Os Descendentes

Sempre soube que ia gostar de Os Descendentes. Família disfuncional, pai ausente tentando se reabilitar, mãe catalisadora de todas as emoções. Welcome to my world. A diferença entre eu e os King é que na minha família quase todo mundo foi para terapia em algum momento. Enquanto a maioria se identifica com pais repressores, mães inocentes e religiosas em filmes roteirizados pelo Djavan, Os Descendentes é minha história de inadequação sem o amigo maconheiro. O que senti falta foi conhecer melhor a personagem de Elizabeth King. Porque acaba que só formamos sua imagem a partir dos olhos dos outros. Do marido amargurado, da filha revoltada ao pai super protetor.

Muito se fala sobre a corrida de George Clooney (e ela é bem marcante, especialmente na corrida clímax na praia), mas me chamou mais atenção a cena na piscina de Shailene Woodley. Sei exatamente o que é esse sentimento de pessoas que nunca foram próximas, mas que por serem da família sentem-se unidas em algum momento de ruptura. Para mim, Os Descendentes é um filme sobre rupturas. Sobre meninas que praticam bulliyng para se sentirem mais fortes, mas que serão forçadas a amadurecer num quarto de hospital. Sobre terras virgens que remetem a gerações, estão nas mãos de poucos, mas interessam a milhares de pessoas. Fora que tem o Havaí e suas paisagens maravilhosas. Conheci melhor o estado americano depois de começar a ler o blog da Lucia Malla, sempre imperdível.

Camisas havaianas, muito mahalo e Beau Bridges bonachão como o Primo Hugh. Os Primos são todos ótimos. Alexander Payne acertou mais uma vez com um filme em que uma das personagens principais está o tempo todo em estado terminal. Porque sempre chega o momento de destruir tudo e recomeçar.

Sim, somos a família Addams do Havaí, vai encarar? Os Descendentes (2011)

Related posts

2 thoughts on “Os Descendentes

  1. Eu sou uma das que se identificaram horrores com o filme do Malick. Chorei do começo ao fim por causa disso. Aquela é a minha mãe, aquele é o meu pai (suavizado, infelizmente).
    Mas vamos falar do filme do Payne, que eu amei de paixão – filme de família zoneada é comigo mesma, experiência pra dar e vender. Gente, o que é Shailene Woodley? Coisa linda e talentosa. E Clooney é aquilo, né? Puro amor (e eu achei que o ápice dele tinha sido em “Amor sem Escalas”).

    * spoilers *

    O filme me emocionou em diversos momentos, mas eu chorei um balde mesmo foi na cena em que ele se despede da mulher.