Meia-Noite em Ponto em Xangai

A longa bata de brocado azul caiu-lhe aos pés. Avançou nua em direção ao espelho de moldura de laca vermelha. Girou sobre os calcanhares para se ver de perfil. Levantou o busto. Encolheu o estômago. Olhando ainda para o espelho, como se convidasse a própria imagem a acompanhá-la, mergulhou na banheira. Cerrou os olhos, a mãos flutuando à altura do ventre. Um leve rubor coloriu-lhe o rosto. Ficou assim imóvel durante algum tempo.

Trecho de “Meia-Noite em Ponto em Xangai”. Conto de Lygia Fagundes Telles no livro “Antes do Baile Verde”, página 83.