Meu apoio a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro

Sábado, 27 de julho, aconteceu mais uma Marcha das Vadias na cidade do Rio de Janeiro. E, assim como no ano passado, quando um pequeno grupo entrou em uma igreja para protestar, em 2013, outro pequeno grupo tornou-se o holofote da mídia ao quebrar santas e enfiar crucifixos em sua partes íntimas. O cu ainda choca o mundo.

Preguiça de pessoas inteligentes que creditam um evento pontual como esse a toda Marcha. Acho irritante pessoas que não vão as Marchas das Vadias, mas gostam de resumir um evento de quase seis horas num momento que não deve ter durado nem meia hora. É sempre mais fácil ecoar uma imprensa que nunca esteve ao lado do feminismo, não é mesmo? As pessoas também me dizem que só estão querendo ajudar o movimento com críticas, mas parecem não saber o quanto os direitos das pessoas são atacados por instituições religiosas.

Não foi a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro quem organizou um quebra-quebra-masturbatório de imagens sacras. Foi um pequeno grupo que, com certeza não estava preocupado com a imagem da marcha na mídia, mas queriam protestar de uma maneira polêmica. E numa marcha pública com mais de duas mil pessoas como evitar que algo assim aconteça? Não há como. Eu é que não vou fazer papel de bedel de Marcha das Vadias e ficar ditando regras do que pode ou não ser performático.

“Essa Marcha das Vadias não me representa, é um absurdo quebrar santas”.

Primeiro, vou contar como são organizadas as Marchas das Vadias. Acompanho, desde 2011, a organização das Marchas de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Recife por meio de amigas e das redes sociais. Todas essas marchas são estruturadas de forma horizontal, com reuniões públicas e muitas pessoas colocando a mão na massa.

Não acredito que alguém vá chegar numa dessas reuniões e dizer: “Olha gente, vamos quebrar umas imagens de santas, que nem aquele pastor da Record como estratégia para afrontar o catolicismo?”. Mesmo que alguém faça essa proposta, dificilmente será apoiada, porque as pessoas sabem os riscos que essas polêmicas envolvem. Porém, uma marcha pública, nas ruas, é algo incontrolável. Você não sabe quem vai e nem o que vão fazer. É claro que a organização tem uma estratégia para tentar lidar com a questão da segurança, mas não há como prever o que vai acontecer.

Já saiu a nota da Marcha das Vadias do Rio de Janeiro afirmando que a performance, que envolveu quebra de imagens religiosas, não foi programada pela organização do evento. Esse tipo de ação não é uma estratégia política do feminismo. Segundo informações, as pessoas que realizaram o ato fazem parte de um grupo pornô terrorista. E, a organização da Marcha não condenou a performance ou repudiou como muitos queriam, porque condenar performances artísticas não é objetivo da organização. Blasfêmia não é crime. Sim, é insulto religioso. Sim, é desrespeitar uma religião numa manifestação que pregava o Estado laico. Sim, não é algo que queríamos relacionado a imagem da Marcha. Porém, onde mais se quebrariam santas se não numa marcha libertária?

Com um Papa acusado de colaborar com a ditadura argentina sendo ovacionado pela mídia brasileira como “o mais humilde”. Com cartilhas de bioética que pregam a intolerância sendo distribuídas na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) junto com mini-fetos sensacionalistas. Com o PLC 03/2013, que normatiza o atendimento das vítimas de violência sexual, ameaçado de não ser sancionado por causa de pressão dos setores conservadores, estamos num momento crucial. Portanto, não serão todas as pessoas que distribuirão flores para peregrinos, algumas mostrarão sua indignação de outras maneiras consideradas não tão bonitas e educadas. O ideal de manifestante limpinho, higienizado, bonzinho, que dá a outra face para bater, não é o único caminho.

E, como disse Paulo Candido, vale lembrar do caso Pussy Riot na Rússia. Em março de 2012, as ativistas improvisaram um concerto na Catedral de Cristo Salvador de Moscou contra Vladimir Putin e a igreja ortodoxa russa. Três mulheres da banda foram presas e acusadas de vandalismo motivado por intolerância religiosa. É isso que queremos?

Marcha das Vadias do Rio de Janeiro 2013. Foto de Mídia NINJA no Facebook.

“Mas o que o feminismo ganha com isso? A opinião pública ficará contra nós”.

Deixa eu te contar um segredo: a opinião pública nunca esteve a favor do feminismo. Nem se todas as feministas usassem terninhos cor de rosa, fizessem escova e se depilassem, a opinião pública e a mídia estariam nos apoiando. Como disse o Everson: todo ano, toda marcha, toda parada, vai ter um motivo a ser explorado a fim de deslegitimar o evento. O nome da Marcha já é bem controverso e o que mais vemos nos comentários de quem fala primeiro para conhecer depois não é apoio.

A mídia não está do nosso lado, provavelmente William Bonner nunca leria uma nota sobre a Marcha das Vadias se não houvesse essa quizumba. Tem também quem diga que perdemos apoio de católicos que apoiam ideais feministas e nossa, cê jura? São tantos assim? Tô apostando que não. Quem está no movimento sabe que feministas não são chamadas de fofas, mas de assassinas de fetos, castradoras de homens, lésbicas sapatônicas. E não adianta piscar os olhinhos, somos todas filhas de Satã. Pessoas da minha família, que me conhecem, sabem que não entro em canoa furada e não se compadecem, nem apoiam a Marcha. Apoio para um movimento que prega liberdade para as mulheres é algo bem difícil, especialmente quando chegamos nos direitos sexuais e reprodutivos.

O feminismo ganhou uma de suas maiores Marchas das Vadias esse ano. Muita gente de outras cidades conseguiu ir para o Rio de Janeiro participar. Desde sexta-feira aconteceram ações pela cidade. Entre as reivindicações também haviam protestos contra a truculência do governador Sérgio Cabral e apelos que perguntavam: onde está Amarildo? Passou da hora de pessoas de carne e osso morrendo chocarem e provocarem mais revolta que imagens sacras de gesso sendo quebradas.

A Jô Hallack pergunta: o que ganhamos com isso? Ganhamos as ruas, numa época de muito medo e temor da reação da polícia no Rio de Janeiro. As pessoas foram muito corajosas de saírem as ruas e o feminismo ganha muito com isso. Portanto, cabe a nós divulgar o que realmente foi a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro 2013, uma festa linda com música, glitter, gente pelada, fantasias, beijos, humor. Uma marcha que pede liberdade. Quem viu a transmissão da Mídia Ninja sabe que foi um grande momento.

“Mas tem que respeitar para exigir respeito”.

Pelamor, minha gente, quando que a igreja me respeita? A igreja é contra a liberdade e diversidade sexual. É contra pesquisas com células-tronco embrionárias. Contra as pessoas decidirem pela eutanásia e pelo aborto, decisões particulares, que deveriam ser privadas. Uma igreja que acoberta por anos a pedofilia de seus membros, mas condena veementemente os homossexuais, inclusive lutando para impedi-los de adotar crianças. E, mais importante, eles não pregam isso só para quem é católico, a igreja católica é presença forte no Congresso brasileiro, elaborando leis, baseadas em dogmas, para toda população.

O discurso do “respeite, para ser respeitado” ou “meu direito começa onde acaba o seu” geralmente é usado para deslegitimar atos contra fundamentalismos. E, mais uma vez temos que dizer, não se iluda achando que o manifestante limpinho, sempre disposto a dialogar, conseguirá muita coisa. No movimento combativo é preciso ter todas as formas de militância. Porque há direitos humanos sendo ameaçados pela igreja, há cidadania sendo negada por causa de dogmas religiosos. Há a mutilação do afeto, porque duas mulheres se beijando é considerado uma afronta. E, se você não se sente oprimida pela igreja, está na hora de sair desse umbigo.

Não nego de maneira alguma o trabalho social realizado pela igreja católica. Desde iniciativas como a Pastoral da Criança, até o Conselho Indigenista Missionário, e a atuação em locais onde o Estado está ausente, como as penitenciárias. Porém, isso não é motivo para isenção ou falta de críticas, especialmente quando o Estado laico é ameaçado. Da mesma maneira que muitos fiéis choraram ao ver santas de gesso sendo quebradas, ao ver um crucifixo no cu de alguém, choro todos os dias ao receber emails de mulheres desesperadas em busca de indicação de clínicas de aborto, porque não posso fazer nada por elas. Desculpe, Vovó Candinha, mas não posso querer o mudar o mundo sem chocar você.

Vale também lembrar que há anos imagens de religiões de matriz africana, como o candomblé, são quebradas por pessoas e não provocam nem metade dessa comoção. Quantas religiões indígenas não foram dizimadas pelas catequizações de jesuítas? A revolta em torno da intolerância religiosa parece valer só para algumas religiões em nosso país.

Cartum do Laerte. Publicado em seu facebook.

Então, vamos deixar algumas coisas claras em relação a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro:

  • O evento já estava marcado para essa data há meses, inclusive as organizadoras fizeram formalmente o aviso a polícia. A escolha da data tinha como objetivo fazer um contraponto a agenda religiosa que tomaria conta da cidade, mas não o confronto com participantes da JMJ. A programação do Papa aconteceria em Guaratiba, na zona oeste, mas devido a especulação imobiliária e desorganização das autoridades o lugar virou um lamaçal devido a chuva e toda programação foi transferida para Copacabana. Inclusive, sabendo que os eventos da JMJ estavam em Copacabana, o trajeto da Marcha seguiu em direção a Ipanema.
  • As imagens de gesso quebradas foram compradas e levadas pelas próprias pessoas que fizeram a performance. Não foram roubadas imagens de fiéis, não foram benzidas e a blasfêmia não foi realizada em frente ao público da JMJ, mas sim numa roda aberta em meio a Marcha. As cruzes foram enfiadas nos cus e bucetas consensualmente. Sim, pode ser considerado atentado ao pudor. Alguns peregrinos presenciaram as cenas porque passavam pelo local. Havia peregrinos em absolutamente todos os locais da orla. Pelas imagens é possível ver que apenas duas pessoas nuas realizaram o ato, enquanto milhares marcharam durante toda tarde construindo uma bela festa.

Todo meu apoio para a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro, esse movimento lindo e libertário que conseguiu, com muita coragem, colocar o bloco nas ruas do Rio de Janeiro. Por fim, deixo a reflexão de Barbara Araújo:

Está difícil sentir compaixão pelos santos de barro e pelas pessoas religiosas que sentiram ofendidas ao vê-las sendo quebradas. Os santos não são agredidos na rua e mortos por playboys homofóbicos, eles não são culpados quando são estuprados por causa da roupa que vestem, eles não morrem em clínicas de aborto clandestinas e nem são criminalizados por interromper a gravidez, eles não são obrigados pelo Estado a ter um filho que foi fruto de um estupro. A instituição Igreja Católica está apoiando que quebrem os nossos corpos e as nossas vidas há muito mais tempo.

[+] Marcha das Vadias do Rio de Janeiro: os santos que nos tem quebrado por Barbara Araújo.

[+] Ui, quebraram a santa por Mary W.

[+] Quebrar santos: liberdade religiosa e outros elefantes brancos por Juno.

[+] Joguei meu véu no lixo (e jogaria novamente) por Deborah Sá.

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.

35 comentários sobre “Meu apoio a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro”

  1. Outro excelente texto, assim como o da Bárbara! Se teve algo de bom nessa história toda é de nos obrigar sempre e sempre a pensar! Parabéns 🙂

  2. apesar de discordar do “olho por olho, dente por dente” que esse ato sucita, gostei muito do seu texto – consegue fazer uma defesa sensata de tudo o que aconteceu.

    tomei a liberdade de linká-lo no texto que escrevi ontem sobre esse mesmo assunto.

  3. Entendi os argumentos, concordo com a maioria, mas dois erros não fazem um acerto. Achei o ato desnecessário e, pior, inútil. Infelizmente, me pareceu um ato de rebeldia infantil em um movimento que já é adulto faz tempo.

  4. Pegando carona nas opiniões da classe mé(r)dia opinadora: Os que enfiaram nas partes íntimas (não digo que discordo), foi uma pequena minoria de mascarados… (rs…)

  5. Não foram as vadias… Foi um casal que resolveu aproveitar a marcha e fazer uma performance individual aproveitando o evento. Eles estavam afastados do núcleo e isso aconteceu antes da marcha começar. O problema é que ninguém conhecia o enredo e o desfecho, e nem o foco das atenções estava ali. Um casal nu quebrando crucifixos atraiu fotógrafos e poucos que estavam próximos, inclusive eu. Vi só o início, não me interessou, me afastei fui saber do crucifixo no cu ontem, pela rede… nem lá, na hora, isso teve repercussão. Aposto como a maioria das pessoas que foram à marcha só viram os dois (se é que viram…) depois, chutando os crucifixos e as imagens quebradas…

  6. Acredito que se a Marcha das Vadias é a que chamou as pessoas para esse protesto, ela tem que se responsabilizar sim pelo o que as pessoas estão fazendo no momento, dentro da marcha. Para mim é querer se eximir de culpa, assim como os caras que organizam as manifestações mas não admitem que uma parcela deles são sim vândalos. Tem que ter a responsabilidade.

    1. Se responsabilizar por uma infinidade de pessoas que comparece a uma marcha? Ninguém lá dentro é responsável por ninguém, os organizadores existem para se responsabilizar por outras coisas. Toda e qualquer pessoa que comparece à marcha é responsável por si mesma (exceto no caso de menores de idade, claro). Agora comprar estátua na loja e quebrar no meio da rua também virou vandalismo? Vamo começar a consultar o dicionário, galera.

      Gostei muito do texto. Além “responder” a maioria das frases que surgem ao criticar a marcha, falou o que realmente foi o momento. Uma pena que em uma marcha quilométrica só se fale da ação de duas pessoas. Mas é isso aí, o que importa é a manchete, né.

    2. Mayara, ali no texto falo sobre a nota oficial da marcha avisando que não chamou esse coletivo especificamente para o protesto. A rua é pública, qualquer pessoa pode fazer o que quiser e não é possível controlar isso. Tanto que vimos inúmeras cenas nas manifestações de pessoas pedindo “sem violência” e alguns manifestantes continuavam depredando prédios.

  7. Apontar erros da Igreja Católica para justificar outros erros não faz deste movimento um exemplo de causa respeitável. Foi uma mobilização inoportuna, haja vista: o local e a data.
    Uma falta de respeito devido à importância da JMJ para união dos jovens de todo o mundo em torno de um só objetivo! Deus! Ou existe algum tema mais importante? O texto é absurdamente equivocado pelas reflexões expostas pela autora que dá voz a um movimento que poderia ser melhor explorado e debatido em um momento mais oportuno.

    1. “Uma falta de respeito devido à importância da JMJ para união dos jovens de todo o mundo em torno de um só objetivo! Deus! Ou existe algum tema mais importante?”

      Se todos esses jovens se reunissem com o objetivo de curar o câncer, pesquisar formas de energias renováveis, proteger o meio ambiente ou lutar por uma educação de qualidade, eu me sentiria bem mais aliviada (só pra citar alguns dos temas mais importantes).
      Se as pessoas focassem mais suas energias no que elas vêem e no que é comprovado cientificamente, e não simplesmente no que elas acreditam ser a verdade por simples comodidade, o mundo andaria pra frente e não pra trás. Na minha opinião, ao invés de aprender a rezar, os jovens deveriam mesmo era aprender a questionar.

      ps: Eu não sou adepta de nenhuma religião, mas respeito a crença de todos. Só não posso respeitar a opinião de pessoas que assumem suas crenças como verdade absoluta que deve ser seguida por todos. O mundo vai muito além das palavras de um líder religioso.

    2. Sim, existem temas muito mais importantes do que o teu amigo imaginário. Não, não falo “amigo imaginário” para ofender, blasfemar, etc. Seja madura e não leve para o lado pessoal. Existem “crenças” diferentes das suas. O que é uma “crença”? Hipótese sem qualquer embasamento fático. Da mesma forma como não posso provar que seu deus não existe, você não pode provas que ele existe.

      Enfim, o que eu quero dizer é: SIM, existem temas infinitamente mais importantes para *debate público* do que um “deus”. Crença cada um tem a sua. Políticas públicas são para todos. E não adianta falar da “união dos católicos”, vocês são a igreja mais dividida do planeta, existem milhares de seitas. Os políticos queriam o glamour do papa, o povo queria a “bênção” da santidade cada qual por seus motivos.

      Aliás, tanto falam da “união de jovens” mas o que eu mais vi ali foram idosos…

    3. Assino em baixo…o movimento em si é controverso, mulheres querem ser respeitadas como tal e andam de topless no meio da rua, sabendo que milhares de famílias estavam na mesma hora em culto religioso?? Esse feminismo atual em nada se parece como a luta feminista da Revolução Industrial, em que as mulheres lutavam por direitos trabalhistas e políticos, e não pelo direito de “mostrar a bunda”, que até onde eu sei no nosso país somos até livres demais para fazê-lo…rs

  8. A causa da Marcha das Vadias e legítima mas não é enfiando qualquer coisa no cú – crucifixo, cabide, vassoura, ou espada ninja, que a pessoa vai convencer alguém sobre seu ponto de vista.

    Protesto pra mim tem que ter elegância do primeiro ao último minuto. Quando partem pra ignorância, quando as pessoas descem do salto, quando resolvem escandalizar não a mim, porque nada mais me surpreende, mas outras que acreditam que sua religião, seu candidato ou seu time de futebol é o melhor de todos, o ato deixa de ser um protesto pra ser vulgaridade, agressão, vandalismo … Pior ainda quando usam seus traumas, seus desejos de vingança pessoal, como pretexto para atingir aqueles que nem conhecem ou que não são os responsáveis diretos pelas suas frustrações. Essas pessoas não me representam e nunca terão o meu respeito, por mais que eu reconheça que a sua causa é legítima.

  9. Excelente texto! Mas se possível, atente-se ao momento em que vc afirma que a “blasfêmia não é crime”. É sim e está tipificado no art. 208 do nosso Código Penal!

    1. Jade, não existe a figura jurídica do crime de blasfêmia (insulto ao que é considerado sagrado) no nosso ordenamento Penal. Existem sim os crimes de calúnia, injúria e difamação.

      No caso do ato da marcha eles não escarneceram ninguém publicamente, não impediram prática religiosa, não retiraram as imagens de nenhum local religioso. Uma imagem comprada numa loja não constitui objeto de culto religioso, necessariamente. Pode ser interpretada como apenas um objeto quando não foi benzida. Então, acredito que realmente o único crime cometido seja atentado ao pudor.

  10. rParabéns por seu discernimento, texto bem redigido, porém não cononcordo com tudo, embora respeite . Só não entendo porque o fato de eu abominar o ato de desrespeitar a crença alheia me isenta de não sentir a mesma revolta por gays que são espancados por homofóbicos. Não vejo relação nas duas coisas, prar mim todo ato insano e violento de todas as formas e metáforas vai contra nosso senso de humanidade, de respeito ao próximo. Exemplo, sou ativista na causa animal e escuto muita gente dizendo porque ajudo os animais e não aos humanos? Digo, o que uma coisa implica na outra? Não me choco com o nu, nem em cús muito menos em vaginas sendo estimuladas em público, me choco com o desrespeito ao ser humano em todas as suas formas e achar aquele ato uma barbárie não me aliena para outras barbáries que ocorrem no mundo.

  11. “Desculpe, vovó Candinha, mas não posso querer o mudar o mundo sem chocar você.” Ok, então em vez de aproximar o mundo da vovó Candinha do feminismo, é melhor aliená-la completamente de uma vez, porque “foda-se a vovó Candinha, ela é de outro tempo, é mulher e é oprimida também, mas o feminismo não é pra ela”. Mal ae, foi o que eu entendi. E é por essas que não consigo nem ver com bons olhos, nem fazer vista grossa.

  12. Se algo me surpreendeu em relação à santa quebrada durante a Marcha das Vadias, sem dúvida foi a repercussão por algo tão estúpido. E digo estúpido em todos os sentidos possíveis: Desde ter chegado a este ponto de repercussão negativa até o ato em si, que foi estúpido e mesmo burro. Mas legítimo.

    Antes de mais nada, é preciso deixar claro: Não é aceitável de forma alguma igualar o oprimido em ato de revolta a seu opressor. E a Igreja Católica é a opressora.

    Da mesma forma, não se iguala ato de opressor contra outro, como se isto deslegitimasse o oprimido de protestar. Falo aqui dos exemplos toscos ou comparações toscas entre o ato de um pastor evangélico (opressor) quebrar uma santa católica em uma guerra entre opressores.

    Tampouco procede a comparação entre a opressão de evangélicos destruírem terreiros (opressor versus oprimido) e o caso em tela, pois ocorreu o INVERSO, ou seja, seria como se, revoltados com a opressão e a devastação de seus terreiros, pais (e mães) de santo fossem até “templos” evangélicos descarregar sua justa raiva contra o opressor.

    http://www.tsavkko.com.br/2013/07/a-santa-quebrada-quando-igualam-o.html

  13. “Grupo pornô terrorista”. Seu próximo feito será jogar vibradores contra as torres gêmeas do Congresso.

    Na boa, aquilo é gente doente por aparecer. Qualquer agrupamento humano terá seu 1% de fanáticos chamativos. Engraçado os Católicos querer estigmatizar todo o grupo feminista por causa de dois malucos.

    O bom é que isso é uma via de mão dupla. Se todas as feministas são violadoras de imagens sacras, posso então afirmar que todos os padres são pedófilos.

    Brincadeiras de lado, qual o verdadeiro problema? Massas evangélicas que sequer concluíram o ensino fundamental. Não sabem argumentar, não sabem usar a lógica. Quem pode culpá-los? Desde pequenos ou trabalhavam, ou morriam de fome; sem leitura, sem estudos. Fonte máxima de inspiração literária: Pedro Bial.

  14. Como desconsiderar isso?: Art. 208 do Código Penal – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.

    As orientações da Igreja Católica são para quem as segue. Se não as segue, o que faz a protestar contra ela?

    1. Beatriz, o único caso que se encaixa nessa lei é vilipendiar objeto de culto religioso. Mas como o objeto foi comprado pelo casal e não foi benzido acredito que pode ser considerado como um objeto comum e não ser crime.

      Não sigo as regras da igreja, mas ela está no congresso brasileiro querendo me obrigar a seguir, por isso protesto.

  15. Avise à Barbara Araujo que nenhuma mulher no Brasil é obrigada a ter filho originado de estupro. Não há crime no ordenamento jurídico pátrio. Leia o artigo 128, II do Código Penal Brasileiro.

    P.s.: Antes de entrar em uma luta é importante se saber pelo que se luta!

    1. Roberto, a Barbara se refere ao Estatuto do Nascituro que esta em tramitação no Congresso. Antes de comentar informe-se sobre projetos que ferem os direitos das mulheres.

  16. A “performance” realizada pela Marcha das Vadias é um ato criminoso tipificado pelo artigo 208 do Código Penal, vejamos:

    Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:

    Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.

    Parágrafo único – Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência.

    Qualquer dúvida, basta acessar a letra da lei no site oficial do Planalto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm

    Sou a favor da liberdade de expressão, mas a mesma, no Brasil, tem limites legais.

    E o fato dos manifestantes terem comprado as imagens e as mesmas não serem ‘benzidas’ não extingue a culpabilidade do ato, muito menos, impede que a conduta seja enquadrada no artigo retro citado.

    A imagem de uma mulher utilizada representa Maria, mãe de Jesus Cristo, e o homem crucificado representa o ato supremo na fé cristã! Enfim, esses objetos tem essa carga valorativa que provêm do cristianismo e são objetos de culto religioso.

    Infelizmente, cometeram um ato criminoso.

    Ademais, o ordenamento jurídico brasileiro vale p/ todos os atos praticados em território brasileiro. Logo, não há exclusão de culpabilidade ou minorante penal pelo fato de alguém considerar a Igreja Católica como “historicamente opressora”.

    Respeito a opinião de todos e essa é a minha.

    1. Veremos se o Ministério Público ou a polícia terão essa interpretação. Santas já foram e são quebradas em inúmeras expressões artísticas no teatro e nas artes plásticas e nunca soube de alguém que foi preso por isso. Também sou contra punir pessoas por isso com código penal, porque ninguém foi ofendido diretamente, e ofensa, para ser crime, tem que ser pessoal.

      1. O ordenamento jurídico não pune apenas ofensas proferidas de forma pessoal, pois zela também por bens jurídicos da coletividade(sociedade). Nesse caso, o bem jurídico tutelado é o sentimento religioso com base na dignidade da pessoa humana! A própria função (a principal) do Ministério Público é resguardar os interesses e bens coletivos! Com esse teu pensamento, eu poderia ofender a todos os negros de forma genérica e não haveria sanção criminal p/ esse absurdo! Outro exemplo, com esse teu pensamento, eu poderia queimar uma bandeira símbolo do movimento LGBT e não seria crime! É como diz o velho ditado: “Pimenta no suco dos outros é refresco!”.
        Pois saiba, que se algum peregrino tivesse queimado uma bandeira representativa do movimento LGBT na JMJ 2013, eu seria um dos que elaboraria uma noticia criminis à Polícia Civil, apesar de ser católico! Aprendamos a não ter dois pesos e duas medidas! Pratiquemos a justiça no nosso cotidiano!

        1. Exatamente. Não acho que seja crime alguém xingar todos os negros ou queimar a bandeira LGBT. Não quero ninguém preso por isso, porque não acredito em uma sociedade punitivista. E sim, é racismo, é homofobia.

          Mas penalidade eu só considero quando a ofensa é pessoal. E, assim como ano passado houve a invasão a igreja, que acho bem pior do que quebrar santas, acredito que nem a polícia e nem o ministério público vai aceitar esse tipo de pedido.

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