um todo foi muito fraca. Manoel Carlos é conhecido como o autor do cotidiano, seus diálogos sempre falaram de trivialidades. Porém, tudo parecia excessivamente feliz, sem grandes dramas. Para quem já escreveu uma trama de muita dor e segredos, como a troca de bebês realizada por Regina Duarte em Por Amor, faltou a Viver a Vida uma expectativa, um “quem será o próximo a descobrir”. Faltou também uma grande vilã, como é de praxe nas novelas brasileiras. Em determinado momento a trama da novela girou apenas entre as traições de diversos casais, como se trair fosse algo absolutamente normal e ninguém sofresse mais por isso. Gustavo traía Betina com a prima dela, Betina traía Gustavo com o instrutor da academia. Marcos traía Helena com Dora, que traía Maradona com Marcos. Luciana traía Jorge com Miguel, que traía Renata, que o traía com Felipe.  Sempre tivemos personagens infiéis em outras novelas, como a Norminha de Caminho das Índias, mas nunca vi algo nesse estilo Quadrilha-de-Drummond. Era tanta traição que não tive escolha.  junto com as colegas de twitter apelidamos a novela de #trairavida.

Algumas cenas de Viver a Vida foram extremamente preconceituosas por tratarem mulheres de uma maneira inaceitável. Confesso que muitas vezes vibro com cenas de briga, apesar de não aprovar violência, há momentos em que queremos nos vingar da vilã que tanto tripudiou em cima da mocinha mosca-morta. Não foi o caso dessas três cenas específicas de Viver a Vida.

Helena é chamada de criminosa por ter feito um aborto. Todos os anos são realizados milhares de abortos clandestinos no Brasil, a grande maioria feita sem equipamentos e profissionais adequados, o que acarreta um grande número de mortes. A questão do aborto não deve ser influenciada por questões religiosas ou dogmáticas, o aborto deve ser decisão da mulher e atualmente é questão de saúde pública. O aborto é uma prática comum, presente em todas as classes sociais, sempre acobertado pela hipocrisia, indiferença e desrespeito com a mulher. A diferença é que quem tem dinheiro faz em clínicas particulares, com toda estrutura. Quem não tem se arrisca em abortos clandestinos que podem deixar sequelas ou causar a morte. A descriminalização do aborto é urgente, pois só quem vai presa é a mulher pobre. E quando Maneco escreve uma cena como essa, em que uma mulher que cometeu um aborto, independente de seus motivos, é achincalhada como criminosa, o autor está fazendo um desserviço ao respeito pelas mulheres e ao direito que elas devem ter sobre seu corpo. É importante que a questão do aborto seja retratada em novelas, mas justamente para acabar com os preconceitos. Vai pensando aí.

Helena leva um tapa de forma humilhante. O racismo do brasileiro está sempre nas entrelinhas, nunca é assumido. Num país como o Brasil exibir cenas em que uma pessoa branca bate na cara de uma pessoa negra ajoelhada, as duas caracterizadas por vestimentas totalmente distintas, é reproduzir cenas de humilhação que podem estar sendo vividas por muitas pessoas negras. Helena poderia estar de pé na hora do tapa, já que a idéia era revidar o tapa da cena que citei anteriormente. Helena poderia estar triste e deprimida, mas com certeza poderia estar usando um vestido simples e bonito, poderia estar com os cabelos soltos. Tereza que tinha descoberto que sua filha estava tetraplégica está bem vestida e maquiada. Por que Helena tem que estar numa posição tão humilhante? Por que a adolescente negra que viu Helena tão bela caminhando por Petra, agora tem que vê-la sendo esbofeteada por uma mulher rica e branca? Quantas Helenas se ajoelhariam e pediriam perdão e apanhariam sem reação em pleno século XXI? Foi com certeza a pior cena de toda novela. E ainda temos que aguentar ela sendo chamada de criminosa mais uma vez.

Marcos persegue Dora pela casa tentando agarrá-la. É tão nojento pensar que homens e mulheres realmente acham isso romântico. Um homem correndo atrás de uma mulher, tentando beijá-la a força, ela negando e depois cedendo como se a paixão fosse incontrolável. Todas as cenas em que Marcos, vivido por Zé Mayer, brincava de Lobo Mau com Dora, vivida por Giovanna Antonelli, eram nojentas. Porque começavam da mesma maneira e terminavam da mesma forma, dando a impressão que mulheres gostam de ser subjulgadas, que basta insistir que uma hora elas cedem, que são atitudes como essa que estimulam a paixão. Isso é violência, isso é forçar intimidade, isso é o tipo de atitude que leva ao estupro. Fugir correndo de um homem que quando me agarra à força diz: “você não tem que querer nada”; é deprimente e nojento. Nenhuma mulher deveria ser tratada dessa maneira, ninguém pode achar que isso é divertido ou sensual, isso é viver de forma humilhante.

Houveram outras cenas ruins, porém essas três foram as que mais me chocaram quanto ao desrespeito. Enquanto mostra as dificuldades e preconceitos enfrentados pelos cadeirantes, Manoel Carlos esquece de acabar com uma série de preconceitos contra as mulheres. Uma grande decepção a maioria das personagens femininas da trama , começam fortes, mas no fim padecem por não terem um homem ao seu lado. Uma pena que a primeira Helena negra seja tão esquecível como heroína. No fim, não consigo imaginá-la como a via no início, como uma mulher que muda seu destino e constrói sua felicidade vencendo preconceitos. Entretanto, neste último semestre houveram três novelas na Rede Globo com protagonistas negras, isso demonstra mudanças.

E como nem tudo são lágrimas e novela também é diversão, além das risadas no twitter, alguns vídeos fizeram a alegria da audiência de #trairavida: Houve os imperdíveis Momento Vanessão 1 e Momento Vanessão 2. Uma Dramatic-Rafaela feita pelo Marmota. E o mais infame de todos É Tetra!

Que venha Passione!

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Adolescência Brasileira no Cinema.

abril 15th, 2010 · Marie Claire

Nos próximos dias, respectivamente 16 e 23 de abril, estreiam nos cinemas 2 filmes que retratam adolescentes brasileiros: As Melhores Coisas do Mundo e Sonhos Roubados.

A adolescência é fervor. A urgência, a impaciência, a aventura, as primeiras vezes povoam cada poro espinhento. Pelo menos foi assim comigo. Hoje sinto falta de ver filmes sobre adolescentes porque, prestes a completar 29 anos, não consigo dialogar com eles. Quase não tenho contato com adolescentes. Qual a idade da adolescência hoje? 11, 13, 15, 17, 21? É preciso dialogar com os jovens, saber o que anda borbulhando por essas mentes que muitos julgam inférteis. A cabeça adolescente é uma fábrica sem fim de pensamentos e as gerações mudam, as tribos se multiplicam, a individualidade dos bandos continua exagerada. O que há nesse turbilhão? Por que parecem cada vez mais indomáveis? Penso que perdemos comunicação, perdemos as brechas de diálogo, as gerações se afastam cada vez mais num abismo inexplicável.

Na safra de filmes estrangeiros sempre houve alguns exemplos: Sociedade dos Poetas Mortos, Juno, American Pie, Aos Treze, Elefante, E Sua Mãe Também, Precious, Kids… E no Brasil? Quem é o adolescente brasileiro pobre, classe média ou rico? Num país com tantas contradições sociais é possível termos os mesmos sonhos e problemas na adolescência? Em quem o jovem da favela, a patricinha do Iguatemi, o revolucionário universitário, o surfista roqueiro vão votar nas eleições? Qual a graça de Gaiola das Popozudas, Justin Bieber, Crepúsculo, NX Zero? Não posso querer que o jovem venha conversar comigo sem que haja um diálogo, sem que eu conheça também um pouco do que ele gosta e vive. Consigo lembrar de Houve uma vez dois verões, Meu Tio Matou um Cara, Era uma vez e À Deriva. Filmes brasileiros que mostram um pouco como é ser adolescente brasileiro em diferentes cenários e diferentes épocas, mas acho que os próximos trazem mais.

As Melhores Coisas do Mundo corre para mostrar um jovem de classe média que divide seu cotidiano entre a família, a escola e os amigos. É também, o jovem que tem a internet como um terceiro braço de comunicação. Lais Bodanzky é diretora tarimbada, com ótimos filmes no currículo como Bicho de Sete Cabeças. Tem uma pegada sincera na sua direção e pelo trailer estou entusiasmada. Espero um filme pra cima, mas que também desvende um pouco daquela solidão de sermos um entre tantos, sem saber para onde ir. O filme é inspirado na série de livros Mano, escritos por Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto.

Sonhos Roubados é o novo filme de Sandra Werneck, que vem desde Meninas focando firme nas adolescentes brasileiras. Meninas, um documentário sobre adolescentes grávidas lidando precocemente com rupturas no cotidiano é sensacional. Sonhos Roubados tem tudo para ser também. Pelo que vejo no trailer, a diretora extrai delicadeza da crueza advinda da prostituição e da necessidade de sobrevivência de três adolescentes de classe baixa. A inspiração para Sonhos Roubados é o livro da jornalista Eliane Trindade, Meninas da Esquina, lançado em 2005, que agora ganha nova edição pela Record. O livro surgiu de uma série de diários feitos por 6 meninas de diferentes estados brasileiros. Dar voz a adolescentes já não é tão comum, dar voz a meninas adolescentes pobres é mais incomum ainda, por isso torna-se tão louvável as iniciativas de Eliane e Sandra. Espero me encantar com cada uma das meninas, sofrer com seus dramas íntimos e sentir as interrupções de seus sonhos por conta da dura realidade. E por fim ter alguma esperança, pois sem ela não há vida possível. Linda também é a música de Maria Gadú para o filme. “Quero o mundo, agora, sem demora. O que desejo ninguém vai roubar”.

Espero que esses filmes tragam elementos para que as pessoas apurem seus sentidos sobre os adolescentes. Faltam políticas públicas específicas para eles, falta diálogo, espaço, apoio, um porto seguro onde possam resvalar seus sentimentos. São inconsequentes, amigos, preguiçosos, ardorosos, revolucionários, consumidores, desligados, desbocados e moralistas. E é preciso travar diálogos, reconhecê-los no que fui, conhecê-los no que não sei. É claro que quero mais, quero ver filmes sobre jovens transsexuais, sobre lésbicas adolescentes, sobre jovens feministas, sobre bissexuais, emos, roqueiros, neo-punks e tudo mais.  E não posso esquecer de citar um outro filme que estreou em circuito pequeno e que também dizem ser muito bom:  Os Famosos e Os Duendes da Morte. É o cinema brasileiro estourando suas espinhas. “Não é impossível ser feliz depois que a gente cresce. Só é mais complicado”.

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