Shame

Achei estranho que Shame tenha saído no Brasil sem nenhuma tradução ou complemento ao título. “Vergonha” não seria uma palavra para definí-lo. Talvez pudesse ser chamado de “Discrição”.

Como vi em várias críticas, Shame é um filme fetiche. Não por falar sobre sexo, mas pela maneira como a câmera persegue Michael Fassbender. Inclusive seu tão comentado atributo, que aumenta a simpatia que tínhamos pelo jovem Magneto. E, dizem as más línguas, custou sua indicação para o Oscar. Porque Hollywood não quer nenhum pênis desligando o despertador por aí.

Brandon é um homem viciado em sexo. Porém, ele poderia ser nosso colega de trabalho e nunca desconfiaríamos. A única vez em que Brandon é “pego” socialmente, acontece quando descobrem que seu computador do trabalho é atolado de todo tipo de pornografia que se possa imaginar. Fora isso, não notaríamos nada demais. Brandon sai para o happy hour depois do trabalho. Come ovos pela manhã. Gosta de correr. Assiste desenhos animados antigos. Marca jantares com mulheres em restaurantes bacanas.

Inclusive, para um viciado em sexo, a única coisa que talvez exista de chata na vida de Brandon é o fato de se masturbar no banheiro do trabalho. As cenas de sexo não são mostradas de forma mecânica. Brandon passeia por vários fetiches: sexo em local público, sexo em motel com uma linda vista, sexo à três, sexo no dark roon da boate gay. Brandon parece sempre estar curtindo tudo. Talvez eu seja mesmo uma moralista que imagine a vida de uma pessoa viciada em sexo como um pornô fake sem fim.

A vida de Brandon só é abalada com a chegada de sua irmã, Sissy. Vivida pela adorável Carey Mulligan. O não gostou da cena do bar, em que ela canta New York, New York. Para mim a cena faz todo sentido. Ela existe para nos aproximar de Sissy e não vê-la apenas como a irmã maluca que usa chapéus. Ela é uma pessoa talentosa, tem estilo e talvez esteja mesmo ganhando algum dinheiro. Fora que a cena é catalisadora do desentendimento entre os irmãos, o turning point da história.

Dou três estrelas para Shame. Não é péssimo, mas também não é um filme memorável. Confesso que esperava mais. Há longos planos, cenas que se estendem muito além do que deveriam. Não achei que a atuação de Fassbender foi tão marcante, já o vimos bem mais sedutor em Bastardos Inglórios. Brandon é suave. Arrisca tentativas de mudança, mas talvez nos dias de hoje, pareça normal até demais com seu computador sempre ligado para a stripper dizer: “eu sei o que Brandon gosta”. O final de Sissy acaba sendo bem óbvio também. Talvez seja mesmo isso, o sexo está tão óbvio nos dias atuais que não nos surpreendemos com Brandon, ele é comum até demais.

Eu poderia estar apresentando um programa de sexo na MTV, mas preferi estar fazendo sexo. Shame (2011)

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