A criança, o pensamento e a linguagem

Uma das minhas formações é pedagogia. Meus estágios curriculares foram feitos na Educação Infantil. Minha monografia final de curso teve como foco o conhecimento hipertextual e a aprendizagem dialógica na Educação Infantil. Acho importantíssimo que as crianças frequentem a escola desde cedo. É crítico que a Educação Infantil brasileira ainda seja relegada a um papel secundário, que as crianças até 5 anos seus direitos básicos desrespeitados. Além de ser fundamental para a criança, as creches e pré-escolas públicas garantem que as mulheres que são mães possam trabalhar deixando seus filh@s em um local seguro.

A criança em seus primeiros anos possui uma vivência e necessidades a serem respeitadas num ambiente escolar. A escola destinada à Educação Infantil possui a função de impulsionar o processo de escolarização de forma lúdica, com a participação das crianças, estimulando a autonomia e o desenvolvimento dentro de uma visão integral, proporcionando o aprendizado de currículos, mas também do cotidiano e da sociedade. A brincadeira é valorizada como uma das principais atividades nesta etapa. O papel do professor está em estimular a criança por meio da proposta de novas formas de interação e de materiais variados.

Imagem de Carolina Arantes no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Dentro de uma sala de aula vivenciam alunos e professores, mas também estão presentes de forma implícita, as pessoas que influenciam as crianças: a família e a sociedade. A criança é um indivíduo aberto ao aprendizado e em formação, as vozes que norteiam seu pensamento e suas decisões são elementos importantes para seu processo de desenvolvimento. Dentro dos diversos aspectos da comunicação humana, o diálogo e a interação social estão presentes constantemente nos processos educativos e analisá-los torna-se fundamental para compreender como uma parte da educação se constitui num ambiente escolar formal.

De acordo com Vygostky:

A maior mudança na capacidade das crianças para usar a linguagem como um instrumento para a solução de problemas acontece no momento em que a fala socializada é internalizada. Ao invés de apelar para o adulto, as crianças passam a apelar a si mesmas: a linguagem passa, assim, a adquirir uma função intrapessoal além do seu uso interpessoal. No momento em que as crianças desenvolvem um método de comportamento para guiarem a si mesmas, o qual tinha sido usado previamente em relação a outra pessoa, e quando elas organizam sua própria atividade de acordo com uma forma social de comportamento, conseguem, com sucesso, impor a si mesmas uma atitude social. A história do processo de internalização da fala social é também a história da socialização do intelecto prático das crianças.

A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, pg 37.

A criança na escola receberá ensinamentos pré-determinados por referenciais curriculares, mas não há como determinar a ordem do aprendizado. O modo como a criança aprende é altamente não-linear, interativo e interconectivo, traçando novos percursos na construção do conhecimento e tornando-a detentora de novos significados a cada instante. A criança é o principal sujeito de seu processo de formação, a partir do momento em que aprende por meio da descoberta, participando ativamente da construção de seu conhecimento. Entretanto, a intermediação com adultos e outras crianças é fundamental para a ampliação de seu contexto e do que ela pode vir a conhecer. Todo aprendizado amplia o universo do aluno. O ensino de um novo conteúdo não se resume à aquisição de uma habilidade ou de um conjunto de informações, mas da ampliação das estruturas cognitivas da criança.

Publicado por

Bia Cardoso

Uma feminista lambateira tropical.