Conferências Nacionais

Uma das melhores coisas de 2011 foi participar da cobertura da 3° Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres e da 2° Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos de LGBT, credenciada como imprensa representando as Blogueiras Feministas.

Eu, Ana Rita, Barbara Lopes, Catarina Correa, Cynthia Semiramis, Maíra Kubik, Tica Moreno, Marcelo Caetano, Mariana Rodrigues, Michelle Borborema, Priscilla Brito e Suely Oliveira participamos, debatemos, trabalhamos, observamos, escrevemos e entrevistamos. Construímos uma cobertura mais próxima das pessoas que participaram das Conferências, utilizando blogs, twitter, facebook e youtube. Tenho muito orgulho do conteúdo que produzimos e das conquistas do grupo Blogueiras Feministas este ano. Abaixo links e vídeos resultantes desse trabalho:

#Cobertura da 3° Conferência de Mulheres:

  • Com uma câmera na mão perguntamos a diversas militantes feministas: o que mais avançou nas políticas públicas para as mulheres? E o que você espera que avance? A partir das respostas Ana Rita e Barbara Lopes elaboraram um vídeo que traz a diversidade do feminismo: Políticas Públicas Para Mulheres.

#Cobertura da 2° Conferência LGBT

  • Com uma câmera na mão perguntamos a participantes da Conferência: qual política pública você quer que seja aprovada nessa Conferência? A partir das respostas eu e Suely Oliveira elaboramos um vídeo que mostra a diversidade da população LGBT: Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT.

Tô gata?

Tô correndo de uma conferência nacional para a outra e tentando compreender como o gênero perpassa os movimentos sociais e as políticas públicas de maneiras tão distintas. Tô gata?

Tem texto meu sobre a abertura da 2° Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT no Blogueiras Feministas, não deixe de ler o texto completo.

A presidenta Dilma Roussef foi a abertura da 3° Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, mas não esteve presente em nenhuma outra Conferência Nacional. Ao se ausentar de uma Conferência Nacional com o tema dos Direitos Humanos, e mesmo com a presença do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto de Carvalho, sente-se um afastamento da figura central do Estado brasileiro em um tema fundamental. Após as péssimas declarações dadas pela presidenta na época do cancelamento do kit educacional anti-homofobia mostra-se perigoso aumentar esse distanciamento, especialmente num momento em que o conservadorismo cresce pelo mundo.

Palavras de ordem marcaram uma forte crítica ao governo e recentes decisões que envolvem políticas públicas LGBT: “Ô Dilma, que papelão. Não se governa com religião”; “Ô Dilma, pisou na bola. Homofobia continua na escola” e “Ô MEC, sai do armário, kit educação é prioritário”. No entanto, o ex-presidente Lula foi lembrado com palmas e festejos. Em 2008, ele participou da abertura da 1º Conferência Nacional LGBT ao lado de oito ministros do seu governo. Em várias falas das pessoas que estavam na mesa de abertura, foram lembrados os avanços dos direitos LGBT conquistados na Argentina.

2° Conferência Nacional LGBT

Começa hoje em Brasília a 2° Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos de LGBT. Estarei por lá cobrindo o evento para o Blogueiras Feministas.

Por um país livre da pobreza e da discriminação promovendo a cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, este é o tema da 2ª Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT, que acontece em Brasília de 15 a 18 de dezembro. Coordenada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), a conferência será presidida pela ministra Maria do Rosário, que fará a abertura do evento.

Para ela, afirmar o Brasil como um país que enfrenta a pobreza, as desigualdades e a discriminação é um compromisso do Governo Federal ao convocar o encontro. “O ano de 2011 pode ser considerado um marco da nossa árdua e constante luta pela afirmação dos direitos da comunidade LGBT e contra todos os tipos de discriminações”, afirma Rosário, ao destacar a decisão história do Supremo Tribunal Federal brasileiro, que reconheceu, por unanimidade, em maio deste ano, a união estável homoafetiva e o casamento de duas mulheres, autorizado pelo Superior Tribunal de Justiça.

Continue lendo em Ministra destaca avanços e desafios, ao anunciar a 2ª Conferência Nacional LGBT.

Confira a programação.

Dia Mundial de Combate a AIDS

Imagino que quem organiza campanhas de combate a AIDS esteja cansado de falar sobre a importância da camisinha. Porém, a camisinha ainda é o único instrumento real que temos para barrar o vírus e diminuir os números de pessoas infectadas. Os números estão em declínio. As campanhas de prevenção e o acesso aos medicamentos específicos fizeram cair 20% o número de doentes fatais desde 2005. Novas infecções caíram 21% desde 1997. Porém, muitas pessoas não sabem que possuem o vírus. Não existe mais grupo de risco e por causa disso, muitas pessoas nem pensam em fazer o teste de HIV.

O preconceito ainda é muito grande com as pessoas soropositivas. Misturado a falta de informação acaba sendo um obstáculo para as pessoas fazerem o teste e o tratamento. Especialmente no caso das mulheres casadas, infectadas com HIV, a situação pode ser desesperadora. Em agosto desse ano, o programa Profissão Repórter mostrou a situação dos pacientes idosos. Em cinco anos, o número de pessoas contaminadas com mais de 50 anos subiu para 60%. Uma das principais razões do contágio é a falta de prevenção nas relações sexuais.

Qualquer pessoa infectada pode ser tocada, abraçada e merece ser tratada com respeito. Pode dividir o mesmo ambiente e os mesmo utensílios. Mulheres soropositivas podem engravidar. Usar camisinha, promover a distribuição de medicamentos, investir em campanhas de prevenção e combater o preconceito. São as nossas principais armas para lutar contra a AIDS.

A desigualdade de acesso aos direitos entre homens e mulheres também está refletida no aumento do número de infecções na população feminina. Observa-se que, 54% do total de casos identificados até junho de 2009, foram de mulheres com baixa escolaridade (de nenhum até sete anos) e 22% com oito anos e mais de escolaridade. A análise desse indicador ainda apresenta limitações em razão do alto percentual de ignorados.

Nos últimos anos, o principal aprendizado para o enfrentamento da epidemia de aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST) foi que devem ser considerados os componentes econômicos, socioculturais, raciais e étnicos que estruturam as desigualdade sociais. A violência doméstica e sexual contra mulheres e meninas, a discriminação e o preconceito relacionados à lesbianidade, bissexualidade feminina e transexualidade são agravantes na desigualdade entre homens e mulheres.

 Continue lendo em DST e AIDS entre mulheres

No Brasil, pela primeira vez o número de mulheres jovens contaminadas com o vírus da Aids superou o de homens. Por isso, o Ministério da Saúde vai mudar o foco da próxima campanha contra a doença. Segundo dados publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo, 48% das novas infecções são registradas entre as mulheres.

Logo da Campanha do Ministério da Saúde

A campanha do governo federal vai ser lançada no dia primeiro de dezembro. O público alvo serão as mulheres entre 13 e 29 anos. Apesar de terem acesso mais fácil a informações do que as gerações passadas, os jovens usam cada vez menos a camisinha. O Ministério da Saúde vai usar as redes sociais e programas de tv para atingir o público atualmente mais sujeito à transmissão da Aids.

O único dado nacional do relatório aponta a necessidade de melhoria no diagnóstico precoce e a consequente oferta de drogas no Brasil, em especial para as grávidas.

Levados em conta, no entanto, somente aqueles que têm diagnóstico, a cobertura do tratamento sobe para 97%. Entre grávidas, o tratamento chega a 50% da estimativa de infecção.

Continue lendo em Há mais mulheres com AIDS do que homens

Embora a transmissão do HIV da mãe para o bebê venha caindo no Brasil, a tendência é de alta nas regiões Norte e Nordeste, segundo dados reunidos pelo Ministério da Saúde. Esse aumento é atribuído a pré-natal malfeito e falta de testes de HIV/Aids. No Sul, apesar da queda, a incidência da infecção por HIV entre crianças é a maior do país.

Os dados que apontam a disparidade regional da transmissão da Aids estão no estudo “Saúde Brasil 2010″, divulgado pelo Ministério da Saúde.

Continue lendo em Pré-natal malfeito e falta de testes fazem HIV avançar entre crianças no Norte e Nordeste

Em resposta à mudança do perfil da epidemia de aids no País – cada vez mais mulheres jovens e em idade fértil aparecem nas estatísticas de novos casos – o Ministério da Saúde vai impulsionar a política que garante o direito de engravidar destas pacientes.

A coordenadora do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, informou que uma série de reuniões está sendo realizada desde novembro do ano passado para criar uma “recomendação nacional e homogenia” sobre a política de reprodução das pessoas que vivem com o vírus HIV. O documento deve ser publicado em junho.

Atualmente, a proporção é de dois homens infectados para cada mulher. No início da epidemia, em 1980, eram quatro pessoas do sexo masculino para cada uma do sexo feminino.

“Existe um preconceito da sociedade misturado à falta de informação. Os riscos de uma mãe transmitir HIV ao bebê é menor do que 1% quando todas as medidas de prevenção são tomadas”, afirmou Mariângela ao citar como indispensável para a concepção segura um acompanhamento do infectologista, um pré-natal de qualidade e também um tratamento adequado dos pais. “Por isso estamos revendo a política de reprodução dos pacientes, que é datada de 2006. Atualmente, a maior parte dos que vivem com HIV está em idade sexual ativa e reprodutiva. Não podemos privar esta parcela do direito que ela tem de ter filhos, se assim quiser.”

Continue lendo em Governo quer facilitar gravidez de soropositiva

Brejeira Malagueta

Fiz uma resenha do livro: Frente e Verso – visões da lesbianidade, para o Blogueiras Feministas. Uma coletânea descontraída de artigos sobre mulheres lésbicas. Lúcia Facco, Laura Bacellar e Hanna Korich falam de forma bem humorada sobre o cotidiano de lésbicas, o desejo de promover a literatura lésbica e a necessidade de criminalizar a homofobia e garantir direitos iguais.

Capa do livro Frente e Verso - visões da Lesbianidade

Porém, o mais bacana foi descobrir que no Brasil há um editora que só publica livros de autoras lésbicas. A Brejeira Malagueta é uma editora que tem como objetivo promover e fomentar a literatura lésbica, especialmente livros que tenham finais felizes e muita pimenta nos relacionamentos. As grandes editoras ignoram a literatura LGBT, especialmente as lésbicas, por puro preconceito. Se no cinema, os filmes com temática LGBT atraem vários espectadores, por que a literatura precisa ser sempre heteronormativa, não é mesmo? Essa iniciativa é um importante passo para  a visibilidade lésbica e, para adolescentes que estão descobrindo seus desejos e sentem-se muitas vezes confusas. Além de mostrar as lésbicas como elas são: pessoas comuns, normais, legais (bom, nem todas), tão (des)equilibradas quanto as outras mulheres, porém com a interessante particularidade de gostar (e amar e sentir tesão por e correr atrás de) outras mulheres.

Dentre os livros publicados pela Brejeira Malaqueta, acho que Frente e Verso – visões da lesbianidade é um bom presente para as leitoras e leitores que não são lésbicas, porque traz pensamentos e reflexões que eu, uma mulher predominantemente heterossexual, dificilmente faço. Eis alguns trechos de meus atigos preferidos:

Nas férias, fiz uma viagem de carro de João Pessoa a Natal. No caminho visitei o Projeto Peixe-Boi, que fica em Barra de Mamanguape. Passei, então, por uma pequena (muito pequena mesmo) vila de pescadores. As casas eram humildes, mas com uma característica bastante interessante: todas super coloridas e com flores. Uma sensibilidade tocante exposta em uma comunidade tão pobre.

Observei os rostos das mulheres, crianças, adolescentes e de alguns poucos homens (imaginei que a maioria devia estar fora, pescando). Fiquei, então, imaginando como se comportaria uma menina ou um rapaz que morasse ali e se percebesse com desejos homossexuais. Sim, porque isso não se aprende no rádio nem na televisão chegada recentemente junto com a energia elétrica. O desejo nasce naturalmente, como acontece com todo adolescente. A “diferença” é percebida apenas porque em volta do adolescente homossexual há exclusivamente exemplos de heterossexualidade. Trecho de “É mais difícil em cidades pequenas? de Lúcia Facco.

Muitas pessoas, inclusive lésbicas, encaram a homossexualidade como algo associado exclusivamente ao sexo, ficando portanto em dúvida se contam ou não aos filhos. Afinal, jamais comentaríamos com eles as nossas posições preferidas ou os “brinquedinhos que temos nas gavetas de nossas mesinhas de cabeceira.

Acontece que a homossexualidade envolve muito mais que apenas sexo. Envolve afetividade e postura diante da vida e da soceidade. Envolve nossos próprios conflitos, nossos medos. Envolve possíveis situações constrangedoras a serem enfrentadas. É muita coisa importante para ser escondida das pessoas que são tão importantes – se não as mais importantes – para nós. Trecho de “Mães Lésbicas” de Lúcia Facco

Além da cuidar da editora, Laura Bacellar e Hanna Korich tem um programa de entrevistas no youtube chamado As Brejeiras, vale o clique: