Histórias Cruzadas

Se os cartazes dos filmes contassem a verdade, essa seria a de "Histórias Cruzadas": "Bem-vindas, pessoas negras. Pessoas brancas resolveram o racismo". Imagem: Shizinit.co.uk

É um filme que devo escrever um post maior no futuro, tentando abarcar parte da polêmica sobre brancos salvando negros. Mesmo citando a figura da “mammy” como a única figura conhecida das empregadas domésticas negras, o filme cai em grande parte no mesmo estereótipo.

Mas não posso negar que gostei, que é bem meu tipo de filme, porque é cheio de mulheres. Há drama em excesso, chega um momento em que você diz: “por favor, não preciso dessa criança chorando e batendo na janela”. E mesmo assim me fisgaram, me fizeram pensar em cada uma das personagens quando sai.

Gosto muito da Viola Davis, desde que a vi em Dúvida. E gosto especialmente de vê-la na cena em que ela está ao telefone com Minny. Emma Stone está bonequinha, mas é sempre bom ver uma personagem subversiva em meio a tanto conservadorismo. Jessica Chanstain está piriguete e fiquei surpresa de ter ganho uma indicação para Oscar por esse filme. Achei-a muito caricata. Ela está bem melhor em Árvore-Da-Vida-Djavan-Fez-A-Via-Láctea-Fez-Os-Dinossauros, por mais que eu desteste esse filme, ela é a melhor coisa dele. Adorei conhecer Octavia Spencer, mas tenho muito medo que ela seja pega pela maldição do Oscar de atriz coadjuvante e depois só faça comédias medonhas do Eddy Murphy. Bryce Dallas Howard é o diabo racista encarnado. E Sissi Spacek é sempre uma alegria, ainda mais como uma senhorinha insolente.

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4 thoughts on “Histórias Cruzadas

  1. ADOREI o seu subtítulo pra ÁRVORE DA VIDA! hahahahaha

    Sobre The Help, achei bem ruim. Mas te entendo – existem pontos positivos, especialmente o de ser um filme maduro voltado para mulheres, coisa rara hoje em dia no cinema americano.

    Abs!

  2. Vou entrar um pouco na polêmica antes de ler seu post que vc ainda não escreveu: sim, a personagem central é uma branca. Mas essa é a única crítica que eu julgo pertinente. Li as críticas das negras americanas e sinceramente? Achei-as fracas. O filme, como você bem disse, é sobre mulheres. Cacete, a gente reclama de filmes que não têm mulheres e quando tem, “ah, os personagens masculinos são fracos?”. São mesmo, eles não são importantes. Eles não são o foco. Homem nunca se relacionou com empregadas, a não ser, é verdade, em questões de assédio (e nesse ponto, eu concordo, poderia ter havido alguma cena assim). Mas “ah, os sotaques dos negros era estereotipado”, bom, os das brancas sulistas idem. “Ah, a impressão que dava é que naquela época uma negra só lavava latrinas” bem, naquela época não dava pra pensar numa negra na Presidência, o movimento dos direitos civis tava engatinhando ainda. “Ah, falaram pouco da Ku Klux Klan”. É um filme sobre mulheres. Não era o foco. Sei lá, pra mim teve cenas bem fortes, aquela marcação do papel higiênico, a empregada ter que ir num tornado usar o banheiro de fora…na real? Só não acha essas cenas fortes quem nunca viu essas cenas acontecerem na sua frente. Porque aqui elas ainda rolam, né?
    E eu nem acho que a branca salva as negras, ela coloca elas numa puta encrenca, isso sim. Só as faz pensar na questão dos direitos humanos, mas no quanto isso é importante, mas naquela época sei lá se isso significava “salvar”.
    E sei lá, sei que vai pegar muito mal o que eu vou dizer, mas apesar de ler, tentar entender o que as negras americanas disseram, eu acho que meu papel é ler, mas não sou obrigada a concordar com tudo.
    Os textos reclamando do filme falam que ele não enaltece as negras que eram feministas que já àquela época se rebelavam e protestavam (como Rosa Parks e outras) ao invés de choramingar e se conformar. OK, beleza. Só que… o filme não é sobre elas, é sobre aquelas que se conformavam, ué. Fica complicado cada vez que a gente faz um filme ter outros 100 filmes paralelos a ser feitos, porque sempre os há, né? Não dá.
    E olha, não duvido que tenha gente que ache que negros passem doenças diferentes das dos brancos, viu? Tem gente que acha que ficamos doentes com masturbação, tudo é possível…
    Enfim, acho as críticas um tanto quanto exageradas e politicamente corretas demais. Não achei o filme fabuloso, mas achei-o bem bom. Principalmente se traçarmos um paralelo com o Brasil.
    Beijos, e desculpa pelo comentário imenso, tô com preguiça de postar :-)