Porque não transo sororidade

De uns tempos para cá tem surgido no feminismo internético o conceito de sororidade. Nada contra mulheres se unirem, compartilharem experiências, se juntarem em grupos de apoio. Os grupos de consciência foram um importante elemento da Segunda Onda do Feminismo norteamericano, incorporados em ações feministas de outros países, incluindo o Brasil. Porém, eu chamaria isso de solidariedade feminina.

Tenho um certo incômodo com a origem da palavra ‘sororidade’. Porque ‘soror’ é o tratamento dado a freiras. Não curto pensar numa irmandade feminina com mulheres enclausuradas. A partir daí, começo a acreditar que o conceito é muito limitado e que acaba fechando-se dentro de si mesmo. Também me causa incômodo frases como: “mexeu com uma, mexeu com todas”. Porque essa universalidade da mulher não é real.

sisterhood_sororidade
imagem do tumblr Chibambo.

Outro fator incômodo é a sensação de que a proposta de sororidade limita as críticas internas ao movimento feminista. É muito comum, sempre que há uma discordância sobre algum tema entre feministas, as pessoas reclamarem de estarmos “rachando” o movimento. Então, é preciso lembrar que como qualquer outro movimento social, o Feminismo também é um espaço de disputa de poder. Além disso, é formado por pessoas e ninguém é obrigada a gostar da outra, ninguém precisa tratar outra feminista como uma companheira.de luta. O que esperamos é que os debates sejam feitos com respeito e pautados em questões pertinentes.

Porém, quando falamos de debates na internet, precisamos falar também de egos. Porque é muito óbvio que no ambiente virtual nossos egos, alteregos e superegos tomam uma proporção bem diferente daquela conversa na mesa do bar ou do debate na faculdade. Então, outra coisa que percebo no conceito de sororidade é uma certa infantilização do debate, especialmente quando as pessoas reclamam do “racha” no movimento, como se devêssemos a todo custo evitar conflitos. Quando, na verdade, esse processo faz parte da construção do movimento feminista, porque lidamos com novas situações e demandas todos os dias. Precisamos construir, remixar, analisar, refazer e criar soluções constantemente. E isso, coletivamente, não é simples.

O conceito de irmandade, de ter “irmãs feministas” também é algo que me faz pensar se não estamos lidando com uma certa carência das pessoas. Porque é bacana encontrar um grupo para fazer parte. É visível que a internet proporciona essa aproximação entre pessoas com os mesmos objetivos, gostos e ideologias, que muitas vezes moram longe ou se sentiam solitárias em seus microcosmos. Porém, acredito que esse sentimento de que “o patriarcado ganhará enquanto discutirmos entre nós” é muito simplista. A maioria dos debates que participo ocorre com outras feministas, é claro que existem discordâncias, conflitos e disputas. Elementos muitas vezes fundamentais ao processo.

Dissidências podem ser saudáveis, porque geram novos grupos. É muito bom ser acolhida em um grupo feminista, quanto mais existirem, melhor. O importante é promover sempre a comunicação e cooperação entre os diferentes grupos.

Não vou entrar no âmbito da discussão sobre alguns grupos que pregam a sororidade e excluem grupos minoritários e marginalizados de mulheres, Luna fez isso muito bem no texto: Sororidade 101: sobre feministas brancas, cisgêneras e classe média. Minha proposta é pensar como o conceito de sororidade pode estar pregando um Feminismo em que mulheres andem de mãos dadas, sem questionar posições individuais e criando uma ideia de movimento inclusivo e fofo que não traz propostas e resultados concretos para TODAS as mulheres.

Sei que o conceito de sororidade pretende lutar contra a ideia de que as mulheres tem inveja umas das outras e não podem ser verdadeiras amigas, fora o reforço na autoestima das pessoas que fazem parte de um mesmo grupo, especialmente em situações de violência. É óbvio que a maioria das mulheres tem amigas, mas elas próprias costumam reforçar esse estereótipo. É uma proposta bacana, mas que não me atrai como um todo. Minhas impressões ainda o olham como um conceito individualista e restrito a pequenos grupos, sem grandes propostas no macrocosmo, visualizo um convento. Como consequência, acaba sendo uma panelinha.

Foto de Toby Thorne no Flickr, todos os direitos reservados.
Foto de Toby Thorne no Flickr, todos os direitos reservados.

Nada contra panelinhas de amigas. Tenho as minhas. Porém, não quero que minhas amigas me vejam como parte de uma matilha, sempre pronta a atacar quando o grupo está ameaçado. Quero que me corrijam, me digam se estou fazendo algo errado, que critiquem o que escrevo ou falo, além de me mandarem corações, apoio e amor via redes sociais. Porque é parte da nossa construção coletiva de Feminismo. É também parte de um pensar que vá além do nosso cotidiano. Buscar novas concepções de política e desenvolvimento para as mulheres. E, principalmente, sair as ruas. Para quebrar nossas santas internas em público.

É muito bom ver tantas mulheres, especialmente jovens, dispostas a levantar a bandeira do Feminismo na internet, a se entitularem feministas. Mas, os conceitos não podem ficar na esfera do privado, no discurso das opressões que as mulheres sofrem sem abarcar os diversos problemas sociais que temos.

Hoje, abarcar a diversidade, reconhecer as diferenças, falsas simetrias e privilégios existentes entre diferentes grupos de mulheres é fundamental para fazer o Feminismo avançar. “A Mulher” pode ser oprimida ou opressora, tudo vai depender do contexto em que está inserida, reconhecer isso significa sair de um amontoado de pequenas questões pessoais para enxergar o quão complexo é o terrível patriarcado. Porém, vale sempre lembrar, não é ele nosso único inimigo.

Há outros conceitos de sororidade. Zaíra Pires, no texto ‘Sobre transexualidade, feminismo interseccional e sororidade‘ diz que: “sororidade é entender que as engrenagens que me oprimem são as mesmas que o fazem com muitas outras pessoas e incluir mais vozes no meu grito, para que ele seja mais alto, mais efetivo, mais exigente, mais pungente, alcance mais ouvidos. É incluir. É dar voz. É respeitar. Rever privilégios”.

Não é o que sinto quando vejo as pessoas usando a cartada da sororidade nas discussões. Talvez o termo tenha sido apropriado por um grupo mais intolerante e eu esteja com a impressão errada. Por isso, insisto em usar as palavras solidariedade e amizade. As vezes, não precisamos de novos conceitos para resgatar sentimentos necessários.

[+] A corrente principal do feminismo alienou muitas mulheres e isso precisa parar por Lauren Rankin.

[+] A segunda onda feminista no Brasil (.pdf) por Hildete Pereira de Melo e Schuma Schumaher.

[+] “Encontros tudo a ver”. Reflexo dos grupos deconsciência do Feminismo de Segunda Onda na produção do sujeito político do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS/MG) por Felipe Bruno Martins Fernandes.

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

48 comentários sobre “Porque não transo sororidade”

  1. Bia, posso te dar um beijo? Obrigada por elaborar tão bem sobre a ruindade dessa palavra, tá? Eu só achava ela horrorosa mesmo, agora posso argumentar de forma adulta 😛

  2. Super bola dentro, Bia. Não podia ser mais. Acredito que essa não é apenas uma postura madura, porém necessária como defesa do próprio movimento contra tentativas de monopolização partindo deste ou daquele grupo. É preciso de uma vez por todas incorporar um conceito moderno de “movimento”, que é inteiramente distinto de partido ou organização de classe. Quando ao “mexeu com uma, mexeu com todas”, confesso que não era assim que eu entendia: meu entendimento era o de um chamado de solidariedade militante, apenas. Na linha do “pessoal, rolou uma treta séria aqui, essa pessoa está precisando de apoio: veja se é o seu caso apoiá-la”. Mas só nesse sentido.

  3. Oi, Bia, desculpa a invasão, mas minhas amigas feministas usam muito a palavra ‘sororidade’ e eu acho muito legal, uma palavra só pra união entre mulheres. E, mesmo no Brasil ela sendo usada basicamente por freiras, ‘sorority’ já está na nossa boca, vimos em filmes de faculdade, e vimos dentro do feminismo também com algumas autoras e já alguns grupos se chamando assim faz um tempo. Sendo assim, também não considero uma palavra nova, mas uma alta de uma palavra que já era conhecida. Tanto que vi leigas e leigos entendendo do que se tratava – talvez por um fundo religioso, mas acredito que só até onde se chama gente da sua congregação de ‘irmãos e irmãs’.

    Minha tristeza com quem está criticando o termo, seja por motivos ‘linguístico’ seja pelo mal uso, é o de que a instituição de camaradagem masculina nunca é colocada em cheque, se alguém erra é porque falhou com a irmandade e pronto. Por mais q tenha ouvido críticas sobre a crueldade desses grupos, a união e os laços entre homens, poucas vezes vi alguém duvidar. Já na feminina a descrença nesse poder de opinião vem quase automática. Claro q é natural discutir problemas na sororidade, problematizar a união forçada ou quem está ficando de fora, denunciar falsos laços, etc. Mas duvidar da própria existência desse tipo de laço único, ou quem se vale dessa idéia pra criar seus grupos de resistência, acho problemático. Outro problema é que estou assistindo também mais uma ‘cisão’, que é a de quem gosta da palavra, usa com orgulho, e a de quem tem ressalvas, ou abomina, ou desacredita.

    Daí, não tem nenhum sentido eu dizer como acho q mulheres têm q se relacionar, posicionar seus grupos em relação a outros, etc, eu seria muito mané se invadisse essa parte da conversa também. Mas, no geral, me conforta a existência de uma palavra q insinue q a conexão entre mulheres podem ter um quê a mais em relação à conexão entre homens e mulheres, e que aí há uma chance de laços eternos que evoquem um valor diferente, como as tantas palavras q existem para homens fazem o tempo todo (brodagem, manos), ou mesmo as que teoricamente são neutras, mas que por contexto acabam evocando uma idéia de grupo masculino, como fraternidade, diretoria, exército, facção, time. Acho q sentimentos únicos merecem palavras únicas, pouco importando se haverá ‘mal uso’ ou se existem outras com significado parecido. Ainda mais nesse caso, em que a própria palavra nem nova é, assim como o sentimento não é, mesmo q muita gente resolva combater q ele exista, etc. Fora isso, pessoalmente como alguém que acompanha a trajetória de feministas q admiro muito, acho o brilho na alma q desperta nas mulheres que visualizam *a sororidade* impagável :).

    Só um desabafo pq eu realmente gosto da palavra, Se você achar que pode causar algum conflito por aqui, entendo 100% se vc tirar, não vou achar ruim de maneira alguma. Até mais.

    1. Oi Guilherme, como eu disse, nada contra as pessoas formarem grupos de resistência, a mínha pergunta é: esses grupos beneficiam apenas o grupo ou favorecem o feminismo como um todo? Fico com a primeira opção. E isso não significa que é ruim, apenas que não é esse tipo de construção que quero fazer, por isso no título deixo claro que eu não transo sororidade, porque acho que um grupo, mesmo de resistência tem que enxergar além dele.

      Também me incomoda a ideia de pensar em algo para se contrapor a irmandade masculina, porque não saímos dessas dicotomias. É apenas uma crítica a proposta de sororidade que chegou até mim, especialmente por meio dessas imagens.

      Para mim, o Feminismo é antes de tudo político, então cisões e dissidências fazem parte e, apesar de ficarmos tristes num primeiro momento, vejo sempre ótimas iniciativas sendo criadas e novos grupos surgindo. Quanto mais grupos feministas existirem, maior a possibilidade das mulheres encontrarem acolhimento neles. E isso aconteceu em praticamente todos os grupos feministas dos quais fiz parte, o importante é não perder o contato, diálogo e interação.

      1. “É apenas uma crítica a proposta de sororidade que chegou até mim” – agora entendi :), É um caso específico então que você observou. Achei que você falava da palavra no geral. E daí como já tinha visto muito o conceito por aí, até por certas línguas terem alguma variação de ‘sóror’ pra irmã, e na igreja isso ir alé de freiras, resolvi defender só a própria existência do conceito.

        Aliás, tomara que aqui no Brasil o foco saia logo desse contexto restrito que você observou e tenha um significado mais amplo. Eu inclusive acredito que a idéa pode facilitar as cisões e incentivar a pluralidade, por trazer essa idéia de que pode haver dissidências sem se perder o diálogo. Também porque, isso pode ser só da minha observação, mas vi surgirem mais confltos entre grupos por se basearem na idéia de que um não tem nada a ver com o outro, a ponto até de dizer que uma pauta atrapalhava a outra, ‘roubava a cena’, etc, do que conflitos gerados por alguma necessidade forçada de se criar um feminismo universal e uma ‘mulher universal’, como ouvimos relatos do passado. É péssimo mesmo dizer ‘*nós somos* a sororidade e o resto não”, mas seria bem legal algo como ‘somos grupos restritos, com pautas próprias, mas que conversam entre si’. Algo a ver com reconhecer diferenças (ou privilégios),e valorizar grupos restritos e pautas próprias, não de passar por cima deles em nome de um suposto grupo maior ou uma luta maior. Pelo menos foi o que me passaram.

        Ah, e não digo como contraponto à irmandade masculina, mas como reconhecimento de que é um conceito que só se reconhece em contextos masculinos. Quer dizer, tomara que o imaginário não distorça mais uma vez um conceito feminista. Mas acho que só o cenário político vai nos dizer o que ‘sororidade’ vai significar no Brasil daqui um tempo, né? Só escrevi por receio de ver o lado positivo do conceito sendo jogado fora junto por conta de como ele apareceu nesse novo contexto que você comentou. Mas é isso (agora entendi que é alguma treta da qual não estou sabendo, rs). Abraços!

        1. Não é uma treta. É mesmo a divulgação, especialmente no facebook e em blogs de um conceito de sororidade que prega esse sentimento de matilha e de que “enquanto brigamos entre si o patriarcado vence”. Para mim são ideias muito simplistas que não avançam na discussão dos problemas reais que o feminismo precisa abarcar.

          Mais uma vez, nada contra grupos de mulheres, mas se não há propostas além de acolhimento e defesa em bloco, é algo que não me interessa. No fim do texto cito outro conceito de sororidade, mas ainda acho que não é como ele está sendo usado majoritariamente pelo feminismo na internet. Então, a minha pergunta é: posso ressignificar um termo individualmente, sendo que no macro ele é divulgado e usado de outra maneira? Acredito que não, por isso sigo sem usá-lo.

          E não acredito também no conceito de irmandade masculina como algo em que todos se ajudam, acredito que seja só impressão. Uma imagem criada, porque homens em geral evitam conflitos entre amigos e não discutem, apenas ficam em assuntos triviais.

          1. Então, é que minha impressão é que você está achando o termo simplista por não concordar com certo grupo que está divulgando e o jeito que ele está divulgando. Tanto que você diz ao mesmo tempo que estão tentando criar uma união forçada e que estão segregando certas mulheres – uma crítica válida pra um coletivo, mas pra um termo fica paradoxal, porque ou ele une ou ele segrega.

            Também não acho que essa divulgação e uso que você aponta represente todo o macro dessa palavra no contexto brasileiro, pois eu mesmo já vi vários. A própria imagem que ilustra o texto, se não me engano, foi uma Maiara da MdV SP que traduziu, de uma versão que usava “sisterhood”, e a dica de usar “sororidade” foi de uma amiga minha tradutora, que pelo que me contou só pensou em uma palavra correspondente. Eu me pergunto como serão as próximas vezes.

            Quanto à irmandade masculina, concordo que é só uma impressão, mas o que digo é que ela tem o privilégio de não ser desacreditada. Assim como alguém pode desmascarar o poder público, mas poucas pessoas diriam ‘poder público é o caralho’ (anarquistas, talvez). Já a própria existência de algo como sororidade é desacreditada a todo tempo.

            Bom, mas acho que passei o limite da inconveniência aqui, a idéia não era começar apontar coisas que eu discordo ou que acho que você devia pensar diferente, só contar que estou vendo minhas amigas viverem um contexto legal baseado nessa palavra, em certos grupos por aí, e pelo menos dois não-relacionados. Entendi o problema que você viu de desvirtuação, vou ficar de olho nisso, e aposto que vai ser importante pra muita gente ler esse seu toque. Só estou aqui também pq te leio sempre e temos colegas em comum, rs, então desculpe mesmo pelo antagonismo. Um abraço.

  4. Só uma mínima correção, pq saiu torto ali o “laços entre homens, poucas vezes vi alguém duvidar”: quis dizer q nunca vi ninguém duvidar da própria existência da irmandade masculina, por mais q daí se diga q ela é vil, segregadora, traiçoeira. Não se duvida desses conceitos como se duvida da simples existência de sororidade feminina/solidariedade entre mulheres. Claro q não foi o caso desse post (apesar de infelizmente ter ouvido gente simpática ao feminismo dizendo basicamente isso). Valeu, desculpe de novo pela amolação.

  5. olá, bia! seu texto traz reflexões pertinentes sobre o mov feminista e sobre a palavra sororidade. pena que não possamos conversar pessoalmente sobre este post. a conversa pela internet perde um pouco de um contato mais forte quando estamos de maneira presencial. concordo que não podemos usar a palavra sororidade para não observarmos o nosso comportamento e de uma outra compa feminista que dê um vacilo, para falar de maneira rasteira. mas com certeza, das feministas que convivo, isto nunca aconteceu e a palavra sororidade expressa no meu ponto de vista a vontade de podermos nos ver como irmãs mesmo e vivenciarmos isto, acabando com a rivalidade, inveja, e competição que ainda rola. se isto é utopico, bem vamos fazer com que deixe de ser. só depende de nós.

  6. Deu um nó na minha cabeça esse texto. Eu não via o termo sob essa ótica, mas vou reparar mais. Porque pra mim, a sororidade vai ao encontro da ideia de que devemos combater o estereótipo de que toda mulher é antes de tudo rival e isso enfraqueceria nos juntarmos para lutar por questões que nos são caras.
    Nunca relacionei o termo a feministas de diferentes correntes não poderem divergir por enfraquecimento do movimento. Há feministas que apoiam a legalização da prostituição, há feministas totalmente contrárias e isso apenas alimenta o debate, é normal.
    Sobre o mexeu com uma, mexeu com todas, também sempre vi de uma forma positiva, no sentido de que vítimas de violência costumam ser questionadas sobre o crime e, a princípio, sempre estamos do lado da vítima, para que não seja revitimizada, pela sociedade, sistema jurídico, sistema de saúde etc.
    Enfim, vou rever o uso do conceito, porque é sempre bom quando nos colocam dúvidas sobre nossas certezas.

  7. Olá Bianca, eu sou a autora dos dois cartazes que você usou na sua imagem. Gostaria de pedir, por gentileza, que você os retire do seu post. Fiquei bastante chateada e incomodada com uma feminista usando meus cartazes sobre sororidade para criticá-la. O termo sororidade, para mim, tem a ver com sobrevivência, entre minhas amigas, companheiras de luta e minhas familiares e ancestrais. Se hoje eu existo, vivo e sobrevivo, foi pela sororidade de toda a geração de mulheres da minha família que sobreviveram e que hoje me apoiam e me ajudam. Para mim, sororidade não é um grupo de amigas infantilizadas brincando de feminismo. São mulheres que podem se apoiar uma nas outras para que a opressão não doa tanto. Enfim, a sororidade é questão de sobrevivência ao patriarcado. E o termo é empoderador ao fazer com que enxerguemos outras mulheres como iguais, em suas especificidades.

    1. Maiara, você percebe que está corroborando justamente minha crítica? De que não podemos criticar algo dentro do feminismo. Que ótimo que para você é empoderador, estou apenas mostrando outra visão, que é corroborada por algumas outras feministas, como você pode ver nos comentários. Dizer que é infantil não é uma ofensa, é uma crítica. Por isso, não vou retirar os cartazes. Acredito que o importante é justamente dialogarmos e não pedir que imagens sejam retiradas. Você pode, por exemplo, indicar aqui posts que retratem a sua visão de sororidade ou até mesmo escrever seu próprio post em resposta a esse.

      1. se fosse uma foto da Maiara você iria retirar, Bia? Porque não retira as imagens, já que fazem parte dela? Fazem parte de quem ela é. A arte é algo muito pessoal.

        1. É claro que uma foto dela eu retiraria, nem postaria. Porque não estou criticando uma pessoa, estou falando de um palavra que está sendo difundida. Tanto que não linkei nenhuma página específica do facebook ou blog, porque essa crítica não é pessoal a ninguém.

          Entendo que a arte é algo muito pessoal, mas acredito que se me pedem para retirar imagens que não tem assinatura, estão justamente me dizendo que não posso fazer uma crítica, corroborando todo meu texto. E aí serei obrigada a fazer um post explicando que justamente por corroborarem o que critiquei fui obrigada a retirar as imagens que são fundamentais para contextualizar o texto. A proposta da crítica é justamente dialogar. E eu estou dialogando com 3 outros textos que linkei que falam sobre sororidade, com diferentes conceitos.

          1. então, mas o lance é que ela disse assim: “Olá Bianca, eu sou a autora dos dois cartazes que você usou na sua imagem. Gostaria de pedir, por gentileza, que você os retire do seu post.”
            As imagens não estavam assinadas, mas ela te pediu… Isso não é diálogo?

            1. Ligera, isso pra mim não é dialogar com meu texto. É pedir para eu retirar as imagens de um post. Eu estou dialogando para não retirar, mas se ela não quiser rever vou retirá-las sem problema.

      2. Bianca, eu não quero te convencer sobre o que eu penso sobre sororidade, ou te mostrar como isso é importante ou não para mim. Só gostaria de pedir respeito ao meu trabalho. Não gostei de ver meus cartazes ilustrando esse texto. Você pode escrever o que quiser, só peço que não ilustre com meu trabalho.

        1. Maiara, seu trabalho chegou até mim e eu não tinha como saber que eram suas. Foi por causa delas e do que tenho visto na internet que escrevi esse post. As imagens que você fez são fundamentais para ilustrar as ideias. Não estou tentando convencer ninguém, mas dialogar sobre o conceito. Você entende o quanto é repressivo pedir que retire algo fundamental de um texto que propõe justamente discutir sobre feminismo para melhorá-lo, avança-lo ou reconhecer que o conceito de sororidade tem sido importante para muitas pessoas?

          1. Cara, inacreditável isso. Você se apropriou de uma imagem alheia e está mantendo ela aqui apesar dos pedidos da autora? E dando a desculpa de que o pedido dela é que é repressivo?

            Se a imagem é fundamental para o seu texto talvez seja porque ele é fraco e não se sustente sozinho, já pensou nessa hipótese?

            Não dá pra crer nisso. Cabe processo aqui!

            1. Cyntia, não estou me recusando a retirar a imagem, estou dialogando com a autora para ver se ela me autoriza a continuar usando. Como ela não autorizou, retirei, mesmo achando que esse tipo de atitude corrobora tudo que está no meu texto ao não aceitar críticas. E nossa, que legal ameaçar de processo, hein? É assim mesmo que a vamos aprendendo mais sobre o conceito de sororidade.

              1. Ela pediu várias vezes, você deu a desculpa de estar “dialogando” para não tirar. Só retirou depois de muita reclamação e não sem antes usar a oportunidade para criticar a autora da imagem por ela estar fazendo um pedido perfeitamente justo a você.

                E ONDE eu ameacei alguém de processo? Só disse que é caso onde CABE processo. Enorme diferença. Eu não sou a dona das imagens, não tenho como processar ninguém aqui, muito menos ameaçar.

                E olha, o Guilherme Balan já tinha avisado que a imagem era da Maiara e você vem falar que não sabia. Como assim?

                Como a distorção parece ser a tônica do blog, não vou voltar a comentar aqui.

                1. Cynthia, se você vem aqui e diz que cabe processo é claro que você está considerando a possibilidade de ela me processar. E eu acho que tenho sim direito de um tempo para dialogar e se ela realmente se mostrar irredutível eu retiro. Não demorou nem 24 horas, viu? Como a repressão parece ser sua tônica também, continuo aprendendo muito sobre essa tal sororidade.

    2. Vééééi, muita cara larga falar que a arte é sua, sendo que é coppyada e traduzida de outra pessoa!! FUuUuUuUuU!!!!!

  8. Achei o texto meio equivocado. Entendo e concordo que sororidade não deva ser usada para calar as criticas em nome dessa “camaradagem”, quem fizer isso está claramente se valendo do termo para oprimir a voz da outra, mas acredito que a autora limitou a sororidade a esse mau uso (completamente errado e condenavel). Acho igualmente simplista dizer que nao gosta do termo porque ele esta associado às sorors de convento, como se o convento não fosse um dos lugares de maior opressão nos séculos passados, onde o termo foi cunhado. Sororidade, no recorte contemporaneo feminista é um conceito em construção, nesse sentido, é muito válida a critica da autora, mas, ao mesmo tempo, é um desserviço sugerir que abandonemos a palavra, devemos pratica-la da maneira correta (“sororidade é entender que as engrenagens que me oprimem são as mesmas que o fazem com muitas outras pessoas e incluir mais vozes no meu grito, para que ele seja mais alto, mais efetivo, mais exigente, mais pungente, alcance mais ouvidos. É incluir. É dar voz. É respeitar. Rever privilégios”.) para somar na sua elaboração e fixação enquanto prática dentro do movimento.
    Voltando ao resgate do termo, ela também ignorou estrategicamente que as palavras, assim como qualquer coisa, transformam-se com o tempo e se ressignificam, jogar a sororidade pra dentro da igreja me pareceu um argumento forçado.. =(
    Sororidade não é uma noção de matilha, é o sentimento de união que deve perpassar todxs aquelas que sofrem por conta do machismo, de entender que por mais diferente que sua dor seja da minha, por mais que talvez eu nunca venha a entender completamente o que x outrx passa, eu me posicionarei ao lado delx para combater o inimigo comum, não porque somos um clubinho, mas porque compreendemos muito bem a origem da agressão que todxs sofrem.
    (acho importante esclarecer que “dar voz” não é um ato de benevolência, é a obrigação dos privilegiados de falarem menos e ouvirem muito, muito muuuuuuuuito mais)

    1. Luska, a minha pergunta então é: posso ressignificar e usar individualmente um termo que majoritariamente é usado de outra forma? Porque vi que há outros conceitos de sororidade, mas o que tenho visto é principalmente esse movimento de não aceitar críticas. Então, realmente não me sinto com vontade de utilizar a palavra, mesmo gostando muito do conceito que a Zaíra Pires apresenta e que cito no final.

      1. Hm, usar individualmente? Eu não to falando de um plano individual, conversei com bastante gente sobre o texto antes de comentar, sabe, pra ver se eu nao tava sendo ingenua na minha concepçao de sororidade, entao nao sei se é o caso de dizer que isso é uma ressignificaçao individual, porque muita gente pensa da maneira que coloquei ai (o que nao acontece nos meios que voce frequenta, como voce disse aqui em cima). Ah, se voce nao se sente a vontade pra usar a palavra, beleza, não use, mas acho complicado restringir o significado dela baseada em apenas um recorte possivel. Entende que minha critica é sobre abandonar totalmente o termo quando na verdade existe um lado muito bom dele e que deve ser reforçado? (reforçado a ponto de suprimir a pratica errada, inclusive) =)

  9. Sobre a questão da sororidade, concordo com você, Bia, quando diz que há mesmo muitas sororidades que não passam de grupos bem fechados de feministas que se utilizam de sua articulação para silenciar outros grupos e esculhambar outras feministas. Não raro, esses grupos têm uma “líder” a quem praticamente as integrantes pedem a benção antes mesmo de pensarem ou criticarem algo. Muitas dessas integrantes estão tão acostumadas a dar um ctrl c + ctrl v nas ideias da ‘líder’ que nem parecem ter senso crítico. Entram nas discussões raivosas, com frases prontas, não estão dispostas a dialogar com outros feminismos, se se vêem em desvantagem na discussão, chamam as outras para fazerem coro ao que falam, mas não argumentam.

    É. Tem vários grupos de feminismo assim.
    Inclusive entre feministas radicais.

    Isso enche o saco, isso impede o amadurecimento de qualquer pessoa dentro de um movimento e ainda por cima – a cereja do bolo – afasta sim ainda mais as feministas, impedindo qualquer diálogo, qualquer criação de rede para proteção de mulheres em vulnerabilidade e uma melhora de manifestações e movimentos sociais.

    Já vi sororidades interessantes. Já vi várias feministas que aplicam o conceito da sororidade de uma forma comovente: troca de materiais de estudos, ajudas em pesquisas feministas, tradução de materiais; criar ambientes em que as mulheres se sintam confortáveis para falar sobre violências, sobre sexo, sobre problemas pessoais; o hábito de respeitar os diferentes feminismos, de ser capaz de explicar um determinado feminismo do qual não compartilhe das ideias, saber lidar com as diferenças ideológicas sem levar pro lado pessoal, respeitar feministas ao invés de difamá-las e incitar as “amiguinhas” contra ela.

    Então, por isso mesmo, acho lamentável e tosco quando vejo feministas agindo de forma mais “anti irmandade” possível, mas pregando a “união” acima de tudo.

  10. Bia, seu texto foi usado por duas amigas que fazem parte de um círculo de amizades machista, violento, opressor e nocivo; uma dessas amigas tem um relacionamento com um namorado violento e arrogante, e a outra já sofreu uma tentativa de estupro de um amigo desse círculo, mas não quis denúnciá-lo e teve que “perdoar” por pressão da galera. Digo que seu texto foi usado pois elas o postaram em rede social e o defenderam, criticando a sororidade e equívocos de feministas, enquanto vivem nessas situações/realidades opressoras horrorosas.
    Não quero acusar-te de rachar o feminismo, ou dizer que seu texto está sumariamente errado, mas o que vi foi ele ter sido usado para este fim. Continuo pensando, lendo e debatendo o tema…

  11. Eu realmente não compreendo essa implicância com o termo “sororidade”, sendo que frases que ilustram muito bem essa ideia como “mexeu com uma, mexeu com todas” são super apoiadas e divulgadas entre os grupos feministas que inclusive criticam o termo.

    Resolvi comentar no texto, porque eu só sou feminista hoje por causa da sororidade, dessa ideia de “mexeu com uma, mexeu com todas”, por causa da desconstrução da ideia de que amizade entre mulheres é falsa e do companheirismo feminino, porque na época, a gente não conhecia o termo. Mas a primeira vez que li sobre ele, eu levei para o grupo pra mostrar que o que vivíamos não era uma irmandade, era uma sororidade.

    Uma comunidade do orkut, que até tinha homens, mas a participação de mulheres era bem mais frequente, foi a origem do meu feminismo, foi a origem dos meus questionamentos sobre meus privilégios, inclusive quanto mulher branca. E isso aconteceu porque o ambiente era de companheirismo, troca e diálogo. Lembro de inúmeras discussões intensas sobre diversos assuntos entre as pessoas que eu ainda vejo como irmãs. Então não entendo essa crítica ao termo sororidade como se ele significasse pessoas que pensam exatamente igual e jamais questionam uma a outra, porque eu nunca vivi qualquer amizade que não houvesse conflito, discordância, questionamento e reflexão.

    Um exemplo de sororidade: quando as organizadoras da Marcha das Vadias do Rio começaram a serem ameaçadas de estupro e outras agressões, muitas feministas se uniram para defendê-las e apoiá-las. Concordando ou não com as performances, concordando ou não com o fato da organização ter deixado claro que não fazia parte do que foi previsto, concordando ou não com a própria Marcha das Vadias. E acredito que essa defesa é necessária e super bem vinda e não impede críticas aos atos, aos pensamentos e afins.

    1. Thais, acho que a implicância vem mesmo de como ele está sendo usado na internet para “calar” conflitos entre feministas, por exemplo. Que é essa ideia de “não podemos brigar entre nós”. Então, quando alguém aponta racismo ou transfobia por parte de alguma feminista não pode, porque está “rachando” o movimento. Como mostra um dos textos que linkei.

      Eu usei imagens nesse texto que a autora me pediu para retirar porque não aceita críticas, por exemplo. Também acho que isso é uma maneira de “calar” o debate: http://srtabia.com/2013/08/a-sororidade-que-nao-transa-criticas/

      Também defendi as organizadoras da Marcha do Rio nesse blog e em outros espaços, é claro que isso é importantíssimo, ninguém nega. Mas questiono quais mulheres se sentem confortáveis dentro do conceito de sororidade, se ele é realmente para todas. O “mexeu com uma, mexeu com todas” já vi sendo usado para dizer: “vocês são umas molengas que não apoiam as companheiras que arrumam treta no facebook”. E aí é que eu acho que não tenho que automaticamente defender qualquer pessoa, mesmo que ela seja feminista. E, eu não vejo muita sororidade quando, por exemplo, uma mulher trans* denuncia feministas transfóbicas.

      1. Estou acompanhando esse debate perplexa diante das demonstrações de infantilidade e falta de preparo para a luta política, além de um entendimento quase que romântico de “movimento social”. Feminismo é uma perspectiva diante de um aspecto das relações sociais, que são as relações entre sexos e gêneros, perspectiva esta capaz (ou não) de embasar ação. Todos os seres humanos que compartilham desta ampla perspectiva contrária à distribuição desigual de direitos e condições de exercício de auto-determinação entre os sexos e os gêneros é um@ feminista, ponto final.

        Pessoas que compartilham perspectivas ideológicas, considerando outros aspectos da vida social, inteiramente diferentes e até opostas podem ser feministas. Só estarão juntas naquele momento específico em que a ação justifica esta cooperação.

        Exemplo: eu quero ver o demônio de pica de fora mas não quero o PSTU na minha frente. Eu fui estuprada por militantes desta coisa de ultra-direita que se diz de esquerda e hoje os caras ainda tem o desplante de se defender com acusações ridículas a mim, que só depõe contra esta organização autoritária e contrária à democracia.

        No entanto, existem mulheres feministas militantes do PSTU. Algumas me amam antes de saber que eu sou a mulher que denunciou o estupro na seita delas – aí elas se colocam na posição de inimigas, “quod erat demonstrandum”.

        E a mulherada escrota do partidão (feministas!!) que curtia, na minha adolescência, me torturar psicologicamente, aprovando moções de advertência e dizendo que eu era feia por ser branca, loira e de olhos azuis, portanto, uma “estética imperialista”? Pensem bem pouquinho para saber o que eu acho delas e o quanto estou disposta a ser legal com elas.

        Sororidade??? Com quem?? Eu não sou irmã de ninguém exceto de uma moça chamada Helena, que compartilha um pai e uma mãe comigo.

        Eu sou feminista. Racional e feminista. Sei que é necessário tolerar todas estas reacionárias que eu mencionei, pois o movimento requer esse grau de ecumenismo. Por isso as bandeiras precisam ser pontuais. Por isso não pode haver chamados a “irmandades” ou outros estados emocionais conducentes à formação de sentimentos de homogeneidade e supressores da correta sensação de que não, não somos nada parecidas e só estamos aqui porque queremos chegar “logo ali”.

        Depois do “logo ali”, galera, tchau e benção. E boa sorte para quem tiver a melhor pontaria.

        Fiz de propósito este comentário violento para ver se cai a ficha de uma vez por todas que NÃO, não somos irmãs. Estamos apenas circunstancialmente juntas. E é bom que saibamos nos comportar bem assim, respeitando o limite desta difícil convivência.

      2. O meu comentário dizia que eu acredito que o problema não seja a sororidade em si, mas o racismo e a transfobia e que o foco da luta deve ser contra ambos e não contra a sororidade, porque a sororidade é uma forma de aprender a ouvir outra mulher, respeitar outra mulher, valorizar o que ela tem a dizer. E muitas vezes o que ela vai ter a dizer vai me obrigar como mulher cis e branca a questionar meus privilégios, vai me obrigar a desenvolver empatia pelo que ela diz, entende? Então acredito que lutar contra a sororidade é um verdadeiro tiro no pé, porque ela também é uma estratégia para promover questionamentos e inclusive pode ser utilizada justamente pra modificar defeitos graves no feminismo.

        E tem mais: acredito que exercer a sororidade é uma eterna construção, como o feminismo também o é. Eu nunca vi o “mexeu com uma, mexeu com todas” sendo utilizando num contexto como esse que você falou, sempre como um “vamos apoiar uma vítima de estupro que está sendo desacreditada” ou um “vamos mostrar que estamos do lado dela e que vamos ajudá-la a sair daquele relacionamento abusivo” e afins.

        Talvez eu seja otimista demais, mas acredito que a sororidade é uma estratégia para que a gente não só questione nossas misoginias internalizadas, aprenda a ouvir outras mulheres, a levar a sério o que a outra diz e trocar experiências e afins, mas também para questionar demais preconceitos como o racismo e a transfobia.

        Mesmo que algumas pessoas utilizem o termo sororidade para tentar calar outras, ainda acho que o termo é necessário pra gente empoderar nossas relações com mulheres, mostrar que podemos ser amigas, companheiras, respeitar umas as outras. A crítica pra mim deve se direcionar ao racismo e a transfobia e não ao termo. Afinal, numa sociedade que nos coloca como inimigas, como competidoras e coloca a irmandade masculina como uma coisa linda, por que implicar com algo que só diz que não somos inimigas?

        Até nossas conversas com nossas amigas são consideradas bobagens, apenas fofocas, totalmente desqualificadas pelo patriarcado. Então o termo sororidade é uma frente contra essa ideia de que não sabemos nos relacionar, somos competidoras, que competimos por homem, que só sabemos falar mal da outra.

        1. Obrigada pelo comentário. Sim, com certeza é uma estratégia. E considero os grupos de mulheres uma ferramenta importante para o feminismo. Me incomoda também opor essa questão do “mulheres inimigas” a “irmandade masculina” porque para mim as duas são irreais. Homens se juntam muito mais para corroborar seus privilégios do que para se ajudarem.

          Porém, o que mais me incomoda é mesmo o fato de a sororidade ser usada com esse intuito “não joguem as companheiras na fogueira” “não podemos brigar entre si”, “devemos ser todas irmãs”. Foi algo que vi quando a Marcha das Vadias de Brasília foi acusada de racismo, por exemplo. Foi algo que vi quando uma transfeminista fez uma lista citando feministas que tiveram atitudes transfóbicas, foi algo que vi quando uma feminista publicou um relato de um estuprador querendo perdão. Porque para mim discutir, debater e apontar questões é fundamental. E, como cito no segundo texto, eu realmente acho que quem me pede para retirar imagens que ilustram um texto só porque há uma crítica não está querendo dialogar, está querendo se fechar num grupo. A sororidade para mim é ferramenta, mas não o objetivo fim do feminismo.

          1. Também acho que debater, questionar e discutir são fundamentais para a construção do feminismo, mas a sororidade não impede isso. Como eu disse, não existe apoio mútuo, companheirismo e diálogo se não houver diferenças, discordâncias, reflexão, abertura pra ouvir e afins.

            Como disse, os problemas que são vistos na sororidade, também são vistos no feminismo e na própria sociedade, que são o racismo, a transfobia e até mesmo misoginia. Se a sororidade não é perfeita não é culpa do termo, é culpa de toda nossa cultura que se baseia em privilégios e também no fato de que somos humanos e também perdemos a paciência de vez em quando.

  12. Nossa, que termo horrível. Eu confesso que não o conhecia. Sou uma mulher de 58 anos, sempre detestei irmandades, e coisas semelhantes. Sou um ser social e posso ser feminista, e sou, com muito orgulho, sem necessitar de irmandades sororidades e freirices e caretices do “gênero”. As mulheres estão lutando há séculos e vem uma baboseira dessa, que mais me parece comportamento de turma de colegial, tenham dó. Classe média, aburguesamento. Solidariedade é um termo universal, e é disso que precisamos. Isso é mais uma imitação do comportamento masculino estereotipado. horror.

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