Imagino que quem organiza campanhas de combate a AIDS esteja cansado de falar sobre a importância da camisinha. Porém, a camisinha ainda é o único instrumento real que temos para barrar o vírus e diminuir os números de pessoas infectadas. Os números estão em declínio. As campanhas de prevenção e o acesso aos medicamentos específicos fizeram cair 20% o número de doentes fatais desde 2005. Novas infecções caíram 21% desde 1997. Porém, muitas pessoas não sabem que possuem o vírus. Não existe mais grupo de risco e por causa disso, muitas pessoas nem pensam em fazer o teste de HIV.
O preconceito ainda é muito grande com as pessoas soropositivas. Misturado a falta de informação acaba sendo um obstáculo para as pessoas fazerem o teste e o tratamento. Especialmente no caso das mulheres casadas, infectadas com HIV, a situação pode ser desesperadora. Em agosto desse ano, o programa Profissão Repórter mostrou a situação dos pacientes idosos. Em cinco anos, o número de pessoas contaminadas com mais de 50 anos subiu para 60%. Uma das principais razões do contágio é a falta de prevenção nas relações sexuais.
Qualquer pessoa infectada pode ser tocada, abraçada e merece ser tratada com respeito. Pode dividir o mesmo ambiente e os mesmo utensílios. Mulheres soropositivas podem engravidar. Usar camisinha, promover a distribuição de medicamentos, investir em campanhas de prevenção e combater o preconceito. São as nossas principais armas para lutar contra a AIDS.
A desigualdade de acesso aos direitos entre homens e mulheres também está refletida no aumento do número de infecções na população feminina. Observa-se que, 54% do total de casos identificados até junho de 2009, foram de mulheres com baixa escolaridade (de nenhum até sete anos) e 22% com oito anos e mais de escolaridade. A análise desse indicador ainda apresenta limitações em razão do alto percentual de ignorados.
Nos últimos anos, o principal aprendizado para o enfrentamento da epidemia de aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST) foi que devem ser considerados os componentes econômicos, socioculturais, raciais e étnicos que estruturam as desigualdade sociais. A violência doméstica e sexual contra mulheres e meninas, a discriminação e o preconceito relacionados à lesbianidade, bissexualidade feminina e transexualidade são agravantes na desigualdade entre homens e mulheres.
Continue lendo em DST e AIDS entre mulheres
No Brasil, pela primeira vez o número de mulheres jovens contaminadas com o vírus da Aids superou o de homens. Por isso, o Ministério da Saúde vai mudar o foco da próxima campanha contra a doença. Segundo dados publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo, 48% das novas infecções são registradas entre as mulheres.

Logo da Campanha do Ministério da Saúde
A campanha do governo federal vai ser lançada no dia primeiro de dezembro. O público alvo serão as mulheres entre 13 e 29 anos. Apesar de terem acesso mais fácil a informações do que as gerações passadas, os jovens usam cada vez menos a camisinha. O Ministério da Saúde vai usar as redes sociais e programas de tv para atingir o público atualmente mais sujeito à transmissão da Aids.
O único dado nacional do relatório aponta a necessidade de melhoria no diagnóstico precoce e a consequente oferta de drogas no Brasil, em especial para as grávidas.
Levados em conta, no entanto, somente aqueles que têm diagnóstico, a cobertura do tratamento sobe para 97%. Entre grávidas, o tratamento chega a 50% da estimativa de infecção.
Continue lendo em Há mais mulheres com AIDS do que homens
Embora a transmissão do HIV da mãe para o bebê venha caindo no Brasil, a tendência é de alta nas regiões Norte e Nordeste, segundo dados reunidos pelo Ministério da Saúde. Esse aumento é atribuído a pré-natal malfeito e falta de testes de HIV/Aids. No Sul, apesar da queda, a incidência da infecção por HIV entre crianças é a maior do país.
Os dados que apontam a disparidade regional da transmissão da Aids estão no estudo “Saúde Brasil 2010″, divulgado pelo Ministério da Saúde.
Continue lendo em Pré-natal malfeito e falta de testes fazem HIV avançar entre crianças no Norte e Nordeste
Em resposta à mudança do perfil da epidemia de aids no País – cada vez mais mulheres jovens e em idade fértil aparecem nas estatísticas de novos casos – o Ministério da Saúde vai impulsionar a política que garante o direito de engravidar destas pacientes.
A coordenadora do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, informou que uma série de reuniões está sendo realizada desde novembro do ano passado para criar uma “recomendação nacional e homogenia” sobre a política de reprodução das pessoas que vivem com o vírus HIV. O documento deve ser publicado em junho.
Atualmente, a proporção é de dois homens infectados para cada mulher. No início da epidemia, em 1980, eram quatro pessoas do sexo masculino para cada uma do sexo feminino.
“Existe um preconceito da sociedade misturado à falta de informação. Os riscos de uma mãe transmitir HIV ao bebê é menor do que 1% quando todas as medidas de prevenção são tomadas”, afirmou Mariângela ao citar como indispensável para a concepção segura um acompanhamento do infectologista, um pré-natal de qualidade e também um tratamento adequado dos pais. “Por isso estamos revendo a política de reprodução dos pacientes, que é datada de 2006. Atualmente, a maior parte dos que vivem com HIV está em idade sexual ativa e reprodutiva. Não podemos privar esta parcela do direito que ela tem de ter filhos, se assim quiser.”
Continue lendo em Governo quer facilitar gravidez de soropositiva