A Vida da Gente

Hoje é o último capítulo de A Vida da Gente. Acho que desde Caminho das Índias não me envolvia tanto com uma novela.

Manu e Ana, numa cena "nós é jeca, mas é jóia".

Em termos de representação social tem todos os problemas da maioria das novelas. Os personagens principais não são necessariamente ricos, mas vivem em casas enormes, muito bem decoradas, mesmo quando estão sem trabalhar. Não há negros no núcleo principal e os que existem começam sempre no papel de empregados domésticos. Não há gays, lésbicas, nada que fuja da heteronormatividade. Há também questões hilárias como o figurino de Ana, que está sempre com roupas vermelhas e o de Manu, que usou todos os vestidos florais com casaquinhos existentes no planeta terra. Teve Celina, que tal qual a grávida de Taubaté, tem um filho que não nasce nunca. Homens perfeitos, românticos e maravilhosos como Dr.Lucii.Me.Examina.com.br e Gabriel, o fazendeiro. Homens encosto e imaturos como Marcos, Lourenço e Rodrigo.

Porém, venho de uma longa família de noveleiras e o que nos encanta são justamente as histórias. Ana e Manu serão inesquecíveis. Especialmente pelo dilema principal que não deixa margem para acusarmos nenhuma das duas de querer o mal da outra. Como disse a autora da novela, se há alguma vilã nessa história, ela é a vida. Os pontos positivos são a história dramática vivida nos dias atuais, o núcleo de idosos que possui vida sexual ativa e as diferentes personagens maternas. Algumas muito amorosas, outras exigentes e perfeccionistas. Uma das cenas mais belas foi a sequência do luto de Nanda e Francisco após a morte de Lui. O melhor texto é o da cena em que Manuela e Gabriel se beijam pela primeira vez. A melhor cena é o acerto de contas entre Ana e Manu, porque uma boa briga é muitas vezes o remédio para percebermos os erros de ambas.

Ontem, conversando com a Dehbora, percebemos o quanto a vida real nos impõe todos esses dilemas. O quanto as pessoas perdem ou jogam fora relacionamentos e vidas, porque não conseguem distinguir ao certo o que sentem em um momento. Um instante que muda a vida de todos, tal qual um bullet time effect. Por vários momentos me peguei conversando com amigas sobre as cenas da novela e como aqueles momentos já se repetiram de diferentes maneiras em nossas vidas.

O Amor. Ana, Rodrigo e Manu cresceram juntos. Ana e Rodrigo descobriram uma paixão avassaladora, revelada num passeio com amigos. Uma paixão interrompida por um coma de 5 anos. Manu e Rodrigo se uniram para criar a pequena Júlia juntos. Precisaram amadurecer e reinventar suas vidas. Dessa relação nasceu um amor. As pessoas comentam que o relacionamento entre Manu e Rodrigo era um tédio, que era morno, mas acredito que não há sentimento mais verdadeiro do que aquele que nasce da relação cotidiana entre duas pessoas, da admiração pelas pequenas conquistas. Depois de tanto imbróglio gostaria que todos eles se libertassem e ficassem com outras pessoas, mas parece mesmo que Manu e Rodrigo terão outra chance.

A Paixão. Depois que Ana acordou do coma Manu tentou compreender o sentimento dela e Rodrigo. Perguntou a eles o que sentiam, mas dificilmente conseguimos dizer a verdade nesses momentos. Uma dor que faz até pensar que é ruim conhecer a felicidade. Porém,  o melhor dessa cena é que ela deu origem a fotonovela A Vida Da Crente.

A Reconciliação. Nessa cena há a reconciliação de todos em torno do amor que sentem por Júlia. O olhar entre as duas irmãs é maravilhoso. O interessante é que em uma novela com um texto tão bom, a cena final da reconciliação das duas é feita sem palavras.

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4 thoughts on “A Vida da Gente

  1. Gostei bastante da novela também, acompanhei. Desde Barriga de Aluguel que mocinhas envolvidas com carreira esportiva já ganham pontos na minha caderneta de noveleira.
    Comentava c/ minha irmã estes dias, porém, que o maior furo da trama (que girava quase totalmente em torno de diálogos) é que parece que no RS não tem msn nem telefone: as pessoas sempre tinham que ter um minutinho pra conversar num café, haha..
    Essa vai certamente trepetir no vale a pena ver de novo.

  2. eu não vi a novela sempre, peguei capítulos picados, mas tenho ódio da manu porque ela deixou a julia chamá-la de mãe.

    inadmissível se ela pensava que a irmã um dia poderia acordar. “não, juju, eu sou a tia manu, a mamãe é a ana”. ponto final. meia bagunça resolvida. porque a menina fica com essa de “essa não é minha mãe verdadeira”.

    fora que, pedagogicamente falando, hehehe, essa julia é uma chatinha. eles dão satisfações demais pra ela, voltam de viagens por ela, mudam de cidade por ela. nada disso. “agora é assim, juju, titia aqui, você aí, vem me visitar nas férias!”. “julia, tô no rio de janeiro, querida, não vou pegar o primeiro voo porque você não consegue dormir, lê o livro dos três porquinhos, beijo.”

    sou prática demais?

    ps: ontem no meu intervalo uma amiga me disse que a ana tá sempre de vermelho, parece que tem o guarda-roupa da mônica. nunca tinha reparado nisso! hehehe. agora aquela manu e seu vestido-casaco-cinto-costureira-usou-o-mesmo-molde é de matar mesmo. hahahaha.

    ps2: mas amei a novela. <3 <3 <3

  3. Eu gostei bastante dessa novela, mas só comecei a ver depois que a Ana saiu do coma. (tive que perguntar apra as minhas tias noveleiras tudo que aconteceu antes) Também acho que seria interessante cada um com novos amores, e deveriam achar um para a Eva também.
    Me acabei de rir com a fotonovela da Cleycianne.

  4. Minha esposa era doida por essa novela. Assisti a alguns capítulos e a achei muito bem produzida, com diálogos bem construídos e personagens psicologicamente bem delineados. Bem diferente do superficialismo com que a Globo vem apresentando em suas novelas de uns quinze anos para cá.