O Fim do Mundo

Chegamos em 2012, mas o fim do mundo estará muito mais próximo de você graças a quatro pessoas supimpas.

Iara, Deborah, Moraleida e Daniel cairão na estrada em breve e para nossa alegria vão contar tudo no: Não é o fim do mundo (ainda).

É maravilhoso saber como a internet aproxima as pessoas e proporciona uma viagem tão sensacional. Mais delícia ainda poder acompanhar pela internet essa turminha do barulho que apronta altas confusões.

Uma das minhas melhores viagens para a Chapada dos Veadeiros - GO.

O Coração

Era uma tarde calorenta. Lá estava ele de terno e camisa, como sempre o vejo. Eu e Frida Marioca bagunçando com ele. E aí, o Marcelo, o Caetano, abre umas folhas meio amassadas, meio escondidas. Declama. Com a voz que ele tira lá do fundo, sem tempo para respirar. Com a memória de quem já releu aquelas linhas mentalmente várias vezes. E quando ele correu, gritei: “publica!” E ele publicou, corra lá: Coração pra compensar.

Heart Anatomy. Imagem de mychoice no Picsy

Do Outro Lado

Janaína, uma menina de 14 anos, negra, baixinha, boca grande e lábios grossos, falastrona e, vista de certo ângulo, divertida, não tem a ponta do dedo indicador da mão esquerda. É o menor de seus problemas. Janaína começou a se prostituir aos 10 anos. O primeiro a abusar dela foi um policial. Ganhou em troca uma pedrinha de crack. Passou a viver na área do Centro de São Paulo conhecida como Cracolândia. Entrou na roda-viva de prostituir-se, ou “fazer programas” – muitos, a cada dia –, em troca das pedrinhas miraculosas – muitas, a cada dia.

“No começo, eu nem sabia o que era programa”, diz Janaína. “Pensava que era programa de televisão.” Dá um sorriso maroto. É o seu lado divertido. Um dia, a pedra do crack estourou dentro do cachimbo e queimou-lhe a mão. “O dedo ficou cheio de pus.” Levaram-na para a Santa Casa de Misericórdia, e teve de ter a ponta do dedo amputada. Foi um acidente grave, mas um nada, um detalhe, uma coisica do tamanho da ponta de seus dedinhos de criança, no contexto geral da vida que lhe foi reservada.

Janaína é um dos adolescentes, entre meninos e meninas, internados no Serviço de Atenção Integral ao Dependente, o Said, uma unidade de tratamento da prefeitura paulistana, administrada pelo Hospital Samaritano de São Paulo. O centenário Samaritano assumiu, em anos recentes, dois projetos de atendimento gratuito a dependentes do uso de drogas. Um é o Said, iniciado em agosto do ano passado no bairro de Heliópolis, perto de uma das maiores favelas da cidade. O outro é o Projeto Jovem Samaritano, iniciado um ano e meio antes no município de Cotia, na Grande São Paulo.

Continue lendo em Do outro lado da Lua.

Matéria de Roberto Pompeu de Toledo.

Publicada na Revista Piauí edição 56, maio/2011.